Não nego, acho bonito dizer que vivo intensamente. Não é mentira, sou péssimo nessa história de parcimônia, parece que na outra vida tive morri por inanição de sentimentos. Hoje vejo um prato cheio de sensações e emoção e como até engasgar de tão rápido. Obviamente, nem sempre faz bem.
Ser intenso é sim bonito, soa rebelde e romântico, mas gera consequências. A fartura invariavelmente provoca obesidade. Difícil manter uma dieta equilibrada quando se é compulsivo por sentimentos. Portanto, após 29 anos de farra sentimento-alimentar, percebi que talvez eu esteja precisando de uma dieta. Resolvi controlar os grupos de sentimentos.
Primeiro devo cortar a paixão. Ela é o aperitivo que abre o apetite do coração. A paixão sempre chega antes, farta e bem servida, junta a fome com a vontade de comer. Se estamos de coração vazio podemos até nos empanturrar de paixão a ponto de não sobrar espaço pra mais nada.
Na sequência, elimino o grupo dos encantamentos. Nada de consumir coisas que te façam sentir que está descobrindo um novo mundo. De que está presenciando verdadeiras novas experiências. Nada que te faça sentir que, de alguma maneira, sua vida nunca mais será a mesma.
O grupo da intimidade também deve ser evitado. Desde a despreocupação em encostar em qualquer parte da pessoa, até realizar uma fantasia sexual interminável. Não é hora de se sentir relaxado, de sorrir ao ver alguém dormindo, de se despir.
O comprometimento é completamente vetado. Laços, nós, correntes, nada disso pode nem passar perto do coração. Uma vez que se provam quaisquer tipos de comprometimento, o processo de engorda é praticamente irreversível. Além de ser difícil de digerir, provoca feridas horríveis se expelidos antes da hora.
Acredito que evitando esses grupos de sentimento estou a salvo por um tempo. Posso, enfim, perder o peso que faz meu coração se arrastar, empanturrado. Essa carga que ás vezes ele parece querer expelir de tão cheio. Para de novo ficar vazio, puro, novo.
Como toda dieta, devemos evitar tudo aquilo que mais gostamos na vida, aquilo por que vivemos, com o objetivo único de melhorar nossa saúde, mirando mais e mais experiências gastro-sentimentais.
Caso dê errado, acabamos chegando no sentimento mais letal de todos, o amor. E esse não se pode evitar, não se corta, diminui, impede. Afinal o destino dele não é o coração como tantos dizem. É os pulmões...
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
Só um bombom...
- Aquele desgraçado só pode estar querendo me deixar louca.
- Calma Rita. Não vai ficar assim por causa daquele babaca.
- Ah Nanda não é possível. Ele só pode estar brincando com a minha cara.
- Não é pra falar que eu te avisei mas eu avisei.
- Mas com ele era tão diferente. Ai como eu sou uma idiota mesmo. Em pensar que acreditei que pudesse até dar casamento.
- Ai amiga eu queria tanto que você estivesse certa. Mas eles sempre fazem esse tipo de coisa. Você lembra do meu caso com o Pedrinho né.
- Lembro!
- E com o João Carlos.
- Sim, sim.
- E com o Paulinho, o Adalberto e com aquele cara que transava com um pé de meia social.
- Tá, tá, tá. Não precisa me relembrar todas suas aventuras sexuais.
- Desculpa. É que eu não me controlo.
- Sabe Nanda, com ele tudo foi melhor. Tudo certo. Não foi a toa que eu falei pela primeira vez “Eu te amo”.
- Primeira vez? Jura?
- Sim.
- Mas e todas aquelas vezes com o “Rocko”.
- Com o “Rocko” não conta. Eu só falava por que ele sempre me dava orgasmos multiplos.
- Ah bom.
- Mas dessa vez não. Falei mesmo ele não sendo tão bom de cama assim. Mesmo tendo aquela mania de estalar os dedos dos pés e mesmo não sendo nem de perto tão gostoso quanto o “Rocko”.
- Ai o “Rocko”. Por que você terminou com ele mesmo?
- Ele nunca aprendeu meu nome Nanda.
- Mas não dava pra dar um pouco mais de tempo pra ele.
- Eu tentei por seis meses. O que mais você queria???
- É você tá certa. Mas é que ele era tão…tão…
- Nãn. Chega. Só me faltava essa agora. Eu com um problemão e vc falando do “Rocko”
- Você tá certa. Desculpa amiga.
- Mas então. A noite foi ótima. Ele estava lindo, o cabelo todo pra trás, cavanhaque desenhadinho e aquela camisa de cetim que dei pra ele. Cavalheiro, abriu a porta do carro, me serviu vinho e me deu o lado de dentro da calçada para eu andar. Especialmente romântico. Até a Lua que estava cheia parecia ter sido encomendada por ele pra deixar a noite mais mágica.
- Mas o que deu errado?
- Bem. É melhor perguntar o que deu certo. Depois da sobremesa ele já tomando o café dele como usual, segurou minha mão e ficou olhando fundo nos meus olhos. Me disse como eu estava linda, e como nunca tinha admirado tanto uma mulher.
- Ok. Mas até aí estava tudo perfeito.
- Sim. Mas eu envolvida por tudo isso não me aguentei a acabei falando as famosas três palavras.
- Vamos dar uma?
- Não sua besta. Eu te amo.
- Eu também te amo Ritinha. Mas o que você falou pra ele?
- Não você Nãn. Falei que eu amava ele.
- Você não me ama. E eu pensando que éramos melhores amigas! Depois de anos de amizade…
- PÁRA! PÁRA! PÁRA! Nãn. Eu te amo também. È que estou falando de outra coisa. Afinal dá pra ter um pouco mais de foco em mim por favor.
- Tá bom, tá bom. Desculpa.
- Voltando ao meu problema. Depois de ter falado que o amava você sabe o que ele me falou?
- O que?
- Obrigado.
- De nada. Mas o que ele falou?
- ELE DISSE OBRIGADO. Nãn, presta atenção. Eu disse “eu te amo” e ao invés de ele falar “eu também” ele me agradeceu.
- Noooooossa. Que cafajeste. Como é canalha. E o que você fez?
- O que eu fiz? O que eu podia. Meu reflexo foi sair de lá na hora. Mas o restaurante era longe da minha casa e eu tava com aquela minha sandália preta com strass na tira sabe?
- Sei. Nem moooorta você chegava em casa com aquela sandália. Aliás você pode me emprestar, vou numa festa sábado e combina tanto com aquele meu vestidinho preto sabe.
- Sei sim. Vai ficar linda.
- Então. Dai você fez o que?
- Bem. O que pude. Esperei ele pagar a conta e pedi pra me levar pra casa.
- E depois disso? Vocês se falaram?
- Ele me ligou no telefone mas não atendi. Daí hoje ele me deixou um presente na portaria. Um bombom. Você vê que cara de pau. Além de tudo ainda é mesquinho. Não me trouxe nem uma caixa.
- É amiga. Não tem jeito. Parece que não é dessa vez . Bem, agora tenho que ir. Vou almoçar com um cara que conheci no ponto de ônibus hoje, uma gracinha. Mas não fica assim. Ele vai pagar por isso. Vou falar com aquela minha prima do terreiro e teremos sua vingança.
- Ai brigado amiga.
- Beijinho linda. Força. Posso levar o bombom?
- Não força né Nãn.
- Não custa tentar né….vai saber, você tá com raiva dele…
- Tchau nandinha.
Doze dias depois Rita não aguentando mais de chorar e xingar seu ex-amado teve que apelar ao bombom. Nada melhor que chocolate para curar dor de amor. Ao abrir a embalagem se surpreendeu encontrou uma aliança seguida da seguinte mensagem:
Rita, me desculpe por ser ruim com as palavras. Essa foi a maneira de te dizer que te amo. Case comigo.
- Calma Rita. Não vai ficar assim por causa daquele babaca.
- Ah Nanda não é possível. Ele só pode estar brincando com a minha cara.
- Não é pra falar que eu te avisei mas eu avisei.
- Mas com ele era tão diferente. Ai como eu sou uma idiota mesmo. Em pensar que acreditei que pudesse até dar casamento.
- Ai amiga eu queria tanto que você estivesse certa. Mas eles sempre fazem esse tipo de coisa. Você lembra do meu caso com o Pedrinho né.
- Lembro!
- E com o João Carlos.
- Sim, sim.
- E com o Paulinho, o Adalberto e com aquele cara que transava com um pé de meia social.
- Tá, tá, tá. Não precisa me relembrar todas suas aventuras sexuais.
- Desculpa. É que eu não me controlo.
- Sabe Nanda, com ele tudo foi melhor. Tudo certo. Não foi a toa que eu falei pela primeira vez “Eu te amo”.
- Primeira vez? Jura?
- Sim.
- Mas e todas aquelas vezes com o “Rocko”.
- Com o “Rocko” não conta. Eu só falava por que ele sempre me dava orgasmos multiplos.
- Ah bom.
- Mas dessa vez não. Falei mesmo ele não sendo tão bom de cama assim. Mesmo tendo aquela mania de estalar os dedos dos pés e mesmo não sendo nem de perto tão gostoso quanto o “Rocko”.
- Ai o “Rocko”. Por que você terminou com ele mesmo?
- Ele nunca aprendeu meu nome Nanda.
- Mas não dava pra dar um pouco mais de tempo pra ele.
- Eu tentei por seis meses. O que mais você queria???
- É você tá certa. Mas é que ele era tão…tão…
- Nãn. Chega. Só me faltava essa agora. Eu com um problemão e vc falando do “Rocko”
- Você tá certa. Desculpa amiga.
- Mas então. A noite foi ótima. Ele estava lindo, o cabelo todo pra trás, cavanhaque desenhadinho e aquela camisa de cetim que dei pra ele. Cavalheiro, abriu a porta do carro, me serviu vinho e me deu o lado de dentro da calçada para eu andar. Especialmente romântico. Até a Lua que estava cheia parecia ter sido encomendada por ele pra deixar a noite mais mágica.
- Mas o que deu errado?
- Bem. É melhor perguntar o que deu certo. Depois da sobremesa ele já tomando o café dele como usual, segurou minha mão e ficou olhando fundo nos meus olhos. Me disse como eu estava linda, e como nunca tinha admirado tanto uma mulher.
- Ok. Mas até aí estava tudo perfeito.
- Sim. Mas eu envolvida por tudo isso não me aguentei a acabei falando as famosas três palavras.
- Vamos dar uma?
- Não sua besta. Eu te amo.
- Eu também te amo Ritinha. Mas o que você falou pra ele?
- Não você Nãn. Falei que eu amava ele.
- Você não me ama. E eu pensando que éramos melhores amigas! Depois de anos de amizade…
- PÁRA! PÁRA! PÁRA! Nãn. Eu te amo também. È que estou falando de outra coisa. Afinal dá pra ter um pouco mais de foco em mim por favor.
- Tá bom, tá bom. Desculpa.
- Voltando ao meu problema. Depois de ter falado que o amava você sabe o que ele me falou?
- O que?
- Obrigado.
- De nada. Mas o que ele falou?
- ELE DISSE OBRIGADO. Nãn, presta atenção. Eu disse “eu te amo” e ao invés de ele falar “eu também” ele me agradeceu.
- Noooooossa. Que cafajeste. Como é canalha. E o que você fez?
- O que eu fiz? O que eu podia. Meu reflexo foi sair de lá na hora. Mas o restaurante era longe da minha casa e eu tava com aquela minha sandália preta com strass na tira sabe?
- Sei. Nem moooorta você chegava em casa com aquela sandália. Aliás você pode me emprestar, vou numa festa sábado e combina tanto com aquele meu vestidinho preto sabe.
- Sei sim. Vai ficar linda.
- Então. Dai você fez o que?
- Bem. O que pude. Esperei ele pagar a conta e pedi pra me levar pra casa.
- E depois disso? Vocês se falaram?
- Ele me ligou no telefone mas não atendi. Daí hoje ele me deixou um presente na portaria. Um bombom. Você vê que cara de pau. Além de tudo ainda é mesquinho. Não me trouxe nem uma caixa.
- É amiga. Não tem jeito. Parece que não é dessa vez . Bem, agora tenho que ir. Vou almoçar com um cara que conheci no ponto de ônibus hoje, uma gracinha. Mas não fica assim. Ele vai pagar por isso. Vou falar com aquela minha prima do terreiro e teremos sua vingança.
- Ai brigado amiga.
- Beijinho linda. Força. Posso levar o bombom?
- Não força né Nãn.
- Não custa tentar né….vai saber, você tá com raiva dele…
- Tchau nandinha.
Doze dias depois Rita não aguentando mais de chorar e xingar seu ex-amado teve que apelar ao bombom. Nada melhor que chocolate para curar dor de amor. Ao abrir a embalagem se surpreendeu encontrou uma aliança seguida da seguinte mensagem:
Rita, me desculpe por ser ruim com as palavras. Essa foi a maneira de te dizer que te amo. Case comigo.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Remakes e Reprises
Por mais que nos esforcemos, nossa vida é uma eterna seqüência de reprises e remakes. Vivemos um dia atrás de outro, com a crença de que podemos fazer o presente especial, mas em geral, acabamos nos acomodando e deixando pra amanhã. Assim seguimos repetindo ou refazendo tudo que já vivemos.
Até os 20 anos não, o ineditismo é inerente a nossa pequena experiência. Temos muito o que aprender, conhecer, e realmente podemos dizer que boa porcentagem de nosso tempo livre é repleto de dias realmente especiais. Nossos primeiros. Beijos, empregos, fracassos, amores.
Se você tem menos de 20 anos, e não está fazendo nada de melhor, encare isso tudo como qualquer conselho de uma pessoa mais velha. Ou seja, ignore. Já se você tem mais de 30, está ansiosamente esperando eu contar algo que você não tenha pensado ainda, algo que resolva esse saudosismo involuntário. Bem, obviamente não vai conseguir nada desse tipo aqui.
Voltando ao ponto. Reprises e remakes. Os conceitos são bem conhecidos. Reprise é apenas a repetição do que já foi feito. O jantar naquele restaurante ótimo que você conheceu por acaso, o fim de semana naquela pousada em Jeri que você achou na internet ou aquela aflição quando acha que tem alguma TV ligada em casa. Mesmo sabendo que já a desligou.
Remakes são novas versões do que já foi feito. Os atores são diferentes, quem sabe o mocinho do antigo é hoje seu pai, talvez a locação tenha mudado de uma cidade para outra, mas em sua essência, a história é a mesma, os personagens e o fim principalmente. Assim é praticamente tudo que achamos estar fazendo de novo em nossas vidas. Aquela vaga na multinacional que você sempre quis, aquele caso que começou em boteco sujinho no Centro ou aquela balada hiper-ultra-mega-blaster-hipada que abriu no bairro da moda. Convenhamos, você sabe que é um remake.
Mas eu concordo, existem algumas coisas realmente novas na vida de quem tem mais de 20. Algo que vivemos e não temos parâmetros próprios, algo para qual não temos o “driver”. Podemos falar que ter o primeiro filho é algo realmente novo. Se tiver muita sorte, quem sabe só veja uma pessoa querida morrer depois dos 20. Se tiver sorte. E quem sabe você ainda não tenha vivido um grande amor. Azar.
Mas, ainda que existam sim, coisas novas na vida de um recém adulto, elas são raras e você tem que ter muito peito para encontrá-las. Criar oportunidade para isso sem cair no “conto do remake” é muito difícil. E a razão é que se você ainda não fez alguma coisa até os 20, é porque você tinha fortes razões para isso. Medo, pavor, preconceito. Todo tipo de grande paradigma conquistado durante sua criação.
O truque para não se incomodar com isso eu não preciso ensinar a ninguém. Todos nós sabemos bem qual é. É acreditar que já temos o que queremos, é crer que remakes são inéditos e curtir as reprises fingindo ter esquecido aquela história. Fingindo estar vivendo algo pela primeira vez. Se você não é dos que para pra pensar no que está fazendo até que funciona.
Até os 20 anos não, o ineditismo é inerente a nossa pequena experiência. Temos muito o que aprender, conhecer, e realmente podemos dizer que boa porcentagem de nosso tempo livre é repleto de dias realmente especiais. Nossos primeiros. Beijos, empregos, fracassos, amores.
Se você tem menos de 20 anos, e não está fazendo nada de melhor, encare isso tudo como qualquer conselho de uma pessoa mais velha. Ou seja, ignore. Já se você tem mais de 30, está ansiosamente esperando eu contar algo que você não tenha pensado ainda, algo que resolva esse saudosismo involuntário. Bem, obviamente não vai conseguir nada desse tipo aqui.
Voltando ao ponto. Reprises e remakes. Os conceitos são bem conhecidos. Reprise é apenas a repetição do que já foi feito. O jantar naquele restaurante ótimo que você conheceu por acaso, o fim de semana naquela pousada em Jeri que você achou na internet ou aquela aflição quando acha que tem alguma TV ligada em casa. Mesmo sabendo que já a desligou.
Remakes são novas versões do que já foi feito. Os atores são diferentes, quem sabe o mocinho do antigo é hoje seu pai, talvez a locação tenha mudado de uma cidade para outra, mas em sua essência, a história é a mesma, os personagens e o fim principalmente. Assim é praticamente tudo que achamos estar fazendo de novo em nossas vidas. Aquela vaga na multinacional que você sempre quis, aquele caso que começou em boteco sujinho no Centro ou aquela balada hiper-ultra-mega-blaster-hipada que abriu no bairro da moda. Convenhamos, você sabe que é um remake.
Mas eu concordo, existem algumas coisas realmente novas na vida de quem tem mais de 20. Algo que vivemos e não temos parâmetros próprios, algo para qual não temos o “driver”. Podemos falar que ter o primeiro filho é algo realmente novo. Se tiver muita sorte, quem sabe só veja uma pessoa querida morrer depois dos 20. Se tiver sorte. E quem sabe você ainda não tenha vivido um grande amor. Azar.
Mas, ainda que existam sim, coisas novas na vida de um recém adulto, elas são raras e você tem que ter muito peito para encontrá-las. Criar oportunidade para isso sem cair no “conto do remake” é muito difícil. E a razão é que se você ainda não fez alguma coisa até os 20, é porque você tinha fortes razões para isso. Medo, pavor, preconceito. Todo tipo de grande paradigma conquistado durante sua criação.
O truque para não se incomodar com isso eu não preciso ensinar a ninguém. Todos nós sabemos bem qual é. É acreditar que já temos o que queremos, é crer que remakes são inéditos e curtir as reprises fingindo ter esquecido aquela história. Fingindo estar vivendo algo pela primeira vez. Se você não é dos que para pra pensar no que está fazendo até que funciona.
domingo, 15 de novembro de 2009
Epílogo
Final de caso. Reencontro. Acerto de contas.
- Vim pegar minhas coisas.
- Já imaginava que você viria. Deixei tudo separado. Se você não se importar gostaria de ficar com os discos dos Beatles.
- Claro, sem problemas. Você quem sempre escutou mais. Só gostaria que você me deixasse o Revolver. Sabe como é, tem o Eleanor Rigby.
- Ok, pode levar. Deixando o Abbey Road para mim já está ótimo.
- Pode levar o resto. Só quero o Revolver mesmo.
- (...)
- Poderia ter dado certo, não é? Eu quis dizer, a gente.
- Sim. Mas quem disse que não deu? Foram 10 anos maravilhosos.
- Pois é, nos divertimos muito. Onde foi que erramos?
- Tomamos rumos diferentes. Acho que cada um queria ter sua própria vida.
- É, acho que sim. (...) Ei, não vai querer nenhum do Pink Floyd?
- Não, pode levar todos.
- Tem certeza? Nem o Wish you were here?
- Tenho certeza. Para ser bem sincera, eu nunca fui muito fã do Pink Floyd.
- Hã?
- É, eu nunca gostei muito. Achava meio chato.
- Mas e todas as vezes que escutávamos juntos?
- Ah, eu escutava porque você gostava.
- E... e... e quando fomos para o show deles em Pompeii?
- Foi legal. Mas mais pelo show que pelas músicas em si.
- E quando o Roger Water deixou a banda? Ficamos de luto por quase um mês.
- Na verdade eu estava dando pulos de alegria por dentro.
- Não! Não com o Roger Waters!
- Pois é, eu achava ele pretensioso demais. Odiei o The Wall.
- Ninguém fala mal do The Wall na minha frente! Não é pretensioso! É eloqüente! É genial! É... é...
- É chato!
- (...)
- Desculpe... Mas é o que eu realmente acho.
- Moramos juntos por quase dez anos e agora descubro que realmente não conhecia você. Te respeitava por tudo que você foi, por tudo que passamos, pela pessoa maravilhosa que pensei que fosse. Percebo agora que me enganei.
- É só uma banda.
- “Só uma banda”? Que desprezo é esse? É “A BANDA”! Dark Side of the Moon revolucionou o rock! Foi o primeiro álbum a usar o sistema quadrifônico! E o fantástico Animals ou Atom Heart Mother? Não me venha com essa de falar que é só uma banda!
- Para de fazer escândalo por causa dessa bobagem!
- Escute aqui, eu gostava de Pink Floyd muito antes de imaginar que pudesse um dia te encontrar. Gostava mais de Pink Floyd antes mesmo de gostar de meninas!
- Não acredito que você ache essa bandinha de quinta categoria mais importante que eu!
- Não fale assim da maior banda de todos os tempos!
- Bandinha de quinta mesmo! Dá sono só de pensar naquelas musiquinhas chatas!
- Cale a boca!
- Bandinha! Bandinha! Bandinha! Sempre achei ruim! E agora finalmente posso falar! E quer saber mais? Eu te traía com seu melhor amigo, o Davi! Escutou bem? EU TE TRAÍA COM O DAVI!
- (.........)
- Olhe... Eu... Não...
- Não... Não fala mal do Pink Floyd...
- Vim pegar minhas coisas.
- Já imaginava que você viria. Deixei tudo separado. Se você não se importar gostaria de ficar com os discos dos Beatles.
- Claro, sem problemas. Você quem sempre escutou mais. Só gostaria que você me deixasse o Revolver. Sabe como é, tem o Eleanor Rigby.
- Ok, pode levar. Deixando o Abbey Road para mim já está ótimo.
- Pode levar o resto. Só quero o Revolver mesmo.
- (...)
- Poderia ter dado certo, não é? Eu quis dizer, a gente.
- Sim. Mas quem disse que não deu? Foram 10 anos maravilhosos.
- Pois é, nos divertimos muito. Onde foi que erramos?
- Tomamos rumos diferentes. Acho que cada um queria ter sua própria vida.
- É, acho que sim. (...) Ei, não vai querer nenhum do Pink Floyd?
- Não, pode levar todos.
- Tem certeza? Nem o Wish you were here?
- Tenho certeza. Para ser bem sincera, eu nunca fui muito fã do Pink Floyd.
- Hã?
- É, eu nunca gostei muito. Achava meio chato.
- Mas e todas as vezes que escutávamos juntos?
- Ah, eu escutava porque você gostava.
- E... e... e quando fomos para o show deles em Pompeii?
- Foi legal. Mas mais pelo show que pelas músicas em si.
- E quando o Roger Water deixou a banda? Ficamos de luto por quase um mês.
- Na verdade eu estava dando pulos de alegria por dentro.
- Não! Não com o Roger Waters!
- Pois é, eu achava ele pretensioso demais. Odiei o The Wall.
- Ninguém fala mal do The Wall na minha frente! Não é pretensioso! É eloqüente! É genial! É... é...
- É chato!
- (...)
- Desculpe... Mas é o que eu realmente acho.
- Moramos juntos por quase dez anos e agora descubro que realmente não conhecia você. Te respeitava por tudo que você foi, por tudo que passamos, pela pessoa maravilhosa que pensei que fosse. Percebo agora que me enganei.
- É só uma banda.
- “Só uma banda”? Que desprezo é esse? É “A BANDA”! Dark Side of the Moon revolucionou o rock! Foi o primeiro álbum a usar o sistema quadrifônico! E o fantástico Animals ou Atom Heart Mother? Não me venha com essa de falar que é só uma banda!
- Para de fazer escândalo por causa dessa bobagem!
- Escute aqui, eu gostava de Pink Floyd muito antes de imaginar que pudesse um dia te encontrar. Gostava mais de Pink Floyd antes mesmo de gostar de meninas!
- Não acredito que você ache essa bandinha de quinta categoria mais importante que eu!
- Não fale assim da maior banda de todos os tempos!
- Bandinha de quinta mesmo! Dá sono só de pensar naquelas musiquinhas chatas!
- Cale a boca!
- Bandinha! Bandinha! Bandinha! Sempre achei ruim! E agora finalmente posso falar! E quer saber mais? Eu te traía com seu melhor amigo, o Davi! Escutou bem? EU TE TRAÍA COM O DAVI!
- (.........)
- Olhe... Eu... Não...
- Não... Não fala mal do Pink Floyd...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Cosmético, coisa de macho!
Já estava mais do que na hora. As empresas de cosmético resolveram dar atenção aos machos modernos e estão lançando produtos específicos para os homens. Com linhas mais abrangentes que incluem desde os tradicionais shampoos, condicionadores, loções pós barba até os novos hidratantes, esfoliantes e até base para unhas. A Ox, marca já reconhecida no universo feminino, lançou a linha Ox Men, com vários produtos, incluindo até um shampoo para cabelos grisalhos. O cuidado com os detalhes é extremo, se reflete nos nomes, embalagens, e até numa das fórmulas que é composta por extrato de whisky, coisa de macho né. Já a Niasi, por meio de sua linha Risqué, traz bases para unha específicas para o público masculino. Calma, não se assuste, ninguém aqui está falando em homens com unhas da cor; Vermelho Pecado. As bases são incolores e vem em duas opções, semi-brilho e fosca, deixam as mãos do homem com boa aparência além de bem cuidadas.
Essa nova oferta no promissor mercado de produtos estéticos dedicados ao homem acaba com um problema recorrente dos vaidoso machos modernos. Más interpretações.
Uma vez, vi uma garota falando seu método para descobrir se estava saindo com um gay ou metrossexual. Investigue seu banheiro. Se achar apenas shampoos, condicionadores e sabonetes pode ter certeza que se trata de um macho a moda antiga. Caso se aprofunde mais entre seus armários e prateleiras e encontre dezenas de perfumes, loções pós-barba, quem sabe até um hidratante escondido atrás de um desodorante antigo. Está lidando com um metrossexual, faça a mão que ele vai reparar. Já se naquele gabiente embaixo da pia, ali ao lado do encanamento, você por um acaso encontrar um baldinho de lencinhos umedecidos “baby wipes”, amiga, saia correndo antes que ele peça pra você vestir o cinturão.
Que exagero. Concordo que um baldinho rosa com um bebê no rótulo não é das coisas másculas que pode-se ter num banheiro, porém, temos que observar que o mercado não nos dá escolha. Bebê rosa ou nada. Um amigo meu, tem esses lencinhos no banheiro dele. É uma opção, para ocasiões em que precisa-se sair rápido e estar com a cara um pouco mais apresentável, afinal, ninguém aqui gosta de ver, muito menos sentir, uma pele oleosa que se banhou de poluição o dia inteiro. Uma pele limpa e cheirosa é sempre mais atraente. Isso é o que o meu amigo alega ao menos.
Essas novas linhas vem para resolver justamente esses problemas. Nenhum homem quer abrir seu armário ou necessaire e ter a sensação que tem em mãos um kit de beleza da Hello Kitty. Precisamos de produtos e embalagens adequadas. Por exemplo, imaginem lenços umedecidos da Calvin Klein, com a essência de um de seus perfumes, vestidos com a tradicional austeridade da marca. Uma caixa preta retangular de aço, no meio uma abertura como um cofre, o logo “CK” logo abaixo gravado em prata, com o subtitulo, “wipes for men”. Já não é mais tão feminino assim não é?
A verdade é que o homem realmente quer usar cosméticos, porém a seu modo, com a sua cara. Nada mais justo. Podemos ser limpos e bonitos preservando nossos armários de se transformarem em arco íris de frascos amarelos, lilás e rosa bebê. Assim eu nunca mais terei problemas com lencinhos. Digo, meu amigo.
Essa nova oferta no promissor mercado de produtos estéticos dedicados ao homem acaba com um problema recorrente dos vaidoso machos modernos. Más interpretações.
Uma vez, vi uma garota falando seu método para descobrir se estava saindo com um gay ou metrossexual. Investigue seu banheiro. Se achar apenas shampoos, condicionadores e sabonetes pode ter certeza que se trata de um macho a moda antiga. Caso se aprofunde mais entre seus armários e prateleiras e encontre dezenas de perfumes, loções pós-barba, quem sabe até um hidratante escondido atrás de um desodorante antigo. Está lidando com um metrossexual, faça a mão que ele vai reparar. Já se naquele gabiente embaixo da pia, ali ao lado do encanamento, você por um acaso encontrar um baldinho de lencinhos umedecidos “baby wipes”, amiga, saia correndo antes que ele peça pra você vestir o cinturão.
Que exagero. Concordo que um baldinho rosa com um bebê no rótulo não é das coisas másculas que pode-se ter num banheiro, porém, temos que observar que o mercado não nos dá escolha. Bebê rosa ou nada. Um amigo meu, tem esses lencinhos no banheiro dele. É uma opção, para ocasiões em que precisa-se sair rápido e estar com a cara um pouco mais apresentável, afinal, ninguém aqui gosta de ver, muito menos sentir, uma pele oleosa que se banhou de poluição o dia inteiro. Uma pele limpa e cheirosa é sempre mais atraente. Isso é o que o meu amigo alega ao menos.
Essas novas linhas vem para resolver justamente esses problemas. Nenhum homem quer abrir seu armário ou necessaire e ter a sensação que tem em mãos um kit de beleza da Hello Kitty. Precisamos de produtos e embalagens adequadas. Por exemplo, imaginem lenços umedecidos da Calvin Klein, com a essência de um de seus perfumes, vestidos com a tradicional austeridade da marca. Uma caixa preta retangular de aço, no meio uma abertura como um cofre, o logo “CK” logo abaixo gravado em prata, com o subtitulo, “wipes for men”. Já não é mais tão feminino assim não é?
A verdade é que o homem realmente quer usar cosméticos, porém a seu modo, com a sua cara. Nada mais justo. Podemos ser limpos e bonitos preservando nossos armários de se transformarem em arco íris de frascos amarelos, lilás e rosa bebê. Assim eu nunca mais terei problemas com lencinhos. Digo, meu amigo.
domingo, 25 de outubro de 2009
Mulher desesperada
E a mulher lutou muito para obter direitos iguais, os mesmos salários, as mesmas oportunidades, as mesmas possibilidades de trair, etc. E ela chegou lá. É claro que ainda tem que trocar as fraldas de cocô, fazer o almoço de domingo, mandar a empregada gostosa embora e ir às reuniões pedagógicas na escola do filho ao meio dia quando tem milhões de coisas pra fazer! Mas a mulher está muito bem! Muito segura de si, muito orgulhosa! Feliz!
Na boate, lá pelas tantas horas e tantas cervejas…
- Oi.
- …
- Tudo bem?
- …
- Qual o seu nome?
- Mariana.
- …
- …
- Você vem sempre por aqui?
- …
- Você estuda, trabalha?
- Eu faço faculdade.
- Ah… De quê?
- De Administração.
- Eu faço medicina.
- Ah…
- Você veio sozinha?
- Não. Vim com amigas.
- Entendo… E tem namorado?
- Por que?
- É que…
- Ah?
- …- Pode falar. Não fique tímido.
- …
- Não tenho namorado. Estou disponível, aberta a novos relacionamentos e pronta para outra…
- Claro. Eu só queria saber…
- Não que eu ache que os homens não prestam. É que meus últimos rolos e ex-namorados foram bem sacanas comigo e…
- Olha, eu…
- Eu sei que você vai dizer que é diferente, que nem todos os homens são iguais, mas vai ter que sambar muito pra me provar isso,viu, e…
- Deixa eu falar…
- Não. Peraí! Eu sei que nem todos são iguais, mas quer saber? Parece até que existe uma irmandade ou fraternidade oculta na crosta terrestre e que todos vocês, homens e ratos, vão pra aprender como maltratar e magoar as mulheres. Um dia eu entro lá disfarçada e pego todos no flagra!
- Mariana?
- Sabe o que é pior? É que vocês não podem ver um rabo de saia e já ficam doidos. Por que vocês não conseguem ser fiéis? Vocês entendem o que é amor?
- …
- Sabe, é por isso que não acredito em casamentos! Depois que casam, vocês, ratos, só querem que a mulher fique atrás do fogão enquanto vocês saem pra pegar as menininhas que tem idade para serem sua filha! E mais… Chegam em casa com a cara lavada e ainda querem sexo!
- Eu… Bem…
- Sexo! Vocês só pensam nisso. Só pensam em conversar com uma mulher quando querem fazer sexo! Custe o que custar. E aí, quando eu ficar gorda e velha você vai procurar sexo na rua, não é?
- Ah… Bem… Eu… Eh…
- Ta vendo? É isso mesmo. Ficou até sem fala! Viu só? Homem é foda!
- Desculpe, Mariana. Eu só queria te conhecer… Tchau.
- …
…
- Viu aquele carinha ali, Roberta?
- Sim. Ele tava te cantando?
- Hã! Cantando! Ele queria transar comigo! E aí foi só eu começar a conhecê-lo melhor pra saber que é um crápula! São todos iguais!
- É…
Na boate, lá pelas tantas horas e tantas cervejas…
- Oi.
- …
- Tudo bem?
- …
- Qual o seu nome?
- Mariana.
- …
- …
- Você vem sempre por aqui?
- …
- Você estuda, trabalha?
- Eu faço faculdade.
- Ah… De quê?
- De Administração.
- Eu faço medicina.
- Ah…
- Você veio sozinha?
- Não. Vim com amigas.
- Entendo… E tem namorado?
- Por que?
- É que…
- Ah?
- …- Pode falar. Não fique tímido.
- …
- Não tenho namorado. Estou disponível, aberta a novos relacionamentos e pronta para outra…
- Claro. Eu só queria saber…
- Não que eu ache que os homens não prestam. É que meus últimos rolos e ex-namorados foram bem sacanas comigo e…
- Olha, eu…
- Eu sei que você vai dizer que é diferente, que nem todos os homens são iguais, mas vai ter que sambar muito pra me provar isso,viu, e…
- Deixa eu falar…
- Não. Peraí! Eu sei que nem todos são iguais, mas quer saber? Parece até que existe uma irmandade ou fraternidade oculta na crosta terrestre e que todos vocês, homens e ratos, vão pra aprender como maltratar e magoar as mulheres. Um dia eu entro lá disfarçada e pego todos no flagra!
- Mariana?
- Sabe o que é pior? É que vocês não podem ver um rabo de saia e já ficam doidos. Por que vocês não conseguem ser fiéis? Vocês entendem o que é amor?
- …
- Sabe, é por isso que não acredito em casamentos! Depois que casam, vocês, ratos, só querem que a mulher fique atrás do fogão enquanto vocês saem pra pegar as menininhas que tem idade para serem sua filha! E mais… Chegam em casa com a cara lavada e ainda querem sexo!
- Eu… Bem…
- Sexo! Vocês só pensam nisso. Só pensam em conversar com uma mulher quando querem fazer sexo! Custe o que custar. E aí, quando eu ficar gorda e velha você vai procurar sexo na rua, não é?
- Ah… Bem… Eu… Eh…
- Ta vendo? É isso mesmo. Ficou até sem fala! Viu só? Homem é foda!
- Desculpe, Mariana. Eu só queria te conhecer… Tchau.
- …
…
- Viu aquele carinha ali, Roberta?
- Sim. Ele tava te cantando?
- Hã! Cantando! Ele queria transar comigo! E aí foi só eu começar a conhecê-lo melhor pra saber que é um crápula! São todos iguais!
- É…
sábado, 17 de outubro de 2009
Coisa de criança
Quanta coisa aprendemos quando criança. Não coloque o dedo na tomada. Não coma coisas que encontra pelo chão. Não coloque a mão em uma panela no fogo. Apesar de tantos avisos e ensinamentos, insistimos a contrariar os avisos e experimentarmos por nossa conta. Certamente tomamos muitos choques e quedas pelo caminho. É que chamamos de viver. Viver muitas vezes é mais eficiente que aqueles sermões de “não faça” que tantas vezes ouvimos. Assim crescemos, assim aprendemos.
Aprendemos a confiar em nossos pais. Quantas vezes já nos arrependemos de não levar aquele agasalho que sua mãe tanto insistiu para que botasse? Sempre preocupados e pensando no seu bem-estar. Experiência. Essa é a palavra. Eles já viveram tudo aquilo que você passou ou está passando: aquela vontade de riscar paredes, a curiosidade de desmontar os brinquedos, aquele temor de ligar para aquela garota ou aquele primeiro porre. Escutamos e aprendemos.
No fim crescemos. Aprendemos. E descobrimos que eles mentiram.
O mundo não é como nos ensinaram. Quando somos pequenos, se acreditamos em nossos pais, somos bem-educados e elogiados. Quando crescemos, se continuarmos acreditando, viramos otários e desiludidos.
Comi todo o feijão do prato e não cresci forte e bonito como o galã da novela das oito. Trabalho 12, 14 horas diárias e estou longe de ficar rico. Procuro e não encontro aquela princesa encantada prometida. Sou honesto e fiel, mas nunca valorizado por isso. Procuro ser bom com os outros, mas não há um Papai Noel no final do ano para ser recompensado. Os desonestos não são punidos no final. O mau-caráter sempre fica com a mocinha.
Na vida adulta não há espaço para “crianças”. Hollywood não existe. O romantismo morreu há muito tempo. As últimas peças de resistência sofrem a via-crucis. Não há charme em ser bom, enquanto há uma aura sexy em ser mau. A malandragem é fator diferencial (eu diria até crucial) na ascensão de uma carreira. Ter princípios é antiquado. Fidelidade é careta. Honestidade é burrice. Apanhamos e aprendemos.
Aprendemos? Ou desaprendemos? Em quem confiar? Em nossos pais que sempre zelaram por nós ou em um mundo que sempre nos acerta na cabeça e no coração?
Ser uma criança eterna, sonhar, viver, buscar e por muitas vezes chorar e apanhar de um valentão qualquer. Ou abrir os olhos, se encaixar em um mundo canalha e roubar o lanche daquele otário fracote?
Sigo com minha decisão. Fecho meus olhos ainda com esperanças de um dia o mocinho vencer no final. Continuo em meu canto solitário, brincando com meus blocos de madeira e bolinhas de gude, esperando que um dia tenha companhia para brincarmos juntos. Talvez eu seja o maior otário do mundo, ou talvez o mundo precise da mais blocos de madeira. Alguém quer brincar comigo?
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
"Pra casar"
Demorou, admitimos, demorou. Mas chegou o dia em que os homens estão entendendo o “big deal” que é o casamento. Por séculos os homens fugiram do casamento como noivo da noiva. Medo do comprometimento, da prisão, da castração social. Mas finalmente, o século 21 assiste os machos abraçando a tradição matrimonial.
Ainda que preserve tradições antigas, como a despedida de solteiro, também abro espaço para casar de branco, entrar na igreja com música, chá-bar, dia do noivo etc. Não que adote todos e todas, mas estou mais receptivo. É um grande passo para quem só aceitava se trajar de luto no grande dia.
Vamos nos divertir com as listas de presente, dando preferência para TVs de plasma e aparatos de churrasqueira mas espichando os olhos para travessas, baixelas e aparelhos de fondue. Sim é importante ter pratos para sopa, sobremesa, pizza e tartar. Seja lá o que for isso.
Vamos repassar a lista de convidados, entendo que realmente, aquele seu tio que acabou de sair da cadeia não pode ficar de fora. Padrinhos, podem ser seis casais sim, pega emprestado dois meus. Seu tio ladrão vai ser padrinho? Claro, ele precisa de apoio para voltar a sociedade. Vou sem relógio, você se importa?
Flores, lembranças, havaianas com os dizeres “tuquinho e tuquinha pra sempre”, eu apóio. Dinheiro? É detalhe, esse é o dia mais importante de nossas vidas não? Porque se importar com o financiamento do apartamento no mesmo prédio que sua mãe? Nós merecemos. Esse é seu dia de princesa, todos se curvarão a seus pés, mesmo que seja de bêbados, whisky 18 anos não vai faltar.
Lua de mel é um capítulo a parte. Faz todo sentido dividirmos entre Taiti e NY. Compras e lazer. Dias mágicos. Vamos nos divertir muito, assim como meu gerente. Não importa o que tenhamos que sacrificar, sabe porque?
Porque você é a coisa que mais amo no mundo, minha alma gêmea, nada é mais importante que isso. Quero passar o resto da minha vida com você, ter filhos, envelhecer juntos de mãos dadas na sacada nos nosso apartamento financiado em 87 anos.
Hein? Como assim? Você quer o que? Focar na sua carreira, no seu desenvolvimento profissional? Não sabe se está fazendo isso na hora certa? Quer aproveitar mais suas amigas, conhecer o mundo, se sentir livre? Mas e o papo de alma gêmea? É bobagem? Temos de ser felizes sozinhos? Não eu não sou dependente de você, só queria ser feliz pra sempre. Como assim isso não existe. Ta, atende essa chamada do seu trabalho, você sempre dá preferência a eles mesmo. Mas depois disso você não me escapa. Depois de me enrolar por quatro meses…Será possível?
sábado, 26 de setembro de 2009
Amar é...
Amar é levar a mulher em um restaurante caríssimo, pedir lagosta, ensiná-la a usar os talheres, a segurar a taça, pagar a conta sozinho, abrir a porta do carro para ela entrar, levá-la para casa, e ser obrigado a, no caminho, parar em uma barraca de cachorro-quente imunda porque ela odiou a comida do restaurante e está com fome. Além de dizer que a barraca é mais a sua cara.
Amar é passar duas horas dentro de uma floricultura escolhendo o mais lindo vaso, as mais lindas flores para a mais linda mulher, escrever um cartão pomposo, entregar de surpresa quando ela abre a porta, ganhar um beijo e um abraço e ouvir, sem querer, no outro dia, ela comentar com uma amiga que não agüentava mais ganhar flores. Que era uma mulher prática e bem que poderia ganhar algo útil.
Amar é chegar mais cedo no trabalho, dar duro o dia inteiro, sair correndo do escritório, passar no shopping, comprar aquele vestido que ela queria tanto, uns queijos, um bom vinho, velas aromáticas, e descobrir, ao chegar em casa, que justo hoje ela resolveu sair com as amigas.
Amar é resolver sair uma noite com amigos que não se vêem há três anos e depois ter que dormir no sofá por "falta de consideração".
Amar é levá-la ao circo, ao parque, ao shopping, à butique, ao bazar, ao show do Peninha, à exposição de tapetes ornamentais, e ainda ter que assistir à novela com ela ao chegar em casa.
Amar é buscar as palavras mais bonitas, todos os elogios, todos os adjetivos, as comparações mais lisonjeiras, e ouvi-la reclamar, cinco minutos depois, que está deprimida porque está se sentindo gorda.
Amar é conviver 364 dias por ano com a dor de cabeça dela à noite, e no único dia que as coisas poderiam dar certo, você pega pneumonia e ainda é chamado de frouxo.
Amar é gastar os tubos em um relacionamento, e, quando acaba, você a vê dirigindo um carro novo.
Amar é vê-la deslumbrante no vestido longo de festa, e não poder beijá-la nem abraçá-la a noite inteira para não tirar o batom nem amassar o vestido.
Amar é acordar com ela "naqueles dias" e ouvir reclamações sobre o tempo, sobre a roupa, sobre a economia, sobre a casa, sobre os filhos, sobre você, sobre o síndico do prédio, sobre a vida, sobre seu carro, sobre o cabeleireiro e sobre o chinelo que ela não encontra em lugar nenhum. Abraçá-la, beijá-la, dizer que a ama, e ela te mandar praquele lugar.
Amar é levar uma multa por parar em fila dupla quando ela vê uma loja de R$ 1,99 e PRECISA tanto ir que não pode esperar você estacionar o carro.
Amar é isso aí e algo mais.
sábado, 19 de setembro de 2009
Preciso de você esta noite!

Qualquer pessoa razoavelmente sociável tem uma mão cheia de pessoas para quem pode dizer esta frase e ser prontamente atendido. Seja numa tarefa simples, ou no momento mais complicado de sua vida, alguma destas 5 pessoas te ajudarão. Quem sabe não todas, quem sabe não sempre, mas alguém estará lá.
São estes que podem ser chamados de melhores amigos. Sejam cônjuges, pais, filhos ou só amigos mesmo. São essas 5 pessoas, ás vezes um pouco mais, outras menos, que você sempre poderá contar. Essas 5 pessoas, ao longo da vida, logicamente são rotativas, mudam-se as famílias, colégios, trabalhos, interesses. Mas elas estão sempre lá, simbolicamente.
Mas chega uma hora em que você fica mais exigente, mais carente, e não quer mais ter que dizer nada. Quer que as pessoas simplesmente estejam lá esta noite, e a próxima, e a próxima, etc.
É a nossa possessão talvez que nos faça desejar alguém exclusivamente seu, dando em troca o mesmo tipo de comprometimento. Queremos simplesmente não ter que nos preocupar em pedir socorro. Queremos sentir que nunca mais estaremos sozinhos. Só sentir, pois estamos. Sempre.
São estes que podem ser chamados esposos e esposas. Sejam juntados, casados no papel, namorados de longa data. O rotulo em si é bobagem, já discriminei muito os juntados, achando que casamento válido apenas com presença de juiz e padre. Mas isso tudo é uma grande bobagem. O único pré-requisito para ser esposo ou esposa é este. Estar lá. Junto. Mesmo que a distância.
Assim sendo já coloquei no passado a exigência de festa, contrato ou juramento. Só quero encontrar alguém que compartilhe da mesma visão que eu. O que obviamente é muito mais difícil.
No dia que (se) eu encontrar não vou precisar de aliança, casa ou permissão. Só vou falar uma vez, mas com a maior sinceridade possível que eu preciso dessa pessoa. Não essa noite, não esse mês. Apenas preciso. E pra selar de vez a nova fase ajoelho e pergunto: “Quer estar comigo? “
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Sejamos todos Supernovas
Supernova é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas com mais de 10 massas solares, que produzem objetos extremamente brilhantes, os quais declinam até se tornarem invisíveis. Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em 1 bilhão de vezes a partir de seu estado original, tornando a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, sua temperatura e brilho diminuem até chegarem a um grau inferior aos primeiros.A explosão de uma supernova pode expulsar para o espaço até 9/10 da matéria de uma estrela. A partir daí, uma sequência de eventos promove o colapso total da estrela, dando origem a uma singularidade no espaço-tempo, conhecida como Buraco Negro, cuja Velocidade de Escape é um pouco maior do que a velocidade da luz.
Os dados científicos, se passarem batido, são apenas dados. Informaçoes irrelevantes ao dia-a-dia de pessoas comuns como eu e você. Mas se pararmos um segundo para refletir, veremos que esse papo de sermos feitos de poeira das estrelas, de vez em quando até que faz sentido.
Não é difícil fazer o paralelo entre nossos astros cheios de luz e nossas próprias vidas mundanas. A partir do momento que consideramos nossos relacionamentos, feitos, indivíduos como objetos e eventos brilhantes, nos indentificamos com as supernovas.
Nascemos assim, brilhantes, explodindo para nosso próprio universo, e desde desse momento, lentamente vamos apagando, nos consumindo. Esse é nosso ápice, ninguém faz nada maior do que nascer, todo o resto é consequência. Por mais que briguemos, por mais que façamos a diferença, nada é mais impressionante do que começar a existir.
Poderia falar sobre todos as ramificações de nossas existência, apontando sempre um momento que ofusca todos os outros. Como sempre, prefiro falar sobre as relações humanas, razão pela qual não nos extinguimos de vez, logo após nascer.
Em todos nosso relacionamentos, basta pararmos um segundo pra pensar, podemos identificar esse momento. Seja um primeiro beijo, uma tarde na praia, uma ligação na madrugada. São esses pequenos instantes que nunca conseguimos esquecer, que com sua luz ofuscante nos marcou como fossemos negativos.
Não adianta brigar ou espernear, perfeito mesmo, só esses instantes, que ás vezes duram milisegundos, quando com sorte, alguns minutos. O resto é apenas uma grande torrente de imperfeição, em intensidades diferentes.
Isso não é motivo para tristeza ou depressão. A busca desses momentos, tem seu brilho próprio e ascendente. Por mais que não ofusquemos toda uma galáxia, por mais que não tenhamos a sensação que o universo inteiro nos admira, sabemos que estamos ali, grudados no firmamento, esperando nosso grande momento, para depois aceitar as leis da “física” e começarmos a nos apagar.
Somos todos buracos negros em potencial, prontos para transformar tudo de bom que expelimos em destruição própria, inconformados com a aparente falha de constituição.
Mas querer brilhar mais que toda uma galaxia, pra sempre é pedir demais. É querer ser Deus, é pretender ser a força mais absoluta do universo. Aceitemos nosso papel no espaço, o papel de compor um universo, esse sim perfeito, em que, por nossa sorte, temos a opção de ser pequenas estrelas anãs, quase insignificantes, temorosas em brilhar demais sabendo do destino de quem brilha, ou lutamos para sermos supernovas, que tem os dias contados, mas dias que farão a diferença. Para toda uma galáxia.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Marta? Amor?
- Sabe de uma coisa?
- Que?
- Você está linda hoje?
- Por quê?
- Hein? Como assim por que?
- É. Por quê?
- Porque está ué. Não posso te elogiar?
- Pode. Mas porque isso agora?
- Porque deu vontade falar ué. Olhei pra você pensei “nossa, como ela está bonita”. Mas desculpa, não falo mais.
- Não é isso. Tem alguma coisa aí?
- Alguma coisa? Que coisa? Não tem coisa alguma.
- Tem sim. O que foi? Você fez algo errado?
- Não, não fiz nada. Não é possível que você vai fazer isso.
- Isso o que?
- Transformar um elogio meu numa briga.
- Não é briga. É que você disse uma coisa estranha então deve explicações.
- Explicações??? Como assim explicações? Ta bom. Gostei do jeito que seus cabelos estão caindo sobre seus ombros. Da sua feição feliz.
- José Roberto, não me provoca.
- Te provocar???
- É, fica fazendo gracinha pra escapar.
- Escapar do que???
- Do que??? Que cara de pau. Do que você fez de errado.
- Errado? O que eu fiz de errado?
- Você quem me diz.
- Isso ta ficando louco demais. Eu retiro ta bom. Você não está linda hoje.
- Quer dizer que estou feia?
- NÃÃÃÃÃÃOOOOO! Inferno.
- Não o que?
- Não você está feia. Está linda como sempre. Como todos os dias.
- Quer dizer que você está entediado. Que não tem mais tesão por mim. Por isso foi procurar outra mulher?
- Que outra mulher????
- Você quem me diz.
- Eu que te digo? Como assim. Só te fiz um elogio.
- Vai José Roberto. Assume logo.
- Assumir o que?
- Não vai assumir?
- Não tenho o que assumir.
- Então é isso?
- Isso o que?
- O fim.
- Fim do que?
- De nós. De nossa história.
- É. É sim. Estou cansada de aturar essas coisas.
- Essas coisas? Que coisas? Pera, Marta, volta, prometo nunca mais te elogiar. Marta? Amor?
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
O que é saudade?
Saudade. Pra mim, não há palavra alguma no dicionário que expresse um sentimento com tanta veemência. Saudade não é só falta, não é precisar e nem só querer de volta. É só saudade. E isso é tudo. Tudo que está entalado na garganta, preso no choro, marcado no pensamento.
A saudade pode ter quilômetros de distância ou, muitas vezes, estar separada apenas por um lençol. Ou quatro paredes. A saudade dói sem ser doença, machuca sem ter armas.
Saudade só é boa quando está no seu fim. Saudade é igual fome. É uma das melhores coisas para se matar. Saudade do picolé minissaia, da coleção vaga-lume, da bota de chuva, do cheiro da lancheira da escola, da maçã raspadinha. Saudade.Do passado mais antigo. Ou de ontem à noite.Do que você está com saudade?
Pode vir agora. Pode vir de longe. Pode morar na sua rua. Porque tudo no mundo lembra a saudade. O que provoca a sua saudade? Saudade tem cena. Aquela quando você acena de longe e, num segundo, os olhos se enchem de lágrimas. Saudade tem música. E não precisa ser triste. E quase sempre tem cheiro. Aquele que fica no travesseiro e faz lembrar. Cheiro de perfume, bolo de chuva. Saudade tem sempre um nome. Ou não. De quem você está com saudade agora?
Quem tem saudade, lembra. Tem sempre pra quem escrever. Mesmo que esse alguém não possa mais ler. A saudade quase sempre mora pra lá das nuvens. E nem avião pode alcançar. Quando você diz que sente saudade, espera ouvir um eu também. Tem saudade que não passa. Mesmo que os dias passem depressa. Tem saudade que dá pra comprar o fim. Um voucher, um crédito de celular.
Bom mesmo é aquela saudade que se mata de graça. Um abraço, um pedacinho do seu picolé, um eu também.
Adoro contar saudade no relógio até ela acabar. É igual ansiedade de criança antes de abrir o seu presente. É como esperar o final de um livro.Saudade tem recordação, baú, diário. Tem pétalas de rosa espremidas no meio de um livro. Tem foto no fundo da gaveta. Tem um casaco de ombreira e um souvenir daquela última viagem na estante. Tem um restinho de bebida na garrafa. Tem dejavu.
O bom da saudade é correr pra encontrar. É dar um abraço de urso. É contar os dias.Porque quem sente saudade, tem o privilégio de sentir o seu fim. Algum dia, em algum lugar.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
De casamentos e etc.
Pra variar eu já devo ter comentado a respeito disso anteriormente, mas como o mundo gira e a Lusitana roda, não me importo muito. Tenho ultimamente freqüentado muitos casamentos. Muitos. Mesmo. Não sei se é sinal dos tempos, se é apenas uma fase, se é a época ou se é a economia que está numa boa. Ou mesmo se eu possuo amigos e amigas demais que estão nessa de casório.
Mas o fato é que nos últimos dois anos, tenho comparecido em praticamente um casamento por mês.
Neste ano, vejam só, estamos no meio de agosto e já fui em nove (!) casamentos. O que está me dando uma média de um por mês. O que rendeu a decoreba de boa parte da Epístola de São Paulo aos Coríntios. Um clássico.
E para um solteirão inveterado como eu, essa leva de casamentos têm sido muito interessante, a despeito do que pensa a maioria. E a maioria pensa que para mim deve ser difícil, que eu deva sentir vontade de estar lá no lugar do noivo, essas coisas. Mas nada disso acontece. Gosto de casamentos, mas só os dos outros.
Freqüentar tantos casamentos me permitiu elaborar algumas estatísticas interessantes, como por exemplo, em 97% dos casamentos que fui nos últimos dois anos tocou Perhaps Love. O que para mim é fantástico, uma vez que adoro essa música.
Em 63% deles as crianças que entram trazendo as alianças fizeram alguma besteira, o que levou a 100% dos convidados a rirem dos pobrezinhos.
Em apenas 7% dos casamentos, a noiva chegou à cerimônia numa limousine, o que é um alívio. Limousines hoje em dia são extremamente cafonas. Se forem brancas então, é um atentado à ordem pública.
Em 71% dos casos, os padres ou pastores ou algo que o valha, disseram em sua pregação algum tipo de besteira, como lembrar aos noivos toda a parte ruim e difícil de um matrimônio. Aquela não é a hora de dizer coisas assim.
Em 15% dos casórios os padres/pastores/coisas do tipo disseram coisas legais, como “a beleza de um acordar com o bafo abençoado do outro” ou poéticas como “entender o que significa os seus ternos estarem ao lado dos vestidos dela”. Os mais atentos à matemática do negócio irão perceber que houve um hiato de 14% nas minhas estatísticas. Esses 14% são relativos às vezes quando o padre/pastor/coisa do tipo não disse absolutamente nada além dos textos-padrão. São os casos que o sujeito está com pressa de ir embora ou não quer atrasar o próximo casamento no dito estabelecimento religioso.
Em 100% dos casamentos algum imbecil disse “meus pêsames” para o noivo.
Também em 100% dos casos alguma invejosa colocou defeito no vestido da noiva.
Em nenhum casamento dessa pilha que fui nos últimos dois anos o noivo desistiu na última hora ou a noiva não apareceu. 0%. Vou começar a torcer para isso acontecer nos próximos que eu for.
Estão ficando todos muito iguais.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Uma de ciúmes II
O casal se separou. E tudo em virtude do tal Ciúme.
Quero que atire a primeira ou a última, vai saber, pedra quem nunca manteve/mantém um flerte no MSN; quem nunca entrou num bate papo para uma cantada no meio da madrugada; quem, já completamente bêbado, não pega o celular e começa a ligar pra tudo o que é ex-ficante para um papo picante no final da noite; quem nunca gosta de manter um esquema para massagear o ego. Duvido que exista essa qualidade de gente.
Duvido, aposto e, com plena certeza, ganho.
O mundo é canalha. E junto com a canalhice, vem esse tal de Ciúme atravancar tudo e todos.
Se o Ciúme não existisse, tudo seria muito melhor compreendido. Imaginem Maria G., após olhar as mensagens no celular do Diguinho o que ela faria:
- Ô meu amor...
- Pô, tô vendo o jogo agora.
- Verdade, já volto. Quer uma cerveja?
Olha a compreensão, gente! Viram a diferença? O mundo seria MUITO melhor, mais harmonioso.
Quarenta e cinco minutos depois ela voltaria.
- Agora podemos conversar?
- Claro. Só traga o cinzeiro pra mim, benzinho.
Que carinho... que carinho...
Cinzeiro, cerveja e o celular na mão, ela começa:
- Meu bebê, qual a razão dessas mensagens?
- Ô meu amorzinho, desculpa por não ter te falado. Não é nada de mais. É só uma amiga virtual.
- Não, tudo bem, isso eu entendi. Não falo disso.
- Fala do quê?
- Do horário. Duas da manhã não é muito tarde?
- Ela dorme tarde. Não liga pra isso não.
- Ainda bem que não. O Jorjão não me manda mais nesse horário, porque ele sabe que acordo estressada.
- Ele ainda te liga e manda mensagem?
- Às vezes... às vezes...
- Tá bom. Só isso?
- Só. Vamos à pizzaria?
- Hoje não. Vou na casa do Magrão jogar pôker. E você?
- Ah, sairei com a Lucélia.
- Qualquer coisa liga.
Olha a paz, a suavidade imperando.
Por isso que, agora serei eu quem entrará com uma ação contra o Ciúme. E ele terá que ser deportado ou se reportar a nós, homens lúcidos (!).
E é bom que isso aconteça logo ou, muito em breve, perderemos todas nossas mulheres para esse cidadão.
Há ciúme crônico?
sábado, 25 de julho de 2009
Umas de ciúmes
"Justiça seja feita! E logo", gritavam mulheres no largo do Arouche.
Esse senhor, que há anos corrompe os namoros, noivados, casamentos e, pasmem, até casos extraconjugais, foi convocado a prestar esclarecimentos do porquê de meter o bedelho nos relacionamentos e pode ser condenado caso suas explicações não sejam convincentes.
Tudo começou quando Maria G., miudinha de 22 anos de idade, moradora de um bairro abastado de Osasco, cansada de se estressar com Diguinho, seu namoradinho, resolveu apelar a instâncias superiores e entrar com uma ação na Justiça contra o Ciúme.
Segundo dados da Associação Aspirante de Ciumentas Neuróticas Anônimas - ASSACINA, o Ciúmes é um dos maiores causadores de destruição de lares e crimes de homicídios na capital paulista.
Dizem que Maria G., uma ex-neurótica anônima que resolveu se identificar para entrar com a ação, gozava de direito líquido e certo, entrando com um Mandado de Segurança para ser exorcizada e o Ciúme deixar o seu corpo.
Porém, do outro lado da balança, foi impetrado um Habbeas Corpus pelo Ciúme, alegando que ele já estava incrustado naquela mente perturbada.
Alguns podem achar exagero, mas a coisa tem acontecido assim mesmo: o ciúme quando entra na vida do casal, não sai nem por decreto presidencial.
Outro dia, a mesma Maria G., fuçava no celular do Diguinho. Inúmeras vezes eu disse à ela para não cometer essa bobagem, mas vocês bem sabem como é essa gente possuída pelo Ciúme.
Ela leu. Chorou. Decorou mensagem por mensagem. Chorou. Leu mais umas três vezes cada uma das quinze mensagens. Chorou novamente. Ligou pra psicóloga. Chorou. No auge do choro, não resiste:
- Diguinho!
- Oi meu amor.
- Meu amor o escambau!
- Nossa...
- Nossa o diabo que te carregue!
- Ixe...
- Ixe o quinto dos infernos!
- Mulher, tô aqui vendo o futebol...
- Pro raio que o parta você e esse seu futebol!
- Calmaí! Aí você já extrapolou TODOS os limites. Não mexa com o meu futebol.
- Futebol? Futebol?! FUTEBOL?!
- Isso mesmo. Sua audição está perfeita.
- Pois olha aqui, seu cachorro...
- Opa, opa, opa! Aqui não tem cachorro não.
- Pois tem sim, seu canalha, cafajeste...
- É TPM, só pode ser isso.
A conversa não foi das mais produtivas e ela, antes de jogar o celular na parede e espatifa-lo, leu mensagem por mensagem em voz alta ao namorado. Ele, com aquela cara de quem acabou de ver um filme do Akira Kurosawa apenas diz:
- E aí?
- Como assim ‘e aí’? Você perdeu COMPLETAMENTE a noção de um relacionamento!
- Isso é hora de brigar?
- E tem hora pra brigar agora? TEM?!
- Sempre teve.
- Ahn?
- Há uma lista com os horários na internet, você nunca viu?
- Não...
- Pois então vou lhe passar: segundas-feiras, após às 22h quando o marido já estiver dormindo; terças-feiras, após o futebol com churrasco e cerveja, e isso só se for depois das 23h30, que é quando ele estará bêbado; quartas-feiras, após a feijoada do almoço; quintas-feiras, se tiver brigado todos os dias, dê um descanso ao marido; sextas-feiras, caso ele chegue em casa, qualquer horário; sábados, após o futebol; domingo, sem horário disponível para brigas.
- Sei...
Semana que vem continua
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Clodisvaldo
Clodisvaldo. Ao contrário do que possa parecer o nome nunca foi problema, para todos os efeitos ele era o Clodô. Um cara como outros tantos que existem por aí. Metódico. Pós adolescente carreirista pressionado pelos hormônios, dividia sua atenção entre os estudos e as garotas; quando muito, cerveja e garotas.
Foi assim que Clodô entrou na faculdade. E como dizem que e mais fácil entrar do que sair, ele não quis saber de dispersões. Estudo, dedicação, provas de empenho.
Enfim, aula de Básico de Métodos Quantitativos. Ficou vidrado, não sabia que aquilo era possível. Espaço amostral. Aquilo fazia sentido para ele. Clodô adorava aquilo mas não de um jeito “nerd”. Ele gostava era das possibilidades que dali surgiriam, aplicações reais que ele poderia exercitar.
Entre uma apostila e outra (era preciso dedicação), uma garota para conversar, vez em quando uma cerveja com os amigos. E que qualidade de amizade, viu? Clodisvaldo só conhecia mulher, e se empenhava nisso. Mulheres de todos os jeitos, trejeitos; todos os estilos. Clodô pensava assim: espaço amostral!Começou que toda mulher que ele conhecia, ele conseguia criar um vínculo interessante que lhe proporcionaria algo também interessante e esperava que a recíproca fosse verdadeira. Esperava.
Sua aula de métodos quantitativos tinha que dar resultados, a teoria era infalível, era lógica. Cada dia que passava sua agenda aumentava. Não media esforços; se uma Mariana qualquer estivesse disponível ali na lanchonete, Clodô esquecia das aulas e engatava na conversa; ia até o intervalo. Nesse ponto ele já teria o número do telefone e pelo menos um cineminha marcado.
Dia após dia, Clodô sentia-se mais confiante, sua auto-estima subia a níveis estratosféricos. E quando chegou na Lua, ele parou. Não sabia o que fazer. Espaço amostral. E agora? Todo esse tempo, uma agenda lotada e nenhuma namorada. Zero. Precisava mudar isso.
De A a Z começou a ligar, Adriana, Amanda, Bethy, Carol, Carol Pini, Daniela, Dani Martins, … Ligou, ligou e ligou. Todas as vezes que ligou foi bem atendido, até com certa ternura na voz. Todas as vezes que ligou foi trocado pelas amigas – o que é uma amiga que não deixa a outra sair com um cara legal como ele? -, namorado – namorado? se ela tinha namorado porque ficava se jogando pra cima dele? Sem falar nas inúmeras vezes que foi perguntado: “quem mais vai?” Não podia acreditar, uma teoria inteira… por àgua abaixo em algumas dezenas de ligações. Sua lógica estava ferida. Não conseguiu pensar em mais nada a não ser mudar de aula. Algo mais pragmático, talvez pintura com as mãos.
sábado, 4 de julho de 2009
Sem-educação
Dizer que o ensino no país está ruim, é pouco. Ao analisar a situação mais de perto, dá para se revoltar. Lendo jornais e revistas, caímos no inconformismo. Se você é brasileiro, sente vergonha.
As carências são múltiplas. A falta de cultura de nossos alunos é algo gritante. Há anos não temos na grade curricular Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política Brasileira e, se não bastasse, Filosofia. Tudo isso por quê? Os mais cretinos pensarão: "pra que essas matérias se não caem no vestibular?", pois é. Para que ter cultura se a alienação é inevitável, não é mesmo? Viva a mediocridade!
Hoje as escolas formam bitolados, alienados culturalmente, adolescentes virtuais, babacas que vomitam fórmulas decoradas e boçais que não pensam, "nerdeiam".
Segundo estatísticas, houve uma crescente de pouco mais de vinte por cento no aumento de reprovações no último ano. E vejam que em alguns estados há a maldita "progressão automática", isso se o negócio já não for nacional em colégios públicos.
Ao meu ver, essa foi a maior patifaria já feita com o ensino. Onde já se viu "passar de ano" um cidadão que diz: "Curitiba é a capital de Santa Catarina, né?". Alguns não sabem resolver simples problemas de aritmética e, se sentem cultos ao dizer: "A nível de...". Que nível, hein?
O Pensar tornou-se raro, quase extinto em nossa classe estudantil. Faltam incentivos no ensino fundamental e médio. Caso isso não ocorra urgentemente, veremos nossos estudantes sem direção, protestando sem fundamentos, sem bom senso e perdidos num mercado que exige, além de técnica e conhecimento, astúcia.
Eu penso que, se a tal "progressão automática" visasse que o jovem se formasse logo, com o intuito de adentrar ao mercado de trabalho mais cedo, vá lá. Mas, e emprego para todo esse pessoal? Fora que sempre exigem experiência de um, dois e, até, três anos nisso ou naquilo. Só quero saber aonde é que estão os dez milhões de empregos prometidos em campanha. Acho que foram apenas boatos. Sinceros boatos.
E os professores? Simples marionetes sem estímulos financeiro e profissional. Fora quando são funcionários públicos e se acomodam, não buscando uma reciclagem no método de ensino. Alguns ainda estão no tempo da palmatória (!). A sentença, com esse quadro, é cair na vala comum e deixar os alunos da maneira que estão: sem inteligência e sem rumo.
Poderia, aqui, culpar os militares, o Sarney, Collor, Itamar, FHC ou o Lula. Mas isso seria cômodo demais. Também poderia me valer de clichês como "isso é falta de vontade política". Nessa altura do campeonato, o mais sábio é ser autodidata. Claro que isso é utopia para quem mora nas favelas. Impensável, no mínimo.
Já que os "programas sociais" de dar comida não têm surtido muito efeito, partamos para o lado educacional, dando alimento ao cérebro, pois, da maneira que está, o nome do Programa é "Inteligência Zero".
Há anos eu pensava que quando os intelectuais chegassem ao poder, teríamos um outro país. Um país mais justo, mais digno de se viver. Porém, vi que muito saber não é o mesmo que ter sabedoria. E o povo, por falta de cultura, discernimento, saber e sabedoria, não enxerga que nada mudou, que é só uma questão de perfumaria. Ou seja, mudam-se os frascos, mas o odor é o mesmo. Senão pior. Vai saber...
Mas, refletindo melhor na situação, num país em que as pessoas mijam na rua e as melhores salas de aula são botecos, até que não estamos numa situação tão ruim.
Educação, Lula. Educação.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
You can’t, always give what you want
Apesar de adorar aprender, e observar o comportamento de todos o tempo todo, certas lições demoro para pegar. Talvez porque não queira, talvez porque demore a aceitar que estou errado. Mas seja lá o que for, quando aprendo levo pro resto da vida. Não esqueço nem faço corpo mole.
Algumas dessas lições foram: amigos não são pra sempre, amores não são pra sempre, não espere dos outros o que você faz por eles, não confie em ninguém. Ao longo dos anos fui aprendendo de maneiras dolorosas tudo isso. Mas fui incorporando ao meu jeito de viver, mesmo discordando internamente, entendo que são conceito imprescindíveis para meu bom convívio social.
A última lição que tive foi a de que nunca devo dar mais do que me foi pedido. Posso ainda ser surpreendente, encantar como quiser, mas se concentrar em dar o que as pessoas estão pedindo tem de ser o foco principal. E isso funciona em todas as esferas. Lembro bem de um amigo me falando que em sua empresa, tinha um funcionário que depois de vinte anos de casa, ainda insistia em “fazer as coisas certas”. Na hora morri de dar risada, e não entendi o que havia de errado. Ele explicou que as coisas não são assim, o funcionário não é contratado para fazer as coisas da maneira certa, e sim para fazer o que lhe foi pedido. Dessa maneira ele será útil de verdade, do contrario será apenas um chato.
No âmbito pessoal acredito que isso seja verdadeiro também. Cansei de dar ás pessoas todo meu melhor, meu respeito, carinho, companheirismo, tentando ser o mais próximo do parceiro ideal. O parceiro ideal no meu ponto de vista. O homem que passaria mais segurança, cuidado, que trataria suas mulheres como princesas num pedestal. Ou quase isso, afinal sexo não entra nessa equação.
O problema é que sempre achei que isso era o bastante, que se falhasse em outros pontos, essa base sustentaria o relacionamento. Errado. Ainda que mulheres sejam seres indecifráveis, basta parar para ouvi-las com atenção que se entende o que querem. E muitas vezes, querem algo muito mais simples do que você oferece. Nenhuma mulher quer de verdade um príncipe encantado genérico, de cavalo branco e armadura reluzente. Ás vezes o cavalo é dispensável, afinal, o que ela gosta é de andar mesmo, e a armadura pode ser enferrujada, desde que limpinha.
A real é que o homem dos sonhos de qualquer mulher é aquele que a escute de verdade, que entenda o que é importante para ela em cada momento, que supra suas necessidades, seja uma aliança no dedo ou um porre no bar da esquina. Não importa, basta ouvir e se possível ser companheiro.
Portanto, parei de pensar no que eu acho que seja melhor para elas, apenas escuto com atenção, e dou o que me foi pedido, assim como não espero que me ofereçam o que acham melhor para mim, e sim o que manifesto que quero. Usando das palavras de meu amigo Jagger, com uma pequena mudança:
You can’t, always give what you want
But if you try sometimes, you give what you’ve been asked.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Já fui casada
Imaginem estas duas situações:
Cena 1
Um happy-hour num desses barzinhos modernos, com mesas de madeira escura na calçada e pé-direito bem alto (alguém pode me explicar a origem do pé-direito?). Uma mesa repleta de jovens engravatados próxima a uma outra mesa repleta de mocinhas de scarpin, meias-calça e saias pretas.
Um dos jovens engravatados troca olhares com uma das jovens de saia preta. Ela sorri. Ele vai até ela. As amigas dela aplaudem. Os dois se apresentam, conversam, ele diz coisas engraçadas, ela ri, ele pede o número do celular, ela dá, ele diz que o sorriso dela é lindo, ela diz que gosta de homens maduros, ele diz que gosta de mulheres exatamente como ela, mas ela arremata:
- Ai, pena que você fala igualzinho ao meu ex-marido.
Ela tem 23 anos.
Cena 2
Uma sala de aula de um curso de pós-graduação. Ele está no mesmo grupo de trabalho que ela. Eles trocam informações o dia todo por e-mail, por celular, e à noite, na aula, trocam olhares.
Certo dia, os dois desceram para tomar um café e comer um croissant e ele, já desesperado de tanta paixão, se declara. Ela sorri fraternalmente e diz que ele está confundindo as coisas, que o momento não é adequado e sentencia:
- Puxa, meu casamento acabou há pouco tempo, não quero me prender de novo tão cedo.
Ela tem 25 anos.
Eu não fui o infeliz protagonista dessas histórias, mas posso garantir que elas aconteceram. E cenas como essas se repetem diariamente e cada vez mais.
Tenho percebido um certo orgulho nas meninas em afirmar, com olhar altivo e seguro que já foram casadas. Elas têm ostentado isso como se fosse um rótulo de maturidade e experiência, uma espécie de mensagem subliminar para os pretendentes que diz: Olha, para ficar comigo você tem que ser no mínimo o máximo.
Gostam tanto de ostentar o rótulo de ex-casada que nem precisa ter sido casada de fato. Morou cinco meses com um sujeito e pronto, foi casada.
O engraçado é que todas essas adeptas do orgulho "já fui casada", que compete um certo ar de maturidade à elas, são extremamente imaturas.
Menininhas brincando de casinha e desfilando futilidade travestida.
Como dizia um saudoso amigo:
- Meus sais, onde estão meus sais?
Cena 1
Um happy-hour num desses barzinhos modernos, com mesas de madeira escura na calçada e pé-direito bem alto (alguém pode me explicar a origem do pé-direito?). Uma mesa repleta de jovens engravatados próxima a uma outra mesa repleta de mocinhas de scarpin, meias-calça e saias pretas.
Um dos jovens engravatados troca olhares com uma das jovens de saia preta. Ela sorri. Ele vai até ela. As amigas dela aplaudem. Os dois se apresentam, conversam, ele diz coisas engraçadas, ela ri, ele pede o número do celular, ela dá, ele diz que o sorriso dela é lindo, ela diz que gosta de homens maduros, ele diz que gosta de mulheres exatamente como ela, mas ela arremata:
- Ai, pena que você fala igualzinho ao meu ex-marido.
Ela tem 23 anos.
Cena 2
Uma sala de aula de um curso de pós-graduação. Ele está no mesmo grupo de trabalho que ela. Eles trocam informações o dia todo por e-mail, por celular, e à noite, na aula, trocam olhares.
Certo dia, os dois desceram para tomar um café e comer um croissant e ele, já desesperado de tanta paixão, se declara. Ela sorri fraternalmente e diz que ele está confundindo as coisas, que o momento não é adequado e sentencia:
- Puxa, meu casamento acabou há pouco tempo, não quero me prender de novo tão cedo.
Ela tem 25 anos.
Eu não fui o infeliz protagonista dessas histórias, mas posso garantir que elas aconteceram. E cenas como essas se repetem diariamente e cada vez mais.
Tenho percebido um certo orgulho nas meninas em afirmar, com olhar altivo e seguro que já foram casadas. Elas têm ostentado isso como se fosse um rótulo de maturidade e experiência, uma espécie de mensagem subliminar para os pretendentes que diz: Olha, para ficar comigo você tem que ser no mínimo o máximo.
Gostam tanto de ostentar o rótulo de ex-casada que nem precisa ter sido casada de fato. Morou cinco meses com um sujeito e pronto, foi casada.
O engraçado é que todas essas adeptas do orgulho "já fui casada", que compete um certo ar de maturidade à elas, são extremamente imaturas.
Menininhas brincando de casinha e desfilando futilidade travestida.
Como dizia um saudoso amigo:
- Meus sais, onde estão meus sais?
Assinar:
Postagens (Atom)