sexta-feira, 24 de abril de 2009

Até que a morte os separe

Na última semana compareci a um aniversário num desses bonitos barzinhos da moda onde uma porção de batata frita é mais cara que uma parcela de TV de plasma e uma garrafa de cerveja custa o mesmo que um PF com sobremesa, mas onde as pessoas bonitas vão ver e serem vistas. Acho que vou abrir um comércio voltado apenas às pessoas feias. É um nicho a ser explorado.


Mas devaneios à parte, no tal bar havia uma mesa com duas meninas simpáticas. Discretas, como convinha a elas. Sozinhas, como convinha a mim.


Lá pelas tantas resolvi bater papo com elas. Sabem como é, aquele velho instinto animal da conquista barata. Eu estava trajado de garotão, o que me deixou mais à vontade.


No caminho do toalete (acho toalete boiolíssimo. Pra mim é banheiro mesmo e olhe lá) fiz uma brincadeira qualquer com as moças e, na volta aproveitei que meu chiste havia sido bem recebido para parar e conversar com as meninas.


Mas hoje em dia eu sou um banana, portanto rumei a conversa para algo sem segundas intenções. Papo de amigo mesmo. Um banana.


As duas eram irmãs, e resolveram parar no barzinho pra conversar amenidades, mudar de ares, poder ter papo de irmãs sem grandes censuras.


Não sei direito como, a conversa chegou em casamento. E a mais novinha, Renata, timidamente me mostrou a aliança de ouro na mão direita. Noiva.


Como àquela altura já éramos amigos de infância (banana), ela resolveu exteriorizar para mim todo o medo e toda a angústia que estava sentindo em relação ao iminente casamento. A coitada da menina tinha desespero nos olhos. Me disse que era muito nova e que tinha muita coisa pra viver antes de se casar.


Pensei então em quantas vezes eu havia escutado a mesma conversa nos últimos anos. Parece que a ânsia de casamento está meio parecida com a de vestibular. A pessoa pode estar completamente despreparada, mas tem que ao menos tentar.


Fui pesquisar algumas estatísticas e descobri que, em média, um casamento no Brasil dura cerca de dez anos. Ou seja, ou essa história de “até que a morte os separe” é balela ou tem gente morrendo muito cedo.


Descobri também que em 70% dos casos, quem pede o divórcio é a mulher. Claro que não posso generalizar, mas creio que daqui a dez anos a menina Renata que conheci no bar estará pedindo o divórcio.


Acho que essa pressão, esse dogma de que um casamento deve ser para a vida toda acaba atrapalhando muito os casais. O “pra sempre” é tempo demais, por isso as pessoas acabam se enchendo pelo caminho.


Sugiro que inventem o casamento com prazo. As alianças poderiam ser de cores diferentes, uma para cada período. Por exemplo, uma aliança azul significa um casamento de dois anos. Depois de dois anos o matrimônio perde a validade, podendo ou não ser prorrogado.


Poderia ter alianças verdes para casamentos de cinco anos, violeta para casamentos de sete e vermelhas para os de dez anos. Imaginem só que beleza um indivíduo indo pedir a mão da namorada em casamento e aparece com um par de alianças vermelhas! – Pedro Aurélio, que lindo, você quer ficar comigo por dez anos?! Claro que eu aceito!


Acho que assim a coisa daria mais certo. Acabaria com a obrigação do “pra sempre” e a manutenção do carinho ficaria muito mais simples.


Tem Renatas demais por aí.

sábado, 11 de abril de 2009

Eu, os alunos, a professora

Não, gente, não vão pensar que se trata de um triângulo amoroso, por favor! Se bem que coloquei os alunos no plural, então deveria ser um polígono amoroso. Mas não é.

Também não se trata de uma sessão de pedofilia, onde eu, juntamente com a professora... deixa pra lá.

Conheci uma professora que resolveu dar aulas para os seus alunos com minhas mal traçadas crônicas. A notícia é muito boa, agrada, demonstra que as crônicas estão funcionando mais ou menos como uma porta de entrada para o mundinho da literatura. Ler Machado de Assis é chato. Ler crônicas é legal.

Depois, Machado de Assis fica legal também, garanto. O capítulo 136 do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", na minha opinião, é o mais engraçado e genial que eu já li. Dêem uma olhada e depois me digam o que acharam.

Mas depois, essa história da professora Cristiane lecionar com meus testículos, quero dizer, com meus textinhos, me deixou muito preocupado.

Não sou nenhum Jânio Quadros, nem um João Ubaldo Ribeiro. Cometo cada despautério que levaria o Professor Pasquale pensar que sou um girolas (vamos lá, moçada, ao dicionário!).

Fiquei pensando na balbúrdia que o corpo discente da mestra em questão deve fazer em relação às minhas vírgulas. A professora Cristiane ensina que não se deve separar o sujeito do predicado com vírgula, e eu faço isso amiúde. Sabe o que é, professora Cristiane, eu penso na respiração dos seus alunos. Creio que nem eu nem você deseja ver algum de seus alunos roxos e se estrebuchando de asfixia em plena sala de aula. Não é importante, a vírgula? Ou, não é importante a vírgula? É importante sim.

Escrevi uma crônica há um tempo (olha só, pessoal, o "há" assim, com agá, já quer dizer que estou falando do passado. Se colocar o "atrás" depois, vai ficar redundante. Tô ficando metido!), onde eu citava algumas figuras de linguagem. A professora Cristiane disse que foi ótimo para ajudar os seus pupilos e pupilas nessa matéria. O problema é que ela disse que tinha faltado eu citar a metonímia. Puxa, professora, é que não tive nenhum caso com mulher nenhuma (outra dica: em português, deve-se sempre usar a dupla negativa) que usasse metonímias. Além do mais, perceber a metonímia é muito difícil. Às vezes parece metáfora, às vezes, sinédoque. Mas acho que lá em cima eu usei uma metonímia quando disse que ler Machado de Assis é chato. Não dá pra ler o Machadão, é óbvio, o que lemos são os livros dele.

É muito bom poder desmascarar o português. E não estou dizendo que é bom tirar a fantasia de Zorro da cara do seu Manoel da padaria, hein?

Metonímia, desisti de escrever. (Hipérbato)

No mais, professora Cristiane, fique à vontade para puxar as minhas orelhas caso haja algum deslize meu. A responsabilidade é grande.

E, turminha da classe, nunca deixem de ler. Com o passar do tempo vocês vão ver que até bula de remédio é legal. Se bem que até hoje acho Manuel Bandeira um porre.

domingo, 5 de abril de 2009

Indiferença


É muito natural de nossa parte querer conquistar várias pessoas, sorrisos, sonhos... É inerente do ser humano. Quem não gosta de ser reconhecido por um trabalho feito, por uma lembrança inesperada, por um gesto de carinho e atenção, por um telefonema no meio da madrugada (mesmo que bêbado de sono) dizendo que está com saudade? Quem não gosta do agradecimento pelo serviço prestado, pelo trabalho feito com esmero? E o aplauso? Ah, não há nada melhor do que um aplauso ao final de uma apresentação.

Não é gostoso receber um abraço da amada ou do amado, sentir as mãos nas costas e um sussurro no ouvido, dizendo que estava com saudade? E, ao chegar de viagem, ver que há inúmeras cartas do namorado lhe esperando para serem lidas? Cartas, cartões, e-mails, enfim, ser lembrado.

E presenciar a conquista de um amigo quando o mesmo subiu de cargo na empresa, quando comprou o primeiro carro, passou na primeira entrevista numa empresa, conseguiu se formar na faculdade e deu o seu primeiro beijo na menina mais bonita da escola, o chamando, anos mais tarde, para ser padrinho do casório? Não há como descrever a alegria que sentimos ao presenciar as vitórias de quem gostamos e, muitas vezes, nos espelhamos. Não há ciência que consiga explicar o furor que o ser humano, quando sincero, sente ao receber tal notícia.

Tudo isso é ótimo, até o momento em que nos sentimos desprezados pela indiferença. Para nós, mesmo que tentemos, mesmo que doa a indiferença, ela tem que ser indiferente aos nossos olhos. Mesmo que a dor esteja latente em nosso coração e que mine aos poucos, nos fazendo calar por um instante.

A indiferença é a pior de todas as renúncias, pois nos tapa os ouvidos, nossos olhos e nossa consciência para enxergar coisas belas da vida, como o brilho no olhar, o desabrochar de uma flor. Coisas que parecem tão insignificantes quando nos sentimos indiferentes e não percebemos.

Mas, se você observar, mesmo com a indiferença de alguns ignorantes, o sol não deixou de se pôr atrás da mesma montanha do mesmo jeito de todos os dias. Aquela flor, mesmo depois de morta, deixou seu perfume, seu brilho numa semente que voou e nasceu, povoando algum lugar com uma nova fragrância. Esta semente, não foi apenas retirada pelo vento, ela simplesmente voltou ao seu coração, não dos olhos que a recusavam, mas, sim, para os olhos curiosos de desejo, de descobrir o segredo de cada pétala daquela belíssima flor. Ela poderia não ser, agora, a única flor do mundo, mas, também, aquele não era o único olhar do mundo.

Antes de tentar recorrer aos risos perdidos e à indiferença, devemos pensar em nós mesmos, e descobrir que a tristeza e a felicidade são apenas duas opções, que os motivos que nos levam à eles, são sempre compatíveis. Porém sabemos que a vida é curta, por isso, não se preocupe com a indiferença, pois ela nos faz menor que uma simples semente e acaba por te reduzir a pó antes do tempo.

Sorrir é uma virtude que poucos conhecem, e, se você conhece, mostre isso. Mostre que a simplicidade de um sorriso vence a rigidez da indiferença.

sábado, 14 de março de 2009

A culpa toda é do Fusca

Adoro Fusca. Principalmente aqueles antigos e bem conservados. Mas este carrinho que Hitler solicitou para ser fabricado é o culpado por muita coisa que passamos hoje. Você nem imagina quanto.

Sabe por que sofremos com o trânsito hoje em dia. Por causa do Fusca. Toda uma geração de pessoas cresceu dirigindo e curtindo o fusquinha, e por causa disso, hoje não conseguem acelerar seus carrões no ritmo que o transito precisa. Sempre ficam para trás ou andam só a 70km/h que era velocidade máxima do pobre fusqueta 1300cc.

Sabe por que temos que amargar entrar em carros hoje em dia que não tem absolutamente nenhum acessório dentro? Nem um acendedor de cigarros? Por que um dia, alguém criou o Fusca e o único acessório que este carro tinha era o radio. Sem toca fitas, claro.

Hoje em dia, em qualquer lugar que se quer comprar um carro, vem logo o vendedor oferecendo o tal do Air Bag. Isso só existe por que o coitado do fusca tinha o vidro dianteiro na vertical e ficava muito perto do rosto do motorista. Depois de tantos perderem suas vidas no vidro, alguém inventou o Air Bag.

Sabe aquela alça que tem em cima dos assentos dos passageiros? Aquela mesmo que sua vô segura quando anda com você? Aquela mesma que você vive batendo a cabeça nela e falando “P... que P...”. Nasceu com o Fusca. Pior, a do Fusca era no painel. Era para prevenir que o passageiro batesse a cabeça no vidro.

Você já se deparou com aquelas pessoas que param o carro no semáforo e puxam o freio de mão e depois atrasam para sair na hora que o semáforo abre? Pois é. Culpa do moribundo Fusca. Como o freio do carro falhava, os motoristas puxavam o freio de mão e continuam fazendo isso hoje em dia, mesmo não precisando.

Lembra que o Uno antigamente tinha o estepe colocado sobre o motor dianteiro? O Fusca começou com isso, mas não ficava em cima do motor e sim abaixo do capô dianteiro. Que coisa mais esquisita.

De tanto que o carro inventou que resolveram reinventar com ele e a Volkswagen tem uma nova versão do Fusca. Tem os mesmo problemas que o antigo, só que hoje o carro é um pouco mais bonitinho.

Se não fosse o Fusca do Itamar, as empresas de carro não teriam começado essa corrida absurda para ver quem faz o carro mais barato, e principalmente, mais desequipado que existe no mundo.

Mas apesar de todos os males que esse carrinho causou a humanidade, no final de tudo, foi em um Fusca que puxei meu primeiro cavalo de pau. Na verdade, meu pai fez isso e eu curti muito, girando dentro do meu mundo formado pelo líquido amniótico da minha mãe!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Tênis x Frescobol


Foi minha médica da cabeça que citou e eu fui atrás. Esse texto do escritor Rubem Alves, fala dos dois tipo de relacionamento. O relacionamento tênis e o relacionamento frescobol. Não vou tentar explicar, já que obviamente ele é muito mais capacitado. Leiam, é muito bom.


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.


Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.


’Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’


O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.


O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...


A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...


Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.


’Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.


Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...(O retorno e terno, p. 51.)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Eu te amo! (e nem vou cobrar nada por isso)

O sexo vende. E muito. Milhões de sites de internet e a Rede Globo sabem muito bem disso. Mas e o amor? Não seria um produto negligenciado?

Depende do tipo de amor. Temos claramente dois tipos de amor. O amor clássico é aquele legítimo, que faz rir, chorar, que abre a porta do carro e vai no estádio de futebol mesmo sem gostar. O outro é o verbalizado, aquele que é apenas falado, sem significado necessário, que decepciona, dá esperança, esquece de ligar e finge que está dormindo.

O Amor, assim verbalizado está em alta, e o amor legítimo está em falta. Ainda que Adam Smith tenha nos mostrado que quanto menor a oferta maior a procura, o amor legítimo está tão ausente que já se tornou um tipo de lenda urbana.

- Sabe o Rui?
- Que Rui?
- O Rui, primo do Claudinho.
- Claudinho….
- Aquele amigo da Mari, gordinho que usa dockside.
- Ah sei.
- Os pais deles são casados há 50 anos e ainda se amam.
- Você os conhece?
- Não, mas a Fê, irmã da Mari disse que já os viu uma vez.

Como quem compra guia de cidades as quais nem sabe se vai visitar , as pessoas se conformaram com a verbalização do Amor, com a oferta de uma promessa de algo que não acontece, mas não deixa de ser desejado Amor como diria o povo, vende igual pão quente.

O mercado é amplo. Historicamente, as mulheres são compradoras em potencial e os homens vendedores. É verdade que o mercado mostra uma tendência de inversão dos públicos. A troca é constantemente praticada também. Ainda que nem sempre os negociantes cheguem a um acordo:

- Pati, eu esperei muito pra dizer mas acho que é a hora.
- O que Michel?
- Eu te amo!
- …
- …
- Eu amo passar tempo com você.

O mercado é muito promissor. As aplicações são infindáveis. O produto tem atributos indiscutíveis. Não é perecível.

- Você me ama môr?
- Claro bebê.
- Quanto você me ama?
- Te amo pra sempre bebezinha, agora faz minha massagem.

Tem grande potencial no atacado.

- Mas você disse que me amava.
- E amo.
- E porque tava beijando aquele cara.
- Porque eu amo o Júlio. Mas também te amo Té. Você não acredita que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?
- Não!
- E o que você me diz daquele nosso menage, então?
- Errr….é…!?

O mercado paralelo também se aquece. Genéricos e similares são bem cotados no mercado. Diversifica-se para se atingir todo poder de compra. Por uma pechincha se consegue um “Gosto de você”, num investimento razoável pode-se obter um “Te adoro muitão” e apostando um pouco mais alto se fatura possivelmente um “Te adoro muito-muito-muito-muito-infinito”.

- Mas já?
- Acha cedo?
- Aliança depois de dois dias cara. Acho rápido demais.
- Eu também achava. Mas depois do que ela me falou.
- O que?
- “Te adoro um montãozão”. Isso é bastante né?

Ainda existem poucos puristas que acreditam no legítimo amor, que invariavelmente se tornarão um grupo altamente restrito (algo parecido com os fãs de Star Trek). Não vendem seu Amor verbalizado nem pelas causas mais nobres.

- E aí, já transou com ele?
- Não. Tá doida? Ele nem disse que me ama ainda!

Observando tudo isso podemos projetar o Amor como a mercadoria do futuro. Quer premiar? Dê Amor. Não sabe onde investir? Ações de Amor. Chega sua fatura do cartão de crédito. Você olha seu programa de milhagem: “Parabéns, até esta data você acumulou 50.000 milhas, entre em contato com nosso SAC e efetue a troca por uma TV de 29 polegadas, um sistema de Home Theather ou uma declaração de Amor de um de nossos atendentes”. Vão sobrar TVs e Homes.

O Amor estará finalmente na casa de todos que se dispuserem a pagar o preço. Logo, o ser humano não vai ter mais o que buscar, e sem propósito tende a parar, estagnar. O Amor estará banalizado.

- Eu te amo.
- Grande merda.

A esperança vai então residir naquele pequeno grupo restante, a ordem do legítimo amor, ou algo do tipo, com aqueles poemas estranhos e mania de pedir licença podem, quem sabe, devolver nossa esperança.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Heim?!

CENA 32 TAKE 01. EXTERNA. DANCETERIA BADALADA - NOITE

Um jovem comum vê uma morena muito bonita dançando e se enfeitiça por seu jeito, seu corpo, seu rosto, suas pernas … ahhh!

Ele sabe que todo o seu futuro mudaria se conquistasse aquela mulher. Não importa o que ele dissesse, ela teria que ser dele. O destino havia os apresentado, e ele não deixaria essa oportunidade passar.

Sem maiores rodeios ele se aproxima dela e com um sorriso de canto de boca diz:

-Olá … vo-você vê-vêm sempre aqui ?!-Heim ?!

CORTA!

CENA 32 TAKE 02. EXTERNA. DANCETERIA BADALADA - NOITE
Um jovem comum vê …

Sem maiores rodeios ele se aproxima dela e com um sorriso de canto de boca diz:

-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Err … eu não sei dançar.
-Heim ?!

CORTA!

CENA 32 TAKE 03.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Você não acha que essa verruga peluda atrás na minha panturrilha direita é muito feia ?
-Heim?!

CORTA!

CENA 32 TAKE 04.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Sabia que eu vim aqui falar com você pelo mesmo motivo!
-Hehehe … Adoro homens com senso de humor!
-Pois é, o Almeida diz que eu sou uma avestruz, mas eu adoro mesmo suflê de batata com chouriço !
-Heim?!

CORTA!

CENA 32 TAKE 05.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Sabia que eu vim aqui falar com você pelo mesmo motivo!
-Hehehe … Adoro homens com senso de humor!
-Chega mais perto então …
-Hmmm … Você até que não é dos mais difíceis. Você até que dança direitinho.
-Isso é porque você ainda não me experimentou na cama, beibe…
-Heim?!

CORTA!

CENA 32 TAKE 06.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Sabia que eu vim aqui falar com você pelo mesmo motivo!
-Hehehe … Adoro homens com senso de humor!
-Chega mais perto então …
-Hmmm … você até que não é dos mais difíceis. Você até que dança direitinho.
-Você é que é ótima.
-Isso você só vai saber se me experimentar …
-Opa - garçom!- traz garfo, faca e guardanapo que hoje vou comer até vomitar !
- Heim ?!

CORTA!

CENA 32 TAKE 07.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Sabia que eu vim aqui falar com você pelo mesmo motivo!
-Hehehe … Adoro homens com senso de humor!
-Chega mais perto então …
-Hmmm … você até que não é dos mais difíceis. Você até que dança direitinho.
-Você é que é ótima.
-Isso você só vai saber se me experimentar …
-Hmm …
E sem falar nada ele beija (finalmente !) a mulher que mudaria sua vida.
-Nossa … que beijo bom, gato!
-Foi você quem me inspirou …
-Ai … seu bobo!
-Sabe de uma coisa?
-Não, o quê ?
-Eu ainda não sei seu nome, linda.
-É …. Jaílton!
-Heim ?!

CORTA!!!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Desregrado


Terei que desaprender. Ou aprender ao contrário. Algo como o gato do João Grilo do Auto da Compadecida, que vendeu um gato que "descome" dinheiro.

Depois do banimento do Gerúndio do Distrito Federal, eis que o Governo Brasileiro ratificou a reforma ortográfica, para azar de muitos.

Confesso que estou meio confuso com a coisa toda. O Trema fará companhia ao Gerúndio sabe-se lá onde. Provavelmente na Alemanha.

Já que tranqüilo não tem mais trema, fico "trankilo". O Português foi colocado no likificador. E os meus ideais perderam-se nas ideias, e não mais idéias, dos que quiseram a tal reforma. Um ato nada heroico contra as paroxítonas que terminam em ditongos.

Inclusive, logo nem mais saberão o que é ditongo, tritongo e hiato.

Caso eu estivesse na reunião que decidiu tais reformas, diria:

- Pára tudo!

Ao que responderiam:

- Não! O correto é para tudo.

Para tudo o quê? A frase, sem o acento, fica sem sentido para quem lê, pois para quem fala está tudo bem, tudo normal.

Pôxa, convenhamos, há uma crassa diferença entre um e outro para. O coitado do pára-brisa não vai mais parar nada. Ele tem que parar e não ser algo para brisa. A brisa precisa ser parada e não ganhar algo. Daqui a pouco a brisa vai querer presente de Natal.

E os acentos? Para onde é que vão os acentos exilados? Será que eles ficarão no limbo eterno junto com o gerúndio que foi deportado pelo governador do Distrito Federal?

Gente, os voos já são com atrasos, agora serão sem acentos também?

Como tirar a acentuação da feiura? Há feiuras que são acentuadíssimas.

O que era pólo, agora pode ser frango em espanhol: pollo.

Agora, pior de tudo é como algumas frases podem ficar. Por exemplo, até o ano passado você, ao ser chamado por alguém e não podendo atender no momento, diria: "péraí". Agora, com as regras, os acentos caem, e, a mesma palavra, fica: "perai". Lendo, dando enfoque na letra ‘a’, não quer dizer nada. Porém, uma segunda leitura, passa a impressão de se oferecer a fruta pera, que teve o seu acento podado também.

Eu nunca mais serei o mesmo sem os acentos, sem os hífens e, principalmente, sem os tremas.

Agora, tanta coisa pra reformar como o Código Penal, a estrutura política do país, a casa da Dinda, a casa da mãe Joana, vão reformar justamente a língua portuguesa?

Agora, no RAIO dos ‘porques’ ninguém mexe. Por que será?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Sorriso de Seu Corpo


Para quem não a conhecia, como eu, ela era séria. Imponente, semblante austero, toda de preto. Nunca sorria. Cuidava de tudo, tinha as coisas sob controle, chamava a responsabilidade. Não foi surpresa quando ela começou a dar as cartas de como as coisas seriam dali pra frente.


A noite começou calma, como ela, controlada, sem olhar para ninguém, não por falta de segurança infantil ou “charminho”. E sim porque ela era assim, como a noite, não sorria feito boba alegre, feito o dia. Não recebe a todos de braços abertos, nem te dá calor. Apenas te aceita, você que aprenda o que fazer com ela.


Ao mesmo tempo, os níveis se elevaram, etílico e volume, e todos os corpos começaram a exteriorizar sua graça (ou falta dela). Ela e a noite finalmente começaram a se mostrar, a mostrar o que tem de melhor. Nunca deixando de lado sua face de certo modo opressora, intimidadora. Ninguém se aventura pela noite e sabe o que vai encontrar. É ela quem decide. Se você vai enxergar onde tinha que virar ou parar.


Sempre gostei da noite, o dia é útil, a noite é divertida, interessante. Assim a admiro, observo, perco os olhos tentando descobrir onde ela começa e termina. Mas noite não liga pra ninguém, se move como e quando quer, amanhece quando lhe apetece ou quando o autoritário dia resolve aparecer.


Ela sorri. Não com os lábios, isso seria muito óbvio. Mas de alguma maneira ela sorri, consigo enxergar finalmente, ela não é séria, já faz tempo que ela está sorrindo, mas eu não percebia. Não está estampado no rosto como acontece com o sol num desenho infantil. Seu sorriso é complexo, aparece em fragmentos, se constrói em uma coreografia coordenada. Ela sorri com o corpo.


O semblante não parece mais austero quando se enxerga o todo, sua boca pode estar selada mas isso não a impede de falar e sorrir. Consigo ver finalmente que ela está feliz, que se diverte com tudo que acontece e principalmente que não está impassível, só dá bola para o que quer. Sim, ela sorri, pra quem quer.


Não bastasse o mistério, agora seu sorriso me encantava, me chamava, me fazia querer sorrir junto, na mesmo velocidade, com os mesmos descompassos, no mesmo lugar. O ritmo era completamente diferente, os olhos agora só enxergavam ela e o espaço que a contornava. O espaço que eu invejava. Coloquei um pé, e logo depois o outro, não fui expulso, o sorriso já não cabia no corpo, se alastrava pelas paredes e garrafas do bar.


Logo a mão, o peito, o cheiro e em alguns minutos os lábios selados começaram a cantar, sorrindo, junto com seu corpo todo. Louco de curiosidade, louco de whisky, louco, eu me aproximava cada vez mais. Até o ponto que me encaixei em seu sorriso, fazendo de conta que agora fazia parte de tudo aquilo, da austeridade, do mistério, do sorriso que se move.


A noite gostou de mim. Aquela noite, ela gostou de mim.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Como dizer não?

Nesse joguinho que os homens jogam com as mulheres todos os dias, as regras mudam todos os dias. Movimentos que um dia foram impensáveis se tornam procedimento padrão, tacadas de gênio se transformam em aquecimento. Não é a toa que o jogo é tão complicado, decorar um imenso manual de instruções em transformação permanente não é fácil.
Uma das regras relativamente novas, está relacionada ao primeiro movimento. Antes, como no xadrez, onde as peças brancas sempre começam, era dos homens a responsabilidade de iniciar o jogo oficialmente, por mais que de certa maneira os “adversários” já estivessem se estudando através de posições, olhares e leves contatos. O homem, da maneira que lhe fosse mais conveniente, fazia o primeiro contato, e daí pra frente começava a partida.
Numa analogia besta, em que um sim significava vitória e o não derrota, o homem era especializado apenas na técnica de ouvir a resposta, cabia a mulher falar. Positiva ou negativa, homens ao redor do mundo aprenderam (melhor ou pior) a decifrar o veredicto de suas pretendidas, enquanto as meninas se viravam para arranjar desculpas quando queriam encerrar a partida.
Pois bem, voltando as regras novas, hoje a história de que o homem sempre dá o primeiro movimento é passado. Ambos os lados estão livres para iniciar o jogo ou esperar pelo movimento do adversário. Vai da preferência, humor ou clima de cada um. Meninas mais atiradas não precisam mais esperar garotos tímidos, podem fazer “a parte deles” e viabilizar algo que nem depois de cem anos aconteceria. Os homens por outro lado podem brincar de ser desejados, fazer charme e provocar a mulher até que ela faça alguma coisa.
Não sou contra mudanças que deixem o jogo mais interessante, porém até nos adaptarmos às novas regras, as partidas podem ficar um tanto turbulentas. Com a mudança, homens estão aprendendo a dizer e mulheres a escutar, e por muitas vezes percebemos que estamos longe de dominar essas novas técnicas. Foi duro o suficiente aprender a lidar com os “nãos”, mas conseguimos. Agora temos que aprender a dizer, e se tem uma coisa para que não fomos programados, foi para recusar mulher.
O caso aqui não tem nada a ver com querermos pegar todas, e sim por termos vivido por anos batalhando por “sims” e de repente temos a oportunidade de decidirmos nós mesmos. Como se controlássemos a resposta das mulheres. O reflexo é o “sim”. Se vencemos nossos reflexos (ou seja, estamos sóbrios o suficiente), ficamos sem jeito em como dizer o “não”. Não queremos ser rudes, grossos, metidos, apenas queremos mostrar que não estamos interessados, mas nem sempre a mensagem é bem recebida. Afinal, as mulheres também ainda estão aprendendo a ouvir. Assim como nosso reflexo é dizer sim, o delas é de acreditar que ainda mandam na situação.
Como isso se resolverá eu não sei, mas entendo muito mais as mulheres hoje em dia, e prometo fazer tudo que for possível para salvá-las de homens inconvenientes, que se recusam a aceitar que o jogo acabou, impedindo qualquer outra partida mais interessante.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

After-Taste


É muito difícil falar o que eu mais gosto em uma mulher. Afinal a obra completa é perfeita. Mas sempre tem algumas coisas que te encantam mais. A delicadeza, os trejeitos, a pele perfeita. Tudo aquilo que nós homens não temos nunca. Mas uma das coisas que mais gosto de uma mulher é o seu after-taste.


Mulheres comuns não tem after-taste, as ruins deixam um gosto amargo, como aquele que se sente apos uma balada cheia de cigarro e whisky. Mas as boas não, elas deixam um rastro de marcas, sabores, cheiros, que prolongam a experiência. Nossos sentidos continuam estimulados por horas, dias, anos.


Por mais que nos deparemos com inúmeras mulheres bonitas na vida, não são todas que ficam gravadas na sua memória. Estas, deixam marcas, patenteiam posições, sorrisos, rostos ao dormir, de modo que não conseguiremos desligar essas imagens de suas donas. Se conseguirmos.


Se tem mulheres que abrem a boca só para estragar seus rostos e corpos bonitos, outras fazem exatamente o contrário. Complementam com palavras, ruídos e gemidos o que nossos olhos contemplam. Isso não está diretamente relacionado com inteligência, por mais que seja igualmente afrodisíaco. Tem a ver com sintonia, com dizer as coisas certas, com o jeito de pronunciar algo sem graça e ainda assim provocar eco em nossas cabeças.


O contato que temos com a mulher é das coisas mais esperadas. É a última coisa a que temos acesso total. Desde a primeira vez que esbarramos um braço “acidentalmente” até o momento em que ela puxa os cabelos da parte de trás de sua cabeça passionalmente. Aqui o que mais me encanta é a iniciativa, a intenção em se manter perto, em mostrar que está aproveitando, ou que não quer que você pare de fazer seja lá o que estiver fazendo.


Indiscutivelmente, cada mulher tem um sabor. A mistura de seus cremes, a bala que gosta, a bebida que toma, sua pele, sua saliva. Esse coquetel fantástico constrói a coisa mais fantástica que qualquer homem pode provar na vida. Haja paladar para apreciar todas as notas e sutilezas. O gosto permanece grudado no céu da boca, fazendo com que seus dias sejam muito mais saborosos.


Por último, e na minha opinião, o mais importante. O cheiro. A fragrância de uma mulher está muito ligada ao seu sabor. Porém, diferente do sentido que seduz a língua, tem a capacidade de permanecer para sempre em nós com facilidade. O cheiro de uma mulher impregna nosso pescoço, nossa roupa de cama, nosso carro. Nos faz acordar mais feliz quando a primeira coisa que sentimos ao acordar, antes mesmo de ver a luz do sol, é sentir seu cheiro e lembrar do que passou. Como after-taste, nada mais forte que o cheiro. Vira e mexe sinto cheiros que me levam para uma década atrás, e me faz sentir exatamente como estava, como se fosse um sonho, que consegue fazer você reviver algo, mesmo sendo uma pessoa completamente diferente.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Friends

Eles haviam se separado há 8 meses, e desde então nunca mais tinham se falado. Mas numa madrugada qualquer, chegando da balada seu telefone tocou.

- Alô.
- Alô.
- Oi.
- Então…
- Calma. Aconteceu alguma coisa? Porque você está me ligando?
- Nada.
- Então?
- Então, sabe aquele episódio do Friends, que o Ross e o Joey…
- Dormem juntos no sofá?
- Isso!!!
- Sei.
- Aquele episódio está no seu Top 5 de todas as temporadas.
- Fácil! É muito bom, principalmente quando o Joey admite pro Ross…
- Que foi o melhor cochilo da vida dele!
- É! E no fim o Chandler ainda pega os dois repetindo a soneca.
- É!!! Esse final é fantástico.
- Muito. Mas, porque está falando disso?
- Ah, porque hoje eu estava com um pessoal que nem achava tão bom, na verdade alguns deles nem lembravam desse.
- Como assim não lembravam? Esse é um clássico.
- Não é?
- Muito. Junto com aquele que o Chandler não consegue tirar foto pro casamento, ou aquele do “Is this friendship?”
- “I think so!” Nossa, muito bom esse também.
- Fantástico.
- Ah que bom. Estou mais tranqüila agora.
- Que bom. Sabe o que eu lembrei?
- O que?
- Esses dias estava numa balada, e do nada surgiu um papo sobre natureza, e como o verde é bom, essas bobagens. Numa boa, todo mundo concordando.
- Que bosta.
- Não é?
- Muito. Eu também vivo encontrando com gente que adora cavalo, boi, e ainda dizem que suas comidas preferidas são salada de pepino.
- Qual o problema dessa gente? Nunca comeram um bom hamburger?
- Ou uma pizza congelada antes de dormir?
- Duas né.
- Ok, ok.
- Putz. Bem lembrado. Faz séculos que não como pizza congelada.
- Eu também.
- Acho que desde que…
- …nós terminamos.
- É.
- É.
- Você está bêbada?
- Muito.
- Eu também.
- É a vida.
- É.
- Então tá bom.
- Boa noite.
- Boa noite.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sou legal, não tô te dando mole



Na primeira vez que vi essa comunidade no orkut pensei: Mentira! Mulher que fala isso está mentindo. Mas apurei meu raciocínio e reconsiderei. Não é mentira, é meia-verdade, ou no mínimo um nome mal construído. Na verdade, o que elas querem dizer é “Sou legal, não quero ficar com você”.



Minha experiência com mulheres não é a maior do mundo, mas suficiente para dizer que sim, as mulheres sabem muito bem quando estão dando bola ou não. Afinal, desde que começaram a olhar para os meninos lá no ginásio, estão acostumadas a serem abordadas por homens interessados nelas com segundas intenções. Falando então de mulheres da minha idade, na faixa dos vinte e tantos anos, são no mínimo 15 anos de observação. Não é possível que não tenham entendido ainda o que nos faz as abordar.



Acredito não ser possível porque mulheres são bem diferentes dos homens. Elas mesmas vivem dizendo que a maioria de nós somos iguais. E em parte é bem verdade. Ainda que tenhamos diferenças claras, na essência temos os mesmo instintos. Diferente das mulheres que tem cada uma seu “princípio-ativo”. Homens não entendem, nem nunca entenderão as mulheres, podem entender algumas, mas todas? Nunca.



Homens são simples, faça o teste, apareça pelada na frente de qualquer um, se você não for algo exageradamente diferente do que o atrai, a reação será a mesma. Mulheres não, tem cada uma seu processo, seus pedaços, seus pontos fracos. Por mais que também dividam algumas características com as outras de sua “espécie”, manifestam de maneiras completamente diferentes.



Isto posto, aguardo argumentos que comprovem que uma mulher não tenha como saber se está dando bola ou não. Não são todos os homens que tem discernimento para entender que uma mulher pode muito bem dar bola sem querer ficar com ele.



Mulheres que dão bola sem querer nada, o fazem por diversas razões. Algumas querem que todos babem por ela, outras querem apenas atenção, mas a maioria não pensa nas conseqüências do que está fazendo. São naturais, são elas mesmas, e acabam pagando por isso. Justo? Não sei, mas por séculos, foi responsabilidade do homem cortejar a mulher, e fazemos isso no escuro, com a ajuda no máximo de um olhar, portanto não sejam duras conosco, não é fácil saber o que vocês querem.



Meninas legais do mundo, nós te entendemos, mesmo dando bola, podemos relevar e não julgá-las por insinuar algo que na verdade não querem. Mas nos agüentem, ou prestem mais atenção quando quiserem chamar um homem para jantar, dançar sensualmente, pegar demais ou ligar para eles quando estiverem bêbadas. Não lemos mentes, e já que é para adivinhar algo, vamos pensar no que for mais interessante para nós.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Top secret

- E aí? Quem você tirou?
- Como assim quem eu tirei? Isso é pergunta que se faça?
- Pô diz aí. Vai ficar de frescura?
- Não é frescura. É amigo secreto. Coisas secretas devem ser mantidas em segredo.
- Ah! Frescura!
- Se é frescura fala o seu então.
- O meu o quê?
- O seu amigo secreto. Quem você tirou?
- Eu falo o meu se você falar o seu.
- Eu falo o meu se você falar o seu.
- Fala o seu primeiro.
- Não fala você.
- Não, eu perguntei primeiro.
- Então eu não falo nada.
- Então ta.
- Então ta.
- ...
- ...
- Fala aí vai.
- Mas que saco.
- Por favor
.- Mas porque você quer tanto saber.
- Porque sim.
- Me dá uma boa razão que eu falo, do contrário não.
- Não sei se poderia te falar.
- O que? O que você sabe?
- Não posso dizer.
- Porque não?
- Poderia te envolver demais nisso.
- Nisso o que minha nossa senhora?
- Sabe o que é...
- O que?
- É uma parada secreta entende?
- Que parada? Me conta cara, você está desconfiado de alguma coisa?
- Bem, não sei se eu poderia te falar maas...
- O que, o que?
- Eu suspeito que os resultados foram manipulados.
- Manipulados? Mas como assim?
- Acho que o sorteio não foi isento.
- Isento?
- É.
- E o que isso significa.
- É o que estou tentando descobrir. O Jader disse isso pra mim e não tenho idéia do que ele quis dizer, mas pretendo descobrir.
- Parece grave.
- Ô!
- Nossa.
- É.
- Salafrários.
- Nem me diga.
- Precisamos apurar isso.
- É, me diz aí quem você tirou.
- Não posso.
- Porque não? Você acabou de dizer que temos que apurar isso.
- Eu sei, mas...
- Mas o que?
- Você pode ser um deles.
- Eu? Um deles? Como assim?
- É. Você sabe demais.
- O Jader que me contou.
- Isso é o que você diz.
- Ah vai. Pára de bobagem.
- Não é bobagem. Não posso tomar nenhum partido antes de saber com quem estou lidando.
- Como assim saber com quem está lidando? Sou eu pô!
- Será?
- Será o que?
- Que é você.
- Lógico que sou eu. Você não me conhece?
- Não sei cara. Nesses jogos de espiões tudo é possível.
- Cara, o que você está falando? Que espião? Estamos falando de um amigo secreto.
- Exatamente.
- O que?
- Secreto. Sei como essas coisas são levadas a sério.
- Como assim levadas a sério? Nós usamos um guardanapo de bar para escrever os nomes.
- Pode desistir que você não vai conseguir me confundir. Sei o que está tentando fazer.
- Não estou tentando fazer nada.
- Conheço suas técnicas. Sou perito. Assisti Missão Impossível.
- Ah cara, então ta bom. Quer saber, não fala nada, você vai ver.
- Vou ver o que?
- Aguarde.
- Aguardar o que? O que você vai fazer?
- Você verá.
- Me fala cara. Não vou ficar tranqüilo assim. O que você quer dizer com isso?
- Represálias virão. Nós não ficaremos passivos diante disso?
- Represálias? Nós? Passivos? Não! Como assim? Eu não disse nada.
- Você não sabe com quem está lidando.
- Por favor, tenha misericórdia. Perdão
- Agora é tarde.
- Não faça isso comigo, eu tenho muito pra viver ainda.
- Deveria ter pensado nisso antes.
- Me fala, por favor, o que faço para me desculpar. Faço qualquer coisa.
- Qualquer coisa?
- Qualquer coisa.
- Então me fala uma coisa. Quem você tirou?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O que não dizer no fim de um namoro

Dia desses, nessas coisas de conversa de bar, um amigo músico me pede uma letra, uma poesia, um qualquer coisa para escrever. O cidadão gosta das besteiras que escrevo. E pior, quer musicar.

E nessas, o Rogério diz:

- Cara, o que é que um amigo não pode dizer ao outro quando o outro termina um namoro?

- Ah. Sei lá. Algo como: se ferrou.

- Sim! Essa é uma delas.

E a idéia começou a fluir na minha cabeça crônica. E de fato, amigo que é amigo tem, algumas vezes, umas frases não infelizes; porém demasiadamente sinceras.

O tal do "eu já sabia" é uma das céleres frases.

O cidadão chega, todo choroso dizendo que a dita cuja terminou porque está apaixonada por outro. Há dor-de-corno pior que essa? O moço está no esgoto fétido e você, com cara de açougueiro diz: "Eu já sabia". É a morte! É pedir suicídio do amigo, pô!

Mas mesmo assim você fala. Com requintes de crueldade.

Outra frase clássica é: eu não te disse?

Isso está diretamente relacionado com previsões da Mãe Dinah e de Nostradamus. Parece até, que o cidadão é discípulo de um dos dois ou, pior, tem genes de algum deles. Na verdade, o que há é uma "goração" (que provém do verbo gorar) amiga.

O fim de um relacionamento é provocado, muitas vezes, pelo tédio. E não há coisa mais tediosa do que aquele amigo que cutuca a ferida cálida. Mas amigo serve para isso mesmo. Para lembrar o tédio do namoro, da relação amiga. Para te entediar ainda mais.

Mas antes do desabafo amigo, há frases que, decididamente, não podem ser proferidas num término de namoro. Frases que, mal colocadas, causam inúmeros traumas, celeumas.

- Você é como um irmão, um pai pra mim.

Nunca me disseram isso, mas dependendo da interlocutora seria capaz de cometer verdadeiros incestos. Há mulheres que compensam o crime e que são um pecado de não de não se ficar junto.

- O problema não é você. Sou eu.

Essa é a maior mentira. É claro que o problema é a parte terminada, gente! Senão a coisa não terminaria, oras! Isso é, simplesmente, uma maneira mais cordial de se terminar algo que já está falido.

- Não da mais!

Essa é e frase mais sincera. Curta. Dolorosa. Porém certeira. Com destino certo e finalidade imediata.

- Não dá mais.

É o fim. Nada é para sempre. Nada é eterno além das lembranças que acalentamos no peito.
- Não da mais.

E não há como ser diferente, pois a (in)diferença os separa.

- Não da mais.

E só o outro não sabe que não tem volta.

- Não da mais.

Porque não há como fazer diferente.

- Não da mais.

Pois os argumentos são inválidos.

- Não da mais.

Simplesmente não tem como. E o difícil é aceitar os domingos vazios. Os sábados sem os beijos. O motel e a cama vazia simplesmente, porque não da mais.

Não há mais.

E isso não dá letra de música, eu acho

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Seguro do Carro

- Bom dia.
- Bom dia, com quem eu falo?
- Calabria. José Calabria.
- Como posso ajuda-lo senhor Calabria?
- Eu queria fazer o seguro do meu carro.
- Perfeito. Vou fazer algumas perguntas para traçar o seu perfil, certo?
- Certo.
- Qual o modelo do carro?
- Corsa, comum, 2004.
- Modelo e fabricação?
- Sim.- Tem trio elétrico?
- Sim.- Funciona?
- Lógico, porque o interesse?
- Por que se não funcionasse, nada de seguro. Qual a sua idade?
- Quarenta e dois anos.
- O senhor mora sozinho?
- Não, com a minha esposa e meus dois filhos.
- Qual a idade deles?
- Ela, trinta e cinco. Os dois são gêmeos, vinte e quatro anos cada.
- Eles dirigem o carro?
- Nunca. Nem encostam. Deus me perdoe.
- O senhor guarda o carro onde durante o dia?
- Estacionamento da empresa.
- E durante a noite?
- Estacionamento no prédio.
- O Senhor sai muito?
- As vezes.
- E onde o Senhor deixa o carro?
- No manobrista, sempre.
- O senhor sabia que 50% dos manobristas estaciona os carros nas ruas ao invés de estacionamentos?
- Não. Vou tomar cuidado.
- O Senhor bebe muito?
- Qual a relação disso com o meu seguro.
- O senhor sabia que 40% dos acidentes de carro são provocados por motoristas alcoolizados?
- Não, mas vou continuar bebendo.
- Muito bem senhor, vou fazer a simulação do custo do seu seguro.
José Calabria era um homem muito paciente, depois que havia sido demitido teve que aprender a fazer tudo que a secretária dele fazia para ele. Pensava, devia ter dado aquele aumento. Eu estaria na vida boa ainda e ela não teria me denunciado.
- Pronto Senhor. São sete mil reais.
- ...
- Senhor?
- Isso é um terço do valor do carro.
- Sim, mas o senhor foi enquadrado no grupo de alto risco de sinistro.
- Como assim?
- O senhor bebe e usa o carro.
- Como é que é? É lógico que eu uso o carro.
- E bebe.
- Bebo muito pouco.
- E usa o carro todo dia. O caso do senhor é difícil, eu compreendo.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Qual a senha?

Talvez influenciado pelos filmes, quando pequeno lembro que saber uma senha era um diferencial importante no pool social infantil.

Para entrar no quarto onde os primos falavam de meninas e compartilhavam um surrado exemplar da Revista do Homem era necessário uma senha. A senha podia ser uma seqüência de batidas na porta sempre trancada ou uma palavra qualquer outorgada normalmente pelo mais velho e que devia ser sussurrada pelo buraco da fechadura.

Ganhar o direito a saber a senha era preciso uma espécie de ritual, uma iniciação. Lembro que uma das tarefas arriscadas que tive de cumprir para conseguir uma senha foi surrupiar um bom pedaço do pavê de amendoim da minha tia e levar para os conspiradores encerrados em seu esconderijo. Fui bem sucedido no furto do pavê, mas não ganhei a senha. Crianças são cruéis umas com as outras.

Acho que vem daí a minha bronca com senhas. E, vejam só, fui ser adulto exatamente na época da evolução na qual as senhas dominam. Nada sortudo.

Somos obrigados a possuir dezenas de senhas, mas não podemos anota-las em lugar nenhum. É perigoso anotar senhas. O jeito é guardar na cabeça, mas conforme o tempo passa, as senhas vão ficando mais sádicas.

Poderia ser fácil, como padronizar as senhas. Vamos supor, a senha do banco – 2008. Esta senha poderia ser usada para acessar a caixa de e-mails, para acessar a área restrita da sua operadora, para desbloquear o cofre, para ligar o carro.

Mas não! Para o e-mail a senha tem que ser alfanumérica. Para a operadora não pode ter números. Para o carro não pode números iguais e para o cofre o mínimo de dígitos são seis.

O resultado é que você tem que decorar dezenas de senhas diferentes. E não pode anotar!

Eu possuía quatro contas de e-mail de provedores distintos. Um deles caducou, já que eu não usava há tempos. Dois eu uso com bastante freqüência, o que deixa as senhas sempre vivas na memória. Mas a quarta era dedicada apenas a assuntos burocráticos da empresa, e que só é necessário acessar caso surja algum problema.

Pois bem, surgiu um problema e fui acessar o maldito e-mail. Depois de dois anos obviamente eu não lembrava da senha. Tentei todas as hipóteses possíveis de senhas que minha cabeça estranha poderia inventar, mas não obtive sucesso.

Então, para minha alegria, descobri que é possível você recuperar a sua senha mediante uma identificação positiva, como ele dizem. Fui seguindo os passos, fornecendo data de nascimento, nome completo, tipo de sangue e cor preferida.

Até que cheguei na última pergunta que finalmente traria minha senha à luz: Lugar onde conheceu sua mulher.

Como assim? Que cazzo? Eu não sou nem nunca fui casado!
Tentei algumas alternativas, como bar, restaurante, rua, zona, igreja, festa do caqui. Nada.

Fiquei sem minha senha, sem minha conta de e-mail e sem saber onde conheci a minha mulher.

Realmente, como alguém já disse, a informática surgiu para resolver problemas que antes não existiam.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mulher tem que ter pegada

Hoje em dia, é muito comum ouvir uma mulher dizer que homem tem que ter pegada. Não era assim. Quando eu era pequeno, tudo que eu ouvia era: respeito e carinho. Além dos atributos clássicos como bonito, inteligente e sensível. Mas em relação a postura, a como tratar uma mulher, o homem tinha que ser respeitador, tipo, não podia mão nisso, muito menos naquilo, enquanto ela não desse a ordem. Carinhoso, sempre abrir a porta do carro, ser gentil, abraçar com cuidado, ser tenro.
Agora não, agora elas querem além de tudo um cara com pegada. Um homem que tome as rédeas, que abuse de vez em quando, que seja firme quando tem que ser e doce quando ela desejar. Tem que ter atitude, tem que sentir os momentos certos e fazer aquilo que está dentro da cabeça delas. Ok, já não era complicado o suficiente, mas damos um jeito. Servimos bem para servir sempre.
Mas o fato é que - não sei se falo por todos os homens - gostamos de mulheres que também tenham pegada. Um dia quem sabe, quisemos (ou dissemos que queríamos) mulheres de Atenas, ou princesas intocáveis e frágeis. Mas hoje não. Hoje queremos muito mais, também queremos essa mistura que as moças vem reivindicando há tempos. Queremos a mulher que faz bico e depois nos arraste pela nuca, não podem mais assistir, tem que dividir o papel principal.
Mas a mulher que tem pegada é diferente do homem que tem pegada. Enquanto o homem pode ser assim naturalmente, a verdadeira mulher de pegada tem que ser despertada. Mesmo que seja naturalmente assim, não é qualquer um que as faz assim. Não basta beijá-la e abraçá-la, tem que conquistar de verdade. Tem que achar o caminho para o núcleo nervoso delas, estremecer as bases. Precisamos fazer com que todos os seus sentidos estejam alterados (sim, usar álcool vale), tem que anular sua razão, tem que fazer com que ela não enxergue nada além de você. Enquanto falar tudo isso é fácil, fazer...
Como toda grande tarefa, essa também oferece uma enorme recompensa. Uma vez que se prova, não se quer nada diferente daquilo. Não é como aquelas mulheres desesperadas, que te sufocam, que saem raspando os dentes em seus lábios sem controle. É diferente. A mulher que tem pegada, quando despertada, sempre te beija como a primeira e última vez, ao mesmo tempo. Bagunça seu cabelo, se pendura em seu pescoço, te abraça como se não quisesse que fosse nunca embora. Se enrola em você como se quisesse impregnar em suas roupas, em sua pele. Ficando junta de você por muito mais que uma noite, uma mulher que voc6e leva pros lençóis de sua cama mesmo quando sozinho.
Tenho certeza de que nenhum homem fica impassível a uma mulher como essa, todos querem esse tipo de intimidade, essa temperatura, essa intensidade. Conseguir não é fácil, mas o que de bom nesse mundo é?

domingo, 12 de outubro de 2008

Iluda-se menos, viva mais

"Ando devagar, porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais".

Para aqueles que não conhecem, ainda, essa é a frase que abre a música "Tocando em Frente" do Renato Teixeira. Confesso que não sou fã de sertanejo, por isso, não confundam Renato Teixeira, Almir Sater e Rolando Boldrim com essas porcarias que, vira e mexe, ouvimos no rádio.

O fato é que tenho percebido amiúde, uma onda avassaladora de reclamações relacionadas a namoros, casamentos, noivados e afins. Gente, convenhamos, há gente boa no mercado, vai? É só procurar que você encontra.

O problema é que geramos expectativas demais no outro. Nem homens nem mulheres são culpados mas, na verdade, nós mesmos. O outro lado da moeda.

Se você levou um pé na bunda, levante-se, empine o nariz, estufe o peito, olhe pra cima, respire fundo e olhe só pra frente. Pare de se lamuriar pelo passado, pare de se iludir se ele ou ela te ligou, pois não querem mais nada com você. Só ligam, com certeza, pra ter uma boquinha disponível quando bate a carência, só isso, nada mais.

Claro que, pra toda regra, sempre há raríssimas exceções. Mas, geralmente, essas exceções estão comprometidas e, se você já teve uma exceção em sua vida e não soube aproveitar, se deu mal. Certas coisas acontecem só uma vez na vida. Ou você acha que todo mundo é igual ao João Alves que ganhou milhares de vezes na Mega-sena? Não, né?!

Gente, carpe diem! Aproveitem o que o presente (que nada mais é do que um presente mesmo) lhes proporciona. Chega de viver de um passado que só serviu para aprendermos. Só isso. Temos que saber tirar proveito do que passamos para viver, plenamente, o presente e projetar o futuro.
Se ele ou ela não te liga mais, não te procuram mais, azar o dele! Pense que, quem perde essa pessoa maravilhosa, cheia de carinho pra dar, é somente o outro, não você. Valorize-se!

Infelizmente, pessoas ansiosas sofrem demasiadamente por quererem tudo muito rápido. Amam rápido e "desamam", também, rápido demais.

Se você quer o príncipe encantado ou a princesa, pare de procurar. Deixem que eles mesmos te achem. Não vale a pena atirar pra tudo o que é lado testando. Fique na sua. É a melhor coisa que faz. Procurar, sair à caça, cansa.

Maturidade... isso é que o falta hoje em dia. Infelizmente não há pessoas maduras o suficiente pra encarar um relacionamento sério. Vale mais a pena as baladas, os perdidos nos namoros do que, realmente, se comprometer.

É por isso que eu concordo com Vinícius de Moraes, com seu estilo de vida. Amem todas e deixem que elas o procurem. Isso vale tanto pra homem como às mulheres. Afinal de contas, vale mais a pena viver ao se iludir, mesmo sabendo que a dor é inevitável, mas o sofrimento é, meramente, uma opção nossa.

sábado, 4 de outubro de 2008

É 0 @m0®

Romeu e Tati se conheceram por intermédio de amigos. Conversaram o suficiente. Só o suficiente para não se constrangerem com o silêncio. O suficiente para trocar os respectivos endereços de MSN.

Os primeiros dias foram mornos. Aos poucos iam se conhecendo. Ele gostava de música black, ela também. Ela odiava trabalhar, ele (e a torcida do flamengo) também. Ele gostava de caipirinha de morango. Ela fingia que também.

Logo, ligavam o computador correndo, procurando o ícone dos bonecos azul e verde, a primeira coisa que faziam eram se logar. Meio inconsciente. Só meio. Brincavam com as palavras, falavam de vários assuntos, relacionamentos, família, relacionamentos, amigos, relacionamentos, etc.

Pouco tempo passa e já não desligavam os computadores. A janela de Chat ficava permanentemente aberta. As fotos, mensagens pessoais, emoticons, tudo a favor da interação. Entre os dois apenas. Tati largou o apelido de batismo e se tornou Julieta.

Foi a deixa perfeita. O novo nick foi a gota d’água. Não podiam mais fingir que nada estava acontecendo. Tinham que deixar a natureza seguir seu curso. Sentiram enfim a coragem para a primeira vez. Perderam suas virgindades virtuais. Virou vício. Era o casal mais ousado de toda web.

Daí pra frente tudo foi conseqüência. Se é tão bom online, como será offline? Marcaram em um barzinho no meio do caminho. Muito frio na barriga. Como se tivessem voltado a adolescência.

Sentaram em uma mesa encostada na parede. Em cima dela apenas um grande cinzeiro prateado. Acenderam os cigarros aguardando a movimentação do outro. Não havia. O silêncio dessa vez era bastante constrangedor. Não a toa, Romeu foi ao banheiro 12 vezes em 7 minutos. Na décima-segunda no entanto, teve uma epifania. Ela percebeu em seus olhos que algo tinha mudado, sentiu que ele poderia salvar a noite que parecia estar destinada a destruir toda a mágica de Romeu e Julieta.

Ele olhou no fundo dos olhos de Julieta e com muita calma e cuidado se preparou para explicar. Respirou fundo, lembrou de todos os insucessos da adolescência, das infrutíferas investidas e alguns tapas na cara. Soube que não conseguiria, as palavras não iriam sair. Só havia uma solução. Sacou o celular e disparou seus torpedos. A agilidade no teclado impediu o início do constragimento.

Foram embora para suas casas, de olho na telinha dos smartphones, com maior certeza de seu amor.