sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Na alegria, na saúde, na riqueza e tá bom assim.


Quem não conhece os famosos votos do casamento católico?


"Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe."


Todos conhecemos, nem que pelos capítulos finais das novelas globais. O voto é bonito, simboliza parceria, cumplicidade, entrega. Mas não a toa termina com a frase “até que a morte os separe”.


Apesar de nunca ter casado, posso dizer que fora a parte da morte, já vivi sob o juramento católico. Sempre achei que isso era o certo, o bonito, o justo. E principalmente, a única opção.


Mas e se não? E se eu nao quiser viver dessa maneira? E se eu quiser dividir apenas as coisas boas. Sem egoísmo, um trato justo, você cuida de suas doenças, eu me viro com minha pobreza e nos encontramos para curtir o que temos de bom? Sem exageros é claro, sem desamparo, sem levar ao pé da letra. Afinal, se você gosta de uma pessoa nunca vai abandoná-la na doença. vai querer estar a seu lado. O mesmo serve para a pobreza, etc. Isso é bom senso.


Mas se pensarmos no voto como o símbolo de "você TEM que estar junto a mim, haja o que houver, até no aniversário da minha Tia Zuleide". O que seria se não precisássemos nunca mais aguentar a chata da Tia Zuleide? Como seria esse relacionamento?

Não, não seria bonito, mas justo sem dúvida, e certo, bem, quem somos nós para dizer o que é certo. Eu sei bem que minha concepção de certo difere muito da dos outros.


Como um exercício, pensemos na possibilidade de todos nos virarmos sozinhos, sem ninguém para ajudar por convenção ou obrigação. Sem transformar nossos próprios problemas em problemas dos outros. Em não estragar o dia do parceiro porque o nosso foi por água abaixo.


Mas você vai dizer “isso não é relacionamento”. Bem, você é burro, é sim. Afinal, se temos duas pessoas se relacionando, seja lá como for, temos um relacionamento. O modelo, sem dúvida é diferente. Mas não seria mais legal se usássemos a alegria do outro para amansar nossa tristeza? E só?


Afinal, estamos prontos para apontar o dedo na cara do outro, em gritar “egoísta” quando nosso cônjuge não quer participar de uma coisa chata de nossa vida. Mas e nós mesmos? Não somos mais egoístas ainda de querer que eles façam isso? De querer que se sacrifiquem por um capricho nosso?


Ok, se sentir desamparado num compromisso “mala” não deve ser nada legal, mas pense que a recíproca é verdadeira. Não ter que ir a algum lugar que não queiramos. Nunca mais. Ok, nunca mais é exagero, ainda trabalhamos e temos de pagar as contas. Mas de resto, somos nós mesmos quem escolhemos. (o que sempre complica as coisas).


Não decreto assim o fim do relacionamento tradicional, cheio de coisas boas e ruins. Mas apenas paro pra pensar até onde essa troca é boa, ou se apenas acaba fazendo mal e desgastando os dois e no máximo, no máximo, agradando a Tia Zuleide.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A gente vai se falando

- Não agüento mais. Vou responder.

- Calma. Muito rápido.

- E daí?

- E daí que se responder agora, vai parecer que está desesperado.

- Eu estou desesperado.

- Eu sei, você sabe, ta bom assim.

- Vou responder essa merda.

- Você quer a minha ajuda ou não?

- Querer eu não quero. Mas depois dos meus fracassos sucessivos, não tenho opção.

- Cara, você tem coração bom, é educado, é claro que só vai se ferrar com mulher. Vem na minha.

- Mas sério que isso é importante? Puta coisa de menininha, ficar esperando pra responder. Não posso responder e pronto?

- Pode. Responde aí.

- Não é para eu responder né?

- Nope.

- Mas já faz uma cara.

- Que horas ela te mandou a mensagem?

- 14:33

- E que horas são?

- 14:51

- Espera mais 3 minutos.

- 3? Porque 3?

- Daqui a 3 minutos vai dar 31 minutos que ela te mandou a mensagem. Um numero bom. 30 minutos fica forçado.

- Ah, cala boca.

- Sério.

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3 minutos depois

———————————————————————————————————————————————

- Beleza, vou responder.

- Vai fundo.

- Ta.

- …

- O que eu respondo?

- Cacete. Você ta de sacanagem né?

- Por que?

- Fica me enchendo o saco que quer responder logo e nem sabe o que falar.

- Ah, até sei, mas sei lá.

- Qual foi a última mensagem dela?

- Ela me disse que podemos nos ver quinta, mas que ela pode ficar com vergonha porque ela acabou de pintar o cabelo.

- Como se você se importasse.

- É!!!

- Bem. Deixa eu pensar.

- Não. Já respondi.

- Respondeu o que?

- Que ela não precisa ter vergonha, que é linda de qualquer jeito.

- Sério, mano?

- O que?

- Por que não declamou logo uma poesia pra ela?

- Será?

- Não, seu cabaço. Óbvio que não. Não pode tratar mulher assim.

- Assim como?

- Assim. Bem.

- Ah ta, malandrão. Então quer dizer que o lance é tratar mal?

- Sim. E não.

- …

- Assim. Você tem que sacanear a mulher, brincar com ela. Sem desrespeitar é claro.

- E como eu faria isso?

- Ah, sei lá. Se fosse eu diria que só iria se ela garantisse que ia ficar extremamente envergonhada.

- E qual o sentido disso?

- Sentido? Que sentido? Isso aqui é pegação, brother, conquista. Não rua, que tem sentido. O negocio é brincar com a vaidade dela. Fazer ela sorrir.

- Fazer ela sorrir?

- É. Você tem que falar coisas que saiba que do outro lado, ela vai sorrir.

- E acha que ela não vai sorrir?

- Ah vai, mas…

- Cala a boca. Ela respondeu. Nossa, que rápida.

- Lógico que ela é rápida. Puta encalhada.

- Ah, vá se catar.

- Que ela disse?

- Ela disse que a gente vai se falando.

- Aê! Conseguiu tomar perdido da encalhada.

- Como assim perdido? Ela disse que vamos nos falando.

- Pensa comigo. Lembra semana passada, que estávamos lá no bar da Neide, e apareceu aquele mala do colegial.

- O Joça. Lembro. Cara chato dos infernos.

- O que você falou pra ele quando estávamos nos despedindo?

- Merda. Devia ter feito a sua piada.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ciclos de vida

Com o passar dos anos está ficando muito claro pra mim que, assim como no ciclo de vida tradicional, na vida profissional passamos pelo mesmo processo. A parte do “reproduz” no segundo caso pode dar justa causa, mas em linhas gerais, acho que dá pra fazer um paralelo bem próximo.
É mais ou menos assim.

- Universitário = Bebê. O projeto de profissional ainda vive num ambiente controlado, mimado por todos os lados, sem saber lidar nem com as próprias cagadas. Sua principal preocupação é a hora da comida (cervejadas, churrascos, e por aí vai …) e tudo que virá pela frente, ainda está longe demais pra virar preocupação.
Expressões típicas : Buááááá!!, Cof-cof-cof-cof!!, Burp!, Uhúúúúúú!!, Aêêêêêê!!, Zzzzzzzz!!.

- Estagiário = Criança. A pessoa já aprendeu a falar, já sabe o que é errado e o que não é. Chora um pouco nos primeiros dias de aula, mas depois começa até achar divertido. Fazer as lições é um pouco chato e repetitivo, mas ainda assim, tem medo de levar bronca das professoras e diretores, então vai levando (mesmo porque apesar de chatos, os deveres nem são tão difíceis). Adora mesmo a hora do lanche (principalmente nas festas de fim de ano), pra ficar zuando com os novos amigos.
Expressões típicas : Buááááá!! Uhúúúúúú!!, Aêêêêêê!!, Zzzzzzzz!!, Nossa!!, Que legal!!, Eu quero!!, Não foi culpa minha!!, Estagiária nova!!

- Profissional Júnior = Adolescente. O cara começa achar que já entende da parada. Afinal de contas, já fez faculdade, passou por um estágio e agora tá no ponto de dominar o mundo! Aquele bando de velhos que estão acima dele não sabem de nada. Se ele tivesse no lugar deles, aí sim a vida ia ser boa. Mas quando tem que assumir qualquer responsabilidade maior, reclama que nunca tinha tido que fazer aquilo antes. Em contrapartida, normalmente tem uma energia irritante pra trabalhos braçais (que considera os mais importantes de todos) e se acha o máximo fazendo viagens só porque a firma tá pagando tudo (trouxas!). Alguns começam tentar a seduzir os pais das formas mais questionáveis pra ganhar aumento na mesada. Outros acham esse tipo de vida tão louco que preferem ficar por aí ad infinitum.
Expressões típicas: Que legal!! Eu quero!!, Não foi culpa minha!! Se eu tivesse no lugar dele …, Esse final de semana eu me acabo!, Não vai dar tempo! Essa estagiária nova, heim?!

(Nota do autor: daqui em diante, a coisa fica um pouco mais nebulosa. É muito mais fácil falar duma fase que você já passou por completo …)

- Profissional Pleno = Adulto. Algumas alegrias e decepções depois, a pessoa já sabe que nem tudo funciona como deveria, mas é assim que as coisas funcionam. Na média, o profissional entende que tem uma série de deveres e responsabilidades. Maiores responsabilidades incrementam a conta bancária mas também podem diminuir as horas de sono e vida pessoal. Vai da personalidade da pessoa caminhar na direção que mais a realiza.
Expressões típicas: Se eu tivesse no lugar dele…, Esse final de semana é melhor eu descansar., Ainda não tá pronto?, Eu mato aquele moleque!, Bela estagiária …

- Sócios, Donos, etc. = Idoso. O sujeito já entendeu como funciona o jogo. Não tem mais paciência pra lidar com o que não faz diferença. Adora ter gente achando que é mais esperta que ele por perto, porque sabe que aí as coisas vão continuar sendo feitas como ele quer. Tem uma certa complacência com aqueles que seguem um caminho próximo ao seu e por conta disso, algumas vezes, protege gente que ninguém entende o motivo. Continua tocando o negócio mais por hábito do que por necessidade.
Expressões típicas: Não quero saber!, Não me interessa!, Quando eu comecei …, Num tenho mais idade pra isso! Esses meninos …,Que que essa menina faz aqui mesmo??,

- Aposentado = Morto. Pode acabar no Céu ou no Inferno. O resultado de todas suas ações ao longo de vida vai determinar o seu destino final.
Expressões típicas: No meu tempo …, Num tenho mais idade pra isso!, Esses meninos …, Cadê meu pulôver?, Ah se eu fosse mais jovem …

Enfim … Agora só resta torcer pra chegar nessa fase pronto pra assumir um lugar lá em cima. E me dá licença que vou pra minha missa. Xo Satanás!!

domingo, 31 de outubro de 2010

Corte as cordas


Não conheço muita gente que, conscientemente, goste de colocar sua vida nas mãos de outras pessoas. Por mais que sejamos inseguros e medrosos, queremos estar nas rédeas de nossas próprias vidas. Podemos uma hora ou outra pedir para alguém escolher nosso caminho por nós, mas nunca abrimos mão do poder de veto. Do direito de ir e vir. Do livre arbítrio.


Pois bem, então por que gostaríamos de dar poder sobre nossas vidas a outras pessoas? Porque deixamos que outros, que não nós mesmos, estraguem ou “façam” nossos dias? Você vai dizer, “porque vivemos em sociedade, dependemos dos outros em uma infinidade de coisas, e (ainda) não somos eremitas que moram no topo no monte Kisozinho nos alimentando de cogumelos”.


Sim, somos influenciados por pessoas que nem conhecemos, fornecedores, amigos, amigos de amigos, psicólogos, chefes, et cetera. Mas isso não quer dizer que esses sejam nossos donos, ou que sejamos simples fantoches de seus caprichos.


Sejamos nós pessoas que precisemos viver rodeados de gente ou prefiramos ficar sozinhos, estamos acompanhados constantemente. Esses que nos acompanham dificultam e facilitam nossa vida. Estouram nossos prazos ou nos falam o que precisamos ouvir naquele momento, daquela maneira em cima de um cavalo branco.


E só.


Nossas vidas são assim, pulando de dificultadas e facilitadas, mas não estragadas ou coroadas por ninguém. Ninguém deve ter esse poder. Ninguém é responsável o bastante para isso. Por isso, terapeutas sérios nunca te dizem o que você deve fazer, no máximo te fazem entender o que deve fazer.


Somos sozinhos, todos nós, felizes ou tristes, e isso depende de nós. Depende de identificarmos quem facilita e dificulta, aumentando os que nos ajudam, diminuindo os que atrapalham. Depende de sermos plenos, todo melancolia, todo frustração, todo empolgação, todo amor. Inteiros, sem ninguém meter a mão onde não é chamado.

sábado, 23 de outubro de 2010

De bom tom

- Você é um cara de pau!

- Sem dúvida. Mas quem está falando?

- Você é muito cafajeste mesmo. Tem a pachorra de me perguntar quem eu sou.

- Ok, olá pessoa estranha com voz esganiçada…

- Larga de ser grosso. Eu sei que você anotou meu telefone.

- E?

- E sei que meu nome apareceu aí.

- Sim, boneca. Mas veja bem, eu não sei que Joyce é você.

- Ah, pára. Como se conhecesse muitas Joyces.

- 7.

- Hein?

- 7. Conheço 7 Joyces.

- Jura? Nossa, nunca conheci nenhuma além de mim.

- Você vê, boneca? É um mundo louco.

- Não foge do assunto! E para de me chamar de boneca.

- Ok.

- Por que você não me ligou?

- Querida, eu não sei nem quem é você. Me dá uma ajuda que te respondo.

- Sou eu. Joyce. De ontem.

- Ontem, ontem….

- Salesbar. Nos conhecemos no Salesbar.

- Ahhhh… to lembrando. Loira, conversamos perto do banheiro.

- Morena. Pista.

- Ah, tá. Essa Joyce.

- Você conheceu outra Joyce ontem?

- É possível. Mas lembro de você sim. Tinha um sapato engraçado.

- Por que você não me ligou?

- Hummm, esqueci algo com você?

- Não.

- Então por que ligaria?

- Oras, porque é de bom tom.

- Jura?

- Ah, vai dizer que não sabe que uma mulher espera que o homem liga depois…depois…que ficamos mais íntimos.

- Querida, nós ficamos íntimos atrás da caixa de som, apoiados em um engradado de cerveja.

- E daí?

- E daí que achei que tínhamos esquecido o bom tom por lá.

- Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

- Pô, não sabia. Na próxima te ligo.

- Próxima vez? O que te faz acreditar que haverá uma próxima vez?

- Ah, sei lá. Gostei de você.

- É?

- Sim, você é a Joyce mais bonita que já conheci.

- Melhor que as outras 6?

- De longe.

- Brigada.

- Que vai fazer hoje boneca?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Em uma Central de Atendimento

Toca o telefone...

- Alô.

- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?

- Pois não, pode ser comigo mesmo.

- Quem fala, por favor?

- Edson.

- Sr. Edson, aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção OI linha adicional, onde o Sr. tem direito...

- Desculpe interromper, mas quem está falando?

- Aqui é Roselaine, da OI, e estamos ligando...

- Roselaine, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?

- Bem, pode..

- De que telefone você fala? Meu bina não identificou.

- 10331.

- Você trabalha em que área, na OI?

- Telemarketing Pro Ativo.

- Você tem número de matrícula na OI?

- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.

- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da OI. São normas de nossa casa.

- Mas posso garantir....

- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a OI.

- Ok.... Minha matrícula é 34591212.

- Só um momento enquanto verifico.

(Dois minutos depois)

- Só mais um momento.

(Cinco minutos depois)

- Senhor?

- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.

- Mas senhor...

- Pronto, Roselaine, obrigado por ter aguardado. Qual o assunto?

- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde o Sr. t em direito a uma linha adicional. O senhor está interessado, Sr. Edson?

- Roselaine, vou ter que transferir você para a minha esposa, porque é ela que decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones.

- Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.

(coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música Festa no Apê do Latino
tocando no Repeat (quem disse que um dia essa droga não iria servir para alguma coisa?), depois de tocar a porcaria toda da música, minha mulher atende:

- Obrigado por ter aguardado.... pode me dizer seu telefone pois meu bina não identificou..

- 10331.

- Com quem estou falando, por favor.

- Roselaine

- Roselaine de que?

- Roselaine Oliveira (já demonstrando certa irritação na voz).

- Qual sua identificação na empresa?

- 34591212 (mais irritada agora!).

- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?

- Aqui é da OI, estamos ligando para oferecer a promoção, onde a Sra tem direito a uma
linha adicional. A senhora está interessada?
- Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer,
pode anotar o protocolo por favor.....alô, alô!

TUTUTUTUTU...

- Desligou.... nossa que moça impaciente!

domingo, 23 de maio de 2010

Eu me amo

Existe uma diferença notável entre ser bonito e te acharem bonito. Ser bonito é se aproximar da unanimidade. É ser aquela pessoa reconhecida pela beleza, independente das outras qualidades. É saber que estão olhando para você.

O resto do mundo é “achado bonito”. Sem razões claras, todos nós, habitantes do planeta Terra, encantamos um certo grupo de pessoas com nosso visual. É a panela e a tampa, a cegueira do amor, a atração inexplicável, a loira rica gostosa com o baixinho, careca e pobre.

Os bonitos universais tem menos problemas. Estatisticamente tem mais sucesso social e profissional. Já os bonitos relativos. Bem, nós sabemos que não é fácil lidar com nossa auto-estima. Sejamos mais ou menos seguros, em algum momento vamos nos perguntar porque tal pessoa não se interessou por nós em vez de se jogar em cima daquela outra pessoa, bem mais feia que você. Na sua opinião.

Pois bem, após uma rejeição, naturalmente nos sentimos mais feios. Assim como após uma aprovação, nos sentimos melhores. E é aí que está o perigo. Uma coisa importante como a auto-estima não pode ser colocada nos olhos dos outros. Do contrário não contaria com o prefixo “auto” no nome.

Mais e aí? Como se “auto-estimar”? Simples e difícil. Basta gostar do que está vendo no espelho. Sabemos bem que gostar do que vê no espelho, pouco tem a ver com seus músculos ou gordura. Ok, tem a ver, mas não é determinante. Afinal, se a gostosa está dando bola pra você, tenho certeza que fica apaixonado pelo próprio reflexo. Se sente o rei do mundo, e ninguém é impossível. Aliás, todas na balada estão dando mole.

Analisemos o que teria mudado se não estivesse sendo cortejado por uma gostosa, ou se aquele cara gato não estivesse louco por você. Nada, certo? Não na sua aparência física ao menos. É na mente que a mágica acontece. É ela que faz com que se sinta mais bonito, em forma e isso te deixa mais seguro e confiante. E como são atraentes as pessoas seguras e confiantes. Não confundir com convencidas e egocêntricas. Como diz a música, “todo mundo ama um vencedor”.

Então, nos preocupemos com o que nós mesmos achamos de nossas pessoas. Se pergunte se você sairia consigo mesmo. Se não, mude o que deve ser mudado. Só isso fará com que se apaixone por você mesmo, e o resto das pessoas seguirão o exemplo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A dieta do coração

Não nego, acho bonito dizer que vivo intensamente. Não é mentira, sou péssimo nessa história de parcimônia, parece que na outra vida tive morri por inanição de sentimentos. Hoje vejo um prato cheio de sensações e emoção e como até engasgar de tão rápido. Obviamente, nem sempre faz bem.

Ser intenso é sim bonito, soa rebelde e romântico, mas gera consequências. A fartura invariavelmente provoca obesidade. Difícil manter uma dieta equilibrada quando se é compulsivo por sentimentos. Portanto, após 29 anos de farra sentimento-alimentar, percebi que talvez eu esteja precisando de uma dieta. Resolvi controlar os grupos de sentimentos.

Primeiro devo cortar a paixão. Ela é o aperitivo que abre o apetite do coração. A paixão sempre chega antes, farta e bem servida, junta a fome com a vontade de comer. Se estamos de coração vazio podemos até nos empanturrar de paixão a ponto de não sobrar espaço pra mais nada.

Na sequência, elimino o grupo dos encantamentos. Nada de consumir coisas que te façam sentir que está descobrindo um novo mundo. De que está presenciando verdadeiras novas experiências. Nada que te faça sentir que, de alguma maneira, sua vida nunca mais será a mesma.

O grupo da intimidade também deve ser evitado. Desde a despreocupação em encostar em qualquer parte da pessoa, até realizar uma fantasia sexual interminável. Não é hora de se sentir relaxado, de sorrir ao ver alguém dormindo, de se despir.

O comprometimento é completamente vetado. Laços, nós, correntes, nada disso pode nem passar perto do coração. Uma vez que se provam quaisquer tipos de comprometimento, o processo de engorda é praticamente irreversível. Além de ser difícil de digerir, provoca feridas horríveis se expelidos antes da hora.

Acredito que evitando esses grupos de sentimento estou a salvo por um tempo. Posso, enfim, perder o peso que faz meu coração se arrastar, empanturrado. Essa carga que ás vezes ele parece querer expelir de tão cheio. Para de novo ficar vazio, puro, novo.

Como toda dieta, devemos evitar tudo aquilo que mais gostamos na vida, aquilo por que vivemos, com o objetivo único de melhorar nossa saúde, mirando mais e mais experiências gastro-sentimentais.

Caso dê errado, acabamos chegando no sentimento mais letal de todos, o amor. E esse não se pode evitar, não se corta, diminui, impede. Afinal o destino dele não é o coração como tantos dizem. É os pulmões...

domingo, 31 de janeiro de 2010

Só um bombom...

- Aquele desgraçado só pode estar querendo me deixar louca.

- Calma Rita. Não vai ficar assim por causa daquele babaca.

- Ah Nanda não é possível. Ele só pode estar brincando com a minha cara.

- Não é pra falar que eu te avisei mas eu avisei.

- Mas com ele era tão diferente. Ai como eu sou uma idiota mesmo. Em pensar que acreditei que pudesse até dar casamento.

- Ai amiga eu queria tanto que você estivesse certa. Mas eles sempre fazem esse tipo de coisa. Você lembra do meu caso com o Pedrinho né.

- Lembro!

- E com o João Carlos.

- Sim, sim.

- E com o Paulinho, o Adalberto e com aquele cara que transava com um pé de meia social.

- Tá, tá, tá. Não precisa me relembrar todas suas aventuras sexuais.

- Desculpa. É que eu não me controlo.

- Sabe Nanda, com ele tudo foi melhor. Tudo certo. Não foi a toa que eu falei pela primeira vez “Eu te amo”.

- Primeira vez? Jura?

- Sim.

- Mas e todas aquelas vezes com o “Rocko”.

- Com o “Rocko” não conta. Eu só falava por que ele sempre me dava orgasmos multiplos.

- Ah bom.

- Mas dessa vez não. Falei mesmo ele não sendo tão bom de cama assim. Mesmo tendo aquela mania de estalar os dedos dos pés e mesmo não sendo nem de perto tão gostoso quanto o “Rocko”.

- Ai o “Rocko”. Por que você terminou com ele mesmo?

- Ele nunca aprendeu meu nome Nanda.

- Mas não dava pra dar um pouco mais de tempo pra ele.

- Eu tentei por seis meses. O que mais você queria???

- É você tá certa. Mas é que ele era tão…tão…

- Nãn. Chega. Só me faltava essa agora. Eu com um problemão e vc falando do “Rocko”

- Você tá certa. Desculpa amiga.

- Mas então. A noite foi ótima. Ele estava lindo, o cabelo todo pra trás, cavanhaque desenhadinho e aquela camisa de cetim que dei pra ele. Cavalheiro, abriu a porta do carro, me serviu vinho e me deu o lado de dentro da calçada para eu andar. Especialmente romântico. Até a Lua que estava cheia parecia ter sido encomendada por ele pra deixar a noite mais mágica.

- Mas o que deu errado?

- Bem. É melhor perguntar o que deu certo. Depois da sobremesa ele já tomando o café dele como usual, segurou minha mão e ficou olhando fundo nos meus olhos. Me disse como eu estava linda, e como nunca tinha admirado tanto uma mulher.

- Ok. Mas até aí estava tudo perfeito.

- Sim. Mas eu envolvida por tudo isso não me aguentei a acabei falando as famosas três palavras.

- Vamos dar uma?

- Não sua besta. Eu te amo.

- Eu também te amo Ritinha. Mas o que você falou pra ele?

- Não você Nãn. Falei que eu amava ele.

- Você não me ama. E eu pensando que éramos melhores amigas! Depois de anos de amizade…

- PÁRA! PÁRA! PÁRA! Nãn. Eu te amo também. È que estou falando de outra coisa. Afinal dá pra ter um pouco mais de foco em mim por favor.

- Tá bom, tá bom. Desculpa.

- Voltando ao meu problema. Depois de ter falado que o amava você sabe o que ele me falou?

- O que?

- Obrigado.

- De nada. Mas o que ele falou?

- ELE DISSE OBRIGADO. Nãn, presta atenção. Eu disse “eu te amo” e ao invés de ele falar “eu também” ele me agradeceu.

- Noooooossa. Que cafajeste. Como é canalha. E o que você fez?

- O que eu fiz? O que eu podia. Meu reflexo foi sair de lá na hora. Mas o restaurante era longe da minha casa e eu tava com aquela minha sandália preta com strass na tira sabe?

- Sei. Nem moooorta você chegava em casa com aquela sandália. Aliás você pode me emprestar, vou numa festa sábado e combina tanto com aquele meu vestidinho preto sabe.

- Sei sim. Vai ficar linda.

- Então. Dai você fez o que?

- Bem. O que pude. Esperei ele pagar a conta e pedi pra me levar pra casa.

- E depois disso? Vocês se falaram?

- Ele me ligou no telefone mas não atendi. Daí hoje ele me deixou um presente na portaria. Um bombom. Você vê que cara de pau. Além de tudo ainda é mesquinho. Não me trouxe nem uma caixa.

- É amiga. Não tem jeito. Parece que não é dessa vez . Bem, agora tenho que ir. Vou almoçar com um cara que conheci no ponto de ônibus hoje, uma gracinha. Mas não fica assim. Ele vai pagar por isso. Vou falar com aquela minha prima do terreiro e teremos sua vingança.

- Ai brigado amiga.

- Beijinho linda. Força. Posso levar o bombom?

- Não força né Nãn.

- Não custa tentar né….vai saber, você tá com raiva dele…

- Tchau nandinha.

Doze dias depois Rita não aguentando mais de chorar e xingar seu ex-amado teve que apelar ao bombom. Nada melhor que chocolate para curar dor de amor. Ao abrir a embalagem se surpreendeu encontrou uma aliança seguida da seguinte mensagem:

Rita, me desculpe por ser ruim com as palavras. Essa foi a maneira de te dizer que te amo. Case comigo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Remakes e Reprises

Por mais que nos esforcemos, nossa vida é uma eterna seqüência de reprises e remakes. Vivemos um dia atrás de outro, com a crença de que podemos fazer o presente especial, mas em geral, acabamos nos acomodando e deixando pra amanhã. Assim seguimos repetindo ou refazendo tudo que já vivemos.

Até os 20 anos não, o ineditismo é inerente a nossa pequena experiência. Temos muito o que aprender, conhecer, e realmente podemos dizer que boa porcentagem de nosso tempo livre é repleto de dias realmente especiais. Nossos primeiros. Beijos, empregos, fracassos, amores.

Se você tem menos de 20 anos, e não está fazendo nada de melhor, encare isso tudo como qualquer conselho de uma pessoa mais velha. Ou seja, ignore. Já se você tem mais de 30, está ansiosamente esperando eu contar algo que você não tenha pensado ainda, algo que resolva esse saudosismo involuntário. Bem, obviamente não vai conseguir nada desse tipo aqui.

Voltando ao ponto. Reprises e remakes. Os conceitos são bem conhecidos. Reprise é apenas a repetição do que já foi feito. O jantar naquele restaurante ótimo que você conheceu por acaso, o fim de semana naquela pousada em Jeri que você achou na internet ou aquela aflição quando acha que tem alguma TV ligada em casa. Mesmo sabendo que já a desligou.

Remakes são novas versões do que já foi feito. Os atores são diferentes, quem sabe o mocinho do antigo é hoje seu pai, talvez a locação tenha mudado de uma cidade para outra, mas em sua essência, a história é a mesma, os personagens e o fim principalmente. Assim é praticamente tudo que achamos estar fazendo de novo em nossas vidas. Aquela vaga na multinacional que você sempre quis, aquele caso que começou em boteco sujinho no Centro ou aquela balada hiper-ultra-mega-blaster-hipada que abriu no bairro da moda. Convenhamos, você sabe que é um remake.

Mas eu concordo, existem algumas coisas realmente novas na vida de quem tem mais de 20. Algo que vivemos e não temos parâmetros próprios, algo para qual não temos o “driver”. Podemos falar que ter o primeiro filho é algo realmente novo. Se tiver muita sorte, quem sabe só veja uma pessoa querida morrer depois dos 20. Se tiver sorte. E quem sabe você ainda não tenha vivido um grande amor. Azar.

Mas, ainda que existam sim, coisas novas na vida de um recém adulto, elas são raras e você tem que ter muito peito para encontrá-las. Criar oportunidade para isso sem cair no “conto do remake” é muito difícil. E a razão é que se você ainda não fez alguma coisa até os 20, é porque você tinha fortes razões para isso. Medo, pavor, preconceito. Todo tipo de grande paradigma conquistado durante sua criação.

O truque para não se incomodar com isso eu não preciso ensinar a ninguém. Todos nós sabemos bem qual é. É acreditar que já temos o que queremos, é crer que remakes são inéditos e curtir as reprises fingindo ter esquecido aquela história. Fingindo estar vivendo algo pela primeira vez. Se você não é dos que para pra pensar no que está fazendo até que funciona.

domingo, 15 de novembro de 2009

Epílogo

Final de caso. Reencontro. Acerto de contas.
- Vim pegar minhas coisas.

- Já imaginava que você viria. Deixei tudo separado. Se você não se importar gostaria de ficar com os discos dos Beatles.

- Claro, sem problemas. Você quem sempre escutou mais. Só gostaria que você me deixasse o Revolver. Sabe como é, tem o Eleanor Rigby.

- Ok, pode levar. Deixando o Abbey Road para mim já está ótimo.

- Pode levar o resto. Só quero o Revolver mesmo.

- (...)

- Poderia ter dado certo, não é? Eu quis dizer, a gente.

- Sim. Mas quem disse que não deu? Foram 10 anos maravilhosos.

- Pois é, nos divertimos muito. Onde foi que erramos?

- Tomamos rumos diferentes. Acho que cada um queria ter sua própria vida.

- É, acho que sim. (...) Ei, não vai querer nenhum do Pink Floyd?

- Não, pode levar todos.

- Tem certeza? Nem o Wish you were here?

- Tenho certeza. Para ser bem sincera, eu nunca fui muito fã do Pink Floyd.

- Hã?

- É, eu nunca gostei muito. Achava meio chato.

- Mas e todas as vezes que escutávamos juntos?

- Ah, eu escutava porque você gostava.

- E... e... e quando fomos para o show deles em Pompeii?

- Foi legal. Mas mais pelo show que pelas músicas em si.

- E quando o Roger Water deixou a banda? Ficamos de luto por quase um mês.

- Na verdade eu estava dando pulos de alegria por dentro.

- Não! Não com o Roger Waters!

- Pois é, eu achava ele pretensioso demais. Odiei o The Wall.

- Ninguém fala mal do The Wall na minha frente! Não é pretensioso! É eloqüente! É genial! É... é...

- É chato!

- (...)

- Desculpe... Mas é o que eu realmente acho.

- Moramos juntos por quase dez anos e agora descubro que realmente não conhecia você. Te respeitava por tudo que você foi, por tudo que passamos, pela pessoa maravilhosa que pensei que fosse. Percebo agora que me enganei.

- É só uma banda.

- “Só uma banda”? Que desprezo é esse? É “A BANDA”! Dark Side of the Moon revolucionou o rock! Foi o primeiro álbum a usar o sistema quadrifônico! E o fantástico Animals ou Atom Heart Mother? Não me venha com essa de falar que é só uma banda!

- Para de fazer escândalo por causa dessa bobagem!

- Escute aqui, eu gostava de Pink Floyd muito antes de imaginar que pudesse um dia te encontrar. Gostava mais de Pink Floyd antes mesmo de gostar de meninas!

- Não acredito que você ache essa bandinha de quinta categoria mais importante que eu!

- Não fale assim da maior banda de todos os tempos!

- Bandinha de quinta mesmo! Dá sono só de pensar naquelas musiquinhas chatas!

- Cale a boca!

- Bandinha! Bandinha! Bandinha! Sempre achei ruim! E agora finalmente posso falar! E quer saber mais? Eu te traía com seu melhor amigo, o Davi! Escutou bem? EU TE TRAÍA COM O DAVI!

- (.........)

- Olhe... Eu... Não...

- Não... Não fala mal do Pink Floyd...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cosmético, coisa de macho!

Já estava mais do que na hora. As empresas de cosmético resolveram dar atenção aos machos modernos e estão lançando produtos específicos para os homens. Com linhas mais abrangentes que incluem desde os tradicionais shampoos, condicionadores, loções pós barba até os novos hidratantes, esfoliantes e até base para unhas. A Ox, marca já reconhecida no universo feminino, lançou a linha Ox Men, com vários produtos, incluindo até um shampoo para cabelos grisalhos. O cuidado com os detalhes é extremo, se reflete nos nomes, embalagens, e até numa das fórmulas que é composta por extrato de whisky, coisa de macho né. Já a Niasi, por meio de sua linha Risqué, traz bases para unha específicas para o público masculino. Calma, não se assuste, ninguém aqui está falando em homens com unhas da cor; Vermelho Pecado. As bases são incolores e vem em duas opções, semi-brilho e fosca, deixam as mãos do homem com boa aparência além de bem cuidadas.

Essa nova oferta no promissor mercado de produtos estéticos dedicados ao homem acaba com um problema recorrente dos vaidoso machos modernos. Más interpretações.

Uma vez, vi uma garota falando seu método para descobrir se estava saindo com um gay ou metrossexual. Investigue seu banheiro. Se achar apenas shampoos, condicionadores e sabonetes pode ter certeza que se trata de um macho a moda antiga. Caso se aprofunde mais entre seus armários e prateleiras e encontre dezenas de perfumes, loções pós-barba, quem sabe até um hidratante escondido atrás de um desodorante antigo. Está lidando com um metrossexual, faça a mão que ele vai reparar. Já se naquele gabiente embaixo da pia, ali ao lado do encanamento, você por um acaso encontrar um baldinho de lencinhos umedecidos “baby wipes”, amiga, saia correndo antes que ele peça pra você vestir o cinturão.

Que exagero. Concordo que um baldinho rosa com um bebê no rótulo não é das coisas másculas que pode-se ter num banheiro, porém, temos que observar que o mercado não nos dá escolha. Bebê rosa ou nada. Um amigo meu, tem esses lencinhos no banheiro dele. É uma opção, para ocasiões em que precisa-se sair rápido e estar com a cara um pouco mais apresentável, afinal, ninguém aqui gosta de ver, muito menos sentir, uma pele oleosa que se banhou de poluição o dia inteiro. Uma pele limpa e cheirosa é sempre mais atraente. Isso é o que o meu amigo alega ao menos.

Essas novas linhas vem para resolver justamente esses problemas. Nenhum homem quer abrir seu armário ou necessaire e ter a sensação que tem em mãos um kit de beleza da Hello Kitty. Precisamos de produtos e embalagens adequadas. Por exemplo, imaginem lenços umedecidos da Calvin Klein, com a essência de um de seus perfumes, vestidos com a tradicional austeridade da marca. Uma caixa preta retangular de aço, no meio uma abertura como um cofre, o logo “CK” logo abaixo gravado em prata, com o subtitulo, “wipes for men”. Já não é mais tão feminino assim não é?
A verdade é que o homem realmente quer usar cosméticos, porém a seu modo, com a sua cara. Nada mais justo. Podemos ser limpos e bonitos preservando nossos armários de se transformarem em arco íris de frascos amarelos, lilás e rosa bebê. Assim eu nunca mais terei problemas com lencinhos. Digo, meu amigo.

domingo, 25 de outubro de 2009

Mulher desesperada

E a mulher lutou muito para obter direitos iguais, os mesmos salários, as mesmas oportunidades, as mesmas possibilidades de trair, etc. E ela chegou lá. É claro que ainda tem que trocar as fraldas de cocô, fazer o almoço de domingo, mandar a empregada gostosa embora e ir às reuniões pedagógicas na escola do filho ao meio dia quando tem milhões de coisas pra fazer! Mas a mulher está muito bem! Muito segura de si, muito orgulhosa! Feliz!


Na boate, lá pelas tantas horas e tantas cervejas…


- Oi.
- …
- Tudo bem?
- …
- Qual o seu nome?
- Mariana.
- …
- …
- Você vem sempre por aqui?
- …
- Você estuda, trabalha?
- Eu faço faculdade.
- Ah… De quê?
- De Administração.
- Eu faço medicina.
- Ah…
- Você veio sozinha?
- Não. Vim com amigas.
- Entendo… E tem namorado?
- Por que?
- É que…
- Ah?
- …- Pode falar. Não fique tímido.
- …
- Não tenho namorado. Estou disponível, aberta a novos relacionamentos e pronta para outra…
- Claro. Eu só queria saber…
- Não que eu ache que os homens não prestam. É que meus últimos rolos e ex-namorados foram bem sacanas comigo e…
- Olha, eu…
- Eu sei que você vai dizer que é diferente, que nem todos os homens são iguais, mas vai ter que sambar muito pra me provar isso,viu, e…
- Deixa eu falar…
- Não. Peraí! Eu sei que nem todos são iguais, mas quer saber? Parece até que existe uma irmandade ou fraternidade oculta na crosta terrestre e que todos vocês, homens e ratos, vão pra aprender como maltratar e magoar as mulheres. Um dia eu entro lá disfarçada e pego todos no flagra!
- Mariana?
- Sabe o que é pior? É que vocês não podem ver um rabo de saia e já ficam doidos. Por que vocês não conseguem ser fiéis? Vocês entendem o que é amor?
- …
- Sabe, é por isso que não acredito em casamentos! Depois que casam, vocês, ratos, só querem que a mulher fique atrás do fogão enquanto vocês saem pra pegar as menininhas que tem idade para serem sua filha! E mais… Chegam em casa com a cara lavada e ainda querem sexo!
- Eu… Bem…
- Sexo! Vocês só pensam nisso. Só pensam em conversar com uma mulher quando querem fazer sexo! Custe o que custar. E aí, quando eu ficar gorda e velha você vai procurar sexo na rua, não é?
- Ah… Bem… Eu… Eh…
- Ta vendo? É isso mesmo. Ficou até sem fala! Viu só? Homem é foda!
- Desculpe, Mariana. Eu só queria te conhecer… Tchau.
- …

- Viu aquele carinha ali, Roberta?
- Sim. Ele tava te cantando?
- Hã! Cantando! Ele queria transar comigo! E aí foi só eu começar a conhecê-lo melhor pra saber que é um crápula! São todos iguais!
- É…

sábado, 17 de outubro de 2009

Coisa de criança

Quanta coisa aprendemos quando criança. Não coloque o dedo na tomada. Não coma coisas que encontra pelo chão. Não coloque a mão em uma panela no fogo. Apesar de tantos avisos e ensinamentos, insistimos a contrariar os avisos e experimentarmos por nossa conta. Certamente tomamos muitos choques e quedas pelo caminho. É que chamamos de viver. Viver muitas vezes é mais eficiente que aqueles sermões de “não faça” que tantas vezes ouvimos. Assim crescemos, assim aprendemos.

Aprendemos a confiar em nossos pais. Quantas vezes já nos arrependemos de não levar aquele agasalho que sua mãe tanto insistiu para que botasse? Sempre preocupados e pensando no seu bem-estar. Experiência. Essa é a palavra. Eles já viveram tudo aquilo que você passou ou está passando: aquela vontade de riscar paredes, a curiosidade de desmontar os brinquedos, aquele temor de ligar para aquela garota ou aquele primeiro porre. Escutamos e aprendemos.

No fim crescemos. Aprendemos. E descobrimos que eles mentiram.

O mundo não é como nos ensinaram. Quando somos pequenos, se acreditamos em nossos pais, somos bem-educados e elogiados. Quando crescemos, se continuarmos acreditando, viramos otários e desiludidos.

Comi todo o feijão do prato e não cresci forte e bonito como o galã da novela das oito. Trabalho 12, 14 horas diárias e estou longe de ficar rico. Procuro e não encontro aquela princesa encantada prometida. Sou honesto e fiel, mas nunca valorizado por isso. Procuro ser bom com os outros, mas não há um Papai Noel no final do ano para ser recompensado. Os desonestos não são punidos no final. O mau-caráter sempre fica com a mocinha.

Na vida adulta não há espaço para “crianças”. Hollywood não existe. O romantismo morreu há muito tempo. As últimas peças de resistência sofrem a via-crucis. Não há charme em ser bom, enquanto há uma aura sexy em ser mau. A malandragem é fator diferencial (eu diria até crucial) na ascensão de uma carreira. Ter princípios é antiquado. Fidelidade é careta. Honestidade é burrice. Apanhamos e aprendemos.

Aprendemos? Ou desaprendemos? Em quem confiar? Em nossos pais que sempre zelaram por nós ou em um mundo que sempre nos acerta na cabeça e no coração?

Ser uma criança eterna, sonhar, viver, buscar e por muitas vezes chorar e apanhar de um valentão qualquer. Ou abrir os olhos, se encaixar em um mundo canalha e roubar o lanche daquele otário fracote?

Sigo com minha decisão. Fecho meus olhos ainda com esperanças de um dia o mocinho vencer no final. Continuo em meu canto solitário, brincando com meus blocos de madeira e bolinhas de gude, esperando que um dia tenha companhia para brincarmos juntos. Talvez eu seja o maior otário do mundo, ou talvez o mundo precise da mais blocos de madeira. Alguém quer brincar comigo?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Pra casar"

Demorou, admitimos, demorou. Mas chegou o dia em que os homens estão entendendo o “big deal” que é o casamento. Por séculos os homens fugiram do casamento como noivo da noiva. Medo do comprometimento, da prisão, da castração social. Mas finalmente, o século 21 assiste os machos abraçando a tradição matrimonial.

Ainda que preserve tradições antigas, como a despedida de solteiro, também abro espaço para casar de branco, entrar na igreja com música, chá-bar, dia do noivo etc. Não que adote todos e todas, mas estou mais receptivo. É um grande passo para quem só aceitava se trajar de luto no grande dia.

Vamos nos divertir com as listas de presente, dando preferência para TVs de plasma e aparatos de churrasqueira mas espichando os olhos para travessas, baixelas e aparelhos de fondue. Sim é importante ter pratos para sopa, sobremesa, pizza e tartar. Seja lá o que for isso.

Vamos repassar a lista de convidados, entendo que realmente, aquele seu tio que acabou de sair da cadeia não pode ficar de fora. Padrinhos, podem ser seis casais sim, pega emprestado dois meus. Seu tio ladrão vai ser padrinho? Claro, ele precisa de apoio para voltar a sociedade. Vou sem relógio, você se importa?

Flores, lembranças, havaianas com os dizeres “tuquinho e tuquinha pra sempre”, eu apóio. Dinheiro? É detalhe, esse é o dia mais importante de nossas vidas não? Porque se importar com o financiamento do apartamento no mesmo prédio que sua mãe? Nós merecemos. Esse é seu dia de princesa, todos se curvarão a seus pés, mesmo que seja de bêbados, whisky 18 anos não vai faltar.

Lua de mel é um capítulo a parte. Faz todo sentido dividirmos entre Taiti e NY. Compras e lazer. Dias mágicos. Vamos nos divertir muito, assim como meu gerente. Não importa o que tenhamos que sacrificar, sabe porque?

Porque você é a coisa que mais amo no mundo, minha alma gêmea, nada é mais importante que isso. Quero passar o resto da minha vida com você, ter filhos, envelhecer juntos de mãos dadas na sacada nos nosso apartamento financiado em 87 anos.

Hein? Como assim? Você quer o que? Focar na sua carreira, no seu desenvolvimento profissional? Não sabe se está fazendo isso na hora certa? Quer aproveitar mais suas amigas, conhecer o mundo, se sentir livre? Mas e o papo de alma gêmea? É bobagem? Temos de ser felizes sozinhos? Não eu não sou dependente de você, só queria ser feliz pra sempre. Como assim isso não existe. Ta, atende essa chamada do seu trabalho, você sempre dá preferência a eles mesmo. Mas depois disso você não me escapa. Depois de me enrolar por quatro meses…Será possível?

sábado, 26 de setembro de 2009

Amar é...

Amar é levar a mulher em um restaurante caríssimo, pedir lagosta, ensiná-la a usar os talheres, a segurar a taça, pagar a conta sozinho, abrir a porta do carro para ela entrar, levá-la para casa, e ser obrigado a, no caminho, parar em uma barraca de cachorro-quente imunda porque ela odiou a comida do restaurante e está com fome. Além de dizer que a barraca é mais a sua cara.
Amar é passar duas horas dentro de uma floricultura escolhendo o mais lindo vaso, as mais lindas flores para a mais linda mulher, escrever um cartão pomposo, entregar de surpresa quando ela abre a porta, ganhar um beijo e um abraço e ouvir, sem querer, no outro dia, ela comentar com uma amiga que não agüentava mais ganhar flores. Que era uma mulher prática e bem que poderia ganhar algo útil.

Amar é chegar mais cedo no trabalho, dar duro o dia inteiro, sair correndo do escritório, passar no shopping, comprar aquele vestido que ela queria tanto, uns queijos, um bom vinho, velas aromáticas, e descobrir, ao chegar em casa, que justo hoje ela resolveu sair com as amigas.
Amar é resolver sair uma noite com amigos que não se vêem há três anos e depois ter que dormir no sofá por "falta de consideração".

Amar é levá-la ao circo, ao parque, ao shopping, à butique, ao bazar, ao show do Peninha, à exposição de tapetes ornamentais, e ainda ter que assistir à novela com ela ao chegar em casa.
Amar é buscar as palavras mais bonitas, todos os elogios, todos os adjetivos, as comparações mais lisonjeiras, e ouvi-la reclamar, cinco minutos depois, que está deprimida porque está se sentindo gorda.

Amar é conviver 364 dias por ano com a dor de cabeça dela à noite, e no único dia que as coisas poderiam dar certo, você pega pneumonia e ainda é chamado de frouxo.

Amar é gastar os tubos em um relacionamento, e, quando acaba, você a vê dirigindo um carro novo.

Amar é vê-la deslumbrante no vestido longo de festa, e não poder beijá-la nem abraçá-la a noite inteira para não tirar o batom nem amassar o vestido.

Amar é acordar com ela "naqueles dias" e ouvir reclamações sobre o tempo, sobre a roupa, sobre a economia, sobre a casa, sobre os filhos, sobre você, sobre o síndico do prédio, sobre a vida, sobre seu carro, sobre o cabeleireiro e sobre o chinelo que ela não encontra em lugar nenhum. Abraçá-la, beijá-la, dizer que a ama, e ela te mandar praquele lugar.

Amar é levar uma multa por parar em fila dupla quando ela vê uma loja de R$ 1,99 e PRECISA tanto ir que não pode esperar você estacionar o carro.
Amar é isso aí e algo mais.

sábado, 19 de setembro de 2009

Preciso de você esta noite!


Qualquer pessoa razoavelmente sociável tem uma mão cheia de pessoas para quem pode dizer esta frase e ser prontamente atendido. Seja numa tarefa simples, ou no momento mais complicado de sua vida, alguma destas 5 pessoas te ajudarão. Quem sabe não todas, quem sabe não sempre, mas alguém estará lá.


São estes que podem ser chamados de melhores amigos. Sejam cônjuges, pais, filhos ou só amigos mesmo. São essas 5 pessoas, ás vezes um pouco mais, outras menos, que você sempre poderá contar. Essas 5 pessoas, ao longo da vida, logicamente são rotativas, mudam-se as famílias, colégios, trabalhos, interesses. Mas elas estão sempre lá, simbolicamente.


Mas chega uma hora em que você fica mais exigente, mais carente, e não quer mais ter que dizer nada. Quer que as pessoas simplesmente estejam lá esta noite, e a próxima, e a próxima, etc.


É a nossa possessão talvez que nos faça desejar alguém exclusivamente seu, dando em troca o mesmo tipo de comprometimento. Queremos simplesmente não ter que nos preocupar em pedir socorro. Queremos sentir que nunca mais estaremos sozinhos. Só sentir, pois estamos. Sempre.


São estes que podem ser chamados esposos e esposas. Sejam juntados, casados no papel, namorados de longa data. O rotulo em si é bobagem, já discriminei muito os juntados, achando que casamento válido apenas com presença de juiz e padre. Mas isso tudo é uma grande bobagem. O único pré-requisito para ser esposo ou esposa é este. Estar lá. Junto. Mesmo que a distância.


Assim sendo já coloquei no passado a exigência de festa, contrato ou juramento. Só quero encontrar alguém que compartilhe da mesma visão que eu. O que obviamente é muito mais difícil.


No dia que (se) eu encontrar não vou precisar de aliança, casa ou permissão. Só vou falar uma vez, mas com a maior sinceridade possível que eu preciso dessa pessoa. Não essa noite, não esse mês. Apenas preciso. E pra selar de vez a nova fase ajoelho e pergunto: “Quer estar comigo? “

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sejamos todos Supernovas

Supernova é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas com mais de 10 massas solares, que produzem objetos extremamente brilhantes, os quais declinam até se tornarem invisíveis. Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em 1 bilhão de vezes a partir de seu estado original, tornando a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, sua temperatura e brilho diminuem até chegarem a um grau inferior aos primeiros.A explosão de uma supernova pode expulsar para o espaço até 9/10 da matéria de uma estrela. A partir daí, uma sequência de eventos promove o colapso total da estrela, dando origem a uma singularidade no espaço-tempo, conhecida como Buraco Negro, cuja Velocidade de Escape é um pouco maior do que a velocidade da luz.
Os dados científicos, se passarem batido, são apenas dados. Informaçoes irrelevantes ao dia-a-dia de pessoas comuns como eu e você. Mas se pararmos um segundo para refletir, veremos que esse papo de sermos feitos de poeira das estrelas, de vez em quando até que faz sentido.
Não é difícil fazer o paralelo entre nossos astros cheios de luz e nossas próprias vidas mundanas. A partir do momento que consideramos nossos relacionamentos, feitos, indivíduos como objetos e eventos brilhantes, nos indentificamos com as supernovas.
Nascemos assim, brilhantes, explodindo para nosso próprio universo, e desde desse momento, lentamente vamos apagando, nos consumindo. Esse é nosso ápice, ninguém faz nada maior do que nascer, todo o resto é consequência. Por mais que briguemos, por mais que façamos a diferença, nada é mais impressionante do que começar a existir.
Poderia falar sobre todos as ramificações de nossas existência, apontando sempre um momento que ofusca todos os outros. Como sempre, prefiro falar sobre as relações humanas, razão pela qual não nos extinguimos de vez, logo após nascer.
Em todos nosso relacionamentos, basta pararmos um segundo pra pensar, podemos identificar esse momento. Seja um primeiro beijo, uma tarde na praia, uma ligação na madrugada. São esses pequenos instantes que nunca conseguimos esquecer, que com sua luz ofuscante nos marcou como fossemos negativos.
Não adianta brigar ou espernear, perfeito mesmo, só esses instantes, que ás vezes duram milisegundos, quando com sorte, alguns minutos. O resto é apenas uma grande torrente de imperfeição, em intensidades diferentes.
Isso não é motivo para tristeza ou depressão. A busca desses momentos, tem seu brilho próprio e ascendente. Por mais que não ofusquemos toda uma galáxia, por mais que não tenhamos a sensação que o universo inteiro nos admira, sabemos que estamos ali, grudados no firmamento, esperando nosso grande momento, para depois aceitar as leis da “física” e começarmos a nos apagar.
Somos todos buracos negros em potencial, prontos para transformar tudo de bom que expelimos em destruição própria, inconformados com a aparente falha de constituição.
Mas querer brilhar mais que toda uma galaxia, pra sempre é pedir demais. É querer ser Deus, é pretender ser a força mais absoluta do universo. Aceitemos nosso papel no espaço, o papel de compor um universo, esse sim perfeito, em que, por nossa sorte, temos a opção de ser pequenas estrelas anãs, quase insignificantes, temorosas em brilhar demais sabendo do destino de quem brilha, ou lutamos para sermos supernovas, que tem os dias contados, mas dias que farão a diferença. Para toda uma galáxia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Marta? Amor?

- Sabe de uma coisa?

- Que?

- Você está linda hoje?
- Por quê?

- Hein? Como assim por que?

- É. Por quê?

- Porque está ué. Não posso te elogiar?

- Pode. Mas porque isso agora?

- Porque deu vontade falar ué. Olhei pra você pensei “nossa, como ela está bonita”. Mas desculpa, não falo mais.

- Não é isso. Tem alguma coisa aí?

- Alguma coisa? Que coisa? Não tem coisa alguma.

- Tem sim. O que foi? Você fez algo errado?

- Não, não fiz nada. Não é possível que você vai fazer isso.

- Isso o que?

- Transformar um elogio meu numa briga.

- Não é briga. É que você disse uma coisa estranha então deve explicações.

- Explicações??? Como assim explicações? Ta bom. Gostei do jeito que seus cabelos estão caindo sobre seus ombros. Da sua feição feliz.

- José Roberto, não me provoca.

- Te provocar???

- É, fica fazendo gracinha pra escapar.

- Escapar do que???

- Do que??? Que cara de pau. Do que você fez de errado.

- Errado? O que eu fiz de errado?

- Você quem me diz.

- Isso ta ficando louco demais. Eu retiro ta bom. Você não está linda hoje.

- Quer dizer que estou feia?

- NÃÃÃÃÃÃOOOOO! Inferno.

- Não o que?

- Não você está feia. Está linda como sempre. Como todos os dias.

- Quer dizer que você está entediado. Que não tem mais tesão por mim. Por isso foi procurar outra mulher?

- Que outra mulher????

- Você quem me diz.

- Eu que te digo? Como assim. Só te fiz um elogio.

- Vai José Roberto. Assume logo.

- Assumir o que?

- Não vai assumir?

- Não tenho o que assumir.

- Então é isso?

- Isso o que?

- O fim.

- Fim do que?

- De nós. De nossa história.

- É. É sim. Estou cansada de aturar essas coisas.

- Essas coisas? Que coisas? Pera, Marta, volta, prometo nunca mais te elogiar. Marta? Amor?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O que é saudade?

Saudade. Pra mim, não há palavra alguma no dicionário que expresse um sentimento com tanta veemência. Saudade não é só falta, não é precisar e nem só querer de volta. É só saudade. E isso é tudo. Tudo que está entalado na garganta, preso no choro, marcado no pensamento.
A saudade pode ter quilômetros de distância ou, muitas vezes, estar separada apenas por um lençol. Ou quatro paredes. A saudade dói sem ser doença, machuca sem ter armas.
Saudade só é boa quando está no seu fim. Saudade é igual fome. É uma das melhores coisas para se matar. Saudade do picolé minissaia, da coleção vaga-lume, da bota de chuva, do cheiro da lancheira da escola, da maçã raspadinha. Saudade.Do passado mais antigo. Ou de ontem à noite.Do que você está com saudade?
Pode vir agora. Pode vir de longe. Pode morar na sua rua. Porque tudo no mundo lembra a saudade. O que provoca a sua saudade? Saudade tem cena. Aquela quando você acena de longe e, num segundo, os olhos se enchem de lágrimas. Saudade tem música. E não precisa ser triste. E quase sempre tem cheiro. Aquele que fica no travesseiro e faz lembrar. Cheiro de perfume, bolo de chuva. Saudade tem sempre um nome. Ou não. De quem você está com saudade agora?
Quem tem saudade, lembra. Tem sempre pra quem escrever. Mesmo que esse alguém não possa mais ler. A saudade quase sempre mora pra lá das nuvens. E nem avião pode alcançar. Quando você diz que sente saudade, espera ouvir um eu também. Tem saudade que não passa. Mesmo que os dias passem depressa. Tem saudade que dá pra comprar o fim. Um voucher, um crédito de celular.
Bom mesmo é aquela saudade que se mata de graça. Um abraço, um pedacinho do seu picolé, um eu também.

Adoro contar saudade no relógio até ela acabar. É igual ansiedade de criança antes de abrir o seu presente. É como esperar o final de um livro.Saudade tem recordação, baú, diário. Tem pétalas de rosa espremidas no meio de um livro. Tem foto no fundo da gaveta. Tem um casaco de ombreira e um souvenir daquela última viagem na estante. Tem um restinho de bebida na garrafa. Tem dejavu.
O bom da saudade é correr pra encontrar. É dar um abraço de urso. É contar os dias.Porque quem sente saudade, tem o privilégio de sentir o seu fim. Algum dia, em algum lugar.