domingo, 15 de novembro de 2009

Epílogo

Final de caso. Reencontro. Acerto de contas.
- Vim pegar minhas coisas.

- Já imaginava que você viria. Deixei tudo separado. Se você não se importar gostaria de ficar com os discos dos Beatles.

- Claro, sem problemas. Você quem sempre escutou mais. Só gostaria que você me deixasse o Revolver. Sabe como é, tem o Eleanor Rigby.

- Ok, pode levar. Deixando o Abbey Road para mim já está ótimo.

- Pode levar o resto. Só quero o Revolver mesmo.

- (...)

- Poderia ter dado certo, não é? Eu quis dizer, a gente.

- Sim. Mas quem disse que não deu? Foram 10 anos maravilhosos.

- Pois é, nos divertimos muito. Onde foi que erramos?

- Tomamos rumos diferentes. Acho que cada um queria ter sua própria vida.

- É, acho que sim. (...) Ei, não vai querer nenhum do Pink Floyd?

- Não, pode levar todos.

- Tem certeza? Nem o Wish you were here?

- Tenho certeza. Para ser bem sincera, eu nunca fui muito fã do Pink Floyd.

- Hã?

- É, eu nunca gostei muito. Achava meio chato.

- Mas e todas as vezes que escutávamos juntos?

- Ah, eu escutava porque você gostava.

- E... e... e quando fomos para o show deles em Pompeii?

- Foi legal. Mas mais pelo show que pelas músicas em si.

- E quando o Roger Water deixou a banda? Ficamos de luto por quase um mês.

- Na verdade eu estava dando pulos de alegria por dentro.

- Não! Não com o Roger Waters!

- Pois é, eu achava ele pretensioso demais. Odiei o The Wall.

- Ninguém fala mal do The Wall na minha frente! Não é pretensioso! É eloqüente! É genial! É... é...

- É chato!

- (...)

- Desculpe... Mas é o que eu realmente acho.

- Moramos juntos por quase dez anos e agora descubro que realmente não conhecia você. Te respeitava por tudo que você foi, por tudo que passamos, pela pessoa maravilhosa que pensei que fosse. Percebo agora que me enganei.

- É só uma banda.

- “Só uma banda”? Que desprezo é esse? É “A BANDA”! Dark Side of the Moon revolucionou o rock! Foi o primeiro álbum a usar o sistema quadrifônico! E o fantástico Animals ou Atom Heart Mother? Não me venha com essa de falar que é só uma banda!

- Para de fazer escândalo por causa dessa bobagem!

- Escute aqui, eu gostava de Pink Floyd muito antes de imaginar que pudesse um dia te encontrar. Gostava mais de Pink Floyd antes mesmo de gostar de meninas!

- Não acredito que você ache essa bandinha de quinta categoria mais importante que eu!

- Não fale assim da maior banda de todos os tempos!

- Bandinha de quinta mesmo! Dá sono só de pensar naquelas musiquinhas chatas!

- Cale a boca!

- Bandinha! Bandinha! Bandinha! Sempre achei ruim! E agora finalmente posso falar! E quer saber mais? Eu te traía com seu melhor amigo, o Davi! Escutou bem? EU TE TRAÍA COM O DAVI!

- (.........)

- Olhe... Eu... Não...

- Não... Não fala mal do Pink Floyd...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cosmético, coisa de macho!

Já estava mais do que na hora. As empresas de cosmético resolveram dar atenção aos machos modernos e estão lançando produtos específicos para os homens. Com linhas mais abrangentes que incluem desde os tradicionais shampoos, condicionadores, loções pós barba até os novos hidratantes, esfoliantes e até base para unhas. A Ox, marca já reconhecida no universo feminino, lançou a linha Ox Men, com vários produtos, incluindo até um shampoo para cabelos grisalhos. O cuidado com os detalhes é extremo, se reflete nos nomes, embalagens, e até numa das fórmulas que é composta por extrato de whisky, coisa de macho né. Já a Niasi, por meio de sua linha Risqué, traz bases para unha específicas para o público masculino. Calma, não se assuste, ninguém aqui está falando em homens com unhas da cor; Vermelho Pecado. As bases são incolores e vem em duas opções, semi-brilho e fosca, deixam as mãos do homem com boa aparência além de bem cuidadas.

Essa nova oferta no promissor mercado de produtos estéticos dedicados ao homem acaba com um problema recorrente dos vaidoso machos modernos. Más interpretações.

Uma vez, vi uma garota falando seu método para descobrir se estava saindo com um gay ou metrossexual. Investigue seu banheiro. Se achar apenas shampoos, condicionadores e sabonetes pode ter certeza que se trata de um macho a moda antiga. Caso se aprofunde mais entre seus armários e prateleiras e encontre dezenas de perfumes, loções pós-barba, quem sabe até um hidratante escondido atrás de um desodorante antigo. Está lidando com um metrossexual, faça a mão que ele vai reparar. Já se naquele gabiente embaixo da pia, ali ao lado do encanamento, você por um acaso encontrar um baldinho de lencinhos umedecidos “baby wipes”, amiga, saia correndo antes que ele peça pra você vestir o cinturão.

Que exagero. Concordo que um baldinho rosa com um bebê no rótulo não é das coisas másculas que pode-se ter num banheiro, porém, temos que observar que o mercado não nos dá escolha. Bebê rosa ou nada. Um amigo meu, tem esses lencinhos no banheiro dele. É uma opção, para ocasiões em que precisa-se sair rápido e estar com a cara um pouco mais apresentável, afinal, ninguém aqui gosta de ver, muito menos sentir, uma pele oleosa que se banhou de poluição o dia inteiro. Uma pele limpa e cheirosa é sempre mais atraente. Isso é o que o meu amigo alega ao menos.

Essas novas linhas vem para resolver justamente esses problemas. Nenhum homem quer abrir seu armário ou necessaire e ter a sensação que tem em mãos um kit de beleza da Hello Kitty. Precisamos de produtos e embalagens adequadas. Por exemplo, imaginem lenços umedecidos da Calvin Klein, com a essência de um de seus perfumes, vestidos com a tradicional austeridade da marca. Uma caixa preta retangular de aço, no meio uma abertura como um cofre, o logo “CK” logo abaixo gravado em prata, com o subtitulo, “wipes for men”. Já não é mais tão feminino assim não é?
A verdade é que o homem realmente quer usar cosméticos, porém a seu modo, com a sua cara. Nada mais justo. Podemos ser limpos e bonitos preservando nossos armários de se transformarem em arco íris de frascos amarelos, lilás e rosa bebê. Assim eu nunca mais terei problemas com lencinhos. Digo, meu amigo.

domingo, 25 de outubro de 2009

Mulher desesperada

E a mulher lutou muito para obter direitos iguais, os mesmos salários, as mesmas oportunidades, as mesmas possibilidades de trair, etc. E ela chegou lá. É claro que ainda tem que trocar as fraldas de cocô, fazer o almoço de domingo, mandar a empregada gostosa embora e ir às reuniões pedagógicas na escola do filho ao meio dia quando tem milhões de coisas pra fazer! Mas a mulher está muito bem! Muito segura de si, muito orgulhosa! Feliz!


Na boate, lá pelas tantas horas e tantas cervejas…


- Oi.
- …
- Tudo bem?
- …
- Qual o seu nome?
- Mariana.
- …
- …
- Você vem sempre por aqui?
- …
- Você estuda, trabalha?
- Eu faço faculdade.
- Ah… De quê?
- De Administração.
- Eu faço medicina.
- Ah…
- Você veio sozinha?
- Não. Vim com amigas.
- Entendo… E tem namorado?
- Por que?
- É que…
- Ah?
- …- Pode falar. Não fique tímido.
- …
- Não tenho namorado. Estou disponível, aberta a novos relacionamentos e pronta para outra…
- Claro. Eu só queria saber…
- Não que eu ache que os homens não prestam. É que meus últimos rolos e ex-namorados foram bem sacanas comigo e…
- Olha, eu…
- Eu sei que você vai dizer que é diferente, que nem todos os homens são iguais, mas vai ter que sambar muito pra me provar isso,viu, e…
- Deixa eu falar…
- Não. Peraí! Eu sei que nem todos são iguais, mas quer saber? Parece até que existe uma irmandade ou fraternidade oculta na crosta terrestre e que todos vocês, homens e ratos, vão pra aprender como maltratar e magoar as mulheres. Um dia eu entro lá disfarçada e pego todos no flagra!
- Mariana?
- Sabe o que é pior? É que vocês não podem ver um rabo de saia e já ficam doidos. Por que vocês não conseguem ser fiéis? Vocês entendem o que é amor?
- …
- Sabe, é por isso que não acredito em casamentos! Depois que casam, vocês, ratos, só querem que a mulher fique atrás do fogão enquanto vocês saem pra pegar as menininhas que tem idade para serem sua filha! E mais… Chegam em casa com a cara lavada e ainda querem sexo!
- Eu… Bem…
- Sexo! Vocês só pensam nisso. Só pensam em conversar com uma mulher quando querem fazer sexo! Custe o que custar. E aí, quando eu ficar gorda e velha você vai procurar sexo na rua, não é?
- Ah… Bem… Eu… Eh…
- Ta vendo? É isso mesmo. Ficou até sem fala! Viu só? Homem é foda!
- Desculpe, Mariana. Eu só queria te conhecer… Tchau.
- …

- Viu aquele carinha ali, Roberta?
- Sim. Ele tava te cantando?
- Hã! Cantando! Ele queria transar comigo! E aí foi só eu começar a conhecê-lo melhor pra saber que é um crápula! São todos iguais!
- É…

sábado, 17 de outubro de 2009

Coisa de criança

Quanta coisa aprendemos quando criança. Não coloque o dedo na tomada. Não coma coisas que encontra pelo chão. Não coloque a mão em uma panela no fogo. Apesar de tantos avisos e ensinamentos, insistimos a contrariar os avisos e experimentarmos por nossa conta. Certamente tomamos muitos choques e quedas pelo caminho. É que chamamos de viver. Viver muitas vezes é mais eficiente que aqueles sermões de “não faça” que tantas vezes ouvimos. Assim crescemos, assim aprendemos.

Aprendemos a confiar em nossos pais. Quantas vezes já nos arrependemos de não levar aquele agasalho que sua mãe tanto insistiu para que botasse? Sempre preocupados e pensando no seu bem-estar. Experiência. Essa é a palavra. Eles já viveram tudo aquilo que você passou ou está passando: aquela vontade de riscar paredes, a curiosidade de desmontar os brinquedos, aquele temor de ligar para aquela garota ou aquele primeiro porre. Escutamos e aprendemos.

No fim crescemos. Aprendemos. E descobrimos que eles mentiram.

O mundo não é como nos ensinaram. Quando somos pequenos, se acreditamos em nossos pais, somos bem-educados e elogiados. Quando crescemos, se continuarmos acreditando, viramos otários e desiludidos.

Comi todo o feijão do prato e não cresci forte e bonito como o galã da novela das oito. Trabalho 12, 14 horas diárias e estou longe de ficar rico. Procuro e não encontro aquela princesa encantada prometida. Sou honesto e fiel, mas nunca valorizado por isso. Procuro ser bom com os outros, mas não há um Papai Noel no final do ano para ser recompensado. Os desonestos não são punidos no final. O mau-caráter sempre fica com a mocinha.

Na vida adulta não há espaço para “crianças”. Hollywood não existe. O romantismo morreu há muito tempo. As últimas peças de resistência sofrem a via-crucis. Não há charme em ser bom, enquanto há uma aura sexy em ser mau. A malandragem é fator diferencial (eu diria até crucial) na ascensão de uma carreira. Ter princípios é antiquado. Fidelidade é careta. Honestidade é burrice. Apanhamos e aprendemos.

Aprendemos? Ou desaprendemos? Em quem confiar? Em nossos pais que sempre zelaram por nós ou em um mundo que sempre nos acerta na cabeça e no coração?

Ser uma criança eterna, sonhar, viver, buscar e por muitas vezes chorar e apanhar de um valentão qualquer. Ou abrir os olhos, se encaixar em um mundo canalha e roubar o lanche daquele otário fracote?

Sigo com minha decisão. Fecho meus olhos ainda com esperanças de um dia o mocinho vencer no final. Continuo em meu canto solitário, brincando com meus blocos de madeira e bolinhas de gude, esperando que um dia tenha companhia para brincarmos juntos. Talvez eu seja o maior otário do mundo, ou talvez o mundo precise da mais blocos de madeira. Alguém quer brincar comigo?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Pra casar"

Demorou, admitimos, demorou. Mas chegou o dia em que os homens estão entendendo o “big deal” que é o casamento. Por séculos os homens fugiram do casamento como noivo da noiva. Medo do comprometimento, da prisão, da castração social. Mas finalmente, o século 21 assiste os machos abraçando a tradição matrimonial.

Ainda que preserve tradições antigas, como a despedida de solteiro, também abro espaço para casar de branco, entrar na igreja com música, chá-bar, dia do noivo etc. Não que adote todos e todas, mas estou mais receptivo. É um grande passo para quem só aceitava se trajar de luto no grande dia.

Vamos nos divertir com as listas de presente, dando preferência para TVs de plasma e aparatos de churrasqueira mas espichando os olhos para travessas, baixelas e aparelhos de fondue. Sim é importante ter pratos para sopa, sobremesa, pizza e tartar. Seja lá o que for isso.

Vamos repassar a lista de convidados, entendo que realmente, aquele seu tio que acabou de sair da cadeia não pode ficar de fora. Padrinhos, podem ser seis casais sim, pega emprestado dois meus. Seu tio ladrão vai ser padrinho? Claro, ele precisa de apoio para voltar a sociedade. Vou sem relógio, você se importa?

Flores, lembranças, havaianas com os dizeres “tuquinho e tuquinha pra sempre”, eu apóio. Dinheiro? É detalhe, esse é o dia mais importante de nossas vidas não? Porque se importar com o financiamento do apartamento no mesmo prédio que sua mãe? Nós merecemos. Esse é seu dia de princesa, todos se curvarão a seus pés, mesmo que seja de bêbados, whisky 18 anos não vai faltar.

Lua de mel é um capítulo a parte. Faz todo sentido dividirmos entre Taiti e NY. Compras e lazer. Dias mágicos. Vamos nos divertir muito, assim como meu gerente. Não importa o que tenhamos que sacrificar, sabe porque?

Porque você é a coisa que mais amo no mundo, minha alma gêmea, nada é mais importante que isso. Quero passar o resto da minha vida com você, ter filhos, envelhecer juntos de mãos dadas na sacada nos nosso apartamento financiado em 87 anos.

Hein? Como assim? Você quer o que? Focar na sua carreira, no seu desenvolvimento profissional? Não sabe se está fazendo isso na hora certa? Quer aproveitar mais suas amigas, conhecer o mundo, se sentir livre? Mas e o papo de alma gêmea? É bobagem? Temos de ser felizes sozinhos? Não eu não sou dependente de você, só queria ser feliz pra sempre. Como assim isso não existe. Ta, atende essa chamada do seu trabalho, você sempre dá preferência a eles mesmo. Mas depois disso você não me escapa. Depois de me enrolar por quatro meses…Será possível?

sábado, 26 de setembro de 2009

Amar é...

Amar é levar a mulher em um restaurante caríssimo, pedir lagosta, ensiná-la a usar os talheres, a segurar a taça, pagar a conta sozinho, abrir a porta do carro para ela entrar, levá-la para casa, e ser obrigado a, no caminho, parar em uma barraca de cachorro-quente imunda porque ela odiou a comida do restaurante e está com fome. Além de dizer que a barraca é mais a sua cara.
Amar é passar duas horas dentro de uma floricultura escolhendo o mais lindo vaso, as mais lindas flores para a mais linda mulher, escrever um cartão pomposo, entregar de surpresa quando ela abre a porta, ganhar um beijo e um abraço e ouvir, sem querer, no outro dia, ela comentar com uma amiga que não agüentava mais ganhar flores. Que era uma mulher prática e bem que poderia ganhar algo útil.

Amar é chegar mais cedo no trabalho, dar duro o dia inteiro, sair correndo do escritório, passar no shopping, comprar aquele vestido que ela queria tanto, uns queijos, um bom vinho, velas aromáticas, e descobrir, ao chegar em casa, que justo hoje ela resolveu sair com as amigas.
Amar é resolver sair uma noite com amigos que não se vêem há três anos e depois ter que dormir no sofá por "falta de consideração".

Amar é levá-la ao circo, ao parque, ao shopping, à butique, ao bazar, ao show do Peninha, à exposição de tapetes ornamentais, e ainda ter que assistir à novela com ela ao chegar em casa.
Amar é buscar as palavras mais bonitas, todos os elogios, todos os adjetivos, as comparações mais lisonjeiras, e ouvi-la reclamar, cinco minutos depois, que está deprimida porque está se sentindo gorda.

Amar é conviver 364 dias por ano com a dor de cabeça dela à noite, e no único dia que as coisas poderiam dar certo, você pega pneumonia e ainda é chamado de frouxo.

Amar é gastar os tubos em um relacionamento, e, quando acaba, você a vê dirigindo um carro novo.

Amar é vê-la deslumbrante no vestido longo de festa, e não poder beijá-la nem abraçá-la a noite inteira para não tirar o batom nem amassar o vestido.

Amar é acordar com ela "naqueles dias" e ouvir reclamações sobre o tempo, sobre a roupa, sobre a economia, sobre a casa, sobre os filhos, sobre você, sobre o síndico do prédio, sobre a vida, sobre seu carro, sobre o cabeleireiro e sobre o chinelo que ela não encontra em lugar nenhum. Abraçá-la, beijá-la, dizer que a ama, e ela te mandar praquele lugar.

Amar é levar uma multa por parar em fila dupla quando ela vê uma loja de R$ 1,99 e PRECISA tanto ir que não pode esperar você estacionar o carro.
Amar é isso aí e algo mais.

sábado, 19 de setembro de 2009

Preciso de você esta noite!


Qualquer pessoa razoavelmente sociável tem uma mão cheia de pessoas para quem pode dizer esta frase e ser prontamente atendido. Seja numa tarefa simples, ou no momento mais complicado de sua vida, alguma destas 5 pessoas te ajudarão. Quem sabe não todas, quem sabe não sempre, mas alguém estará lá.


São estes que podem ser chamados de melhores amigos. Sejam cônjuges, pais, filhos ou só amigos mesmo. São essas 5 pessoas, ás vezes um pouco mais, outras menos, que você sempre poderá contar. Essas 5 pessoas, ao longo da vida, logicamente são rotativas, mudam-se as famílias, colégios, trabalhos, interesses. Mas elas estão sempre lá, simbolicamente.


Mas chega uma hora em que você fica mais exigente, mais carente, e não quer mais ter que dizer nada. Quer que as pessoas simplesmente estejam lá esta noite, e a próxima, e a próxima, etc.


É a nossa possessão talvez que nos faça desejar alguém exclusivamente seu, dando em troca o mesmo tipo de comprometimento. Queremos simplesmente não ter que nos preocupar em pedir socorro. Queremos sentir que nunca mais estaremos sozinhos. Só sentir, pois estamos. Sempre.


São estes que podem ser chamados esposos e esposas. Sejam juntados, casados no papel, namorados de longa data. O rotulo em si é bobagem, já discriminei muito os juntados, achando que casamento válido apenas com presença de juiz e padre. Mas isso tudo é uma grande bobagem. O único pré-requisito para ser esposo ou esposa é este. Estar lá. Junto. Mesmo que a distância.


Assim sendo já coloquei no passado a exigência de festa, contrato ou juramento. Só quero encontrar alguém que compartilhe da mesma visão que eu. O que obviamente é muito mais difícil.


No dia que (se) eu encontrar não vou precisar de aliança, casa ou permissão. Só vou falar uma vez, mas com a maior sinceridade possível que eu preciso dessa pessoa. Não essa noite, não esse mês. Apenas preciso. E pra selar de vez a nova fase ajoelho e pergunto: “Quer estar comigo? “