sexta-feira, 25 de julho de 2008
Hummm
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Pelo amor de Deus, um dicionário!
Ao ouvir isso, comecei a refletir (pasmo!) sobre a situação atual brasileira, e porque não, mundial.
Será que as pessoas não sabem mais o que falam? Só repetem o que ouvem por aí. Imaginem só, uma multidão gritando empolgada: “Só tem mulher de bunda caííída, mexe demais !” Isso é, no mínimo, ridículo.
Para confirmar meu abismo (conjugação do verbo “abismar”- Eu abismo, Tu Abismas, e etc), numa das aulas de Sociologia da Era Virtual, analisamos a nossa era atual, dominada pelo Tecnocentrismo (precedido do Antropocentrismo), onde conceitos como Tautologia, Hipertelia, Circularidade e Comutação, mostram o quanto que nossa sociedade é superficial e despreocupada com a significação (no sentido semiótico) dos termos.
Estamos na Era do “Achismo”. Hoje em dia, ninguém estuda mais nada profundamente, ninguém conhece nada profundamente. O simples fato de ler uma reportagem sobre fertilização de elefoas com óvulos de mamutes pré-históricos, já faz de qualquer pessoa, um profundo conhecedor de genética pré-história criogênica. E o que é pior, uma pessoa que lê essa reportagem, se sente no direito de, no meio de uma discussão de bar, dizer: - “Não ! Vocês sabem que de fertilização de elefoas eu entendo !” E todos se rendem ao argumento de autoridade do interlocutor. Sem nenhum contra-argumento.
Não estou nem falando dos erros e vícios de linguagem que vem se tornando cada vez mais comuns, inclusive dentro dos meios de comunicação de massa. “A nível de” já aparece em diversas publicações de livros (de qualidade duvidosa, mas ainda sim, livros), e o uso excessivo do gerúndio inunda os discursos de pseudo-intelectuais, cuja credibilidade permanece intacta, pela ignorância geral da população.
Os poucos sobreviventes, sentem-se cada vez mais isolados, como em pequenas ilhas de conhecimento rodeadas por um mar de bundas, peitos e silicones protuberantes e descartáveis. Não é difícil ver uma pessoa ser discriminada por utilizar o português corretamente, em uma conversa.Isso tudo chega a ser revoltante. Mas o pior de tudo, é ver alguém reclamando da superficialidade da sociedade sem saber mais da metade dos termos que vomitou em uma crônica. Aliás, eu nem sei se popozuda realmente é “mulher de bunda caída”. Mas um amigo meu disse que ouviu falar que era. Deve ser verdade.
domingo, 13 de julho de 2008
Eu não extou bêbadoooo!!!!
Eu, por exemplo, acho que esse problema dos monitores modernos ficarem se mexendo de um lado para o outro, é realmente muito chato. Eu, se você quiser saber, já estou ficando tonto.
Um dos principais problemas de se escrever um texto bêbado, é que você nunca sabe se um sóbrio conseguirá entender o que você quis dizer. Um bêbado sempre entende outro bêbado, mas eu não sei se você está me entendendo. Eu gostaria muito que você me entendesse, porque você sabe, né!? Eu te de considero pra caramba! Você mora aqui, dentro do meu peito!
Um dos principais problemas de escrever bêbado, é a grande probabilidade de se tornar redundante. E eu odeio pessoas repetitivas.
Um dos principais problemas de escrever bêbado, é a grande probabilidade de se tornar redundante. E eu odeio pessoas repetitivas. Ainda mais aquelas que não param de repetir!
Coesão é uma coisa que não existe num texto bêbado. Eu, por exemplo, acho que esse problema dos monitores modernos ficarem se mexendo de um lado para o outro, é realmente muito chato.
A probabilidade de um bêbado escrever probabilidade como “pobrabilidade”, “problablilidade” ou “plobrabilidade”, é muito grande. Eu, se você quiser saber, já estou ficando tonto.
Não sei o que leva um bêbado a escrever um texto. Eu, por exemplo, odeio pessoas repetitivas!
Um dos principais escritores bêbados de problemas de texto, disse um dia que o bêbado é um …
Cadê o “V” ? O que esse “W” está fazendo entre o “CC” e o “BB” ?!
Um dos principais problemas de bêbado, é não se lembrar do que estava falando, e nunca completar um raciocínio.
Falando nisso, eu acho que estou um pouco bêbado.
É isso …
Alguém disse alguma coisa sobre problabilidade aqui?
É melhor esquecer todo esse papo sobre monitores. Tou ficando com sono.
…
É … pois é …
…
…
Acho que eu vou dormir.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Tempos Modernos
sexta-feira, 27 de junho de 2008
A fruteira está na moda...
Mais um fenômeno da TV, tão descartável como todos os outros, agora surgem por aí mulheres-fruta para povoar o imaginário lascivo dos pobres homens. E mulheres também, por que não?
Passei em frente a uma banca de jornais e vi, pasmado, é claro, gigantescos glúteos na capa de famosa revista de mulher pelada. A legenda dizia que era uma tal Mulher-Melancia, que graças aos predicados e objetos direto da moça, dispensa-se a explicação do epíteto.
Não sei o que a moça faz da vida, não sei se é atriz, cantora de funk ou assistente de palco de algum programa, mas se a genética (ou a medicina) foi generosa com a menina e se ela não se importa em ser uma Pagu da desvalorização feminina, qual o problema de estampar seus glúteos para a patuléia enfurecida?
Em outra revista, na mesma banca, anunciavam com bastante entusiasmo a iminente publicação de uma tal Mulher-Moranguinho do jeito como veio ao mundo. Olhei bastante a foto da moça, mas neste caso não fui capaz de associar as similaridades entre a frutinha e a retumbante menina. Pensei na pele do morango, com diversos buraquinhos e tentei uma analogia com a celulite. Mas lembrei que as pessoas ainda não atingiram ainda um nível de evolução humana suficiente para colocar uma moça com celulite ululante na capa de revista de mulher pelada. Então não poderia ser essa a ligação.
Eu gosto de mulher com celulite. Questão de lógica: TODA mulher tem celulite. Eu gosto de mulher. Portanto, gosto de celulite. É claro que para tudo tem limite.
Não faço idéia porque a Mulher-Moranguinho ganhou este apelido. Como, assim como sua colega, também não faço idéia do que ela faça. Mas isso não importa de qualquer maneira. Eu nunca irei encontrar com nenhuma das duas por aí, então que cada uma fique na sua fruteira.
Agora, eu conheço diversas outras Mulheres-Fruta por aí.
Aqui no prédio onde trabalho, por exemplo, também trabalha a Mulher-Pêra. Ela possui a cabeça pequena e longilínea, um tórax curto e um quadril imenso. Gigante mesmo. De longe, uma pêra. De perto, também.
Nos meus tempos de escola estudei com a Mulher-Laranja. Além da pele grossa, marcada por espinhas, ela gostava de, bem, ela gostava que os meninos fizessem com ela exatamente o que se faz com uma laranja.
Na faculdade havia a Mulher-Jabuticaba. Por motivos parecidos com a descrita acima.
Enfim, bobagens.
Qual será a próxima invenção midiática para vender mocinhas (e revistas) de bom acabamento? Mulher-Fruto-do-mar? Mulher-Papelaria? Mulher-Supermercado? Mulher-Minerais?
Mulher-Celulite?
Duvido.
domingo, 22 de junho de 2008
Crescendo
sábado, 31 de maio de 2008
Amor Político
Alguns sentiram falta dos textos em que falo sobre o Amor. Mas, é que para se escrever sobre o Amor, é necessário de um pouco de sofrimento. E, na atual conjuntura, não me encontro sofrido. Tão pouco sofrível. Porém, como os pedidos foram muitos, eis que estou aqui novamente. Há que se ressaltar que, aqueles que esperam uma crônica melosa, cheia de frases de impacto, esqueçam. Melhor lerem maktub ou algo que o valha. Confesso estar meio que sem paciência para as ditas cartas de amor. O Amor, assim como tudo em nossa sociedade, é algo politizado. E, ele é assim, desde os primórdios. Com Adão e Eva, havia um Amor incondicional que o Todo-poderoso tinha com os dois. Mas, como o ser humano é passível de erros, foram traí-Lo justo com uma maçã. Digamos à fome. Enfim... Quem dera eu tivesse a máquina do tempo de Júlio Werner para, aí sim, relatar sobre todas as formas de amor. Mas, como não o tenho, utilizo-me da minha parca memória. Com o passar do tempo, o amor foi tomando formas. No surgimento do Código de Hammurabi, no “olho por olho e dente por dente”, o Amor seguia as tendências da época, qual seja: “dá ou desce”. Essa coisa de meio termo, de “ah, vamos conversar”, inexistia à época. Evoluindo a humanidade e, como Amor é algo milenar e passa por transformações, surge o Amor Feudal, baseado no sistema de suserania e vassalagem: “você me ama e acabou-se”. Os senhores feudais mantinham, sob sua guarda, toda a vassalagem amorosa perto de seus castelos e, quando enjoavam, faziam suas trocas de amor. Tempos depois, perceberíamos que isso, nada mais era, do que juras de amor que nunca são cumpridas. Passado a parte dos escambos, permutas e trocas muitas vezes não igualitárias, já que não havia maneiras de se medir amores, e eles vão e vem, o capitalismo amoroso veio pra ficar mesmo. E fica até hoje. Impregnou. Na verdade, não tivemos uma Revolução Industrial, mas uma Revolução Amorosa. Algo como: “quanto vale o amor que eu sinto por você?”. Depois disso, a vida dos apaixonados e amantes nunca mais foi a mesma, haja vista os inúmeros processos milionários que envolve os divórcios mundo afora. Esse amor é conhecido, também, como o Amor Capital, onde a troca feudal foi esquecida para dar lugar no “que é que eu vou lucrar com esse amor?”, como ouvimos à boca pequena e larga. Mas, não é só de mazelas que vive a humanidade. O Amor, como ser mutável que é, necessitava de outras revoluções, de transformações. Eis que surge Marx para dar uma nova cara. Não que fosse algo muito melhor, mas era de bom tom que o Amor fosse algo mais... mais... comum, de todos e para todos. O Amor comunista veio, principalmente nas entranhas das universidades, para ficar. Era necessário socializar o Amor. Coisas como “ah, amar apenas uma pessoa é egoísmo demais”. Com a entrada do Amor Socialista, nada a ver com amores de socialites, houve um maior compartilhamento do Amor e um retorno ao tempo de Cristo, o maior comunista da história, “amem uns aos outros”. Aí foi aquela loucura de distribuição amorosa mundo afora e, principalmente, adentro. Tendência natural da espécie, necessitávamos de que o Amor, retornando à Roma de Grécia, se tornasse uma res publica, uma coisa pública de fato. Daí, tornaram-se comuns as serenatas debaixo das janelas. O problema de se tornar algo tão íntimo público, era o famigerado olho gordo. Houve, então, uma mistura do Amor Republicano com o Amor Capital: quem tem mais, leva. Com o tempo, perceberam que a alma do amor é o segredo. Algo velho, mas que denominaram de “amor platônico”. Bom mesmo foi a invenção do Amor Ditatorial: “Você me ama porque eu quero e pronto. Não resmunga e nem dê siricuticos”, e a pessoa saia cabisbaixa, pois sabia que era a parte hipossuficiente da relação. Tempos depois, o isso seria chamado de ciúmes, pois sabe-se que todo ditador é um tanto quanto inseguro e quer, sempre que pode, manter o controle, custe o que custar. O surgimento do Amor monárquico foi algo estupefato. Em alguns lugares ainda persistem: “O Amor sou eu”, embora, houve grande confusão, principalmente, pelo surgimento, como o descrito nesse parágrafo, pelo Amor Absolutista. Um amor interessante, nessa mesma linhagem da monarquia, foi o Amor Esclarecido: “Te amo e você sabe, mas amo outras também”, sinceridade antes de qualquer coisa. Ah... mas o grande invento do ser ainda estava por vir: o Amor Anárquico. Fácil de se entender, afinal, “é ninguém é de ninguém”, sem essa coisa de exclusividade. Daí surgiram movimentos como o movimento hippie, que se perpetua, assim como no Amor Social e Comunista, nas universidades. Porém, impossível não falar do Amor Democrático, afinal, o Amor emana do povo. E, nessa emanação de Amor, carinho e afeto, “é tudo nosso”. E tem sido assim: o Amor é de todos e compartilhado por poucos, mas está lá para quem o quiser viver. E, por último, há o Amor Ideal. Porém, como idealistas são apaixonados e nunca amantes, conclui-se que esse Amor é natimorto. O Amor Ideal não existe, mas há quem tenha esperanças de vivê-lo algum dia. |
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Hehehe
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Como usar o anel
De personalidade bem sentimental, nunca dizia "não" quando lhe pediam um favor, por mínimo que fosse. Era prestativa com todos que conhecia.
Extremamente religiosa, freqüentava assiduamente as missas dominicais. Na hora da comunhão, colocava o véu branco sobre a cabeça e dirigia-se ao altar para receber a hóstia consagrada.
A família de Karina era tradicionalíssima. Havia certa rigidez na educação da filha mais velha, afinal, ela tinha que ser exemplo ao irmão mais novo que passava pela "aborrescência", dando suas cabeçadas típicas da idade. Mas Karina tinha um zelo todo especial para com o irmão.
Um belo dia, Karina começa a namorar. Claro que o conhecera na igreja. Rapaz pacato, não estressava com nada. O que lhe chamou mais atenção, era o cabelo cacheado de Karina, uma ovelha, praticamente. Ah, como ele adorava se entrelaçar naqueles cachos.
Na quermesse tradicional da igreja, ela leva Vinícius para conhecer o Seu Paulo. No balanço da quadrilha, Seu Paulo vê a filha de mão dada com o cidadão. Eles vão se aproximando e, para surpresa de Karina, os dois se abraçam e começam a lembrar momentos inenarráveis do futebol no clube. Há anos o dois jogam futebol aos domingos. Claro que a aprovação do namorado foi imediata.
E assim passaram-se os dias, meses, anos. O casal de namorados sempre juntos. Tudo o que um queria fazer, o outro fazia companhia. Até na sinuca do Centro Acadêmico da faculdade, Karina estava lá para apoiar o namorado. Na Interfono, Vinícius presenciou a namorada jogando basquete com suas amigas. Levava pompom, era torcedor fanático. De carteirinha!
Com o tempo, os amigos começam a reclamar da ausência de Vinícius. Vez ou outra, ele conseguia um "mandado de soltura" para jogar uma sinuquinha com os amigos e tomar um choppinho, mas esses momentos eram raros, insólitos, pois a menina não o deixava sozinho.
Certo dia, Karina sugere usarem aliança de compromisso. Vinícius aceita de pronto a "exigência", pois sabia que apesar de sua amada ser meiga, ela era um pouco tempestiva, às vezes. Ele já tinha percebido isso. Também, depois de quatro anos de relacionamento, já dava para dar pareceres quanto às características psicológicas de Karina.
Beata que sempre foi, vão à igreja para que o padre Daniel, o cantor, faça a benção das alianças. Para Karina, aquele era o momento mais importante de sua vida. Chorava copiosamente, parecia que estavam casando, o que de fato, para ela, era isso mesmo. Vinícius suava em bicas. Estava nervoso, ainda mais com a presença de seus amigos.
Convidaram parentes, fizeram juras de amor eterno, só faltou Seu Paulo entrar triunfalmente à igreja com a filha. Vinícius ficava na dele, tímido, comedido em virtude do pseudoconúbio, mas não tinha como dizer não à Karina, que estava eufórica, radiante com a novidade. Queria mostrar a nova aquisição a todas as amigas da faculdade, da rua, para que todas morressem de inveja. Já os amigos de Vinícius...
Passadas as comemorações, vieram as recomendações. Karina fez uma cartilha de como Vinícius deveria se portar com a aliança e como deveria cuidar da mesma.
- Tchu, é bem simples, tá?
- Tá.
- Primeiro você tem que limpar todo final de semana, senão ela fica encardida e feia. Aí acharão que você é um porquinho. Se não souber lavar, pede pra mim, que eu limpo, tá?
- Tá.
- Já imaginou você com uma aliança toda encardida e eu apresentando você para as minhas amigas? Iria passar uma vergonha absurda. Por isso...
- Amor, não é melhor eu deixar a aliança no bolso?
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Feliz Aniversário!!!
Nem todo voto é secreto.
Nem toda arte é dom.
Nem todo amigo é discreto.
Nem toda agenda é diário.
Nem todo dia é aniversário!!!
sexta-feira, 2 de maio de 2008
A sorte está mais perto do que pensamos!
Isso é ter sorte? Isso é ser contemplado pelas mãos divinas da sorte?
Ser diretor de uma multinacional é ter sorte? Ter discernimento, suficiente, para conversar é ter sorte? Receber um elogio é ter sorte?
O que é a sorte, afinal?
Sorte é nascer belo? Quiçá, ainda, rico? É ser amado por todos? É ser o mais votado nas eleições? É estar entre os primeiros da classe? É ter inteligência? É ler bons livros?
Isso é sorte?
Sorte é não ter nascido no Brasil na Ditadura militar? É ter sido amigo do Herzog? É ter vivido pela pátria e morrer sem razão? É ter vivido de uma Construção? Ou ter tido um caro amigo para lhe mandar boas notícias?
Você tem sorte?
Ser sortudo é ter o que ninguém tem? É pensar o que ninguém pensa? É usar da criatividade que ninguém usa? É se valer de um pouco de cérebro que acha ter? É dizer aquilo que não é para fazer média aos outros?
O que é ter sorte?
É ser altruísta? É ser um apaixonado por um ideal? Um idealista? Ter sorte é ter caráter? É ter aquilo que todos almejam? Conseguir um trabalho que pague bem?
Consortes, nós?!
Ter sorte é não sentir inveja? É orgulhar-se pelo êxito do amigo? É embebedar-se numa sempre e tenra companhia? É saber que sempre há alguém a nossa espera sedento por carinhos de redenção?
Isso não é ter sorte.
Tudo isso é vontade de querer sempre mais. É ter a perspicácia de acreditar em você mesmo sempre. É saber do seu real valor não aos outros, mas a ti mesmo.
Ah... ter sorte...
Ter sorte é acreditar que vale à pena. É se arriscar ao novo. É saber viver de mudanças, pois elas vêem a todo instante. É saber que sempre podemos mais. É não se perder em confusões cerebrais. É desfrutar do hoje, do agora.
Ter sorte é, simplesmente, saber viver.Quantos de nós temos sorte e não sabemos...
sexta-feira, 25 de abril de 2008
É um pássaro? É um avião?
Estão dizendo que seria cômico se não fosse trágico. Pois eu acho cômico de qualquer maneira.
Nesse turbilhão de desgraças e sensacionalismos, de crianças arremessadas pela janela em São Paulo (que a imprensa divulga), de crianças estupradas, torturadas e mortas no nordeste (que a imprensa não divulga), é uma certa bênção que apareça um padreco estúpido para nos fazer rir um pouco.
Até o momento que escrevo, o cenário é o seguinte: um padre do Paraná resolveu bater o recorde de permanência no ar em balões de festa. O sujeito queria ir de Paranaguá até Ponta Grossa pendurado em balões de festa(!). O vento o levou para o mar e o cretino está desaparecido.
Se a idéia dele era entrar para o Guinness Book, acho que vai conseguir. Na categoria estupidez, é claro.
Mas deixe-me reconhecer que o padreco ao menos era (no passado, porque acho que no mínimo, ele morreu) um cidadão precavido: alçou vôo equipado com GPS e telefone via satélite. O porém é que o infeliz não sabia operar um GPS e o telefone estava com a bateria fraca. Ele merece o título de sujeito mais estúpido do mundo com louvor.
Havia também uma causa social que o pusilânime queria levar aos céus: divulgar a Pastoral Rodoviária, que até onde eu li, apóia os caminhoneiros.
A besta quadrada faz um vôo estúpido com balões de festa para divulgar uma ajuda a caminhoneiros? Caminhoneiros? Se ainda fosse para divulgar alguma pastoral que ajudasse os aeronautas até que tudo bem, mas caminhoneiros?
Então por que o idiota não fez um jejum na caçamba de um caminhão e cruzou o país nas estradas? Teria mais a ver com a Pastoral Rodoviária do que um vôo com balões de festa(!), embora o jejum cruzando o país também seja uma idéia de jerico.
É impossível não fazer troça com o ocorrido. E pelo que eu vi aí nos jornais, o Padre Cururu não era muito humilde em suas posições. Havia, inclusive, sido convidado a se retirar de um curso de aviação por não freqüentar as aulas. Principalmente a aula de meteorologia. Sim, é pra rir mesmo. O sujeito se julgava um expert.
A seqüência de burradas do vigário é tão absurda que parece coisa de filme. Um filme de comédia, claro. Steve Martin ficaria perfeito interpretando o nosso intrépido aeronauta de balões de festa(!).
É cada uma que acontece... ao menos o indivíduo levou sua mensagem bem longe. O mundo inteiro está comentando a aventura do padre.
Comentando e morrendo de rir. O padre virou motivo de piada.
Mas ouvi na padaria uma senhora em trajes bastante beatos que na verdade aquele era um padre santo. E que quando subiu com seus balões coloridos, deus o tomou na palma da mão e ficou com ele lá no céu.
A estupidez não tem limite.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Sobre Mulheres e Futebol
- Como estão as coisa?
sexta-feira, 4 de abril de 2008
O bruto e a tara
Eram sempre dois números muito grandes. Um era um tal de Lot. e o outro era uma tal de Tara.
Eu ficava de olho nos caminhões que passavam para saber quem seria o campeão de maior Lot. ou o de maior Tara, e dava-lhes algum prêmio imaginário.
Demorou muitos anos para eu saber o que significavam aqueles malditos números, mas não demorou muito para eu conhecer a palavra tara em outro contexto. Eu só não entendia como um caminhão poderia ter tara. Tara para mim era aquela coisa que dava vontade de fazer quando a gente via a Elisabete na escola. Eu não sabia direito o que dava vontade de fazer, mas sabia que não era muito bom comentar, principalmente em casa.
Mas a Tara do caminhão, para quem nunca teve a curiosidade de saber de que se trata, é simplesmente a subtração do peso bruto pelo peso da carga. Em outras palavras, o peso do caminhão vazio. Simples assim, a Tara.
Lembrei disso tudo porque flagraram o chefão da Federação Internacional de Automobilismo explorando a sua tara. Ele não subtraiu o bruto pelo líquido, como nos caminhões, mas podemos dizer que ele misturou um pouco dos dois.
O sujeito foi flagrado vestido de comandante nazista num quarto com algumas moças do ramo. Parece que teve chicotinho, e palmadas no bumbum.
Então o mundo diz: Oh, que coisa terrível, uma pessoa tão séria fazendo essas safadezas! E vestido de nazista ainda!
Eu já acho que o senhor Max Mosley (o nome do dito cujo) pode fazer o que bem entender. Tara todo mundo tem, e se o cara não reprime as dele, tanto melhor. Tem gente reprimida demais nesse mundo.
E já está na hora de desmistificar essa coisa de nazismo. Vestir-se de Cossaco pode. Vestir-se de Cavaleiro Templário pode. Vestir-se de Pol Pot pode. Vestir-se de Churchill pode. De nazista não pode.
Se entre quatro paredes o cara quer ser o Hitler, que seja, oras. Tara é tara. E não vejo nisso apologia nenhuma ao nazismo. Vejo até uma certa ridicularização. Some-se a isso o fato de que o pai do senhor Mosley era amigão do Hitler. O que será que o menino Max viu na infância que possa ter influenciado as suas taras?
Aposto que, se na época de Hitler já existisse celular com câmera, o bruto ditadorzão tava lascado.
terça-feira, 25 de março de 2008
Como andar de bicicleta
- Numa boa, eu já te falei o que é isso.
- - O que?
- Estamos ficando velhos.
- Isso é bobagem. Temos só 30 anos. Não é o suficiente para causar todo esse estrago. Ou é?
- É isso sim. Para sobrevivermos aos 40 temos que nos mexer já.
- E vamos fazer o que?
- Exercício. Chega de ser sedentário.
- Putz, não tem outro jeito não?
- Que outro jeito?
- Sei lá. Um comprimido, uma massagem, ou uma injeção que seja.
- Caramba. Você prefere tomar uma injeção do que fazer exercício?
- Claro. Todo mundo. Você vê, de graça, até injeção na testa, mas nada de correr na esteira…
- Faz sentido.
- Todo.
- Mas não tem jeito não. Nosso problema só se resolve com exercício. Escolhe um aí.
- Ah, sei lá. Qual que tem?
- Como qual que tem? Você quer o que? Um cardápio de exercícios?
- É assim que entendo o mundo. Cardápios ou catálogos.
- Bem, então vai ter que aprender uma coisa ou outra agora. Não se precisa de cardápio para fazer exercício, está em nossa natureza.
- Cara, numa boa, minha ligação mais próxima com a natureza é o tabaco do meu charuto.
- Ok. Vou facilitar pra você. Você pode correr.
- Correr de que? Pra onde?
- Só correr.
- Mas por qual motivo?
- Pra fazer exercício.
- Não faz sentido. Se for correr tem que ser para algum lugar.
- Não precisa. Você pode correr na esteira.
- Ah sim, agora faz sentido. Vou ficar me matando de correr para não sair do lugar.
- Ta bom , ta bom. Então nada.
- Nada? Ótimo, isso eu sei fazer bem.
- Palhaço. Natação. É o exercício mais completo que existe.
- Ah, eu não acredito em natação. Acho que não é exercício.
- Como assim?
- Não acredito num exercício que não te faz suar.
- Mas você está dentro da água, como poderia suar.
- Não me importa. Só é exercício quando sua. Isso eu sei. Vi na ESPN.
- Falaram isso na ESPN?
- Não. Mas é a única fonte que lembrei.
- Numa boa. Chega.
- Ótimo, paramos com essa besteira então.
- Paramos vírgula. Você parou. Eu vou fazer exercício.
- Pó.
- Pó o que?
- Achei que estávamos juntos nessa.
- Nessa o quê?
- Ah, nessa. De morrer com 40.
- Não, eu tenho muito o que fazer ainda depois dos 40.
- O que por exemplo?
- Escrever um livro, plantar uma árvore, ter um filho…
- Blé. Bando de coisa sem graça.
- Pagar mais barato por ser idoso.
- Hummm. Verdade.
- É.
- Me convenceu. Me ajuda aí. Eu faço exercício. Faço o que você fizer. É só falar.
- Vou andar de bicicleta.
- Ah, isso eu não posso. Já faz muito tempo que não ando. Esqueci como faz. Melhor deixar pra lá.
terça-feira, 11 de março de 2008
Minha casa, seu apto.
| - … que eu fico vendo esse povo aí, apertado. Um em cima do outro feito caixa de sapato. Tudo empilhado. - Que nada, isso é só um pequeno detalhe perto da comodidade e segurança. - Que segurança que nada. Você acha que só de estar morando nesses pombais você está seguro? Que ninguém assalta apartamento? - É, porquê? Não? - Claro que não! A segurança do seu prédio é proporcional ao grau de instrução do seu porteiro. - Put…que o par… - É negão, se o seu porteiro é uma porta, se me permite o trocadilho, você já era; digo, seu apartamento. - Put… merd… nunca tinha pensado nisso. - É que eu sou gênio, então eu penso nessas coisas sabe… - Mas mesmo assim, um sujeito que tém uma casinha, está sujeito – se você também me permite – a qualquer; e digo qualquer tipo de assaltante, é só ter uma casa sem ninguém durante um período do dia e pimba! - Pimba! - É, eu não sabia outra palavra… me deixa. O que acontece é que em prédios com porteiros, ainda que medíocres, você sempre tem “alguém” em casa para intervir e até mesmo pegar correspondências, ó só! - Caixa de correio também pega correspondência. - Mas não dá bom dia, boa noite… - Não duvide! - Qual é a questão então? - Eu prefiro casa, liberdade de ir e vir. Eu gosto de poder abrir a porta e já estar no meu quintal, jardim, garagem, pegar o carro e passear ou mesmo a pé. Poder pular e gritar quando o meu time ganha o campeonato sem que alguém me interfone por causa do barulho. Eu gosto depoder receber meus amigos, dar uma festinha e terminar a hora que eu quiser sem ter nenhuma vizinha com filho pequeno no apartamento do lado que me ligue por causa da bagunça às 3 horas da matina. - Ah, tá. Eu já, não; prefiro morar empilhadinho – tem mais calor humano – e sem quintal. Não tenho tempo pra cuidar de planta, mal sobra tempo pra mim! Aprecio o bom futebol mas por razões desconhecidas meu time é o Madureira. Receber amigos eu adoro, mas só para jantar; tenho 37 anos e vamos concordar que festinha não é bem o que eu costumo fazer, além do que, não posso beber nada alcóolico por causa do fígado. - E se a vizinha com a criança ligar pra reclamar, o que você faz? - Meu apartamento é um por andar… |
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Voltei
O estresse é pelo motivo de sempre: política, sociedade, o clima quente de Fortaleza, essas coisas todas. Mas o fato é que senti saudade. Saudade de estar aqui com vocês compartilhando não só do estresse, mas dessa coisa boa que é escrever, cronicar para o desconhecido leitor que me acompanha, passa aqui sem querer ou é ‘indicado’ a entrar aqui.
Não foi pela falta de idéias que deixei de publicar. Tão pouco pela preguiça. Só digo que essa coisa de trabalhar demasiadamente cansa. E como cansa. Escrever para o blog, ensinar em um canto, trabalhar noutro e "politicar" num diferente, é coisa de louco, gente. Dá um nó no cérebro que é impressionante.
Não que seja ruim, mas é que é muito pensar. Há anos não me sinto assim, cansado. Mas sinto que vale a pena.
Sei, também, que essa coisa de promessas não dá. E não prometerei não falhar mais aqui. Porém, em contrapartida, me comprometo com vocês. E meu compromisso é de estar aqui, semanalmente, nessa coluna dizendo algo de (in)útil.
Confesso que não estar aqui me fez falta. Dá aquela sensação vazia de não estar, de nada fazer, de nada comentar com alguém do que escrevi ou, ainda, ouvir alguém dizer que me leu (isso aconteceu uma única vez nesses anos que escrevo aqui).
E, como cronista ausente, entrava aqui todos os dias para ler minhas bobagens. Só que às sextas, faltava algo, percebia que não havia crônicas, digo uma crônica nova.
Pela primeira vez na minha vida, queria me ler. Queria ler algo que eu tivesse escrito, mas nada havia. Deu-me um vazio e senti no olhar o que muitos dos que me acompanharam sentiam a cada sexta sem crônica.
Li cada uma das crônicas que postei aqui com a certeza de que quero continuar, que é bom se distrair ao ler e escrever. E embora essa crônica seja mais uma justificativa injustificada da minha ausência, me comprometo em estar aqui com vocês e não mais lhes abandonar. Afinal, não escrevo para mim, mas para aqueles que me lêem.
Até semana que vem.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Todo cambia
A música de Julio Numhauser, imortalizada na voz de Mercedes Sosa já diz tudo e da forma mais bela possível. Tudo muda, o tempo todo, independente da nossa vontade.
Mas mudanças são sempre difíceis. Sair da zona de conforto, como dizem os experts, requer esforço, e às vezes não queremos esforço nenhum. Me deixa quieto aqui no meu canto que está tudo muito bom.
Tudo muda e, mesmo que quietos no nosso canto, somos varridos de um lado para outro, à mercê da vontade do que alguns chamam ka, outros chamam destino. Fate is a hunter, já diz o ditado.
Já vi, com esses olhos que o fogo há de queimar, quem fosse de tristeza eterna. Pessoas que são derrotadas por si mesmas, que quando perguntamos como tem passado sempre respondem – vou levando – e nunca dizem que está tudo bem. O que se vislumbrava apenas um catre num asilo escuro no futuro dessa pessoa, se torna parque de diversões quando, anos depois, a encontramos jovial, feliz, de riso fácil e sincero, desfrutando a vida como jamais nós mesmos desfrutamos. Quem diria, uma pessoa antes tão triste. O ka trabalhou bem ali.
E já vi o contrário também. Quem de muita alegria se tornar apagado para a própria vida. Tudo muda.
Quem de muitas paixões a vida toda, de repente se entrega de corpo, alma e até conta bancária a um amor apenas. Pleno. Interessante isso.
Já vi quem de muita segurança, opinião forte e pétrea, astúcia afinada e perspicácia infalível durante a vida toda, ficar, sem grandes motivos, insegura, agindo de forma estúpida, deixando todos em volta com uma grande interrogação pairando sobre a cabeça.
Eu, é claro, já mudei muitas vezes. “Se tudo muda, que eu mude não é estranho.”
Defender apaixonadamente uma idéia durante anos. Quem já não fez isso? E quando a mão do tempo dá-lhe um piparote na nuca, aquela idéia, tão perfeita, tão indiscutível, se torna simplesmente infantil. Infantil como achar que tudo vai ficar da mesma maneira para sempre.
O Orlane que começou a escrever este texto não é o mesmo Orlane que vai terminá-lo. Como você, leitor, que também não é mais o mesmo desde que passou os olhos pelo primeiro parágrafo.
Nem este próprio texto será o mesmo com o passar dos anos.
E, se tudo muda o tempo todo, vamos nos apegar a quê? No fundo, todos nós sabemos a que se apegar.
“Muda o superficial, muda também o profundo, muda o modo de pensar, muda tudo neste mundo”.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Um pouco de tudo
- Não tanto quanto eu gostaria.
- Hehehe, bem que seu pai me falou que você era diferente.
- Diferente? Como assim?
- Ah, meio assim, tchop-tchura.
- Tchop-Tchura?
- É, meio assim alternativo…
- Ahhh…
- Mas me fale garoto, no que posso te ajudar?
- Olha Paulo, não sei se meu pai te adiantou alguma coisa. Mas eu estava precisando de um emprego mesmo. Como o senhor trabalha em diferentes áreas achei que poderia ter alguma coisa interessante.
- Sim claro. Faço de tudo pelo seu pai. Um grande homem. Ajuda a todos.
- É, é mesmo.
- Uma vez estávamos pescando no Pantanal e ele salvou minha vida.
- Jacaré?
- Não, ia levar pro rancho uma paraguaia chamada Ramon. Ele que impediu.
- Jura, ele te avisou?
- Não, ele tinha me dado uma daquelas cápsulas de alho para espantar mosquito. Descobri que espanta travesti também.
- Hummm…entendi…
- Mas me fale. No que você gostaria de trabalhar.
- Bem, pra ser bem sincero com o senhor não tenho idéia.
- Não tem idéia? Como assim? Você não é formado?
- Sou sim. Em comunicação social.
- Então, perfeito. Estava precisando de alguém para criar os banners que colocamos nas lojas. Tem um moço do financeiro que faz pra gente, mas não gosto muito. Você pode fazer como eu sempre quis. Te passo o que quero e você cria.
- Hummm…é…pode ser…
- Que foi? Não gostou da idéia?
- Imagina senhor. Gostei sim. Mas é que imagino que o senhor tenha ótimas idéias, seria inútil na empresa. Queria fazer algo que fosse útil de verdade.
- Entendo. Bem, você precisa me ajudar então senhor Cristiano. Do que entende?
- De tudo.
- De tudo? Como assim?
- É sou maníaco por informação, então acabo entendendo um pouco de tudo.
- Então ótimo. É só escolher. Nosso departamento de vestuário está precisando de gente. Você entende de moda?
- Entendo.
- Então pronto, fica na parte de novos designs.
- Olha, eu entendo, mas não sei desenhar nada. O máximo que sairia seria as roupas da Turma da Mônica.
- Hummm…entendo. E tecnologia? Você entende?
- Entendo sim senhor.
- Fantástico. Nosso administrador de redes pediu licença para ir ver a pré-estréia do último filme do Homem-Aranha e nunca mais voltou. Você entende de computadores?
- Entendo sim senhor, mas apesar de conhecer os tipos de servidores, sistema de senhas, permissão de conteúdo e gerenciamento de arquivos, não sei lhufas de administração de redes. Não controlaria bem o acesso nem a um Pense Bem.
- Hummm…então deixa eu entender…
- Sim.
- Você disse que entende um pouco de tudo.
- Isso.
- Diz que conhece todo tipo de assunto.
- Isso.
- Você por acaso entende tudo de alguma coisa.
- Errr…creio que não.
- Então você não entende é de nada.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Só palavras
É muito interessante tal mister de escrever, escrever, escrever. Jogar palavras ao vento, mesmo que seja um vento eletrônico.
Enfileirar letras, separando-as por espaços, formando palavras. E depois enfileirar palavras para dizer algo que vai voar por aí entre bits e bytes e chegar a alguém. Alguém que vai dar alguma importância para as palavras. Ou que não vai dar importância nenhuma.
Palavras que saem da ponta dos meus dedos e que podem fazer pensar, rir, chorar até, ou mesmo podem não fazer nada. Não-palavras.
Palavras podem influenciar? Não sei, sinceramente não sei. Não consigo vislumbrar qual tipo de influência as palavras que eu coloco na tela possa causar.
Comunicar sem endereço certo é prática milenar, mas mesmo assim causa certo desconforto. Não sei se uma daquelas dente-de-leão se importa com o lugar onde suas sementes vão cair quando o vento bate ou quando uma criança a assopra. Eu também não sei se me importo, na verdade, onde minhas palavras vão aterrissar.
Mas me importo, sim, como vão aterrissar. Escrevo o que bem entender, sobre o que me der na veneta, da maneira que eu falaria com você se estivéssemos numa sala de estar ou na mesa de um restaurante, mas não quero ser mal interpretado. Ninguém quer ser mal interpretado. Então sempre espero que minhas palavras aterrissem diante dos seus olhos sem grandes solavancos e sem derrapar na pista.
Mesmo que o conteúdo não seja lá muito requintado.
Até porque tenho a impressão de que você não quer chegar aqui e ler algo muito requintado. São crônicas, afinal. Não uma tese de doutorado.
Se falta a veia dramática, talvez tenha a cômica. Se falta a cômica, talvez eu apareça com alguma ácida. Se falta acidez, posso tentar ser crítico. Mas vou sempre tentar enfileirar palavras para jogar ao vento.
E, acreditem, tem dias que o esforço é hercúleo. Escrever com dor de cabeça é terrível. Com qualquer dor escrever é terrível. Se bem que fazer qualquer coisa com dor não é lá muito agradável.
Palavras. Palavras que uso para dizer alguma coisa, mesmo que eu não faça idéia do motivo. Será que quero dizer alguma coisa?
Às vezes não quero dizer nada. Às vezes não quero dizer nada com nada. E não digo, mas escrevo. Alguém, qualquer hora, encontra algum sentido para isso tudo.
Porque palavras sempre dão sentido para alguma coisa.