sexta-feira, 4 de abril de 2008

O bruto e a tara

Quando eu era criança, nas viagens de carro que fazíamos para o interior, eu tinha a mania de contar quantos, por exemplo, Fuscas eu via durante o trajeto. Eu também me impunha a meta de ver ao menos um caminhão Volvo exatamente igual ao que eu possuía em miniatura. Outra coisa que eu gostava de fazer era analisar os números pintados ao lado dos caminhões, no tanque de gasolina, creio eu.

Eram sempre dois números muito grandes. Um era um tal de Lot. e o outro era uma tal de Tara.

Eu ficava de olho nos caminhões que passavam para saber quem seria o campeão de maior Lot. ou o de maior Tara, e dava-lhes algum prêmio imaginário.

Demorou muitos anos para eu saber o que significavam aqueles malditos números, mas não demorou muito para eu conhecer a palavra tara em outro contexto. Eu só não entendia como um caminhão poderia ter tara. Tara para mim era aquela coisa que dava vontade de fazer quando a gente via a Elisabete na escola. Eu não sabia direito o que dava vontade de fazer, mas sabia que não era muito bom comentar, principalmente em casa.

Mas a Tara do caminhão, para quem nunca teve a curiosidade de saber de que se trata, é simplesmente a subtração do peso bruto pelo peso da carga. Em outras palavras, o peso do caminhão vazio. Simples assim, a Tara.

Lembrei disso tudo porque flagraram o chefão da Federação Internacional de Automobilismo explorando a sua tara. Ele não subtraiu o bruto pelo líquido, como nos caminhões, mas podemos dizer que ele misturou um pouco dos dois.
O sujeito foi flagrado vestido de comandante nazista num quarto com algumas moças do ramo. Parece que teve chicotinho, e palmadas no bumbum.

Então o mundo diz: Oh, que coisa terrível, uma pessoa tão séria fazendo essas safadezas! E vestido de nazista ainda!

Eu já acho que o senhor Max Mosley (o nome do dito cujo) pode fazer o que bem entender. Tara todo mundo tem, e se o cara não reprime as dele, tanto melhor. Tem gente reprimida demais nesse mundo.

E já está na hora de desmistificar essa coisa de nazismo. Vestir-se de Cossaco pode. Vestir-se de Cavaleiro Templário pode. Vestir-se de Pol Pot pode. Vestir-se de Churchill pode. De nazista não pode.

Se entre quatro paredes o cara quer ser o Hitler, que seja, oras. Tara é tara. E não vejo nisso apologia nenhuma ao nazismo. Vejo até uma certa ridicularização. Some-se a isso o fato de que o pai do senhor Mosley era amigão do Hitler. O que será que o menino Max viu na infância que possa ter influenciado as suas taras?

Aposto que, se na época de Hitler já existisse celular com câmera, o bruto ditadorzão tava lascado.

Um comentário:

Adria disse...

Olá moço, que fazia no meu orkut? Vi que é torcedor do Ferroviário, só desculpo por isso. Pois meu pai eu e meu irmão somos torcedores do Ferrim. Ah!!! Ferrim.