sábado, 30 de agosto de 2008

Alma gêmea, não posso esperar

Olá, aqui é sua alma gêmea. Sim, sou eu, aquela pessoa especial que só existe neste mundo para complementar você. Eu sou sua cara-metade. A tampa para sua panela. A pessoa mais importante que você pode ter ao seu lado na vida. Aquela pessoa. “A” pessoa. Eu. Moi. Me. Enfim, acho que você já entendeu.

Estou lhe escrevendo porque estou muito, muito preocupada com a sua demora em me encontrar. Essa demora está me matando. Eu quero acreditar que o destino irá nos unir no final, mas não estou muito segura disso. Você não está ajudando muito, alma gêmea. Não está.

Sabe aquele dia em que você não esperou a moça do caixa lhe entregar a nota fiscal, e saiu correndo pro teatro? É uma pena… se você tivesse esperado, perderia segundos importantes do seu tempo, você não conseguiria pegar o ônibus em tempo, o que faria você chegar atrasado para a peça. Ficaria do lado de fora, inconformado. E iria me encontrar, tão inconformada como você. Nós reclamaríamos do teatro, do trânsito, falaríamos de como é difícil encontrar peças boas e dos boatos sobre o sexo de Shakespeare. Acabaríamos num café charmoso, agradecendo por termos perdido o teatro e encontrado um ao outro. Mas…

Você não esperou a moça do caixa! Não esperou! Como pôde? Você não quer me encontrar? É isso?

E o curso de desenho artístico que você foi fazer? Errado! Muito errado! Se tivesse feito fotografia, teria me encontrado. Eu estava lá, na mesma escola. Poderíamos ter feito muitas coisas juntos. Tirar fotos um do outro. Ver as coisas por outro ângulo. Re-enquadrar nossas vidas. Mas não. Você quis fazer desenho artístico. E eu quis um caso com o professor de fotografia, que era um gato, achando que, dessa vez, era você. Só que não era.

Sabe aquele dia chuvoso, em que você saiu sem o seu guarda-chuva? E se eu estivesse passando por você na mesma calçada, preocupada com a chuva, e você tivesse como oferecer abrigo para mim? Você não pensa nisso, não é? E se naquele dia fosse eu quem estivesse de guarda-chuva para dividir com você, você não pode sair de casa com ele! Ou seja: saia de casa com guarda-chuva, sempre. Ou não, dependendo do dia. Você me entendeu.

Estou perdendo a paciência. É tudo tão aleatório… Você está lendo isso numa lan-house? Olhe pra trás, pode ser eu. Tsss… errou de novo. Alma gêmea, não demore. Olha lá, o professor de fotografia atravessando a calçada. Não sei se posso esperar…

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Bendita torrada

Era uma manhã rotineira na vida de José Mário. Matemático, professor de faculdade e ateu convicto até o apocalipse, comia religiosamente 2 torradas com manteiga e geléia de morango. (Deus me livre se não houvesse geléia de morango!) Era uma equação simples. Duas passadas de faca na manteiga sem sal e uma colherzinha de geléia aplicada com uma força X, suficiente para espalhar a geléia, mas não o suficiente para quebrar a torrada. José Mário necessitava segurar a torrada com uma força Y= -X, para balancear as forças evitando que a torrada caia no chão. Caso Y>-X, inevitavelmente a torrada cairá com sua face geleística voltada para baixo, exatamente como ocorreu nessa manhã aparentemente rotineira.

A regra universal que dita a sujeira no mundo desde a gênese diz que se um objeto cai e fica por menos de 5 segundo no chão, o objeto ainda estaria limpo e pronto para o consumo. José Mário, como exímio conhecedor de regras universais e há muito morando sozinho, recupera a torrada do chão e qual sua grande surpresa? Estava lá. Claramente. Milagrosamente nítida. A cara de Jesus Cristo estampada em sua bendita torrada.

O que um ateu faz quando se depara com um milagre?

A primeira reação de um ateu é a contestação. Como São Tomé, primeiramente desconfia. Não, nada a ver. É coisa da sua imaginação. É como olhar as nuvens e encontrar formas. Mas olhando melhor, a imagem era divinamente clara. Havia até um certo brilho santo ao redor da imagem. Fez-se a luz nas camadas de manteiga. Qual era a chance disso acontecer? Calcula as probabilidades. Menos de 1 bilhão para um de tal evento acontecer com tanta precisão. É, os números estavam contra ele. Justo os números que tanto confiava. Tenta repetir o experimento. 2 pacotes de torradas de imagens disformes. O máximo que conseguiu foi em uma torrada que se olhada de um ângulo específico, até poderia se assemelhar, vagamente, a um coelhinho caolho sem orelhas. Resolveu parar, pois não poderia faltar a geléia de amanhã, e Deus me livre se não há geléia de morango!

Segunda reação de um ateu, a dúvida. E se fosse realmente um sinal divino? Todos esses anos comendo carne vermelha na sexta-feira santa? As vezes que cobiçou a mulher do próximo, as que via revistas de mulher pelada escondido no banheiro ou quando roubou figurinhas jogando bafo… Tudo isso seria uma passagem segura para o inferno? Seria um alerta para que ele começasse a frequentar a igreja?

Terceira reação de um ateu, a revolta. José não se daria por vencido. Ele não jogaria a batina assim tão fácil. Não seria uma torrada a romper toda a sua (des)crença. Quer briga? Então olha o que eu faço com sua torrada! José aproxima a torrada à boca, lentamente abre sua bocarra e prepara uma grande mordida entre a coroa de espinho e a sobrancelha esquerda de Jesus.

Quarta reação de um ateu, a redenção. Espera! Talvez seja melhor não comer a torrada. Afinal ela caiu no chão. Talvez tenha passado mais dos 5 segundos. Pode haver micróbios. Pode causar dor de barriga. Imagina se dá um piriri. E com piriri não se brinca! Pior que as pragas do Egito! Lavo minhas mãos. Melhor pegar outra torrada.

Resolveu deixar a torrada milagrosa de lado. Mas a cara de Jesus continuava encarando-o. A pulga atrás da orelha ainda coçava. Há de haver uma explicação mais razoável que uma entidade toda poderosa sem ter mais o que fazer além de pregar peças em matemáticos ateus. Existe algum fator que passou despercebido. Algo que dê a luz sobre esse mistério. Olhe atentamente, analise friamente…

Eureca!

Como não havia visto isso antes! Era óbvio! A vida volta a fazer sentido. A figura na torrada não é o Jesus Cristo! É o Humberto Gessinger! Claro, por que acreditar em um Ser Supremo invisível, inatingível? O Humberto Gessinger era real, estava ali, ao alcance de todos! É lógico! O Papa é Pop! Quem mais sofreu tantas perseguições e foi crucificado pela crítica? Quem mais ressucitou o Engenheiros do Havaí quando ninguém mais esperava?

Satisfeito, José Mário guardou a torrada junto com os antigos álbuns do Engenheiros e saiu cantarolando. Esse Humberto Gessinger é foda! A Infinitaaaa Hiiiiighwayyyyy…

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Tirem as crianças da sala

O tema é sacanagem, como diria o Jô. Saliência, como diria o Zóio. Furunfagem, como diria o Assis.


E pra não causar mal entendidos, não sofro de males como preconceitos, não sou adepto do falso moralismo e nem farei críticas. O mundo é um imenso bordel e quem sou eu para não comprar um ingresso?


Mas o que tem me chamado a atenção, de uma maneira curiosa, é como a linguagem da mídia se modificou de, sei lá, uns vinte anos pra cá.


Eu me lembro de quando eu era novinho. Lá em casa sempre teve daquelas revistas de novelas e fofocas, e eu, um ávido leitorzinho, devorava todas que aparecia. Afinal, aconteceu virou manchete. Quando o casal da novela finalmente chegavam nos finalmentes, a revista disparava com exclusividade: “Doraci cai nos braços de Heitor”. Não tentem lembrar desses nomes porque eu nunca me lembro dos originais e vou inventar todos.


Alguns anos mais tarde as revistas começaram a ficar mais saidinhas. Quando os protagonistas se entregavam ao desfrute as revistas traziam a notícia chocante: “Paula Helena dorme com Agenor”.


Minha cabeça infantil não pescava o duplo sentido do ato de dormir.


O próximo passo já escandalizava as senhoras da comunidade, e as revistas começaram a subir nas prateleiras da banca de jornal. “Cidinha vai pra cama com Jorjão”.


Agora o mundo estava virado! As revistas de fofocas estavam trazendo pornografias! Chamem o censor! Onde estão as tarjas?


Depois disso que a coisa degringolou de vez. Lembro do mal estar que uma dessas revistas que querem estar contigo em todo lugar causou quando colocou na capa, em letras garrafais: “Marilu transa com Vavá”.


A moral e os bons costumes foram para o ralo. A família se perdeu. Os jovens estão condenados.


Recentemente passei por uma banca e vi, numa inocente revista de fofocas: “Giovana Laura faz sexo selvagem com o Mecânico Misterioso”. Não pude deixar de dar um sorrisinho de canto de boca.


Mas isso é bobagem se a gente for pensar em algumas atrizes que até há alguns anos eram moças acima de qualquer suspeita, grandes personagens de grandes novelas, e agora são respeitáveis protagonistas de filmes pornôs. “Sou uma atriz, é um trabalho como outro qualquer. Escolhi todos os atores e a minha família me deu a maior força.”


Já disse e repito, eu não tenho problemas com preconceitos e nem falso moralismo. Muito pelo contrário, inclusive. Tenho adorado esses novos personagens das atrizes.


Mas que fica muito engraçado quando voltamos alguns anos no calendário, ah fica.


E aguardo ansioso ao próximo filminho.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Namorada de aluguel

Nunca vou esquecer da primeira vídeo-locadora do bairro. Chamava “Vera Vídeo”! Quer dizer … Leda! Não, não … era Vera mesmo. Quer dizer, olha … o nome eu não lembro, mas lembro direitinho do lugar! No quarteirão da Avenida Contorno Norte logo depois do depósito Walter , no Conjunto Esperança. Lado direito, duas lojas depois da esquina (ou seria uma loja só?). Fachada azul e porta de vidro com revestimento fumê.

Meu pai foi quem fez a ficha da família lá. Nosso número era 155. Disso eu lembro direitinho! Foi um dos primeiros números que eu decorei na vida.

Dentre as primeiras lembranças que eu tenho do local, era a estante com filmes esportivos. Na prateleira dos filmes de carro pra ser mais específico. Eu adorava a série “Havoc”! Uma seqüência de fitas que mostravam os acidentes de carro mais espetaculares de todos os tempos. A locução devia ser inglesa. Eu não entendia nada, mas lembro da legenda com um texto bem ácido. Uma das cenas que mais me marcou foi numa corrida de carros de série (não lembro se era rali ou pista) em que o veículo capotou e a porta acabou caindo. O piloto bravamente continuou na corrida, e o locutor disse : “E lá vai o piloto aproveitando seu novo ar condicionado!” Eu me matava de rir!

Mas isso tudo é só um aperitivo bem feito perto da minha maior lembrança. Eu devia ter entre 8 e 9 anos e, passando de carro por lá, me assustei ao ver uma placa branca com letras vermelhas dizendo : Temos Namorada de Aluguel. Uau!

Nessa época, namoro pra mim era algo absolutamente idealizado. Eu era ridiculamente romântico. Um menino bonitinho de olhos castanhos, cabelos quase brancos de tão loiros e completamente despenteados. Perdidamente apaixonado pela menina mais bonita da classe. Mais bonita de todas! E não é que eu tava vendo coisa demais, não! Quase todos os meninos da classe queriam namorar com ela. Mas eu gostava muito mais. De doer a barriga, sabe?

Nessa época, minha auto-estima era equivalente ao dedo mindinho esquerdo do nosso nem tão excelentíssimo presidente : praticamente nula. Eu sabia que ela era areia demais pro meu caminhãozinho. E eu nem sabia plantar bananeira, como poderia conquistá-la ? Impossível!

Foi aí que a tal placa mágica apareceu. Eu lá, no banco traseiro do Chevette branco do meu pai, debruçado na janela e lendo “Temos Namorada de Aluguel”. Que puxa …

Será que se eu fosse lá e pedisse uma menina com as mesmas descrições da minha amada, poderia fazer uma locação?

Mais do que isso : será que, assim como podíamos fazer nos filmes, a locadora tinha um andar secreto onde todas as namoradas ficavam perfiladas e a gente ia dando uma olhada a fim de escolher a melhor opção? (Gente, eu tinha 9 anos! Não tou falando em sacanagem!).

Só de pensar nessa possibilidade eu já ficava com um pouco de pena das outras meninas que estavam lá e não iam ser escolhidas. Na minha cabeça todas eram bonitas. Uma pena ficarem naquele lugar escuro.

Da onde será que elas vinham ? Os pais delas sabiam que elas estavam lá?Essa história toda era um pouco esquisita, mas totalmente cabível na minha cabeça loira e despenteada (bons tempos aqueles dos cabelos …).

Com o tempo eu comecei a perceber que várias das locadoras que passávamos de carro tinham a mesma placa. O que complicava um pouco as coisas, pois nessa época eu tinha certeza que a gente só tinha uma alma gêmea. E em qual locadora ela estaria!?

Por sorte (ou azar … seria, no mínimo, uma ótima história pra se contar agora), eu nunca tive coragem de entrar na tal locadora, devolver o “Havoc 5” e perguntar se a mulher da minha vida estava lá dentro.

Depois de um tempo a placa sumiu. Mal sabia eu, que ela devia fazer parte de um plano de marketing pré-histórico para lançamento do filme “Namorada de Aluguel”. Aliás, só fui ver esse filme na TV anos depois. E pra piorar, só me toquei que uma coisa tinha a ver com a outra bem depois dos meus 18 anos. Aqueles insights que você tem depois de velho sobre uma lembrança da infância, sabe como é?

Mas como bem diz meu amigo Leandro, o bom dessa época é que todos esses questionamentos e sofrimentos amorosos, por mais intensos e verdadeiros que fossem, duravam até a hora que algum amigo interfonava ou tocava a campainha de casa falando : “Vamos descer pro térreo pra jogar bola?”

Bons tempos aqueles!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A maior de todas as polêmicas

Poucas coisas são capazes de causar polêmica hoje em dia. Num século onde política, futebol e religião já não são capazes de fazer a maioria da população brasileira partir para as vias de fato numa discussão, a gastronomia assumiu o papel de grande centro de discussões ideológico-filosóficas nas mesas de bar.

Posso dizer isso por conhecimento de causa, já que nunca usei meias-palavras nas minhas controvertidas opiniões neste segmento, seja como Gourmet de X-Salada que sou, como apreciador da única e verdadeira pizza (a de muzzarela), ou como contumaz crítico do presunto na lasanha.

Mas nada, eu garanto! Nada causará tanto pânico, horror e revolta quanto o que escreverei nas próximas linhas.

Se você não se julga capaz de controlar seus sentimentos em relação a algo que fere os seus princípios mais primitivos, rogo para que pare de ler esse texto agora. Por favor!

Se você continuou, a escolha foi sua. Eu tinha que escrever esse texto para me livrar desse tormento que me persegue por anos, mas você, caro leitor … você tinha escolha. Você poderia ter evitado isso:

Eu odeio a casquinha do sorvete!

Considero esse cone maldito uma aberração da culinária moderna. Quem, meus caros, quem é que sente uma louca vontade de devorar um prato de porcelana enquanto janta um delicioso faisão? Quem é o maluco que deseja, mais do que a mulher amada, mastigar cacos de cristal enquanto degusta o mais nobre bouquet francês ?! Será que algum infeliz, em toda a história da humanidade, fez questão de triturar taças de metal ao se refrescar com um legítimo sundae ou colegial?

Então por que, MEU DEUS, por que devemos comer o cônico recipiente que segura (muito mal e porcamente, diga-se de passagem!) o sorvete de massa que tanto adoramos!

Aquele cruzamento de cortiça com isopor deve ter sido utilizado pela primeira vez, como um desesperado improviso de um químico desempregado e ambicioso, que misturou diversas matérias primas de polímeros cancerígenos criando algo que aparentemente não atrapalhasse o gosto sorvete.

Um defensor da casquinha um dia ousou me argumentar que o “Cornetto” conseguira resolver bem o problema do finalzinho da ponta que fica sem sorvete:” Puseram um chocolatinho lá, que quebra com gosto seco da casquinha …”.

Como assim?! Se fosse bom, não precisavam colocar chocolatinhos alí!

O que mais me revolta, é que vivem falando que McDonald’s é comida industrializada, que tem gosto de isopor, que não é saudável. E A CASQUINHA?! Ninguém nunca disse que aquilo é isopor, mas olhem os furinhos, droga!! Isopor puro!! E as pessoas comem !!!

O McDonald’s deixou o isopor nas caixinhas de Big Mac na década de 80, atendendo a milhares de pedidos ecológicos, mas os sorveteiros continuam ferindo o nosso planeta! E vocês, comedores de casquinhas, não só compactuam desse mal, como ainda COMEM ISSO!!

Já que vocês gostam tanto desse tipo de comida, por que não experimentam os copinhos plásticos que pelo menos são mais sinceros e dizem: “Sim, eu sou um produto químico manufaturado!” Ou se você é bom mesmo, coma o palitinho dos sorvetes de praia! Vai lá! Come! Quero ver na hora de sair!

Agora me dêem licença, que o calor dessa noite, e principalmente dessa discussão me obriga a acabar logo com essa crônica!

- Garçom, um sorvete por favor… Copinho, heim ?! De copinho!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Hummm

- Ah Gilmar ela até que é legal, mas não sei.
- Não sabe o que Deco?
- Sei lá, ela tem essas coisas sabe?
- Sei.
- Sabe?
- Não! Não sei.
- Então por que falou que sabe?
- Pra dar continuidade ao papo Deco. Fala logo.
- Então. Ela tem dessas coisas. Tipo falar.
- Nossa! Que estranho! Ela fala mesmo? Com a boca?
- To falando sério cara.
- O que ela fala que é estranho?
- Ela fala complicado.
- Como assim complicado? Ela é fanha?
- Não, el…
- Tem língua presa?
- Não, ela f…
- Fala na lingua do “pê”?
- NÃO! Dá pra deixar eu falar?
- OK! Só estou tentando ajudar.
- Ela fala umas palavras que eu não entendo.
- Como assim não entende?
- Não entendo. Não sei o que ela quer dizer.
- Ela se expressa mal você diz?
- Não. Eu não tenho idéia de que cargas d’água as palavras querem dizer!
- Ahhh…. entendi. Ela fala difícil. Tem um vocabulário rebuscado.
- Sei lá onde ela foi buscar Gilmar, só sei que não entendo.
- Mas que tipo de palavra ela já falou que você não entendeu?
- Um monte.
- Fala uma. Dá um exemplo.
- Ok. Ontem mesmo ela falou que era criteriosa.
- E daí?
- Como assim e daí?
- Que palavra você não entendeu?
- Oras bolas, “criteriosa” é claro.
- Você não sabe o que significa “criteriosa”?
- Não é assim que eu não sei. Sei mais ou menos.
- E o que é? Mais ou menos…
- Sei que tem alguma coisa a ver com religião, mas isso não vem ao caso.
- ….
- O negócio não é esse Gilmar. Não importa as palavras que não sei. E sim como vou fingir que sei.
- Mas você disfarça bem pelo que diz.
- Eu também achava, mas ontem no telefone ela me disse que eu era “prolixo”.
- E daí?
- E daí que tive que desligar o telefone.
- Na cara dela?
- É.
- Mas por que?
- O que eu ia fazer? Não sabia se agradecia, discordava ou a mandava pro inferno. Não ia fazer papel de bobo né.
- Ah lógico. Disso você se safou.
- Sim mas não é sempre que vou ter saídas inteligentes como essa. Como resolvo isso?
- Você já tentou dar uma lida no dicionário?
- Já, mas nunca consigo passar da letra “B”.
- Daí fica difícil.
- Você também acha então? Ufa. Já achei que só eu achava difícil ler todas aqueles “babilônicos” e “babuínos”.
- Deco, não tem jeito, ou você aprende ou vai ficar sempre boiando.
- Tem que ter uma saída. Não aguento mais ouvir ela falando que vai “contextualizar” e eu morrendo de medo de levar uma tapa.
- O que você pode tentar é, sempre que não souber uma palavra responda com “Hummm”.
- “Hummm”?
- É. “Hummm”.
- Ahhhh, Hummm.
- Isso. Entendeu?
- Não.
- Pô Deco. Colabora. “Hummm” como em, “Hummm, interessante.”
- Ahhhh, esse “Hummm”.
- Isso.
- Hummm. É uma boa. Assim não me comprometo e também não fico sem resposta.
- Exato. Assim acho que você estará resguardado.
- Hummm.
- Aê, aprendeu rápido.
- É, eu sou assim.
- Problema resolvido então.
- Acho que sim.
- Por que acha?
- Agora fiquei preocupado.
- Acha que não vai dar certo?
- Acho que vai sim, mas eu não vou estar enganando ela?
- Não exatamente. Só um pouquinho.
- Sei lá. Fico com dó. Uma menina tão frágil, doente.
- Doente? Mas ela aparenta ser tão saudável.
- Eu também achava. Até esses dias quando ela me contou sobre o problema dela.
- E o que ela tem?
- Ela é Eclética.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Pelo amor de Deus, um dicionário!

Um dia desses eu estava conversando com alguns amigos, e um deles me disse que ouviu falar que popozuda significava mulher de bunda caída.

Ao ouvir isso, comecei a refletir (pasmo!) sobre a situação atual brasileira, e porque não, mundial.
Será que as pessoas não sabem mais o que falam? Só repetem o que ouvem por aí. Imaginem só, uma multidão gritando empolgada: “Só tem mulher de bunda caííída, mexe demais !” Isso é, no mínimo, ridículo.

Para confirmar meu abismo (conjugação do verbo “abismar”- Eu abismo, Tu Abismas, e etc), numa das aulas de Sociologia da Era Virtual, analisamos a nossa era atual, dominada pelo Tecnocentrismo (precedido do Antropocentrismo), onde conceitos como Tautologia, Hipertelia, Circularidade e Comutação, mostram o quanto que nossa sociedade é superficial e despreocupada com a significação (no sentido semiótico) dos termos.

Estamos na Era do “Achismo”. Hoje em dia, ninguém estuda mais nada profundamente, ninguém conhece nada profundamente. O simples fato de ler uma reportagem sobre fertilização de elefoas com óvulos de mamutes pré-históricos, já faz de qualquer pessoa, um profundo conhecedor de genética pré-história criogênica. E o que é pior, uma pessoa que lê essa reportagem, se sente no direito de, no meio de uma discussão de bar, dizer: - “Não ! Vocês sabem que de fertilização de elefoas eu entendo !” E todos se rendem ao argumento de autoridade do interlocutor. Sem nenhum contra-argumento.

Não estou nem falando dos erros e vícios de linguagem que vem se tornando cada vez mais comuns, inclusive dentro dos meios de comunicação de massa. “A nível de” já aparece em diversas publicações de livros (de qualidade duvidosa, mas ainda sim, livros), e o uso excessivo do gerúndio inunda os discursos de pseudo-intelectuais, cuja credibilidade permanece intacta, pela ignorância geral da população.

Os poucos sobreviventes, sentem-se cada vez mais isolados, como em pequenas ilhas de conhecimento rodeadas por um mar de bundas, peitos e silicones protuberantes e descartáveis. Não é difícil ver uma pessoa ser discriminada por utilizar o português corretamente, em uma conversa.Isso tudo chega a ser revoltante. Mas o pior de tudo, é ver alguém reclamando da superficialidade da sociedade sem saber mais da metade dos termos que vomitou em uma crônica. Aliás, eu nem sei se popozuda realmente é “mulher de bunda caída”. Mas um amigo meu disse que ouviu falar que era. Deve ser verdade.

domingo, 13 de julho de 2008

Eu não extou bêbadoooo!!!!

Um dos principais problemas de se escrever um texto enquanto se está bêbado, é que você nunca acha a letra “V” no teclado. Como tudo está aparecendo em “duplicata” aquela letra entre o “CC” e o “BB” é o “W”e por mais que você tente, é muito difícil escrever um texto sem a letra “V”. Mas bêbado que é bêbado não desiste facilmente de expor suas idéias. Com “V”, ou sem “V”!

Eu, por exemplo, acho que esse problema dos monitores modernos ficarem se mexendo de um lado para o outro, é realmente muito chato. Eu, se você quiser saber, já estou ficando tonto.

Um dos principais problemas de se escrever um texto bêbado, é que você nunca sabe se um sóbrio conseguirá entender o que você quis dizer. Um bêbado sempre entende outro bêbado, mas eu não sei se você está me entendendo. Eu gostaria muito que você me entendesse, porque você sabe, né!? Eu te de considero pra caramba! Você mora aqui, dentro do meu peito!

Um dos principais problemas de escrever bêbado, é a grande probabilidade de se tornar redundante. E eu odeio pessoas repetitivas.

Um dos principais problemas de escrever bêbado, é a grande probabilidade de se tornar redundante. E eu odeio pessoas repetitivas. Ainda mais aquelas que não param de repetir!

Coesão é uma coisa que não existe num texto bêbado. Eu, por exemplo, acho que esse problema dos monitores modernos ficarem se mexendo de um lado para o outro, é realmente muito chato.

A probabilidade de um bêbado escrever probabilidade como “pobrabilidade”, “problablilidade” ou “plobrabilidade”, é muito grande. Eu, se você quiser saber, já estou ficando tonto.

Não sei o que leva um bêbado a escrever um texto. Eu, por exemplo, odeio pessoas repetitivas!
Um dos principais escritores bêbados de problemas de texto, disse um dia que o bêbado é um …

Cadê o “V” ? O que esse “W” está fazendo entre o “CC” e o “BB” ?!

Um dos principais problemas de bêbado, é não se lembrar do que estava falando, e nunca completar um raciocínio.

Falando nisso, eu acho que estou um pouco bêbado.

É isso …

Alguém disse alguma coisa sobre problabilidade aqui?

É melhor esquecer todo esse papo sobre monitores. Tou ficando com sono.

É … pois é …


Acho que eu vou dormir.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Tempos Modernos

O café está na mesa. A nova família margarina a postos. Um jovem pai solteiro e saudável acompanhado da velha filha adolescente vegetariana e emo. Ele com sono, ela nervosa. Ele com preguiça de ter pressa, ela com pressa de ter tranqüilidade. Antes de pegar seu leite de soja, ela passa o leite com baixo teor de lactose para o pai e diz :
- Pai. Preciso te contar uma coisa importante.
- Fala filha. – brincando - Quer o sal?
- Não, brigado. Ainda não. Mamão com sal não me faz bem de manhã.
- Faz sentido.
Ela toma fôlego e solta numa única respirada:
- Acho que quero namorar um cara.
- O quê!?
- Passa o sal?
- Não vem com essa! Como assim?!
- Ah pai …
- Como assim, filha?! Você não é como se diz … “Emo”? “Gay”?
- Sou, pai … sou … mas …
- Como “mas”?! Não tem nada de “mas”! Você gosta dessas bandas de gente depressiva, você beija meninas, você usa maquiagem preta como todas as sua amigas da sua classe. Eu não preciso me preocupar com moleques desproporcionais e fedidos pulando em cima de você! É assim que as coisas funcionam hoje em dia. Não tem “mas”!
- Eu sei, pai! Mas é que eu tava lendo uma entrevista da Ana Carolina …
- Quem ?- Ana Carolina, aquela que comeu a Madonna …
O pai, surpreso :
- Sério?! Comeu? Tem vídeo no youtub-
- Não, pai! Num tem! Tou falando da música. Ela fala isso na música.
- Poxa, interessante … – voltando à postura de pai bravo – Ahãn! E daí. Que que tem a entrevista dela?
- E ela disse que tá querendo namorar um homem agora.
- Ah é? Por quê?
- Ah … porque as mulheres são muito complexas … disse que os homens são bem mais simples.
- Não me diga.
- Ah … e também porque homem é muito bom pra transar.
- KLASPIT! – e com esse som, o jovem pai teve toda sua cavidade nasal inundada por leite com baixo teor de lactose.
- Pai! Você tá bem?!
Tentando se recuperar do estrago físico, psicológico e moral, ele afastou o prato de torradas, agora com leite, e verificou o estado da sua roupa que felizmente não foi atingida. Finalmente disse:
- Olha filha, não tou muito não.
- Quer que eu te prepare outro leitinho?
- Não … acabou. Esse era o resto do meu leite. Esqueci de comprar mais …
- Pode tomar do meu. É bom leite de trigo!Foi a gota d’água :
- Que leite trigo?! Tá louca, menina?Ela se assustou.- Desde quando trigo dá leite!? Onde fica a teta do trigo, heim?! Heim!? Fala pra mim!?
- T-tá bom, pai. De-desculpa.Ao ver que a filha estava a beira de um choro realmente sincero, ele tenta se controlar, respira fundo e baixa o tom de voz:
- Eu que peço desculpa. Me descontrolei. Ela desvia o olhar. Ele suspira e continua :
- Vamos lá então, mocinha … o negócio agora é beijar meninos?
- É pai … acho que é.
- E o seu lado gay, filhinha? Como faz?
- Então … tou pensando em ser uma gay mais moderna, sabe?
- Ah … quer dizer que você vai beijar meninos agora, mas continuar sendo gay.
- Isso.
Tentando entender o raciocínio, ele pergunta:
- Então, ainda assim você não vai querer roupa da Zara de presente?
- Até vou, pai. Tem roupa masculina lá!
Ele apenas olha pra ela, quase desistindo. A menina continua:
- Sei lá, pai. Tou cansada da complicação das mulheres.
- Sei bem como é …
- Quero ser uma menina mais moderna.
- Precisava ser tão moderna assim?
- Ah pai! Deixa de ser heterofóbico!
- Heim?!
- É! Isso mesmo! É só ver a repercussão da entrevista da Ana. Não vai ser fácil pra mim! Eu sei que é estranho, eu sei que é bizarro, mas eu quero ver como é sair com um cara. E demorei um monte pra me convencer disso, tá? Eu também era heterofóbica! Ficava me culpando das vezes que assistia os jogos com você, esquecia um pouco do esquema tático e parava pra olhar pras pernas dos caras.
- O quê?! Você esquecia de torcer pro nosso tricolor e ficav-
- Não pai! Só nos jogos da seleção. Fica tranqüilo!
- Tá bom, vai. Lá tem o Kaka … eu entendo.
- E o Pato, né?
- Tá …
- E o Dung-
- Pára! Tem limite, filha!!
- Desculpa.- Bom … – pausa - … é uma decisão definitiva?
- Sim.
- E a Gigi?
- Pois é … é por isso que eu tão tou nervosa. Não sei como acabar com ela.
- Nossa … ela ainda não sabe? Eu fui o primeiro?
- Foi pai. Precisava de um conselho de como acabar um namoro com uma mina.
- Sei …Resignado, o jovem pai ficou olhando para a lista de compras presa na geladeira. O primeiro item era “leite sem lactose”.
- Tá vendo aquela lista, filha?
- Tou …
- Você consegue ler qual é o primeiro item?
- Consigo.
- Reparou que a parte que mais me exaltou dessa conversa toda foi a hora do leite.Agora rindo, ela apenas sacode a cabeça concordando.
- Pois é … eu sempre pulo o primeiro item da lista. Que normalmente é o mais importante, diga-se de passagem.
- Sei …
- Sabe porque eu faço isso?
- Não …
- Nem eu … Só sei que é batata. Não precisa torcer que aconteça. É só esperar. Não tem erro.
- O que isso tem a ver com história, pai?
- Nada filha … Eu só reparei isso recentemente e tentei fazer um paralelo interessante.
- Não deu certo …
- Percebi. Silêncio.
- Olha, filha. Não sei o que te falar, não. Concordo com a cantora quando ela diz que nós somos rasos e retos, e que vocês são profundas e oblíquas … acho que, apesar de anti-natural hoje em dia, até faz sentido você querer experimentar essas coisas novas …A menina olha para o pai com um olhar agradecido e ao mesmo tempo admirado. Ele continua:
- Mas tenho certeza que você não vai simplificar muito mais as coisas, não. É só ver o que aconteceu comigo e a sua mãe.
- Eu não vi nada, né, pai? Vocês separaram no meio da gravidez dela.
- É verdade. Não tou acertando uma, hoje. Risos.
- Mesmo sem saber o que te falar agora. Eu vou estar do seu lado, filha. E vou tentar te ajudar no que eu puder.Ela se derrete ainda mais, agora pulando em cima dele:
- Pai, você sabe que eu te amo muito, né!? Por isso que quis te contar antes de todo mundo.
- E eu fico muito feliz por isso, filhinha. Tou bem assustado, mas ainda sim feliz.
-Lindo! Separando o abraço, e olhando para ela muito sério, ele diz :
- Mas posso só te pedir uma coisa ?
- Claro, paizinho.
- Nunca, mas nunca mais fala pra mim de você transando com um homem.
- Tá …
- Não tem pai nenhum no mundo preparado pra isso.
- Uhum!
- E principalmente com o Dunga …
Mais risos.
- E passa essa droga de leite de soja pra cá que eu tou com sede.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A fruteira está na moda...


Mais um fenômeno da TV, tão descartável como todos os outros, agora surgem por aí mulheres-fruta para povoar o imaginário lascivo dos pobres homens. E mulheres também, por que não?
Passei em frente a uma banca de jornais e vi, pasmado, é claro, gigantescos glúteos na capa de famosa revista de mulher pelada. A legenda dizia que era uma tal Mulher-Melancia, que graças aos predicados e objetos direto da moça, dispensa-se a explicação do epíteto.

Não sei o que a moça faz da vida, não sei se é atriz, cantora de funk ou assistente de palco de algum programa, mas se a genética (ou a medicina) foi generosa com a menina e se ela não se importa em ser uma Pagu da desvalorização feminina, qual o problema de estampar seus glúteos para a patuléia enfurecida?

Em outra revista, na mesma banca, anunciavam com bastante entusiasmo a iminente publicação de uma tal Mulher-Moranguinho do jeito como veio ao mundo. Olhei bastante a foto da moça, mas neste caso não fui capaz de associar as similaridades entre a frutinha e a retumbante menina. Pensei na pele do morango, com diversos buraquinhos e tentei uma analogia com a celulite. Mas lembrei que as pessoas ainda não atingiram ainda um nível de evolução humana suficiente para colocar uma moça com celulite ululante na capa de revista de mulher pelada. Então não poderia ser essa a ligação.

Eu gosto de mulher com celulite. Questão de lógica: TODA mulher tem celulite. Eu gosto de mulher. Portanto, gosto de celulite. É claro que para tudo tem limite.

Não faço idéia porque a Mulher-Moranguinho ganhou este apelido. Como, assim como sua colega, também não faço idéia do que ela faça. Mas isso não importa de qualquer maneira. Eu nunca irei encontrar com nenhuma das duas por aí, então que cada uma fique na sua fruteira.
Agora, eu conheço diversas outras Mulheres-Fruta por aí.

Aqui no prédio onde trabalho, por exemplo, também trabalha a Mulher-Pêra. Ela possui a cabeça pequena e longilínea, um tórax curto e um quadril imenso. Gigante mesmo. De longe, uma pêra. De perto, também.

Nos meus tempos de escola estudei com a Mulher-Laranja. Além da pele grossa, marcada por espinhas, ela gostava de, bem, ela gostava que os meninos fizessem com ela exatamente o que se faz com uma laranja.

Na faculdade havia a Mulher-Jabuticaba. Por motivos parecidos com a descrita acima.

Enfim, bobagens.

Qual será a próxima invenção midiática para vender mocinhas (e revistas) de bom acabamento? Mulher-Fruto-do-mar? Mulher-Papelaria? Mulher-Supermercado? Mulher-Minerais?

Mulher-Celulite?

Duvido.

domingo, 22 de junho de 2008

Crescendo

- Pai.
- Oi filho.
- Posso perguntar uma coisa?
- Claro filho.
- Quando eu for grande, eu vou ter que colocar gravata todo dia?
- Não necessariamente filho. Vai depender de onde você trabalhar.
- Hummm…
- Por quê?
- Por nada.
- Você não gosta de gravata?
- Ah…fica engargejando.
- Hehehehe, enga-o quê?
- Engargejando. Não dá pra respirar.
- Mas desde quando você usa gravata pra saber?
- Não uso, mas uma vez amarrei uma fronha pra ver como ficava e não conseguia respirar. Muito ruim.
- É filho, não posso falar que é das coisas mais confortáveis. Mas você se acostuma. Alem do mais, nos melhores trabalhos você tem que usar gravata.
- É mentira.
- Como assim mentira?
- Astronauta não usa gravata.
- É verdade. Astronauta não usa. Mas o resto usa.
- Bombeiro também não.
- Ok, ok, mas são poucos.
- O tio que controla a fila no Hopi Hari também não.
- Eu entendi. Você está certo.
- Nem o Ronaldinho. Ele só usa gravata quando vai ganhar prêmio.
- É verdade.
- Também, imagina que engraçado se ele jogasse de gravata. Ele correndo com ela pendurada voando?
- Ia ser engraçado.
- E se ele fizesse um gol de gravata. Pai, gol de gravata vale?
- Olha filho. Desde que a gravata não esteja em posição irregular deve valer sim.
- Quê?
- Valeria sim filho. Se vale de chuteira vale de gravata né. É tudo roupa.
- É verdade. Pai, quando eu for grande, eu vou poder pular no pula-pula?
- Só se for um pula-pula bem grande.
- Legal. Adoro pula-pula. E ganhar brinquedo? Eu vou ganhar brinquedo quando for grande?
- Ah filho, aí depende de quem for te presentear. Mas nada impede.
- Mas porque você nunca ganha brinquedo pai?
- Porque sua mãe acha que basta o tanto que eu brinco com os seus.
- E ela não gosta quando você brinca comigo pai?
- Gosta sim filho. Mas não o tempo todo.
- Porque pai?
- Porque se brincarmos o tempo todo não sobra tempo pra ela.
- Pra brincar com ela pai?
- Isso filho. Pra brincar com ela.
- E de que vocês brincam pai?
- Errr…de muitas coisas filho. Depende do dia.
- Depende do dia?
- É filho. Se sua mãe teve um dia bom, brincamos de uma coisa, se foi muito bom, de outra. Se é dia que chego tarde não brincamos de nada.
- Entendi. É que nem eu e a carlinha então. Quando a mãe dela briga com ela nós não brincamos. A mãe dela não gosta que ela brinque só comigo e não fique com ela.
- Isso filho. Comigo e sua mãe é quase igual.
- É difícil né pai.
- É filho. É difícil.

sábado, 31 de maio de 2008

Amor Político

Alguns sentiram falta dos textos em que falo sobre o Amor. Mas, é que para se escrever sobre o Amor, é necessário de um pouco de sofrimento. E, na atual conjuntura, não me encontro sofrido. Tão pouco sofrível. Porém, como os pedidos foram muitos, eis que estou aqui novamente.

Há que se ressaltar que, aqueles que esperam uma crônica melosa, cheia de frases de impacto, esqueçam. Melhor lerem maktub ou algo que o valha. Confesso estar meio que sem paciência para as ditas cartas de amor.

O Amor, assim como tudo em nossa sociedade, é algo politizado. E, ele é assim, desde os primórdios.

Com Adão e Eva, havia um Amor incondicional que o Todo-poderoso tinha com os dois. Mas, como o ser humano é passível de erros, foram traí-Lo justo com uma maçã. Digamos à fome.

Enfim...

Quem dera eu tivesse a máquina do tempo de Júlio Werner para, aí sim, relatar sobre todas as formas de amor. Mas, como não o tenho, utilizo-me da minha parca memória.

Com o passar do tempo, o amor foi tomando formas. No surgimento do Código de Hammurabi, no “olho por olho e dente por dente”, o Amor seguia as tendências da época, qual seja: “dá ou desce”. Essa coisa de meio termo, de “ah, vamos conversar”, inexistia à época.

Evoluindo a humanidade e, como Amor é algo milenar e passa por transformações, surge o Amor Feudal, baseado no sistema de suserania e vassalagem: “você me ama e acabou-se”. Os senhores feudais mantinham, sob sua guarda, toda a vassalagem amorosa perto de seus castelos e, quando enjoavam, faziam suas trocas de amor. Tempos depois, perceberíamos que isso, nada mais era, do que juras de amor que nunca são cumpridas.

Passado a parte dos escambos, permutas e trocas muitas vezes não igualitárias, já que não havia maneiras de se medir amores, e eles vão e vem, o capitalismo amoroso veio pra ficar mesmo. E fica até hoje. Impregnou.

Na verdade, não tivemos uma Revolução Industrial, mas uma Revolução Amorosa. Algo como: “quanto vale o amor que eu sinto por você?”. Depois disso, a vida dos apaixonados e amantes nunca mais foi a mesma, haja vista os inúmeros processos milionários que envolve os divórcios mundo afora.

Esse amor é conhecido, também, como o Amor Capital, onde a troca feudal foi esquecida para dar lugar no “que é que eu vou lucrar com esse amor?”, como ouvimos à boca pequena e larga.

Mas, não é só de mazelas que vive a humanidade.

O Amor, como ser mutável que é, necessitava de outras revoluções, de transformações. Eis que surge Marx para dar uma nova cara. Não que fosse algo muito melhor, mas era de bom tom que o Amor fosse algo mais... mais... comum, de todos e para todos.

O Amor comunista veio, principalmente nas entranhas das universidades, para ficar. Era necessário socializar o Amor. Coisas como “ah, amar apenas uma pessoa é egoísmo demais”. Com a entrada do Amor Socialista, nada a ver com amores de socialites, houve um maior compartilhamento do Amor e um retorno ao tempo de Cristo, o maior comunista da história, “amem uns aos outros”. Aí foi aquela loucura de distribuição amorosa mundo afora e, principalmente, adentro.

Tendência natural da espécie, necessitávamos de que o Amor, retornando à Roma de Grécia, se tornasse uma res publica, uma coisa pública de fato. Daí, tornaram-se comuns as serenatas debaixo das janelas. O problema de se tornar algo tão íntimo público, era o famigerado olho gordo. Houve, então, uma mistura do Amor Republicano com o Amor Capital: quem tem mais, leva. Com o tempo, perceberam que a alma do amor é o segredo. Algo velho, mas que denominaram de “amor platônico”.

Bom mesmo foi a invenção do Amor Ditatorial: “Você me ama porque eu quero e pronto. Não resmunga e nem dê siricuticos”, e a pessoa saia cabisbaixa, pois sabia que era a parte hipossuficiente da relação. Tempos depois, o isso seria chamado de ciúmes, pois sabe-se que todo ditador é um tanto quanto inseguro e quer, sempre que pode, manter o controle, custe o que custar.

O surgimento do Amor monárquico foi algo estupefato. Em alguns lugares ainda persistem: “O Amor sou eu”, embora, houve grande confusão, principalmente, pelo surgimento, como o descrito nesse parágrafo, pelo Amor Absolutista. Um amor interessante, nessa mesma linhagem da monarquia, foi o Amor Esclarecido: “Te amo e você sabe, mas amo outras também”, sinceridade antes de qualquer coisa.

Ah... mas o grande invento do ser ainda estava por vir: o Amor Anárquico. Fácil de se entender, afinal, “é ninguém é de ninguém”, sem essa coisa de exclusividade. Daí surgiram movimentos como o movimento hippie, que se perpetua, assim como no Amor Social e Comunista, nas universidades.

Porém, impossível não falar do Amor Democrático, afinal, o Amor emana do povo. E, nessa emanação de Amor, carinho e afeto, “é tudo nosso”. E tem sido assim: o Amor é de todos e compartilhado por poucos, mas está lá para quem o quiser viver.

E, por último, há o Amor Ideal. Porém, como idealistas são apaixonados e nunca amantes, conclui-se que esse Amor é natimorto. O Amor Ideal não existe, mas há quem tenha esperanças de vivê-lo algum dia.


sexta-feira, 23 de maio de 2008

Hehehe

- Hehehe.
- Que foi? Ta tirando sarro da minha cara?
- Não, por que?
- Essa risadinha de sacana.
- Não tem nada de sacana, é minha risada normal.
- Isso não é risada normal. É sacana. Ta rindo da minha cara.
- Não to não. É meu jeito de rir. Carinha complexado, Deus me livre.
- Não tem nada de complexo. Conheço uma risada normal e não é essa.
- E qual é?
- Hahaha.
- Ah, mas essa é a risada de quando acho a coisa muito engraçada. Você não fez uma piada, apenas uma sacadinha inteligente.
- Ué, então não precisava escrever nada.
- Precisava sim.
- Por que?
- Porque é falta de educação não dar algum feedback. Tinha que responder com alguma coisa. Como não tinha nada a acrescentar mandei um tradicional “hehehe”. Mostra respeito.
- Kkkkkkkkk, você é doido.
- Que foi isso?
- Isso o que?
- Seu teclado ta com problema? Porque mandou esse monte de “k”?
- To rindo do que você disse.
- Rindo nada. Isso mais parece um pica-pau trabalhando.
- É minha risada.
- Não é não.
- Ah, só faltava essa.
- Conheço sua risada, não é assim.
- É sim. É o jeito que escrevo pra mostrar que estou rindo bastante.
- Achei que você desse risada escrevendo “rs”.
- Não. Só quando estou com preguiça.
- Preguiça? São 4 caracteres a mais. Não tem vergonha na cara?
- Hihihi.
- Que porra é essa agora?
- O que?
- Essa palhaçada de “hihihi”, você ta tirando com a minha cara?
- Não, caramba. Uso o “hihihi”para aquela risada sem graça.
- Não sabia dessa.
- É. Uso pouco no entanto. Acho meio afeminada.
- É mesmo.
- Por isso evito, mas ás vezes escapa.
- Hohoho.
- Que que é isso?
- É a risada nova que inventei.
- Como assim?
- Ué, você tem um monte de risadas. Resolvi fazer uma nova.
- Legal, mas para usar ela você tem que arranjar umas renas de estimação também.
- Palhaço!
- Huahuahuahua…

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Como usar o anel

Karina é a típica menina que toda mãe gostaria de ter. Seja como filha ou como nora. Meiga, educada, simpática, atenciosa, carinhosa, dentre outros "osas" que seus amigos faziam questão de ressaltar quando a viam.

De personalidade bem sentimental, nunca dizia "não" quando lhe pediam um favor, por mínimo que fosse. Era prestativa com todos que conhecia.

Extremamente religiosa, freqüentava assiduamente as missas dominicais. Na hora da comunhão, colocava o véu branco sobre a cabeça e dirigia-se ao altar para receber a hóstia consagrada.
Desde pequena fazia parte do coral da igreja e, vez ou outra, tocava no harmônio da capelinha para animar as celebrações. Tinha as músicas decoradas, afinal queria ficar de olhos fechados, imaginando cada compasso da música. A feição angelical que fazia enquanto cantava, fascinava todos ao redor.

A família de Karina era tradicionalíssima. Havia certa rigidez na educação da filha mais velha, afinal, ela tinha que ser exemplo ao irmão mais novo que passava pela "aborrescência", dando suas cabeçadas típicas da idade. Mas Karina tinha um zelo todo especial para com o irmão.

Um belo dia, Karina começa a namorar. Claro que o conhecera na igreja. Rapaz pacato, não estressava com nada. O que lhe chamou mais atenção, era o cabelo cacheado de Karina, uma ovelha, praticamente. Ah, como ele adorava se entrelaçar naqueles cachos.

Na quermesse tradicional da igreja, ela leva Vinícius para conhecer o Seu Paulo. No balanço da quadrilha, Seu Paulo vê a filha de mão dada com o cidadão. Eles vão se aproximando e, para surpresa de Karina, os dois se abraçam e começam a lembrar momentos inenarráveis do futebol no clube. Há anos o dois jogam futebol aos domingos. Claro que a aprovação do namorado foi imediata.

E assim passaram-se os dias, meses, anos. O casal de namorados sempre juntos. Tudo o que um queria fazer, o outro fazia companhia. Até na sinuca do Centro Acadêmico da faculdade, Karina estava lá para apoiar o namorado. Na Interfono, Vinícius presenciou a namorada jogando basquete com suas amigas. Levava pompom, era torcedor fanático. De carteirinha!

Com o tempo, os amigos começam a reclamar da ausência de Vinícius. Vez ou outra, ele conseguia um "mandado de soltura" para jogar uma sinuquinha com os amigos e tomar um choppinho, mas esses momentos eram raros, insólitos, pois a menina não o deixava sozinho.

Certo dia, Karina sugere usarem aliança de compromisso. Vinícius aceita de pronto a "exigência", pois sabia que apesar de sua amada ser meiga, ela era um pouco tempestiva, às vezes. Ele já tinha percebido isso. Também, depois de quatro anos de relacionamento, já dava para dar pareceres quanto às características psicológicas de Karina.

Beata que sempre foi, vão à igreja para que o padre Daniel, o cantor, faça a benção das alianças. Para Karina, aquele era o momento mais importante de sua vida. Chorava copiosamente, parecia que estavam casando, o que de fato, para ela, era isso mesmo. Vinícius suava em bicas. Estava nervoso, ainda mais com a presença de seus amigos.

Convidaram parentes, fizeram juras de amor eterno, só faltou Seu Paulo entrar triunfalmente à igreja com a filha. Vinícius ficava na dele, tímido, comedido em virtude do pseudoconúbio, mas não tinha como dizer não à Karina, que estava eufórica, radiante com a novidade. Queria mostrar a nova aquisição a todas as amigas da faculdade, da rua, para que todas morressem de inveja. Já os amigos de Vinícius...

Passadas as comemorações, vieram as recomendações. Karina fez uma cartilha de como Vinícius deveria se portar com a aliança e como deveria cuidar da mesma.

- Tchu, é bem simples, tá?
- Tá.
- Primeiro você tem que limpar todo final de semana, senão ela fica encardida e feia. Aí acharão que você é um porquinho. Se não souber lavar, pede pra mim, que eu limpo, tá?
- Tá.
- Já imaginou você com uma aliança toda encardida e eu apresentando você para as minhas amigas? Iria passar uma vergonha absurda. Por isso...
- Amor, não é melhor eu deixar a aliança no bolso?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Feliz Aniversário!!!

Nem todo conselho é bom.
Nem todo voto é secreto.
Nem toda arte é dom.
Nem todo amigo é discreto.
Nem toda agenda é diário.
Nem todo dia é aniversário!!!

Hoje completo 28 anos de vida muito bem vividos e gostaria de comemorar essa data significativa (pelo menos para mim é...rsrs) como todas as pessoas especiais que já fizeram e que fazem parte da minha vida. E estender os parabéns a todos os aniversariantes do dia 09 de maio. A todos um Feliz Aniversário.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A sorte está mais perto do que pensamos!

Será que ter sorte é ganhar na megasena acumulada do final do ano? É receber uma herança de uma tia-avó que nem sabia da existência? Achar uma nota de cem dólares em meio à multidão, justo na avenida Paulista? Encontrar com o Chico Buarque no botequim, boca-de-porco, perto da sua casa? Ganhar no bingo da igreja? Ser contemplado com uma garrafa de whisk pelo restaurante que pouco freqüenta? Ser selado com um beijo de uma modelo do nada? Nascer como filha número três do Silvio Santos? Não ter defeitos à vista dos outros? Não ser ansioso? Não ter ciúmes da amada(o)? Ser, simplesmente, feliz?

Isso é ter sorte? Isso é ser contemplado pelas mãos divinas da sorte?

Ser diretor de uma multinacional é ter sorte? Ter discernimento, suficiente, para conversar é ter sorte? Receber um elogio é ter sorte?

O que é a sorte, afinal?

Sorte é nascer belo? Quiçá, ainda, rico? É ser amado por todos? É ser o mais votado nas eleições? É estar entre os primeiros da classe? É ter inteligência? É ler bons livros?

Isso é sorte?

Sorte é não ter nascido no Brasil na Ditadura militar? É ter sido amigo do Herzog? É ter vivido pela pátria e morrer sem razão? É ter vivido de uma Construção? Ou ter tido um caro amigo para lhe mandar boas notícias?

Você tem sorte?

Ser sortudo é ter o que ninguém tem? É pensar o que ninguém pensa? É usar da criatividade que ninguém usa? É se valer de um pouco de cérebro que acha ter? É dizer aquilo que não é para fazer média aos outros?

O que é ter sorte?

É ser altruísta? É ser um apaixonado por um ideal? Um idealista? Ter sorte é ter caráter? É ter aquilo que todos almejam? Conseguir um trabalho que pague bem?

Consortes, nós?!

Ter sorte é não sentir inveja? É orgulhar-se pelo êxito do amigo? É embebedar-se numa sempre e tenra companhia? É saber que sempre há alguém a nossa espera sedento por carinhos de redenção?

Isso não é ter sorte.

Tudo isso é vontade de querer sempre mais. É ter a perspicácia de acreditar em você mesmo sempre. É saber do seu real valor não aos outros, mas a ti mesmo.

Ah... ter sorte...

Ter sorte é acreditar que vale à pena. É se arriscar ao novo. É saber viver de mudanças, pois elas vêem a todo instante. É saber que sempre podemos mais. É não se perder em confusões cerebrais. É desfrutar do hoje, do agora.

Ter sorte é, simplesmente, saber viver.Quantos de nós temos sorte e não sabemos...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

É um pássaro? É um avião?

Não. É apenas um padre estúpido.

Estão dizendo que seria cômico se não fosse trágico. Pois eu acho cômico de qualquer maneira.

Nesse turbilhão de desgraças e sensacionalismos, de crianças arremessadas pela janela em São Paulo (que a imprensa divulga), de crianças estupradas, torturadas e mortas no nordeste (que a imprensa não divulga), é uma certa bênção que apareça um padreco estúpido para nos fazer rir um pouco.

Até o momento que escrevo, o cenário é o seguinte: um padre do Paraná resolveu bater o recorde de permanência no ar em balões de festa. O sujeito queria ir de Paranaguá até Ponta Grossa pendurado em balões de festa(!). O vento o levou para o mar e o cretino está desaparecido.

Se a idéia dele era entrar para o Guinness Book, acho que vai conseguir. Na categoria estupidez, é claro.

Mas deixe-me reconhecer que o padreco ao menos era (no passado, porque acho que no mínimo, ele morreu) um cidadão precavido: alçou vôo equipado com GPS e telefone via satélite. O porém é que o infeliz não sabia operar um GPS e o telefone estava com a bateria fraca. Ele merece o título de sujeito mais estúpido do mundo com louvor.

Havia também uma causa social que o pusilânime queria levar aos céus: divulgar a Pastoral Rodoviária, que até onde eu li, apóia os caminhoneiros.

A besta quadrada faz um vôo estúpido com balões de festa para divulgar uma ajuda a caminhoneiros? Caminhoneiros? Se ainda fosse para divulgar alguma pastoral que ajudasse os aeronautas até que tudo bem, mas caminhoneiros?

Então por que o idiota não fez um jejum na caçamba de um caminhão e cruzou o país nas estradas? Teria mais a ver com a Pastoral Rodoviária do que um vôo com balões de festa(!), embora o jejum cruzando o país também seja uma idéia de jerico.

É impossível não fazer troça com o ocorrido. E pelo que eu vi aí nos jornais, o Padre Cururu não era muito humilde em suas posições. Havia, inclusive, sido convidado a se retirar de um curso de aviação por não freqüentar as aulas. Principalmente a aula de meteorologia. Sim, é pra rir mesmo. O sujeito se julgava um expert.

A seqüência de burradas do vigário é tão absurda que parece coisa de filme. Um filme de comédia, claro. Steve Martin ficaria perfeito interpretando o nosso intrépido aeronauta de balões de festa(!).

É cada uma que acontece... ao menos o indivíduo levou sua mensagem bem longe. O mundo inteiro está comentando a aventura do padre.

Comentando e morrendo de rir. O padre virou motivo de piada.

Mas ouvi na padaria uma senhora em trajes bastante beatos que na verdade aquele era um padre santo. E que quando subiu com seus balões coloridos, deus o tomou na palma da mão e ficou com ele lá no céu.

A estupidez não tem limite.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sobre Mulheres e Futebol

Um final de tarde comum na cidade. Dois amigos se encontram no bar da esquina, no bairro da balada, para tomar um chopp e conversar um pouco. Um deles está com problema de relacionamento com a esposa, e o outro com dificuldade de lidar com o chefe que insistentemente o chama de burro na frente dos colegas.
- Como estão as coisa?
- Na mesma, ainda estou no emprego de merda com o chefe de merda.
- Que saco.
- Pois é.
- Viu o jogo ontem?
- Sim, uma vergonha. Empate com o Rio Claro. Imperdoável.
- Não era esse jogo, mas o Timão levou a Lusa numa boa.
- Graças ao Felipe.
- Ele joga em que time?
- Ok, entendi
.- Não se preocupe. Logo o Verdão melhora.
- Não precisa rir. Vai melhorar e muito. O Brasileiro esse ano é nosso.
- Isso eu não sei, mas a série B é nossa com certeza.
- Vai pensando que é fácil vai. É uma pedreira mano. Cada jogo uma guerra.
- Se vocês conseguem nós também conseguimos.
- Sei.
- Já falou com a sua esposa.
- Não.
- Que houve.
- Preguiça.
- Você tem que resolver isso logo.
- Eu sei.
- Está assistindo o BBB?
- Não muito.
- Cada gostosa meu.
- Todo ano é assim.
- E daí. Lindo de assistir.
- Li hoje que logo sai a revista de uma delas.
- Mês que vem.
- Vai comprar?
- Certamente.
- Empresta?
- Nunca.
- Porque.
- Revista de mulher pelada não se empresta.
- Porque não?
- É um bem particular.
- Jesus. Você é um adolescente.
- Pelo menos não sou corno.
- Suposto corno. Melhor isso do que burro.
- Já viu corno inteligente?
- Não.
- Está acompanhando a Liga dos Campeões?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O bruto e a tara

Quando eu era criança, nas viagens de carro que fazíamos para o interior, eu tinha a mania de contar quantos, por exemplo, Fuscas eu via durante o trajeto. Eu também me impunha a meta de ver ao menos um caminhão Volvo exatamente igual ao que eu possuía em miniatura. Outra coisa que eu gostava de fazer era analisar os números pintados ao lado dos caminhões, no tanque de gasolina, creio eu.

Eram sempre dois números muito grandes. Um era um tal de Lot. e o outro era uma tal de Tara.

Eu ficava de olho nos caminhões que passavam para saber quem seria o campeão de maior Lot. ou o de maior Tara, e dava-lhes algum prêmio imaginário.

Demorou muitos anos para eu saber o que significavam aqueles malditos números, mas não demorou muito para eu conhecer a palavra tara em outro contexto. Eu só não entendia como um caminhão poderia ter tara. Tara para mim era aquela coisa que dava vontade de fazer quando a gente via a Elisabete na escola. Eu não sabia direito o que dava vontade de fazer, mas sabia que não era muito bom comentar, principalmente em casa.

Mas a Tara do caminhão, para quem nunca teve a curiosidade de saber de que se trata, é simplesmente a subtração do peso bruto pelo peso da carga. Em outras palavras, o peso do caminhão vazio. Simples assim, a Tara.

Lembrei disso tudo porque flagraram o chefão da Federação Internacional de Automobilismo explorando a sua tara. Ele não subtraiu o bruto pelo líquido, como nos caminhões, mas podemos dizer que ele misturou um pouco dos dois.
O sujeito foi flagrado vestido de comandante nazista num quarto com algumas moças do ramo. Parece que teve chicotinho, e palmadas no bumbum.

Então o mundo diz: Oh, que coisa terrível, uma pessoa tão séria fazendo essas safadezas! E vestido de nazista ainda!

Eu já acho que o senhor Max Mosley (o nome do dito cujo) pode fazer o que bem entender. Tara todo mundo tem, e se o cara não reprime as dele, tanto melhor. Tem gente reprimida demais nesse mundo.

E já está na hora de desmistificar essa coisa de nazismo. Vestir-se de Cossaco pode. Vestir-se de Cavaleiro Templário pode. Vestir-se de Pol Pot pode. Vestir-se de Churchill pode. De nazista não pode.

Se entre quatro paredes o cara quer ser o Hitler, que seja, oras. Tara é tara. E não vejo nisso apologia nenhuma ao nazismo. Vejo até uma certa ridicularização. Some-se a isso o fato de que o pai do senhor Mosley era amigão do Hitler. O que será que o menino Max viu na infância que possa ter influenciado as suas taras?

Aposto que, se na época de Hitler já existisse celular com câmera, o bruto ditadorzão tava lascado.

terça-feira, 25 de março de 2008

Como andar de bicicleta

- Numa boa, eu já te falei o que é isso.
- - O que?
- Estamos ficando velhos.
- Isso é bobagem. Temos só 30 anos. Não é o suficiente para causar todo esse estrago. Ou é?
- É isso sim. Para sobrevivermos aos 40 temos que nos mexer já.
- E vamos fazer o que?
- Exercício. Chega de ser sedentário.
- Putz, não tem outro jeito não?
- Que outro jeito?
- Sei lá. Um comprimido, uma massagem, ou uma injeção que seja.
- Caramba. Você prefere tomar uma injeção do que fazer exercício?
- Claro. Todo mundo. Você vê, de graça, até injeção na testa, mas nada de correr na esteira…
- Faz sentido.
- Todo.
- Mas não tem jeito não. Nosso problema só se resolve com exercício. Escolhe um aí.
- Ah, sei lá. Qual que tem?
- Como qual que tem? Você quer o que? Um cardápio de exercícios?
- É assim que entendo o mundo. Cardápios ou catálogos.
- Bem, então vai ter que aprender uma coisa ou outra agora. Não se precisa de cardápio para fazer exercício, está em nossa natureza.
- Cara, numa boa, minha ligação mais próxima com a natureza é o tabaco do meu charuto.
- Ok. Vou facilitar pra você. Você pode correr.
- Correr de que? Pra onde?
- Só correr.
- Mas por qual motivo?
- Pra fazer exercício.
- Não faz sentido. Se for correr tem que ser para algum lugar.
- Não precisa. Você pode correr na esteira.
- Ah sim, agora faz sentido. Vou ficar me matando de correr para não sair do lugar.
- Ta bom , ta bom. Então nada.
- Nada? Ótimo, isso eu sei fazer bem.
- Palhaço. Natação. É o exercício mais completo que existe.
- Ah, eu não acredito em natação. Acho que não é exercício.
- Como assim?
- Não acredito num exercício que não te faz suar.
- Mas você está dentro da água, como poderia suar.
- Não me importa. Só é exercício quando sua. Isso eu sei. Vi na ESPN.
- Falaram isso na ESPN?
- Não. Mas é a única fonte que lembrei.
- Numa boa. Chega.
- Ótimo, paramos com essa besteira então.
- Paramos vírgula. Você parou. Eu vou fazer exercício.
- Pó.
- Pó o que?
- Achei que estávamos juntos nessa.
- Nessa o quê?
- Ah, nessa. De morrer com 40.
- Não, eu tenho muito o que fazer ainda depois dos 40.
- O que por exemplo?
- Escrever um livro, plantar uma árvore, ter um filho…
- Blé. Bando de coisa sem graça.
- Pagar mais barato por ser idoso.
- Hummm. Verdade.
- É.
- Me convenceu. Me ajuda aí. Eu faço exercício. Faço o que você fizer. É só falar.
- Vou andar de bicicleta.
- Ah, isso eu não posso. Já faz muito tempo que não ando. Esqueci como faz. Melhor deixar pra lá.