
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Tênis x Frescobol

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Eu te amo! (e nem vou cobrar nada por isso)
O sexo vende. E muito. Milhões de sites de internet e a Rede Globo sabem muito bem disso. Mas e o amor? Não seria um produto negligenciado?
Depende do tipo de amor. Temos claramente dois tipos de amor. O amor clássico é aquele legítimo, que faz rir, chorar, que abre a porta do carro e vai no estádio de futebol mesmo sem gostar. O outro é o verbalizado, aquele que é apenas falado, sem significado necessário, que decepciona, dá esperança, esquece de ligar e finge que está dormindo.
O Amor, assim verbalizado está em alta, e o amor legítimo está em falta. Ainda que Adam Smith tenha nos mostrado que quanto menor a oferta maior a procura, o amor legítimo está tão ausente que já se tornou um tipo de lenda urbana.
- Sabe o Rui?
- Que Rui?
- O Rui, primo do Claudinho.
- Claudinho….
- Aquele amigo da Mari, gordinho que usa dockside.
- Ah sei.
- Os pais deles são casados há 50 anos e ainda se amam.
- Você os conhece?
- Não, mas a Fê, irmã da Mari disse que já os viu uma vez.
Como quem compra guia de cidades as quais nem sabe se vai visitar , as pessoas se conformaram com a verbalização do Amor, com a oferta de uma promessa de algo que não acontece, mas não deixa de ser desejado Amor como diria o povo, vende igual pão quente.
O mercado é amplo. Historicamente, as mulheres são compradoras em potencial e os homens vendedores. É verdade que o mercado mostra uma tendência de inversão dos públicos. A troca é constantemente praticada também. Ainda que nem sempre os negociantes cheguem a um acordo:
- Pati, eu esperei muito pra dizer mas acho que é a hora.
- O que Michel?
- Eu te amo!
- …
- …
- Eu amo passar tempo com você.
O mercado é muito promissor. As aplicações são infindáveis. O produto tem atributos indiscutíveis. Não é perecível.
- Você me ama môr?
- Claro bebê.
- Quanto você me ama?
- Te amo pra sempre bebezinha, agora faz minha massagem.
Tem grande potencial no atacado.
- Mas você disse que me amava.
- E amo.
- E porque tava beijando aquele cara.
- Porque eu amo o Júlio. Mas também te amo Té. Você não acredita que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?
- Não!
- E o que você me diz daquele nosso menage, então?
- Errr….é…!?
O mercado paralelo também se aquece. Genéricos e similares são bem cotados no mercado. Diversifica-se para se atingir todo poder de compra. Por uma pechincha se consegue um “Gosto de você”, num investimento razoável pode-se obter um “Te adoro muitão” e apostando um pouco mais alto se fatura possivelmente um “Te adoro muito-muito-muito-muito-infinito”.
- Mas já?
- Acha cedo?
- Aliança depois de dois dias cara. Acho rápido demais.
- Eu também achava. Mas depois do que ela me falou.
- O que?
- “Te adoro um montãozão”. Isso é bastante né?
Ainda existem poucos puristas que acreditam no legítimo amor, que invariavelmente se tornarão um grupo altamente restrito (algo parecido com os fãs de Star Trek). Não vendem seu Amor verbalizado nem pelas causas mais nobres.
- E aí, já transou com ele?
- Não. Tá doida? Ele nem disse que me ama ainda!
Observando tudo isso podemos projetar o Amor como a mercadoria do futuro. Quer premiar? Dê Amor. Não sabe onde investir? Ações de Amor. Chega sua fatura do cartão de crédito. Você olha seu programa de milhagem: “Parabéns, até esta data você acumulou 50.000 milhas, entre em contato com nosso SAC e efetue a troca por uma TV de 29 polegadas, um sistema de Home Theather ou uma declaração de Amor de um de nossos atendentes”. Vão sobrar TVs e Homes.
O Amor estará finalmente na casa de todos que se dispuserem a pagar o preço. Logo, o ser humano não vai ter mais o que buscar, e sem propósito tende a parar, estagnar. O Amor estará banalizado.
- Eu te amo.
- Grande merda.
A esperança vai então residir naquele pequeno grupo restante, a ordem do legítimo amor, ou algo do tipo, com aqueles poemas estranhos e mania de pedir licença podem, quem sabe, devolver nossa esperança.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Heim?!
Um jovem comum vê uma morena muito bonita dançando e se enfeitiça por seu jeito, seu corpo, seu rosto, suas pernas … ahhh!
Ele sabe que todo o seu futuro mudaria se conquistasse aquela mulher. Não importa o que ele dissesse, ela teria que ser dele. O destino havia os apresentado, e ele não deixaria essa oportunidade passar.
Sem maiores rodeios ele se aproxima dela e com um sorriso de canto de boca diz:
-Olá … vo-você vê-vêm sempre aqui ?!-Heim ?!
CORTA!
CENA 32 TAKE 02. EXTERNA. DANCETERIA BADALADA - NOITE
Um jovem comum vê …
Sem maiores rodeios ele se aproxima dela e com um sorriso de canto de boca diz:
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Err … eu não sei dançar.
-Heim ?!
CORTA!
CENA 32 TAKE 03.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Você não acha que essa verruga peluda atrás na minha panturrilha direita é muito feia ?
-Heim?!
CORTA!
CENA 32 TAKE 04.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Sabia que eu vim aqui falar com você pelo mesmo motivo!
-Hehehe … Adoro homens com senso de humor!
-Pois é, o Almeida diz que eu sou uma avestruz, mas eu adoro mesmo suflê de batata com chouriço !
-Heim?!
CORTA!
CENA 32 TAKE 05.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Sabia que eu vim aqui falar com você pelo mesmo motivo!
-Hehehe … Adoro homens com senso de humor!
-Chega mais perto então …
-Hmmm … Você até que não é dos mais difíceis. Você até que dança direitinho.
-Isso é porque você ainda não me experimentou na cama, beibe…
-Heim?!
CORTA!
CENA 32 TAKE 06.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Sabia que eu vim aqui falar com você pelo mesmo motivo!
-Hehehe … Adoro homens com senso de humor!
-Chega mais perto então …
-Hmmm … você até que não é dos mais difíceis. Você até que dança direitinho.
-Você é que é ótima.
-Isso você só vai saber se me experimentar …
-Opa - garçom!- traz garfo, faca e guardanapo que hoje vou comer até vomitar !
- Heim ?!
CORTA!
CENA 32 TAKE 07.
-Olá … sabia que eu adoro essa música ?
-Eu também … quer dançar comigo ?
-Olha, não sou dos melhores, mas adoraria dançar com você !
-Tudo bem, gostei de você.
-Mesmo?! Sabia que eu vim aqui falar com você pelo mesmo motivo!
-Hehehe … Adoro homens com senso de humor!
-Chega mais perto então …
-Hmmm … você até que não é dos mais difíceis. Você até que dança direitinho.
-Você é que é ótima.
-Isso você só vai saber se me experimentar …
-Hmm …
E sem falar nada ele beija (finalmente !) a mulher que mudaria sua vida.
-Nossa … que beijo bom, gato!
-Foi você quem me inspirou …
-Ai … seu bobo!
-Sabe de uma coisa?
-Não, o quê ?
-Eu ainda não sei seu nome, linda.
-É …. Jaílton!
-Heim ?!
CORTA!!!
sábado, 24 de janeiro de 2009
Desregrado
Terei que desaprender. Ou aprender ao contrário. Algo como o gato do João Grilo do Auto da Compadecida, que vendeu um gato que "descome" dinheiro.
Depois do banimento do Gerúndio do Distrito Federal, eis que o Governo Brasileiro ratificou a reforma ortográfica, para azar de muitos.
Confesso que estou meio confuso com a coisa toda. O Trema fará companhia ao Gerúndio sabe-se lá onde. Provavelmente na Alemanha.
Já que tranqüilo não tem mais trema, fico "trankilo". O Português foi colocado no likificador. E os meus ideais perderam-se nas ideias, e não mais idéias, dos que quiseram a tal reforma. Um ato nada heroico contra as paroxítonas que terminam em ditongos.
Inclusive, logo nem mais saberão o que é ditongo, tritongo e hiato.
Caso eu estivesse na reunião que decidiu tais reformas, diria:
- Pára tudo!
Ao que responderiam:
- Não! O correto é para tudo.
Para tudo o quê? A frase, sem o acento, fica sem sentido para quem lê, pois para quem fala está tudo bem, tudo normal.
Pôxa, convenhamos, há uma crassa diferença entre um e outro para. O coitado do pára-brisa não vai mais parar nada. Ele tem que parar e não ser algo para brisa. A brisa precisa ser parada e não ganhar algo. Daqui a pouco a brisa vai querer presente de Natal.
E os acentos? Para onde é que vão os acentos exilados? Será que eles ficarão no limbo eterno junto com o gerúndio que foi deportado pelo governador do Distrito Federal?
Gente, os voos já são com atrasos, agora serão sem acentos também?
Como tirar a acentuação da feiura? Há feiuras que são acentuadíssimas.
O que era pólo, agora pode ser frango em espanhol: pollo.
Agora, pior de tudo é como algumas frases podem ficar. Por exemplo, até o ano passado você, ao ser chamado por alguém e não podendo atender no momento, diria: "péraí". Agora, com as regras, os acentos caem, e, a mesma palavra, fica: "perai". Lendo, dando enfoque na letra ‘a’, não quer dizer nada. Porém, uma segunda leitura, passa a impressão de se oferecer a fruta pera, que teve o seu acento podado também.
Eu nunca mais serei o mesmo sem os acentos, sem os hífens e, principalmente, sem os tremas.
Agora, tanta coisa pra reformar como o Código Penal, a estrutura política do país, a casa da Dinda, a casa da mãe Joana, vão reformar justamente a língua portuguesa?
Agora, no RAIO dos ‘porques’ ninguém mexe. Por que será?
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
O Sorriso de Seu Corpo

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Como dizer não?
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
After-Taste

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Friends
- Alô.
- Alô.
- Oi.
- Então…
- Calma. Aconteceu alguma coisa? Porque você está me ligando?
- Nada.
- Então?
- Então, sabe aquele episódio do Friends, que o Ross e o Joey…
- Dormem juntos no sofá?
- Isso!!!
- Sei.
- Aquele episódio está no seu Top 5 de todas as temporadas.
- Fácil! É muito bom, principalmente quando o Joey admite pro Ross…
- Que foi o melhor cochilo da vida dele!
- É! E no fim o Chandler ainda pega os dois repetindo a soneca.
- É!!! Esse final é fantástico.
- Muito. Mas, porque está falando disso?
- Ah, porque hoje eu estava com um pessoal que nem achava tão bom, na verdade alguns deles nem lembravam desse.
- Como assim não lembravam? Esse é um clássico.
- Não é?
- Muito. Junto com aquele que o Chandler não consegue tirar foto pro casamento, ou aquele do “Is this friendship?”
- “I think so!” Nossa, muito bom esse também.
- Fantástico.
- Ah que bom. Estou mais tranqüila agora.
- Que bom. Sabe o que eu lembrei?
- O que?
- Esses dias estava numa balada, e do nada surgiu um papo sobre natureza, e como o verde é bom, essas bobagens. Numa boa, todo mundo concordando.
- Que bosta.
- Não é?
- Muito. Eu também vivo encontrando com gente que adora cavalo, boi, e ainda dizem que suas comidas preferidas são salada de pepino.
- Qual o problema dessa gente? Nunca comeram um bom hamburger?
- Ou uma pizza congelada antes de dormir?
- Duas né.
- Ok, ok.
- Putz. Bem lembrado. Faz séculos que não como pizza congelada.
- Eu também.
- Acho que desde que…
- …nós terminamos.
- É.
- É.
- Você está bêbada?
- Muito.
- Eu também.
- É a vida.
- É.
- Então tá bom.
- Boa noite.
- Boa noite.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Sou legal, não tô te dando mole

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Top secret
- Como assim quem eu tirei? Isso é pergunta que se faça?
- Pô diz aí. Vai ficar de frescura?
- Não é frescura. É amigo secreto. Coisas secretas devem ser mantidas em segredo.
- Ah! Frescura!
- Se é frescura fala o seu então.
- O meu o quê?
- O seu amigo secreto. Quem você tirou?
- Eu falo o meu se você falar o seu.
- Eu falo o meu se você falar o seu.
- Fala o seu primeiro.
- Não fala você.
- Não, eu perguntei primeiro.
- Então eu não falo nada.
- Então ta.
- Então ta.
- ...
- ...
- Fala aí vai.
- Mas que saco.
- Por favor
.- Mas porque você quer tanto saber.
- Porque sim.
- Me dá uma boa razão que eu falo, do contrário não.
- Não sei se poderia te falar.
- O que? O que você sabe?
- Não posso dizer.
- Porque não?
- Poderia te envolver demais nisso.
- Nisso o que minha nossa senhora?
- Sabe o que é...
- O que?
- É uma parada secreta entende?
- Que parada? Me conta cara, você está desconfiado de alguma coisa?
- Bem, não sei se eu poderia te falar maas...
- O que, o que?
- Eu suspeito que os resultados foram manipulados.
- Manipulados? Mas como assim?
- Acho que o sorteio não foi isento.
- Isento?
- É.
- E o que isso significa.
- É o que estou tentando descobrir. O Jader disse isso pra mim e não tenho idéia do que ele quis dizer, mas pretendo descobrir.
- Parece grave.
- Ô!
- Nossa.
- É.
- Salafrários.
- Nem me diga.
- Precisamos apurar isso.
- É, me diz aí quem você tirou.
- Não posso.
- Porque não? Você acabou de dizer que temos que apurar isso.
- Eu sei, mas...
- Mas o que?
- Você pode ser um deles.
- Eu? Um deles? Como assim?
- É. Você sabe demais.
- O Jader que me contou.
- Isso é o que você diz.
- Ah vai. Pára de bobagem.
- Não é bobagem. Não posso tomar nenhum partido antes de saber com quem estou lidando.
- Como assim saber com quem está lidando? Sou eu pô!
- Será?
- Será o que?
- Que é você.
- Lógico que sou eu. Você não me conhece?
- Não sei cara. Nesses jogos de espiões tudo é possível.
- Cara, o que você está falando? Que espião? Estamos falando de um amigo secreto.
- Exatamente.
- O que?
- Secreto. Sei como essas coisas são levadas a sério.
- Como assim levadas a sério? Nós usamos um guardanapo de bar para escrever os nomes.
- Pode desistir que você não vai conseguir me confundir. Sei o que está tentando fazer.
- Não estou tentando fazer nada.
- Conheço suas técnicas. Sou perito. Assisti Missão Impossível.
- Ah cara, então ta bom. Quer saber, não fala nada, você vai ver.
- Vou ver o que?
- Aguarde.
- Aguardar o que? O que você vai fazer?
- Você verá.
- Me fala cara. Não vou ficar tranqüilo assim. O que você quer dizer com isso?
- Represálias virão. Nós não ficaremos passivos diante disso?
- Represálias? Nós? Passivos? Não! Como assim? Eu não disse nada.
- Você não sabe com quem está lidando.
- Por favor, tenha misericórdia. Perdão
- Agora é tarde.
- Não faça isso comigo, eu tenho muito pra viver ainda.
- Deveria ter pensado nisso antes.
- Me fala, por favor, o que faço para me desculpar. Faço qualquer coisa.
- Qualquer coisa?
- Qualquer coisa.
- Então me fala uma coisa. Quem você tirou?
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
O que não dizer no fim de um namoro
E nessas, o Rogério diz:
- Cara, o que é que um amigo não pode dizer ao outro quando o outro termina um namoro?
- Ah. Sei lá. Algo como: se ferrou.
- Sim! Essa é uma delas.
E a idéia começou a fluir na minha cabeça crônica. E de fato, amigo que é amigo tem, algumas vezes, umas frases não infelizes; porém demasiadamente sinceras.
O tal do "eu já sabia" é uma das céleres frases.
O cidadão chega, todo choroso dizendo que a dita cuja terminou porque está apaixonada por outro. Há dor-de-corno pior que essa? O moço está no esgoto fétido e você, com cara de açougueiro diz: "Eu já sabia". É a morte! É pedir suicídio do amigo, pô!
Mas mesmo assim você fala. Com requintes de crueldade.
Outra frase clássica é: eu não te disse?
Isso está diretamente relacionado com previsões da Mãe Dinah e de Nostradamus. Parece até, que o cidadão é discípulo de um dos dois ou, pior, tem genes de algum deles. Na verdade, o que há é uma "goração" (que provém do verbo gorar) amiga.
O fim de um relacionamento é provocado, muitas vezes, pelo tédio. E não há coisa mais tediosa do que aquele amigo que cutuca a ferida cálida. Mas amigo serve para isso mesmo. Para lembrar o tédio do namoro, da relação amiga. Para te entediar ainda mais.
Mas antes do desabafo amigo, há frases que, decididamente, não podem ser proferidas num término de namoro. Frases que, mal colocadas, causam inúmeros traumas, celeumas.
- Você é como um irmão, um pai pra mim.
Nunca me disseram isso, mas dependendo da interlocutora seria capaz de cometer verdadeiros incestos. Há mulheres que compensam o crime e que são um pecado de não de não se ficar junto.
- O problema não é você. Sou eu.
Essa é a maior mentira. É claro que o problema é a parte terminada, gente! Senão a coisa não terminaria, oras! Isso é, simplesmente, uma maneira mais cordial de se terminar algo que já está falido.
- Não da mais!
Essa é e frase mais sincera. Curta. Dolorosa. Porém certeira. Com destino certo e finalidade imediata.
- Não dá mais.
É o fim. Nada é para sempre. Nada é eterno além das lembranças que acalentamos no peito.
- Não da mais.
E não há como ser diferente, pois a (in)diferença os separa.
- Não da mais.
E só o outro não sabe que não tem volta.
- Não da mais.
Porque não há como fazer diferente.
- Não da mais.
Pois os argumentos são inválidos.
- Não da mais.
Simplesmente não tem como. E o difícil é aceitar os domingos vazios. Os sábados sem os beijos. O motel e a cama vazia simplesmente, porque não da mais.
Não há mais.
E isso não dá letra de música, eu acho
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Seguro do Carro
- Bom dia, com quem eu falo?
- Calabria. José Calabria.
- Como posso ajuda-lo senhor Calabria?
- Eu queria fazer o seguro do meu carro.
- Perfeito. Vou fazer algumas perguntas para traçar o seu perfil, certo?
- Certo.
- Qual o modelo do carro?
- Corsa, comum, 2004.
- Modelo e fabricação?
- Sim.- Tem trio elétrico?
- Sim.- Funciona?
- Lógico, porque o interesse?
- Por que se não funcionasse, nada de seguro. Qual a sua idade?
- Quarenta e dois anos.
- O senhor mora sozinho?
- Não, com a minha esposa e meus dois filhos.
- Qual a idade deles?
- Ela, trinta e cinco. Os dois são gêmeos, vinte e quatro anos cada.
- Eles dirigem o carro?
- Nunca. Nem encostam. Deus me perdoe.
- O senhor guarda o carro onde durante o dia?
- Estacionamento da empresa.
- E durante a noite?
- Estacionamento no prédio.
- O Senhor sai muito?
- As vezes.
- E onde o Senhor deixa o carro?
- No manobrista, sempre.
- O senhor sabia que 50% dos manobristas estaciona os carros nas ruas ao invés de estacionamentos?
- Não. Vou tomar cuidado.
- O Senhor bebe muito?
- Qual a relação disso com o meu seguro.
- O senhor sabia que 40% dos acidentes de carro são provocados por motoristas alcoolizados?
- Não, mas vou continuar bebendo.
- Muito bem senhor, vou fazer a simulação do custo do seu seguro.
José Calabria era um homem muito paciente, depois que havia sido demitido teve que aprender a fazer tudo que a secretária dele fazia para ele. Pensava, devia ter dado aquele aumento. Eu estaria na vida boa ainda e ela não teria me denunciado.
- Pronto Senhor. São sete mil reais.
- ...
- Senhor?
- Isso é um terço do valor do carro.
- Sim, mas o senhor foi enquadrado no grupo de alto risco de sinistro.
- Como assim?
- O senhor bebe e usa o carro.
- Como é que é? É lógico que eu uso o carro.
- E bebe.
- Bebo muito pouco.
- E usa o carro todo dia. O caso do senhor é difícil, eu compreendo.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Qual a senha?
Para entrar no quarto onde os primos falavam de meninas e compartilhavam um surrado exemplar da Revista do Homem era necessário uma senha. A senha podia ser uma seqüência de batidas na porta sempre trancada ou uma palavra qualquer outorgada normalmente pelo mais velho e que devia ser sussurrada pelo buraco da fechadura.
Ganhar o direito a saber a senha era preciso uma espécie de ritual, uma iniciação. Lembro que uma das tarefas arriscadas que tive de cumprir para conseguir uma senha foi surrupiar um bom pedaço do pavê de amendoim da minha tia e levar para os conspiradores encerrados em seu esconderijo. Fui bem sucedido no furto do pavê, mas não ganhei a senha. Crianças são cruéis umas com as outras.
Acho que vem daí a minha bronca com senhas. E, vejam só, fui ser adulto exatamente na época da evolução na qual as senhas dominam. Nada sortudo.
Somos obrigados a possuir dezenas de senhas, mas não podemos anota-las em lugar nenhum. É perigoso anotar senhas. O jeito é guardar na cabeça, mas conforme o tempo passa, as senhas vão ficando mais sádicas.
Poderia ser fácil, como padronizar as senhas. Vamos supor, a senha do banco – 2008. Esta senha poderia ser usada para acessar a caixa de e-mails, para acessar a área restrita da sua operadora, para desbloquear o cofre, para ligar o carro.
Mas não! Para o e-mail a senha tem que ser alfanumérica. Para a operadora não pode ter números. Para o carro não pode números iguais e para o cofre o mínimo de dígitos são seis.
O resultado é que você tem que decorar dezenas de senhas diferentes. E não pode anotar!
Eu possuía quatro contas de e-mail de provedores distintos. Um deles caducou, já que eu não usava há tempos. Dois eu uso com bastante freqüência, o que deixa as senhas sempre vivas na memória. Mas a quarta era dedicada apenas a assuntos burocráticos da empresa, e que só é necessário acessar caso surja algum problema.
Pois bem, surgiu um problema e fui acessar o maldito e-mail. Depois de dois anos obviamente eu não lembrava da senha. Tentei todas as hipóteses possíveis de senhas que minha cabeça estranha poderia inventar, mas não obtive sucesso.
Então, para minha alegria, descobri que é possível você recuperar a sua senha mediante uma identificação positiva, como ele dizem. Fui seguindo os passos, fornecendo data de nascimento, nome completo, tipo de sangue e cor preferida.
Até que cheguei na última pergunta que finalmente traria minha senha à luz: Lugar onde conheceu sua mulher.
Como assim? Que cazzo? Eu não sou nem nunca fui casado!
Tentei algumas alternativas, como bar, restaurante, rua, zona, igreja, festa do caqui. Nada.
Fiquei sem minha senha, sem minha conta de e-mail e sem saber onde conheci a minha mulher.
Realmente, como alguém já disse, a informática surgiu para resolver problemas que antes não existiam.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Mulher tem que ter pegada
domingo, 12 de outubro de 2008
Iluda-se menos, viva mais
Para aqueles que não conhecem, ainda, essa é a frase que abre a música "Tocando em Frente" do Renato Teixeira. Confesso que não sou fã de sertanejo, por isso, não confundam Renato Teixeira, Almir Sater e Rolando Boldrim com essas porcarias que, vira e mexe, ouvimos no rádio.
O fato é que tenho percebido amiúde, uma onda avassaladora de reclamações relacionadas a namoros, casamentos, noivados e afins. Gente, convenhamos, há gente boa no mercado, vai? É só procurar que você encontra.
O problema é que geramos expectativas demais no outro. Nem homens nem mulheres são culpados mas, na verdade, nós mesmos. O outro lado da moeda.
Se você levou um pé na bunda, levante-se, empine o nariz, estufe o peito, olhe pra cima, respire fundo e olhe só pra frente. Pare de se lamuriar pelo passado, pare de se iludir se ele ou ela te ligou, pois não querem mais nada com você. Só ligam, com certeza, pra ter uma boquinha disponível quando bate a carência, só isso, nada mais.
Claro que, pra toda regra, sempre há raríssimas exceções. Mas, geralmente, essas exceções estão comprometidas e, se você já teve uma exceção em sua vida e não soube aproveitar, se deu mal. Certas coisas acontecem só uma vez na vida. Ou você acha que todo mundo é igual ao João Alves que ganhou milhares de vezes na Mega-sena? Não, né?!
Gente, carpe diem! Aproveitem o que o presente (que nada mais é do que um presente mesmo) lhes proporciona. Chega de viver de um passado que só serviu para aprendermos. Só isso. Temos que saber tirar proveito do que passamos para viver, plenamente, o presente e projetar o futuro.
Se ele ou ela não te liga mais, não te procuram mais, azar o dele! Pense que, quem perde essa pessoa maravilhosa, cheia de carinho pra dar, é somente o outro, não você. Valorize-se!
Infelizmente, pessoas ansiosas sofrem demasiadamente por quererem tudo muito rápido. Amam rápido e "desamam", também, rápido demais.
Se você quer o príncipe encantado ou a princesa, pare de procurar. Deixem que eles mesmos te achem. Não vale a pena atirar pra tudo o que é lado testando. Fique na sua. É a melhor coisa que faz. Procurar, sair à caça, cansa.
Maturidade... isso é que o falta hoje em dia. Infelizmente não há pessoas maduras o suficiente pra encarar um relacionamento sério. Vale mais a pena as baladas, os perdidos nos namoros do que, realmente, se comprometer.
É por isso que eu concordo com Vinícius de Moraes, com seu estilo de vida. Amem todas e deixem que elas o procurem. Isso vale tanto pra homem como às mulheres. Afinal de contas, vale mais a pena viver ao se iludir, mesmo sabendo que a dor é inevitável, mas o sofrimento é, meramente, uma opção nossa.
sábado, 4 de outubro de 2008
É 0 @m0®
Os primeiros dias foram mornos. Aos poucos iam se conhecendo. Ele gostava de música black, ela também. Ela odiava trabalhar, ele (e a torcida do flamengo) também. Ele gostava de caipirinha de morango. Ela fingia que também.
Logo, ligavam o computador correndo, procurando o ícone dos bonecos azul e verde, a primeira coisa que faziam eram se logar. Meio inconsciente. Só meio. Brincavam com as palavras, falavam de vários assuntos, relacionamentos, família, relacionamentos, amigos, relacionamentos, etc.
Pouco tempo passa e já não desligavam os computadores. A janela de Chat ficava permanentemente aberta. As fotos, mensagens pessoais, emoticons, tudo a favor da interação. Entre os dois apenas. Tati largou o apelido de batismo e se tornou Julieta.
Foi a deixa perfeita. O novo nick foi a gota d’água. Não podiam mais fingir que nada estava acontecendo. Tinham que deixar a natureza seguir seu curso. Sentiram enfim a coragem para a primeira vez. Perderam suas virgindades virtuais. Virou vício. Era o casal mais ousado de toda web.
Daí pra frente tudo foi conseqüência. Se é tão bom online, como será offline? Marcaram em um barzinho no meio do caminho. Muito frio na barriga. Como se tivessem voltado a adolescência.
Sentaram em uma mesa encostada na parede. Em cima dela apenas um grande cinzeiro prateado. Acenderam os cigarros aguardando a movimentação do outro. Não havia. O silêncio dessa vez era bastante constrangedor. Não a toa, Romeu foi ao banheiro 12 vezes em 7 minutos. Na décima-segunda no entanto, teve uma epifania. Ela percebeu em seus olhos que algo tinha mudado, sentiu que ele poderia salvar a noite que parecia estar destinada a destruir toda a mágica de Romeu e Julieta.
Ele olhou no fundo dos olhos de Julieta e com muita calma e cuidado se preparou para explicar. Respirou fundo, lembrou de todos os insucessos da adolescência, das infrutíferas investidas e alguns tapas na cara. Soube que não conseguiria, as palavras não iriam sair. Só havia uma solução. Sacou o celular e disparou seus torpedos. A agilidade no teclado impediu o início do constragimento.
Foram embora para suas casas, de olho na telinha dos smartphones, com maior certeza de seu amor.
sábado, 27 de setembro de 2008
Guia prático
Desculpem o tom, mas paciência tem limite.
Encoxar a mãe no tanque, acidente de Fenemê na Dutra e dizer “pra mim fazer” são das coisas mais feias que se pode imaginar. Mim não faz nada! Mim não vai! Mim não vem! Essa regra não é difícil, não há desculpa para errar. Mim não faz!
Muita gente já estranhou a palavra encoxar, que escrevi ali em cima. É encoxar mesmo, com xis! Significa colocar a parte anterior da sua COXA na parte posterior da COXA de outrem. Não escreva “encochar”, a não ser que no planeta de onde você veio as pessoas possuam um membro chamado “cocha”. Sem dizer que nunca encontrei a palavra encoxar em dicionário nenhum. Então se é pra inventar palavra, invente com o mínimo de bom senso.
E se você hesita para escrever “hesite”, saiba de uma vez por todas que exite não existe! Pode existir exit, em inglês, mas o significado não bate. Sei que no vídeo-game e no shopping ta escrito exit para tudo o que é lado, mas hesitar, no sentido de vacilar, duvidar, é com agá e ésse!!! Hesite! Veja que palavra bonita!
Depois de uma certa campanha, vejo que o uso do “menas” caiu bastante. Se você ainda fala “menas”, então é melhor procurar um psiquiatra.
A propósito, se você, menina, acha que está meia gordinha, ou que está meia com fome ou que está meia estranha, saiba que além de gorda e feia, você também é burra. Não vou explicar a regra, porque se você fala meia isso e meia aquilo, a regra gramatical te cairá como um hieróglifo. Seja apenas meio gorda e meio feia, por favor.
Ah, e SEJA, viu? Não seje, nem esteje. Dá nojo de pessoas que falam seje e esteje. E essa vale pra todo mundo.
Também existe uma campanha para acabar com o gerundismo. Se você ainda não foi curado lembre-se que cada vez que disser que vai estar fazendo alguma coisa, sua imagem perante a sociedade vai se tornar cada vez pior. Faça um exercício básico, agora mesmo, vamos lá: repita três vezes “Vou estar, vou estar, vou estar”, várias vezes ao dia. Torne isso um mantra maldito. “Vou estar, vou estar, vou estar”. Coloque na sua cabeça que isso é errado, isso é pecado, isso é feio.
Para quando você, sem perceber, for cometer um gerundismo, ao chegar no “vou estar” lembre do mantra maldito e desista dessa idiotice. Troque, por exemplo, o “vou estar fazendo o possível” por simplesmente “vou fazer o possível”. “Vou estar mandando uma cópia” por “Vou mandar uma cópia”. Bem mais bonito, não? Bonito e correto. Vamos lá, de novo: “Vou estar, vou estar, vou estar”.
Dia desses fui à uma assistência técnica e a estúpida da balconista me entregou um papel para “anexar junto do aparelho”. Se é minha funcionária, boto na rua na hora, e por justa causa.
Quando for à padaria ou supermercado, tome o cuidado pra não dar vexame. Você gosta de passar vergonha em público? Acredito que não. Então sempre peça duzentos, trezentos, quatrocentos gramas do que quer que você queira colocar no seu pão. O grama é peso. A grama é onde não pode pisar. Ainda na fila, crie a frase na sua cabeça: “Duzentos gramas de presunto, por favor” DUZENTOS. Tenha fé, as demais pessoas não irão rir de você.
Sem querer ser arrogante ou coisa do gênero, mas se o seu vocabulário contempla vários desses exemplos aí de cima, imprima este texto e leve com você no bolso ou na bolsa. Tão útil quanto camisinhas e absorventes.
Perdões novamente pelo tom, mas paciência realmente tem limite.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Um novo Homem
Bela descrição para tempos atrás. Hoje o homem evoluiu. Sente, ama, chora. E que evolução podemos dizer. Afinal negar instintos é um atraso incalculável. “Oh yes i was a great pretender!”. Mas não finjo mais.
O novo homem gosta de falar que ama, não deixa de assumir quando está com medo e amigo-irmão merece beijo no rosto. Lógico que sem boiolice. “Sô macho pô”.
Isso é tanto verdade que os papos nas mesas de bar andam mudando. Os homens não procuram mais a maior quantidade e sim qualidade. Frases como “Vamo catá as catiroba!!!” estão dando lugar a “Preciso arrumar uma mulher direita”.
O espírito de coletividade continua como sempre mas foi desviado para novos usos. Em vez de ” Vou agitar aquela perva pra você” ouve-se “Cara, eu não vou deixar você cair no mundo da putaria de novo.”
Existem novos homens compromissados também. Hoje em vez de aproveitar qualquer brecha pra sair escondido, faz questão de levar a cônjuge ou ao menos avisar onde, quando e com quem vai. Não por controle e sim por respeito. O novo homem compromissado já deixa a mulher sentindo saudade. Ele aprendeu a valorizar pois sabe que a demanda está altíssima mas a oferta mínima.
Por tudo isso, mulheres deliciem-se, pois cada vez mais encontramos homens que ligam pra dizer que estão com saudade, correm de mulheres prosmícuas e só esperam por você pra dizer: “Eu te amo”. Mas preparem-se, pois se um dia você estiver num sítio, ouvir um barulho e pedir pra ele ver o que é não estranhem se ele estiver embaixo da cama.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Pedido eleitoral
- Dá pro senhor arrumar um emprego.
- Tenho essa lixa de unha aqui, ó. Faça a unha. Inclusive, dê uma limpadinha que ela está bem sujinha.
- Mas senhor...
- Tome esse adesivo pra você colocar no seu barracão também. Vai me ajudar a fazer propaganda. Preciso que divulguem o meu nome. Principalmente na periferia.
- Mas eu quero um...
- Acho que você está meio tenso, quase depressivo. Tenho esses remédios vencidos aqui. Podem te ajudar. Eu ganhei de um farmacêutico que patrocina a campanha. Ah, tenho umas amostras grátis aqui também, fica com você. São todos genéricos, tá?
- Ô dôtor, eu preciso é de um emprego.
- Pega essa camisa aqui. Tem uma foto minha nela. Não estou bonito? Olha que sorriso branco eu tenho, não é mesmo?
- Sim, claro...
- Brigadu. Só porque você me elogiou, leve essa cesta básica aqui. Ela sobrou do comício que fiz ontem. Leva pra sua casa que já garante um mês de comida lá.
- Dôtor...
- Fio, essa cesta básica é das boas. Tem doces, nozes, macarrão... Tem bolachas doces e salgadas pros seus dez filhos. Aí dá pra distrair os moleques enquanto você assiste o jogo de futebol.
- Mas é de empre...
- Fica com esses litros de leite aqui também. Estão quase azedando, já. Leva pro seu barracão e se achar melhor, divide com o pessoal do morro. Não esquece de dizer que fui eu que dei, hein? Senão eles não votam em mim. Leva logo esse leite antes que estraguem filho.
- É que...
- Não tá contente? Tudo bem, brasileiro é assim mesmo. Leva esses agasalhos, vai. Estão quase novos. Tá certo que tem uns rasgos aqui e ali, mas estão limpinhos. Fora que você não vai depender dessas campanhas do agasalho. Você tá vendo como tô te ajudando?
- Eu quero trab...
- Já sei o que você quer também. Como eu sou burro! Toma esses cinqüenta reais aqui. Você tem que se divertir também, pôxa! É um direito constitucional isso.
- Dôt...
- É verdade, cinqüentinha é pouco. Vou fazer uma vaquinha aqui com os meus assessores pra te dar mais uma graninha, o que acha?
- Mas...
- Eu sabia que você iria adorar. Pra não falar que só penso em dinheiro, pega esse cheque aqui. Eu iria doar pro Fome Zero, mas como eu sei que eles não iriam descontar, fica pra você. É uma doação que tô te fazendo, uma caridade e não quero nada em troca, só seu voto e da sua família, e dos seus amigos e todo mundo que você conhecer, viu? Viu como eu tô sendo bonzinho? Olha quanta coisa boa eu já te arrumei, tá vendo?
- Mas e o empreg...
- Tá, vai! Toma aí esse chaveiro. Coloca a chave do cadeado do seu barraco. Já faz mais uma propaganda. Que delícia é ajudar os pobres, isso me lava a alma.
- Mas e o meu emprego? Eu só quero trabalhar, dôtor.
- Emprego?
- É! Isso mesmo. Arranja um pra mim?
- Acho melhor fazer como eu, viu?
- Ahn?
- É! Se candidate.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Quando começa um namoro?
Começar um namoro é mais difícil que começar a escrever um texto. E ambos têm aquela coisa de desejo.
Quando você começa um texto, você já tem a idéia mais ou menos pronta na cabeça e quer ver já pronto, mostrar para alguém a obra. Tem gente que já sabe até como terminará, já tem o parágrafo final, a sacada genial, a piada e o desfecho ideal à idéia. Mas, começar, saber o primeiro parágrafo e, pior, como intitula-lo, aí é que a coisa desanda.
Para namorar é a mesma coisa.
Como alguns têm medo da palavra, do rótulo de ‘namorados’, já vi casais que começaram pela ordem inversa: casaram, depois noivaram, namoraram e, no final, resolveram se conhecer até, meses depois, só ‘ficar’. Parece exagero, mas não é.
E há muito casal por aí que nem sabe que está na fase de ‘namoro’ já estando. Há que se analisar os fatos.
Você está lá, todo cheio de si numa determinada festa. Começa a tomar umas e outras, fica todo simpático, alegre e entusiasmado. As pessoas começam a ficar mais bonitas e você suscetível a conversas mais... mais... rasas. Até que, aquela pessoa do sexo oposto que você lançou uns olhares no começo da festa, também olha pra você. É aí que surge, quase que incontrolavelmente, aquela IMENSA vontade de ir ao banheiro e, sabe-se lá Deus porquê, esbarrar, carinhosamente, na pessoa.
- Desculpa.
- Imagina. Não foi nada.
Depois disso, começa aquele papo besta e idiota de "você vem sempre aqui?"; "nossa, está cheio aqui hoje, né?"; "aceita um drink?"; "Vamos dançar?"; "Está sozinha?"; "Calor hoje, ahn?".
Geralmente, o outro acaba, dependendo do grau etílico, cedendo. E é aí que temos início de um pré-namoro. Sim, existe essa coisa de pré-namorada, semi-namorada, coisa e tal.
Pré ou semi-namorada ou namorado é aquela pessoa que preenche todos os requisitos básicos para se encabeçar um namoro, porém, ela apareceu no momento errado na sua vida. Você está naquele momento de querer curtir os amigos e outras amigas (!). Aí, se enroscar num relacionamento não é a coisa mais bacana com a outra pessoa.
Mas, via de regra, o namoro começa assim mesmo, sendo pré ou semi. E, quando se dá por conta, quando cai em si, já está namorando.
Tenho duas amigonas que já avançaram essa coisa de pré e semi-namoro. A Pri e a Nathy. Moçoilas de primeira linha. Faladeiras de plantão. E, a cada pergunta minha, uma bochecha vermelha de vergonha. Tudo isso para provar, mais que fundamentado, que já estavam namorando.
O questionário para saber se você tem um semi-namoro ou já está enroscado num relacionamento é básico. Esqueçam essa coisa de que o homem é obrigado a perguntar: "Você quer namorar comigo?", pois isso é coisa do passado, gente. A situação vai pelo olhar, ticando de leve a pele e, sem qualquer cerimônia, a pessoa já invadiu a sua vida e te controla.
Inclusive, controlar é uma coisa fundamental no namoro.
Pois bem, as perguntas são:
- Já foi ao cinema ver, mais de três vezes, um filme que é, simplesmente um lixo?
- Falam-se pelo telefone uma vez por dia?
- Mandam mensagens, que muitas vezes mais parecem verdadeiros tratados, pelo celular (ARGH!) mais de três vezes ao dia?
- Pagou uma dose de whisky ao melhor amigo da pessoa num barzinho para fazer média?
- Gostando de samba, foi num show de rock só para agradar ao outro? (vale o contrário também)
- Já arrotou, soltou um ‘pum’ ou vomitou (ok, é nojento, mas o Amor carece dessas provas) na frente da pessoa? (pode ser atrás também)
- Já colocou alguma fotinha dos dois juntinhos no orkut?
Se você disse sim a, no mínimo, duas dessas perguntas, eis o veredicto: está namorando! Na verdade, já está dominado.
Portanto, minhas amigas, vocês já estão namorando.
E, se você que me lê aí e respondeu ‘sim’ a quase todas, mas reluta em dizer que não namora, você é um semi.
Semi-canalha.