sexta-feira, 29 de junho de 2007

Banho de idéias


Descobri que o banho, além de limpar e relaxar, é um ótimo lugar para se pensar. E quando digo isso, refiro-me, exatamente, ao banho e não no conjunto todo, o banheiro. Está certo que não é o lugar mais adequado, porém, por vezes, é o mais insólito. E nada melhor para se pensar do que estar em plena solitude.

Cometei aqui certa vez da solitude. Minha companheira inseparável, a dita cuja. E em meu banho não é diferente. Mas não é sobre ela que quero comentar.

O banho é uma coisa sagrada. Deve existir um santo pro banho. Um santo banhista, não sei. E caso não haja, encaminharei ao papa uma solicitação de que se ache um santo banhista lá pelos lados do Hawaí. Ou em qualquer outra costa que se ache o encosto. Como ainda não temos o bendito do santo, voltemos ao banho.

Cá entre nós: quantos de vocês, ao entrar (!) no chuveiro, apenas tomam banho? E, quando pergunto isso, já informo que você está sozinho, desprovido de companhia. Sinceramente, não sei. Nunca fui de chegar em alguém e dizer: “Ei! Você! Quando entra no banho, você só toma banho ou fica lá de bobeira?”. É que esse “de bobeira” remete a uma porção de bobagens.

Tem gente que gosta de banho musical. Ou levam um radinho três em um ou, não sei se existe ainda, soltam a caixa do aparelho de som e a levam até o banheiro. E por lá ficam horas e horas, ouvindo, curtindo um som na maior paz. Aí me pergunto: será que o cara dança lá dentro? Será que ele canta? O que será que acontece lá dentro? Se for um mantra a música, ele entra em alpha e medita com a água batendo na cabeça? A queda d’água, gelada ou quente, estimula os tímpanos para melhor audição da música?

Isso é matéria de estudo. De muito estudo.

Há o banho sauna. Geralmente a cidadã fecha a porta do banheiro a chaves, liga o chuveiro e começa a cortar a unha enquanto a água cai e o vapor sobe. Quando a coisa já ta bem branca e ela não consegue mais ver a unha do pé, a pessoa se digna a entrar no banho. E é um banho D E M O R A D O. Quando a pessoa acaba seus afazeres e abre a porta, parece que a nave da Xuxa chegou na residência, pois todo aquele vapor sai de uma vez só do banheiro. Mas não deixa de ser um banho interessante. Faz bem pra pele e abre os poros, segundo “dizem”.

Tem gente que vive no espírito da quaresma o ano todo e adora essa coisa de “mortificações” e “penitencias”. Esse tipo de mandinga não pega comigo. Mas o povo vive com suas crendices e adora fazer um drama. E é aí que entra o banho masoquista. Esse é aquele banho que se é tomado lá pelas cinco da manhã em pleno mês de julho, quando o inverno está “tinindo” aqui pros lados do sul do Brasil. Pois bem, o cidadão vai lá e desliga a chave do banheiro pra tomar banho gelado. Pasmem, ainda saem do banheiro tremendo e dizendo: “Faz um bem pra circulação sangüínea”. Eu mal consigo levantar da cama no frio, quem dirá tomar um banho gelado a cinco graus. Esses, com certeza, fazem um Yoga antes de entrar no banho para, justamente, não pensar em nada e não sentirem nada, principalmente frio. Geralmente esses banhos são rápidos e no final do mês dá gosto de ver a conta de água e luz.

O “chéq-chéq” é o banho rápido. Tão rápido que a pessoa só lava as “partes” e já desliga o chuveiro ou sai do bidê, ou, ainda, da pia. É que muita gente tem revolucionado essa coisa de se banhar, já que o tempo anda escasso e fazem de tudo para economizar água.

E, por fim, há o banho pensativo. Esse é daqueles banhos longos, demorados que, quando o cidadão sai do banheiro, parece uma uva-passa de tão enrugando. Geralmente são nesses banhos que vêm as melhores idéias, as melhores aulas, as melhores respostas aos namorados naquela briga em que você ficou mudo, a sacada genial na prova de química que você tirou zero, as melhores artimanhas para fugir do castigo indo pro clube se divertir se não fosse a sua mãe ter te trancado dentro do banheiro, enfim, tratados, teses de mestrado e doutorado e, até, solução para a crise aérea brasileira.

Só que o problema é que não anotamos e esquecemos do que pensamos no banho. Pensei em inventar um papel impermeável e uma caneta que escrevesse no molhado. Um kit-banho-pensativo. Mas aí eu já iria fazer do banho um escritório e não daria muito certo.

Bem, confesso que a crônica não era para ser bem essa, mas como acabei de tomar banho, as idéias foram ralo abaixo e deu nisso.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Chatus Viajadus


Viajar de avião é uma coisa engraçada. Nestes últimos anos, devido a profissão ingrata de consultor, tenho viajado muito. A cada vôo que faço, fico observando as pessoas que entram e saem dos aviões e pensando em cada um deles. Já me deparei com cada tipo que vocês não acreditam!!!

Primeiro, tem os apressados. A aeromoça começa chamando a primeira classe e a classe executiva, mas sempre tem o apressado chato que está na última cadeira da classe econômica e que quer entrar primeiro no avião. Eu classifico estes como o chatus apressadus.

Tem aquele inconveniente, mal senta na cadeira, começa a conversar com você e não percebe que você está a fim de dormir para ver aquele vôo passar logo. Acha que todo mundo viaja para se divertir ou viaja de férias e faz um interrogatório inteiro sobre o que você faz, de onde vem, para onde vai, o que vai fazer, entre outras coisas. Estes são os chatus interregatorius.

Existem os chatus religiosus. Estes deixam o avião decolar, deixa servirem a comida, e quando você menos espera e acha que vai poder dormir o vôo todo, ele começa a falar sobre religião, puxa sua bíblia, e começa a pregar para você. Não que eu tenha alguma coisa contra isso mas dentro de um avião é dose!!!!

O fantástico é ver aquelas famílias com quatro crianças, pai e mãe entrando no avião e que decidiram não despachar nenhuma mala para descerem mais rápido do avião. Resultado, a mãe vem com duas malas de rodinha, segurando o filho mais novo, o pai com mais duas malas de rodinha e os filhos com as malas de brinquedos. Sempre chegam por último no avião e querem colocar todas aquelas imensas malas nos bagageiros superiores. Que lástima! Este eu classifico como o familius atrapalhadus viajandus.

Mas tem um certo tipo de passageira que é fantástica, mas nunca se senta ao meu lado. Estas são as modelus viajandus. Fico sentado na minha cadeira esperando que aquela “Julia Roberts” entre no avião e venha sentar-se ao meu lado. E torço para que ela seja do tipo chatus persistentes. Mas elas entram no avião e sempre sentam-se do outro lado. Pôxa, viajar naquela poltrona é tão incomodo. Poderia ficar mais tranqüilo se eu estivesse bem acompanhado...

Tem o chatus tecnologus, que sempre utiliza o notebook para fazer barulho de teclado enquanto tento dormir. Quando pára com o Notebook, liga o walkman, quando desliga o walkman, pede para ir a cabine do avião ver como faz para voar com um Boeing 737.

Mas para mim o pior de todos é a classe do chatus viajadus. Reclama da poltrona, reclama da modelo que não sentou ao seu lado, reclama da comida, reclama da pessoa que sentou ao seu lado e fez aquele interrogatório ou ficou pregando pedaços da bíblia. Só faltava reclamar de tudo isso em uma crônica. Ih, achei minha classe....

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Para uma barata escondida (sabe lá onde) em meu quarto.

Tem uma barata no meu quarto,
Em algum canto da bagunça arrumada do meu quarto ela se esconde.
São quase duas da manhã;
Uma estúpida barata
Imaginária/real
Se esgueira por detrás de algum dos meus livros.
Será que está lendo O PRÍNCIPE de Maquiavel?
Eu nunca li, só está aqui de enfeite.
E se ela ler A METAMORFOSE de Kafka?
Certamente entrará em crise existencial.
Existe certamente uma barata,
Possivelmente em crise,
Em algum lugar da bagunça arrumada do meu quarto.
Se o mundo acabar amanhã,
Não vou deixar nada em testamento para ela.
Se ela conseguir sobreviver...
Que seja sem meu som, meus discos e fitas,
Meu telefone e meus livros.
Seja por seus próprios meios.
São duas e dez da manhã,
E uma estúpida barata se esconde em algum canto;
Possivelmente ao meu lado.
Não consigo dormir!
Uma fétida barata me tirou o sono... Porra!! São duas e quinze e ela não aparece!
Me sinto como um namorado, traído...Com rosas (no caso um chinelo) na mão,
Esperando a amada,
Uma baratona cascuda
Que certamente encontrou algo melhor para fazer.
Será que ela tá visitando algum país do meu globo?
Além da estúpida barata desaparecida,
Apareceu uma estúpida muriçoca
Que quer (mesmo contra o ventilador) me picar.
Uma barata, uma muriçoca e todas as luzes acesas,
(não sou besta de apagar)
rezem uma prece pela falecida muriçoca
(acabei de matá-la).
Só falta a baratona cascuda que está escondida...
Outra muriçoca...
Sacanagem...
Isso é sacanagem!!
Um quarto com Baygon, muriçocas à vontade.
Uma barata escondida,
Deus sabe onde,
Um ventilador ligado e todas as luzes acesas.
Duas muriçocas a menos e um relógio marcando duas e meia.
Isso definitivamente não é uma poesia!!
Menos outra muriçoca (EU 3 X MURIÇOCAS 0),
Vou chamar a Elis Regina para dormir comigo.
A barata que se faça de besta,
Eu a esmago depois que terminar a não-poesia em sua homenagem.
E quando amanhecer, não sairá em nenhum jornal local.
A única sobrevivente do mundo pós bomba-atômica.
Uma baratona cascuda, culta e letrada
Que lia Maquiavel, Kafka, Gabriel Garcia Márquez, João Ubaldo
E Jorge Amado
Enquanto visitava todo o mundo no meu globo.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Sobre as misses

O plural de miss é misses mesmo? Se for, o meu editor de texto ainda não aprendeu, porque reclamou sublinhando a palavra com uma cobrinha vermelha. Não confio nesse meu editor de texto, às vezes ele é muito burro. Mas às vezes eu também sou, por exemplo, a ponto de não lembrar que miss é em inglês. Enfim.

Fui cobrado por alguns leitores pelo fato de não ter escrito uma linha sequer sobre o último concurso de Miss Universo. Não escrevi pelo simples motivo de que não acompanhei, não assisti e só soube o resultado no dia seguinte.

Escrevi sobre o tal concurso em... (só um momento, tenho que pesquisar)...ah sim, em junho de 2004 e aquele foi o último concurso de misses (mais cobrinha vermelha) que acompanhei.

É sempre a mesma velha história, as tais mocinhas mais belas de cada país não são as mais belas nem aqui nem na Globo. A que ganha nunca é a mais bonita e aquele desfile de roupas típicas é totalmente atípico (contaram-me que a brasileira estava de borboleta).

Lá em 2004 eu desci o malho nas moças, distribuindo adjetivos como “feia”, “bochechuda”, “cabeçuda” e “cara de velha”. Teve até um suposto parente de uma delas que me mandou um e-mail indignado, lamentando a minha falta de caráter e hombridade por dizer aquelas coisas. Digo suposto parente porque o endereço de e-mail do cretino trazia o mesmo sobrenome de uma das xingadas. Ou é parente mesmo que mora aqui no Brasil ou é algum tarado fanático que deve ter se encantado com a tal miss e que hoje deve ser filiado a algum partido político.

Dia desses vi no ônibus uma moça que poderia ser candidata a Miss Universo sem grandes problemas. No ônibus! Convivo com meninas que poderiam facilmente concorrer a Miss Sistema Solar, ou Miss Via Láctea.

Sobre o resultado do concurso deste ano, só posso dizer que qualquer uma das duas finalistas merecia a coroa. A japinha é realmente uma graça, mas se bem que sempre tive uma queda pelas nipônicas.

Mas como do outro lado estava a brasileira, a japinha instantaneamente se tornou uma baranga, mocréia, vagabunda, ridícula e vesga. Nosso ufanismo é capaz de muitas atrocidades. E já ouvi dizer que agora a candidata brasileira vai sair pelada em revista, vai ter programa de televisão, talvez participar de alguma novela e alguns reality shows.

Coitada da moça.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Nunca farão o que precisamos

O descrédito é nítido. A falta de confiança está estampada na cara. O brasileiro anda pra lá de cabisbaixo. As promessas perderam o efeito. O pouco realizado é mera obrigação. Ninguém, ninguém mesmo está satisfeito com nada. E é exatamente isso que me preocupa. E muito.

Quando você está de saco cheio, por exemplo, de um relacionamento, aquele namoro ou casamento que, na sua opinião já deu (!) o que tinha que dar (?), qual a primeira reação? Amasiar. E essa fuga covarde, esse retrocesso juvenil, por vezes gera conseqüências irreversíveis. Pior aqueles que dizem: "Me arrependo" ou, ainda, "Agi sem pensar".

Mentira! Balela! Agem friamente. Pensam milimetricamente cada passo, cada jogada do xadrez da vida derrubando peões com seus cavalos contrariando o que os bispos falaram e, chegam à torre medieval para, em linha reta, trair o rei e pegar a rainha.

Somos jogadores da vida. Jogas-se, perde-se e blefa-se.

O blefe, na verdade, é nossa melhor jogada. Pode-se ganhar muito, mas fica sempre aquele frio na barriga de perder tudo. Seja pelo blefe, seja pela vaidade, seja pelo... pelo... pelo quê mesmo? Ah sim, pelo prazer de enganar e se enganar. Na maioria das vezes, adora-se colocar tudo a perder.

Correr o risco. Viver perigosamente numa adrenalina eterna. Ser irresponsável consigo mesmo.
Essa é a vida: arriscar, perder e achar culpados.


É assim que se vive no Brasil hoje: tenta-se achar culpados para isso ou para aquilo outro, mas ficamos na mesma. Nessa mesmice chinfrim. Nessa coisa de se enganar. Nisso de falar: "Ah, não dará em nada".

E nunca dá em nada mesmo. Sabe-se que qualquer investigação está fadada a cair por terra, a fica na vala comum do esquecimento. Assim foi com os "anões do orçamento", com o Dirceu, com o Marcos Valério e não será diferente com juízes, ministros, advogados, promotores, pois, como já me disse um "fraciscano": "Estamos acima da lei, meu caro. E fique você aí na sua vidinha medíocre, seu cronista".

Infelizmente, poucos gritam pela maioria. E nem adiantam bradar lindamente com campanhas populistas. Hipocrisia da grossa. Mas tem gente que acredita.

Primeiro desmoralizaram a esperança. Agora desmoralizam o medo. Temo o que há por vir.
Decididamente, o relacionamento do país com a população está estremecido há anos. Mas ninguém se deu conta disso e vive-se num patriotismo dominical nas vitórias do Felipe Massa ou na seleção capenga do Dunga.


Por isso, sugiro darmos um tempo ao Brasil. Vamos todos ficar indiferente aos acontecimentos, vamos ignorar tudo. Deixemos o Renan de lado. Deixemos a PF fazer o que deve fazer. Tomemos a mesma atitude do Lula.

Afinal, todos sabem que as únicas coisas que realmente são necessárias para se fazer, nunca serão feitas mesmo.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Milhar


"Eu já te disse mais de mil vezes!".

Com certeza já dissemos e ou ouvimos essa frase mais de mil vezes. Nossas mães são peritas em proferir o jargão. Ah... e como gostam. Ô se gostam. Eu, em minha parca existência, já disse isso um punhado de vezes. Inclusive, a palavra "mil" anda comigo desde pequeno. Incansavelmente. Diariamente. Martelando na minha cabeça.

Na época da inflação, lembro-me de pedir ao meu pai todos os dias uns mil cruzeiros para comer um pão com queijo e tomar um suco de laranja na escola. Era o valor certinho. E eu achava aquilo o máximo: falar mil. Pô, mil é número pra burro. Dava impressão de ter muito, mas era tão pouco...

Recordo-me quando brincava de esconde-esconde e meus amigos, para tirarem um sarro da minha cara e me fazerem de idiota mesmo, pediam para eu contar até mil. Sempre achei aquilo uma eternidade. Fora que perdia as contas e tinha que começar tudo de novo. Do zero. Quando já perdia as contas pela terceira vez, pulava pro número novecentos e contava mais cem. Pronto! Minha missão já estava acabada e saia à caça.

Mil é muita coisa, gente. Vocês já contaram até mil? Tentem. Sabem quanto são mil segundos? Pouco mais de dezesseis minutos. Agora imagine você ficar dezesseis minutos contanto... contando... contando... O tempo não passa. E a sua paciência vai pras cucuias.

O que me motivou, claro, a escrever sobre isso foi o Romário. É que nunca vi o Pelé jogar ao vivo. Minto! Vi uma vez em mil (!) novecentos e noventa (acho que foi por aí) quando ele completou 50 anos e teve uma partida comemorativa. Salvo engano, foi até o Senna quem deu o pontapé inicial. Justo o Ayrton que era um perna-de-pau lascado. Enfim...

Marcar mil gols é um feito. Comecei a pensar se o Garrincha deu mil dribles. Se o Jordan fez mais de mil pontos. Se o Schumacher deu mil voltas. Se a Hebe já cometeu mil gafes. Se o "deus" Jô Soares já leu mil livros. Se o papa já rezou mil terços ou inteiros. E, claro, quantas mil vezes eu já falei que detesto, odeio Chão de Giz, os livros do Paulo Coelho e que não como dobradinha nem se me derem mil reais.

Nossa vida é marcada por esse número mais cabalístico que o sete, o setenta vezes sete que, biblicamente ninguém sabe quanto dá, e , claro, o fatídico 13 (esse o PT sabe quanto e pra quem dá).

O mil nos acompanha no trabalho, naquele momento em que você não quer fazer porcaria nenhuma e o seu companheiro de trabalho vai lá te importunar. Você, para se livrar do inoperante e não lhe dar assistência, diz: "Olha cara, to fazendo mil coisas aqui e não vai dar pra te atender". Digamos que esse seja o milheiro profissional.

Canalha que é canalha, também não perde a oportunidade de dar a sua cantadinha e aproveitar do pobre mil, mesmo porque, canalha bom tem mil facetas e sai por aí dando mil piscadinhas.

O número está no amor também. Claro que ninguém combate o poetinha Vinícius que deve ter tido mil amores. Vai ver que pela pluralidade do nome quis ter mil paixões em mil momentos.
Mas no amor o mil é rotineiro. Quando é começo de relacionamento, um diz ao outro: "quero te dar mil beijos, mil abraços e mil motivos para ficar com você". Porém, com o passar do tempo, os milhares resumem-se a unidade. Vai ver porque o amor é uma coisa ímpar, sei lá. O amor é uma coisa meio estranha, meio mutante e dinâmica. Uma hora é amor, outra hora paixão, depois volta a ser amor novamente. Deve ter umas mil formas de amar, mas ninguém sabe em qual se encaixar.

Falando nisso, não sei se já dei mil beijos. Mas sei que não mil beijei mulheres. Certeza.
Pensando nessas milhagens todas, comecei a pensar se eu tenho algo na casa dos mil. É que sempre tenho mil coisas para contar, para escrever, relatar, essas coisas todas, mas não dá para falar todas de uma só vez, então opto por ir devagarinho, de pouquinho em pouquinho para não assustar quem me lê.

Salário? Mil? Não?

Latinhas de cerveja? É preciso fazer as contas para ver se já bebi mil latinhas. Mas creio que mil goles já bati o meu recorde mil vezes.

Poesias? Estou longe, muito longe. Mesmo porque faz mil anos que não produzo algo poeticamente digno de leitura.

Crônicas? Bem, segundo minhas estatísticas, para cada ano eu produzo (caso não falhe nenhum dia – estou em débito com vocês em seis textos) serão quarenta e oito textos. Em dez anos, quatrocentos e oitenta. Isso levando-se em consideração que há quatro quartas-feiras no mês. Em vinte anos, quando terei bem menos de mil fios de cabelo na cabeça, terei produzido novecentos e sessenta crônicas. Sendo assim, lá pelo ano de dois mil e vinte e oito é que produzirei minha milésima crônica aqui no Tudo Novo de Novo.

Isso sem contar férias e a meia dúzia de crônicas que devo a vocês. Falta bastante tempo... muito tempo... Tempo suficiente para saber se tirou ou não habilitação para dirigir. É que recentemente, segundo informações de um amigo, o Código de Trânsito Brasileiro estipula idade máxima de cinqüenta anos para tirar a tal da carta. Coincidentemente, é o prazo que tenho para escrever minhas mil crônicas.

Sendo assim, como ainda há muito para se escrever, vamos ver se minha milésima crônica será, em plena "meia idade" ou "idade inteira", sobre minha experiência em tirar habilitação.
Só espero ter assunto e leitores até lá.

PS: Só para ser um pouco chato e exato, essa crônica, contando com o título e esse "PS", contém mil palavras. Foi uma forma de ter algum mil registrado na vida, já que não plantei mil árvores, não tenho um livro de mil páginas, nem mil livros publicados e, muito menos, mil reais na conta.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Devo e não nego

Mãe é mãe e só tem uma, ainda bem. Elas só mudam de endereço. Para os homens, deixamos a casa delas para morar com uma companheira que logo virará mãe. A vida é assim e nada podemos fazer, ou melhor, não queremos fazer.

Na semana passada foi dia das mãe e me lembrei de uma notícia que vi em algum site da internet. Um economista fez um cálculo que ninguém queria saber, mas ele se atreveu a divulgar. Quando deveria ganhar uma mãe de profissão?

Pois é, segundo o economista, uma mãe que fica vinte e quatro horas por dia disponível para os filhos, durante 23 anos, hora em que o rebento decide andar com as próprias pernas, faz cerca de noventa e nove tarefas diferentes por dia.

Se calcularmos isso tudo e comparar com salários de mercado, uma mãe deveria ganhar cerca de duzentos e cinqüenta mil reais por ano! Isso mesmo, pouco mais de vinte mil reais por mês!

Bom, quando vi a matéria só me veio uma coisa na cabeça. Estamos todos ferrados. Imagina se minha mãe resolve pedir esse dinheiro para os filhos dela? Somos em dois e se somarmos o salário dos dois não chegamos nem a um quarto do que deveríamos dar para ela todos os meses.

Como é que vou pagar tanto dinheiro para minha mãe?

Já pensou a enxurrada de processos que a justiça pode receber de mães que desejam reaver o que lhe é de direto dos filhos? Não quero nem pensar!

Se todas as mães do mundo exigissem sua parte, a economia mundial entraria em colapso. Somos seis bilhões de pessoas, sendo que 50% mulheres. Se dessas 50% de mulheres, 30% forem mães, teremos cerca de 1 bilhão de mães no mundo. Multiplicando por USD 120.000, daria a ínfima quantia de 120 trilhões de dólares. Quase nada!

Para se ter uma idéia de quanto devemos, o PIB brasileiro é algo em torno de 1 trilhão de dólares. Ou seja, o Brasil teria que trabalhar 120 anos para pagar essa dívida.

Bom, então a única coisa que podemos fazer é declarar que somos inadimplentes e sempre seremos devedores para essas mulheres maravilhosas que são nossas mães. Devemos retribuir cada centavo disso em amor e alegria. Por que dinheiro nenhum no mundo para o valor de ser mãe e de ter uma mãe. E depois disso devemos agradecer por que ainda bem que mãe só tem uma!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Penitência


Lá vem o Papa, Papa aqui, Papa acolá. Lá vem o Papa para ver o que é que há. Desculpe o trocadilho, mas achei muito engraçado.

Pois é, nosso querido Pontífice chegou na quarta-feira e chegou causando reboliço ao declarar-se contra a camisinha e contra o aborto. Temas polêmicos. E neste quesito estou 50% de acordo com ele. Aborto eu sou contra, Camisinha eu sou a favor. Chega de por filho no mundo para ganhar bolsa família do governo.

Quinta-feira ele foi ao encontro dos jovens. 40000 mil mais precisamente. E tem que fazer isso mesmo. Quem sabe assim a Igreja recicla um pouco suas idéias. Ser contra a camisinha para pessoas casadas como forma de controle de natalidade é um pouco antiquado demais.

Porém concordo com o Papa quando ele diz que não podemos ter uma fé de supermercado onde adotamos os preceitos que queremos e os que não queremos tudo bem. Se for para ser assim é melhor não seguir nenhuma religião. Mas que a Igreja tem umas idéias antigas, isso tem.

No fim-de-semana, todo o tumulto da na cidade de São Paulo irá mudar para Aparecida. Um lugar bem mais adequado para receber o Santo Padre. Por mais que o Mosteiro de São Bento seja lindo e que fique de frente para uma das ruas mais charmosas do centro da cidade, não dá para receber uma autoridade que mobiliza tanta gente numa cidade caótica como São Paulo.

A capital paulista atingiu o limite da insanidade e do caos. Quem sabe a benção de Bento XVI possa ajudar a humanizar um pouco essa selva de pedra e violência. Acho que vai ser difícil, mas milagres acontecem.

Dizem que o Lula levou um litro de cachaça para o Papa benzer. Parece que ele ouviu dizer que Pinga Benta não dá ressaca. Sei não!

No momento em que você estiver lendo esta crônica, já poderemos ter o primeiro santo brasileiro. O Frei Galvão, irá se tornar o Santo Frei Galvão. Uma correção tardia para este povo que já contribuiu tanto para a Religião Católica no mundo. Agora só falta um Papa brasileiro. E que seja o próximo.

Seguindo a onda das falsificações, as pílulas do Santo Frei Galvão estão sendo copiadas no Rio de Janeiro e vendidas. Papelotes brancos são vendidos por toda cidade. O único problema é que esse papelote falsificado custa mais caro que o original e dá o maior “barato”.

Essa visita ilustre de Bento XVI poderia nos prestar um favor muito grande, confessar o presidente Lula. Quem sabe assim a penitência dele não seja rezar durante quatro anos seguidos e assim ele deixa de fazer tanta besteira. Amém.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Pera lá!


Esse blog adora desafiar os preconceitos. Contestar os que contestam as características de um autêntico Macho Moderno.

Dessas características, a quebra da exclusividade de certas coisas pertencentes ao universo feminino e´ uma das que mais chocam. Os homens progressivamente roubam muitos artifícios das mulheres, brincos, escovas, jóias, entre outras.
Porém há que se dizer que ainda existe uma linha. Homens são fortes e viris, mulheres delicadas e frágeis. Não como personalidade, pois sei de muita mulher que dá de dez em alguns homens em questão de força. Porém a moda tradicional tende a colocar as mulheres como mulheres, objetos de veneração e os homens como, bem, homens. E isso funciona, mantém as coisas razoavelmente no lugar num mundo tão confuso.
Digo isso tudo porque li numa coluna da Gloria Khalil que inventaram meia-calça pra homem. Aquelas meias finas mesmo. Se não acredita visite esse site ,tem até vídeo.
Porquê um homem usaria esse tipo de meia? Não usamos saia! No máximo Kilt e sem cueca. Portanto o tal produto é inútil, a não ser que você use saias e vestidos, mas nesse caso acredito que você já tenha meias finas.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Da série “Quem não morre não vê Deus” : É simples!

Como diria um grande filósofo e amigo: “Tudo na vida tem 50% de chance de dar certo”. Você ganha na loteria, ou não. Você consegue beijar a Juliana Paes, ou não. Você come Frut Loops com leite no café da manhã separando todos os aneizinhos rosas no canto direito do prato pra comer no final porque é mais gostoso, ou não.
Metade-metade. Não tem mistério.
Depois que você descobre que tudo se resume a um simples código binário as coisas realmente ficam mais simples.
Relacionamentos, por exemplo. Raciocinemos baseados em ciência pura : astrologia.
No zodíaco existem 12 signos. Considerando os casos mais ortodoxos onde temos 2 indivíduos envolvidos, encontraremos 144 tipos de relação (12 X 12, se você não sabe o porquê da multiplicação, acredite em mim, eu era muito bom em matemática no colégio). Sem contarmos os ascendentes, claro. Ou seja, quando você conhece alguém, das 144 relações possíveis ou você se dará bem ... ou não. Ponto final.
Isso se você acreditar em astrologia. Se não acreditar, você faz parte do 50% que pararam de ler o texto meio do último parágrafo. Ou não.
Na verdade eu também não acredito muito nisso. Sou de touro e vocês sabem como são os taurinos, né?!
Enfim, poderia continuar o texto com mil exemplos a fim de comprovar esta teoria, mas como ela é simples fico por aqui.
Apreciem com moderação. Ou ...
P.S.: A série "Quem não morre não vê Deus ..." traz crônicas criadas num momento de "branco" total, onde qualquer coisa que me passa pela cabeça é o tema da vez.

sábado, 30 de setembro de 2006

Um point em cada esquina - parte 3

Para quem não se interessa pelo burburinho da rua Norvinda Pires, o melhor é dar preferência à reserva do Vila, Bar & Bistrot, bem próximo dali, na rua Sabino Pires, esquina com Desembargador Leite Albuquerque. O lugar é sofisticado em tudo: no visual, no atendimento (são 9 garçons para apenas 25 mesas), na seleção musical (do jazz ao pagode, sem preconceito, mas num volume adequado para a conversa dos convivas) e perfeito para curtir a noite ou um happy hour a dois ou entre amigos. Mas o que reforça mesmo o convite a conhecer o lugar são os petiscos deliciosos e os drinques idem. Ao pegar o menu, pode fechar os olhos e apontar à sorte para o que for, será saboroso

SERVIÇO Vila, Bar & Bistrot - Rua Sabino Pires, 5 - Aldeota. Fone: 3224-3348. Aberto de terça a domingo, a partir das 17 horas. Cartões: V, M, D e A (mínimo de R$20,00). Cobra 10% de taxa de serviço.

Tudo acaba em pizza
Bem na esquina da rua Sabino Pires com Desembardagor Leite Albuquerque, você encontra um lugar para jogar conversa fora e principalmente "reabastecer as baterias". Nada como "cair de boca" em fim de noite, hein?! A sugetsão é a pizzaria Nova Era, comandada pelo pizzaiolo Antonio Oliveira, mais conhecido como Tonhão. O lugar, sem um pingo de luxo ou frescura, reúne mesas na calçada e é frequentado por famílias, amigos unidos na fome entre uma balada e outra e casais tranquilos. Tudo ao som de músicas de FM. Uma faixa pendurada por entre as mesas logo indica as promoções. Pois, vamos a elas. Pelo precinho módico de R$ 15,99, você pode ordenar um pizza grande (8 fatias) dos seguintes sabores: bacon, catupirela (mistura de mussarela com catupiry), frango com mussarela, mussarela com milho, napolitana e palmito. A mussarela sai por apenas R$11,99. A pizza sai do jeito que você quiser: massa fina, média ou grossa, sabor meio a meio (prevalece o preço mais alto) ou com borda recheada de catupiry ou cheddar (com acréscimo de R$2,00). Provada e aprovada pelo metido aqui, a pizza satisfaz e vale o que se paga. Sobre o segredo da pizza, o pizzaiolo Tonhão faz mistério: "Segredo é segredo". Mas ele dá dicas. "O principal é a qualidade do material que se trabalha", diz o pizzaiolo com 22 anos de experiência. No mais, é só aproveitar a noite de sábado para se esbaldar na pizza e jogar por terra qualquer dieta. Vale a pena, vai.

SERVIÇO Pizzaria Nova Era - Rua Sabino Pires esquina com Desembargador Leite Albuquerque. Fones: 3264-7827 / 3224-4136 / 9924-4642. Aceita cartões: V, M e D. Cobra 10% de taxa de serviço. Entrega em domicílio (a partir de R$2,50). Horário de funcionamento: das 17h30 até o último cliente de terça a domingo.

MAIS OPÇÕES
Las Leñas - Chopperia, sushi bar e pizzaria. Entre as promoções estão o rodízio de pizza a R$9,90 e o combinado de 20 peças de sushi por R$12,90. Rua Tibúrcio Cavalcante, 1293 - Aldeota. Fone: 3261-9894. Funcionamento: de terça a domingo de 18h até meia-noite. Sexta e sábado o horário estica até à 1 hora. Cartões: V, M e D.

Um point em cada esquina - parte 2

PONTO DE CULTURA A parte da música e da diversidade de pessoas, o Fafi Bar e Galeria é cheio de informação visual. Nas paredes do salão principal figuram diversas telas assinadas pela artista Socorro Macêdo, logo mais adentro, numa sala mais reservada, fotografias em preto e branco do grupo "Olhar Sem Fronteira", formado por Sidney Moreira, Sérgio Carvalho, Heldon Pedrosa e Sérgio Nóbrega, preenchem as pardes azuis. Detalhe: tudo está à venda. E não pára por aí. No palco principal, ainda restou a homenagem feita a Charles Bukowski com poesias, depoimentos, fotografias e desenhos, tudo pendurado na parede sob a luz negra (aquela que dá um tom lilás às coisas). A atração da noite começava a tocar seu MPB, Bossa Nova, funk e samba rock.

SERVIÇO Fafi Bar e Galeria - Rua Norvinda Pires, 55 - Aldeota. Fone: 3261-3049. Funciona de quarta a sábado das 17 horas até o último cliente. Cartões: V. Cobra taxa de 10% de serviço.

Um point em cada esquina - parte 1

Está em moda. Nas imediações das ruas Norvinda Pires e Sabino Pires, entre Desembargador Leite Albuquerque e Torres Câmara, uma porção de bares e restaurantes se aglomera e oferece música e diversão. Mais parece uma nova pequena Praia de Iracema. Este humilde metido que vos escreve escolheu a noite de sábado para conferir o que rola por lá. Nos próximos parágrafos, fique por dentro das tribos e dos atrativos deste quarteirão tão em alta.

A platéia - abastecida de cerveja e muita conversa de botequim - tomava conta da rua, pelo calçamento, pela calçada, por todos os cantos ao redor. O bar estava lotado. O negócio por lá era se divertir. Alguns curtiam o som, outros se entretiam na roda de amigos, jogavam numa das duas mesas de sinuca. Por lá estava a assistente de relacionamento comercial, Camilla Leite, 27, frequentadora assídua do bar há pelo menos três anos. "Eu sou viciada em sinuca e com cerveja gelada é perfeito", garante. Para ela, a seleção musical é o forte do lugar. "Eu gosto muito da música da Fhátima (Santos) e aqui sempre tem um DJ ou uma banda diferente. Até nos dias que não tem banda a seleção dos CDS é bem legal com MPB, rock e, de repente, até Roberto Carlos ou brega", diz. Há quatro anos na Norvinda Pires e chamariz de público para outros bares da rua, o Bebedouro tem na programação semanal as seguintes atrações: Lia e Eduardo (voz e violão) na terça-feira, Fhátima Santos na quarta e no sábado, e Djs convidados na sexta-feira. "É bem diversificado, mas é tudo em ritmo para dançar", garante a proprietária Solange Onofre.

SERVIÇO Bebedouro - Rua Norvinda Pires, 22, entre Torres Câmara e Desembargador Leite Albuquerque. Fone: 3224.4759. Funciona de terça a sábado, das 18 h até o último cliente. Cartões: V. Cobra o couvert artístico R$3,00. Taxa de serviço de 10%. Solange 9997-5134. COMES E BEBES Entre os petiscos do Bebedouro, o carro-chefe do momento é o salsishão alemão com batata e molho picante, além da já tradicional calabresa flambada no abacaxi. Entre as bebidas que rondam as mesas estão as cervejas antarctica (R$3,50), skol (3,20) e bohemia (R$3,70), além da capirinha (R$2,50) e da caipiroska (R$4,00).

O preço pode ser um pouco salgado mas vale a pena conhecer. Show de bola e nota 10!

Tudo novo de novo

Relutei muito antes de iniciar este novo blog. Primeiro pelo fato de ainda estar escrevendo no Contrasenso e segundo que todo início é meio complicado. Vai demorar até as pessoas se acostumarem com este endereço e nem sei bem ao certo se este blog terá visitações assíduas como o Contrasenso mas vamos deixar essas ponderações para lá e vmaos ao que interessa...

Resolvi criar este novo blog com o intuito de me aventuar no meio dos "críticos". A principal razão deste espaço é deixar as minhas humildes opiniões sobre música, artes, literatura, esportes, política, culinária, etc. Vocês podem estar pensando - Meu Deus, ele é mais petulante e doido do que eu pensava - mas como sou "metido" estarei aqui colocando minhas impressões acerca dos fatos e atos que presenciamos em nosso cotidiano.

O Contrasenso continuará existindo e continuarei postando semanalmente um novo conto ou crônica. Este espaço é apenas para preservar a característica básica do Contrasenso. Conto com o apoio de vocês. Um grande abraço e vamos lá começar. Tudo novo de novo.