Nem todo voto é secreto.
Nem toda arte é dom.
Nem todo amigo é discreto.
Nem toda agenda é diário.
Nem todo dia é aniversário!!!
- Numa boa, eu já te falei o que é isso.
- - O que?
- Estamos ficando velhos.
- Isso é bobagem. Temos só 30 anos. Não é o suficiente para causar todo esse estrago. Ou é?
- É isso sim. Para sobrevivermos aos 40 temos que nos mexer já.
- E vamos fazer o que?
- Exercício. Chega de ser sedentário.
- Putz, não tem outro jeito não?
- Que outro jeito?
- Sei lá. Um comprimido, uma massagem, ou uma injeção que seja.
- Caramba. Você prefere tomar uma injeção do que fazer exercício?
- Claro. Todo mundo. Você vê, de graça, até injeção na testa, mas nada de correr na esteira…
- Faz sentido.
- Todo.
- Mas não tem jeito não. Nosso problema só se resolve com exercício. Escolhe um aí.
- Ah, sei lá. Qual que tem?
- Como qual que tem? Você quer o que? Um cardápio de exercícios?
- É assim que entendo o mundo. Cardápios ou catálogos.
- Bem, então vai ter que aprender uma coisa ou outra agora. Não se precisa de cardápio para fazer exercício, está em nossa natureza.
- Cara, numa boa, minha ligação mais próxima com a natureza é o tabaco do meu charuto.
- Ok. Vou facilitar pra você. Você pode correr.
- Correr de que? Pra onde?
- Só correr.
- Mas por qual motivo?
- Pra fazer exercício.
- Não faz sentido. Se for correr tem que ser para algum lugar.
- Não precisa. Você pode correr na esteira.
- Ah sim, agora faz sentido. Vou ficar me matando de correr para não sair do lugar.
- Ta bom , ta bom. Então nada.
- Nada? Ótimo, isso eu sei fazer bem.
- Palhaço. Natação. É o exercício mais completo que existe.
- Ah, eu não acredito em natação. Acho que não é exercício.
- Como assim?
- Não acredito num exercício que não te faz suar.
- Mas você está dentro da água, como poderia suar.
- Não me importa. Só é exercício quando sua. Isso eu sei. Vi na ESPN.
- Falaram isso na ESPN?
- Não. Mas é a única fonte que lembrei.
- Numa boa. Chega.
- Ótimo, paramos com essa besteira então.
- Paramos vírgula. Você parou. Eu vou fazer exercício.
- Pó.
- Pó o que?
- Achei que estávamos juntos nessa.
- Nessa o quê?
- Ah, nessa. De morrer com 40.
- Não, eu tenho muito o que fazer ainda depois dos 40.
- O que por exemplo?
- Escrever um livro, plantar uma árvore, ter um filho…
- Blé. Bando de coisa sem graça.
- Pagar mais barato por ser idoso.
- Hummm. Verdade.
- É.
- Me convenceu. Me ajuda aí. Eu faço exercício. Faço o que você fizer. É só falar.
- Vou andar de bicicleta.
- Ah, isso eu não posso. Já faz muito tempo que não ando. Esqueci como faz. Melhor deixar pra lá.
| - … que eu fico vendo esse povo aí, apertado. Um em cima do outro feito caixa de sapato. Tudo empilhado. - Que nada, isso é só um pequeno detalhe perto da comodidade e segurança. - Que segurança que nada. Você acha que só de estar morando nesses pombais você está seguro? Que ninguém assalta apartamento? - É, porquê? Não? - Claro que não! A segurança do seu prédio é proporcional ao grau de instrução do seu porteiro. - Put…que o par… - É negão, se o seu porteiro é uma porta, se me permite o trocadilho, você já era; digo, seu apartamento. - Put… merd… nunca tinha pensado nisso. - É que eu sou gênio, então eu penso nessas coisas sabe… - Mas mesmo assim, um sujeito que tém uma casinha, está sujeito – se você também me permite – a qualquer; e digo qualquer tipo de assaltante, é só ter uma casa sem ninguém durante um período do dia e pimba! - Pimba! - É, eu não sabia outra palavra… me deixa. O que acontece é que em prédios com porteiros, ainda que medíocres, você sempre tem “alguém” em casa para intervir e até mesmo pegar correspondências, ó só! - Caixa de correio também pega correspondência. - Mas não dá bom dia, boa noite… - Não duvide! - Qual é a questão então? - Eu prefiro casa, liberdade de ir e vir. Eu gosto de poder abrir a porta e já estar no meu quintal, jardim, garagem, pegar o carro e passear ou mesmo a pé. Poder pular e gritar quando o meu time ganha o campeonato sem que alguém me interfone por causa do barulho. Eu gosto depoder receber meus amigos, dar uma festinha e terminar a hora que eu quiser sem ter nenhuma vizinha com filho pequeno no apartamento do lado que me ligue por causa da bagunça às 3 horas da matina. - Ah, tá. Eu já, não; prefiro morar empilhadinho – tem mais calor humano – e sem quintal. Não tenho tempo pra cuidar de planta, mal sobra tempo pra mim! Aprecio o bom futebol mas por razões desconhecidas meu time é o Madureira. Receber amigos eu adoro, mas só para jantar; tenho 37 anos e vamos concordar que festinha não é bem o que eu costumo fazer, além do que, não posso beber nada alcóolico por causa do fígado. - E se a vizinha com a criança ligar pra reclamar, o que você faz? - Meu apartamento é um por andar… |
A música de Julio Numhauser, imortalizada na voz de Mercedes Sosa já diz tudo e da forma mais bela possível. Tudo muda, o tempo todo, independente da nossa vontade.
Mas mudanças são sempre difíceis. Sair da zona de conforto, como dizem os experts, requer esforço, e às vezes não queremos esforço nenhum. Me deixa quieto aqui no meu canto que está tudo muito bom.
Tudo muda e, mesmo que quietos no nosso canto, somos varridos de um lado para outro, à mercê da vontade do que alguns chamam ka, outros chamam destino. Fate is a hunter, já diz o ditado.
Já vi, com esses olhos que o fogo há de queimar, quem fosse de tristeza eterna. Pessoas que são derrotadas por si mesmas, que quando perguntamos como tem passado sempre respondem – vou levando – e nunca dizem que está tudo bem. O que se vislumbrava apenas um catre num asilo escuro no futuro dessa pessoa, se torna parque de diversões quando, anos depois, a encontramos jovial, feliz, de riso fácil e sincero, desfrutando a vida como jamais nós mesmos desfrutamos. Quem diria, uma pessoa antes tão triste. O ka trabalhou bem ali.
E já vi o contrário também. Quem de muita alegria se tornar apagado para a própria vida. Tudo muda.
Quem de muitas paixões a vida toda, de repente se entrega de corpo, alma e até conta bancária a um amor apenas. Pleno. Interessante isso.
Já vi quem de muita segurança, opinião forte e pétrea, astúcia afinada e perspicácia infalível durante a vida toda, ficar, sem grandes motivos, insegura, agindo de forma estúpida, deixando todos em volta com uma grande interrogação pairando sobre a cabeça.
Eu, é claro, já mudei muitas vezes. “Se tudo muda, que eu mude não é estranho.”
Defender apaixonadamente uma idéia durante anos. Quem já não fez isso? E quando a mão do tempo dá-lhe um piparote na nuca, aquela idéia, tão perfeita, tão indiscutível, se torna simplesmente infantil. Infantil como achar que tudo vai ficar da mesma maneira para sempre.
O Orlane que começou a escrever este texto não é o mesmo Orlane que vai terminá-lo. Como você, leitor, que também não é mais o mesmo desde que passou os olhos pelo primeiro parágrafo.
Nem este próprio texto será o mesmo com o passar dos anos.
E, se tudo muda o tempo todo, vamos nos apegar a quê? No fundo, todos nós sabemos a que se apegar.
“Muda o superficial, muda também o profundo, muda o modo de pensar, muda tudo neste mundo”.
É muito interessante tal mister de escrever, escrever, escrever. Jogar palavras ao vento, mesmo que seja um vento eletrônico.
Enfileirar letras, separando-as por espaços, formando palavras. E depois enfileirar palavras para dizer algo que vai voar por aí entre bits e bytes e chegar a alguém. Alguém que vai dar alguma importância para as palavras. Ou que não vai dar importância nenhuma.
Palavras que saem da ponta dos meus dedos e que podem fazer pensar, rir, chorar até, ou mesmo podem não fazer nada. Não-palavras.
Palavras podem influenciar? Não sei, sinceramente não sei. Não consigo vislumbrar qual tipo de influência as palavras que eu coloco na tela possa causar.
Comunicar sem endereço certo é prática milenar, mas mesmo assim causa certo desconforto. Não sei se uma daquelas dente-de-leão se importa com o lugar onde suas sementes vão cair quando o vento bate ou quando uma criança a assopra. Eu também não sei se me importo, na verdade, onde minhas palavras vão aterrissar.
Mas me importo, sim, como vão aterrissar. Escrevo o que bem entender, sobre o que me der na veneta, da maneira que eu falaria com você se estivéssemos numa sala de estar ou na mesa de um restaurante, mas não quero ser mal interpretado. Ninguém quer ser mal interpretado. Então sempre espero que minhas palavras aterrissem diante dos seus olhos sem grandes solavancos e sem derrapar na pista.
Mesmo que o conteúdo não seja lá muito requintado.
Até porque tenho a impressão de que você não quer chegar aqui e ler algo muito requintado. São crônicas, afinal. Não uma tese de doutorado.
Se falta a veia dramática, talvez tenha a cômica. Se falta a cômica, talvez eu apareça com alguma ácida. Se falta acidez, posso tentar ser crítico. Mas vou sempre tentar enfileirar palavras para jogar ao vento.
E, acreditem, tem dias que o esforço é hercúleo. Escrever com dor de cabeça é terrível. Com qualquer dor escrever é terrível. Se bem que fazer qualquer coisa com dor não é lá muito agradável.
Palavras. Palavras que uso para dizer alguma coisa, mesmo que eu não faça idéia do motivo. Será que quero dizer alguma coisa?
Às vezes não quero dizer nada. Às vezes não quero dizer nada com nada. E não digo, mas escrevo. Alguém, qualquer hora, encontra algum sentido para isso tudo.
Porque palavras sempre dão sentido para alguma coisa.
Se alguém me perguntar como foi o meu ano de 2007, talvez eu não saiba responder. Todo mundo fica tão preocupado em desejar um bom 2008 que ninguém se lembra de perguntar como foi o 2007. O que é estranho, porque normalmente perguntamos – como foi a sua viagem? – mas não desejamos votos de que as próximas férias sejam realmente fantásticas.
Mas isso não tem importância nenhuma na verdade. O que importa é que todo mundo tenha saúde e dinheiro. O resto arranja-se.
Fazendo um esforço de análise, acho que 2007 foi um ano apenas razoável. Mezzo, mezzo. Meia atum, meia mussarela. (Vou me recusar a escrever muçarela, como manda o léxico. Muçarela é uma das grafias mais hediondas do idioma).
Aconteceram coisas legais, como eu ter comprado um cortador de cabelo, mas aconteceram coisas que não são muito dignas de comemoração, como eu ter perdido a chave reserva do meu carro.
Mas o fato de 2007 não ter sido lá grandes coisas abre margem para 2008 ser mais ajeitado. Ou ser mais patético do que 2007, mas não vou considerar a opção pessimista. Não é porque hoje é o primeiro dia do ano e chove a cântaros aqui em Fortaleza que meu humor ficará gris como o céu de hoje.
Sai 2007, entra 2008 e os ciclos se renovam. Na verdade só mudou o mês e um dígito no ano, nada muito místico, mas é bom pensar em ciclos. Acho que a mente humana necessita separar as coisas em fases definidas, senão a gente se perde no próprio quando.
E estou ansioso em saber quais pessoas vou conhecer no ciclo 2008, quais livros vou ler, que viagens irei fazer, quantos palavrões novos vou aprender. Meço a dimensão literária das pessoas pela capacidade de inserir palavrões bem inseridos nas frases.
Mas não farei grandes planos para 2008. Planos não realizados são sinônimos de frustração. E não estou muito interessado em frustrações neste ano que começa.
Talvez o único planejamento que eu possa fazer para 2008 seja comer rabanadas. 2007 se esvaiu e não comi nenhuma rabanada. Nem no natal e nem no ano novo. Por que diabos só tem rabanada no natal? Por que raios só tem quentão em junho? Por que miséria panetone só no final do ano? Vejo um ótimo nicho de mercado nisso - abrir um estabelecimento só de comidas temporãs. Que tal um ovo de páscoa em outubro? Ou um tender em maio?
Mas antes eu preciso descobrir a diferença entre um tender e um chester. Já ouvi dizer que são bichos meio repugnantes. Vai saber.
Por fim, evoco Rita Lee e digo “bye bye, aqui eu me despeço”
Espero que todos vocês tenham tido um ótimo começo de ano e vamos nos falando no decorrer.
Excelente 2008 pra nós.
Termino o ano feliz. Com a sensação do dever cumprido. Contente comigo mesmo. E nada melhor do que terminar algo com a consciência tranqüila. Dá aquela sensação de leveza na alma.
Débito? Só bancário. E olhe lá. Já é demais.
Cabelos? Poucos, mas mais longos. Foi uma maneira mais do que paliativa de esquecer da careca. Mas ela não me esquece e não me deixa.
Com o passar deste ano, caindo e levantando diversas vezes, percebi o que realmente me faz falta, a amizade que importa, o amor verdadeiro e, que para estar de bem com a vida, não é necessário uma infinidade de coisas, de pessoas ao seu redor. Solidão, dirão alguns. Solitude, digo eu. Apenas saber peneirar tudo ao seu redor.
Mas, por passar por tudo isso é que concluo que, diferentemente do que muitos pensam por aí, eu sou, apenas, um homem.
Nem adianta vir com subterfúgios, nem dizerem por aí que sou poeta, cronista, artista e formador de opinião. Não formo nada. Não há nenhuma classificação cabível no meu ser tão vário.
Eu sou, apenas, um homem.
Com minhas crenças e descrenças; angústias e lástimas; sorrisos forçados e gargalhadas sinceras; amigos perdidos e reconquistados a muito custo, mas com os braços sinceros pelo aperto da saudade. Por isso e por tudo o mais elencado, concluo que, de fato, sou apenas um homem.
Um como outro qualquer. Sem nada de mais e, também, nada de menos. Nada medíocre, também. Nem normal, mas nem tão louco e, muito menos, um pouco sóbrio.
Apenas, um homem.
Não um super-homem. Mas há quem se apaixone por seus atos de bravura desmedida, de abraçar uma causa por puro altruísmo, de acreditar, piamente, no ser humano e por ele ser traído.
Um homem.
Não uma máquina de decorar palavras e gestos. Mas um ser feito da amalgama da cultura de seu povo, do desatino que faz ser, ainda que único, porém, coletivo, um simples homem.
Eu sou, apenas, um homem.
Quero ser, como muitos o são, passado, presente e futuro: passado à sombra de meu pai e ser a luz do amanhã de um filho que ainda não tenho.
Apenas, um homem.
Que está ao sul, limitado pelo seu nascimento. Ao norte, pela morte. A leste, pelo Direito não só seu, mas dos outros. E, a oeste, pelas divagações e dilemas mais intrínsecos e recônditos.
Ah... quisera eu ser a chuva, brisa, primeira namorada, música do Vinícius, nuvem, amor, paixão e desejo.
Mas eu sou, apenas, um homem.
Com todas suas contradições e inquietudes que só um homem tem.
Juntamos a turma antiga num almoço de final de ano. Sabe aquela turminha que convivia quase diariamente, que iam para o bar juntos, que sabiam o telefone da casa de cada um decor? Pois é, hoje essa turminha só se encontra em casamento, velório e... almoços de final de ano.
Mas a amizade é a mesma, e a sensação de nem faz tento tempo assim que nos encontramos não é mentira. Os mesmos papos, a mesma afinidade.
Mas sempre tem um que faz questão de dizer que as coisas não são como antes. Dessa vez, quem provocou foi o Japonês.
O Japonês sempre foi o mais sensato da turminha. Sempre de avaliações ponderadas, despido de preconceitos, com muito jeito te põe contra a parede. Muito diplomático, o Japonês.
Está com algum problema? O Japonês te chama para um papo, abre um pacote de salgadinho, cruza as mãos e apóia os cotovelos nas coxas, num a posição intimidadora, porém que demonstra grande interesse no que você vai dizer.
E você diz, esperando um afago, uma palavra de conforto. Mas ele é o Japonês, e vai enfiar o dedo na tua ferida até você ficar com vontade de dar-lhe um murro nos cornos. O que você não vai fazer, porque ele joga com uma sinceridade desconcertante.
Mas como eu estava dizendo, no último almoço de final de ano, o Japonês disse que eu fiquei tiozinho. Tiozinho? Eu?
Argumentei que não havia como eu ser um tiozinho. Apontei alguns tiozinhos no restaurante onde estávamos, daqueles grisalhos, óculos escuros, roupas esporte e muita lábia para cima das pós adolescentes de pernas de fora que confraternizavam no estabelecimento.
Mas ele rebateu me dizendo que aqueles eram tiozões. Eu era tiozinho.
O que será um tiozinho? Não cheguei na fase (ainda) de querer fazer esportes radicais para provar a minha masculinidade e juventude anciã. Não estou tingindo os cabelos nem estou prestes a comprar uma moto. As mulheres que me chamam a atenção ainda são as da minha idade. Por que será que o desgraçado me classificou de tiozinho.
E percebi no discreto sorrisinho nipônico que ser tiozinho não é lá muito bom.
Sou o solteirão da turma, tudo bem, mas creio que isso não seja o bastante para eu ser um tiozinho.
Deve ser despeito. Eu aqui, na flor da idade, com os cabelos ao vento e com a barriga não tão proeminente assim.
A barriga! É isso! O Japonês me ultrapassou no quesito barriga e agora vem querer tripudiar.
Não sou tiozinho coisa nenhuma! Só estou mais em forma que o tiozinho Japonês.
Um alívio. Acho que vou aproveitar o final de tarde, pegar a moto e ir até o bar onde a turma do rapel se encontra pra olhar as menininhas.
Cláudio e Rogério eram amigos há muito tempo. Desde a infância. Fizeram o primário, ginásio e colegial juntos, eram praticamente irmãos. Depois de uma vida toda só de alegrias, Cláudio chamou Rogério para uma conversa muito séria. Como eles nunca tiveram. E como talvez nunca mais fossem ter :
-Cláudio, na boa, eu nem sei como começar essa conversa ….
-Porra, Roger, fica na boa meu!
-É, eu tou ligado ma-
-Seguinte! A gente se conhece desde que eu me entendo por gente.
-Verdade …
-Nossas famílias nos conhecem melhor do que muitos parentes por aí!
-É, mas …
-Já passamos todo tipo de dificuldade juntos, amigão!
-Eu sei …
-Então! Não faz essa cara! Pode começar … Quer relaxar?
-Não, na-
-Vamos lá! Ô “bigode” - chamando o garçom - trás dois “whiskies” aqui pros amigos! Dois! Duplos, heim?!
-Ah …
-Vamos lá, Roger … Pode falar! Tou aqui pra isso!
-Então …
-Já sei!
-Acho que nã-
-Cara! Não vem com essa! Saquei! Não precisa ficar assim!
-Olha, na verdad-
-Eu não quero nem saber quanto! Muito menos o porquê! Vou te dar um chequ-
-Cláudio! Me escuta!
-Roger, eu te conheço, irmão! Você é orgulhoso que dói! Não deve nem estar conseguindo dormir! É um empréstimo, não é?
-Bem …
-Tá vendo?! Sabia!
-É, mas ….
-Pode falar! Eu já te disse milhares de vezes. O que é meu é seu! Puxa vida … amigos há tanto tempo, e você com essa bobagem por causa de papel pintado! Dinheiro não passa disso, Roger!
-Cláudio … É verdade! Eu quero um empréstimo.
-Isso, isso! Se solta cara. Relaxa. Só tem eu e você aqui. Que mal pode acontecer, vamos sair dessa juntos! Diz aí!
-Então … é … bem … eu não sei, mesmo, se você vai poder me emprestar o que …
-Cara! Pára com essa bobagem! O que eu não poderia dividir com você, meu irm-
-A Gabi !
-Heim?!
-É isso mesmo! A Gabi! Mas calma!
-Como assim?! A minha mina, Cláudio! Você tá louco! Ficou doidão!?
-Deixa eu explicar, porra!
Rogério fica balançando a cabeça e chacoalhando os pés, descontroladamente. Depois de um breve silêncio Cláudio volta a falar.
-Seguinte :
-Diz … tenta …
-Há quanto tempo acabei meu namoro com a Susie?
-Sei lá … 3 anos!
-É 3 anos. Pra ser mais exato, 3 anos, 2 semanas e 21 horas!
-Sério mesmo?
-Pois é, então! Posso continuar …
-Vai fundo …
-Desde então : 3 anos, 2 semanas e 21 horas, que eu NUNCA mai-
-Pára, velho! Não vai me dizer que você nunca mais tr-
-Cala a boca, Cláudio! Você acha que eu não ia ter matado meio-mundo se isso tivesse acontecido!?
-Ufa …
-Sexo não é o problema hoje em dia!
-É ? Sei lá … tou com a Gabi desde o ginásio … nem imagino …
-Acredita, Cláudio ! E você acha que eu ia ser imbecil de te pedir ela emprestada pra isso!?
-Cara! Explica logo, que eu já tou querendo dar uma muqueta no meio da tua fuça!
-Calma! É o seguinte :
-Hmm …
-Faz 3 anos, 2 semanas e 21 horas, veja bem o número, que eu não assisto um filme, vou há uma lanchonete e converso completamente despreocupado com uma mulher!
-Caramb-
-É, velho! Eu não agüento mais!
-Mas …
-Não tou falando de beijo ! Amasso! Essas porras todas …
-Pô, Rojão, num sabia desse negócio, não!
-É Clau! Na boa, isso é impossível hoje em dia!
-Sério mesmo?
-Pois é! Agora acompanha meu raciocínio!
-Tá! Ok! Tou mais calmo agora …
-Depois da minha mãe, qual mulher, presente no meu dia-a-dia, que eu conheço há mais tempo?
-Hmm … sei lá … deve ser a…
-Pensa bem!
-Hmm …
-Vai, mano! O cérebro tá pago, é só usar, vai!
-A Gabi!
-Isso!
-E com que mulher eu fico tão despreocupado a ponto de ser o melhor de mim, só de estar junto, por conhecer há muito tempo, e por não ter nenhum tipo de preocupação sobre o que ela está pensando?
-A Gabi?
-Claro! Ela é sua! Sempre vai ser sua! Eu vou ser padrinho de vocês! Vocês são o Romeu e Julieta dos tempos modernos, e sem cianureto! Ela é a única mulher que eu conheço, pra quem sou absolutamente inofensivo!
- É ….
- Então!
- Faz sentid-
- Cara! Me empresta, uma única vez, umazinha só, a Gabi pra sair comigo de sexta à noite!
-Bom …
-Eu só quero passar uma noite (só a noite, sem madrugada!) com uma mulher inteligente, agradável, com senso de humor, etc, etc, e despreocupado como talvez eu nunca mais possa ficar na vida !!
-Você está exagerando, irmão!
-Exagerando !? 3 anos, 2 semanas e -
-Ok ! Entendi!
-Ufa …
-Tá certo!
Cláudio quase levantou da mesa no ímpeto do seu discurso. Ele fica quieto, olhando para o chão, ofegante, enquanto Rogério recobra suas forças, e com cara de quem não acredita no que vai fazer, diz :
-Esse é o pedido mais estranho e absurdo que eu já ouvi na vida, mas, por mais estranho e absurdo que possa parecer, eu acho que entendi.
-E aí … ?
-Olha velho! Já te disse algumas vezes, que deixaria tranquilamente você dormir no mesmo quarto que a Gabi, por total confiança nos dois …
-Então, Mano … Não te pediria se não confiasse em nós dois também! E se essa abstinência não tivesse chegado a um ponto tão insuportável!
-Ok!
-Puta Claudião! Sabia!
-É ! sabia … sei! - ainda um pouco contrariado.
-Puta velho! Isso é uma coisa que nem irmão faria!
-Tou ligado …
-Ah ! Demais!
-Seguinte!
-Diga !
-Uma condição:
-Quantas você quiser!
-Vocês podem fazer o que vocês quiserem. Confio nos dois. Não quero nem saber o que vai rolar!
-Tá …
-Mas … uma condição é cinequanon !
-Claro! Pode falar!
-Vocês não podem ter nenhum, repito, NENHUM tipo de contato físico!
-Certo.
-Beijinho ao chegar …
-Não!
-Abraço!
-Nunca, jamais!
-Isso, esse é o espírito. Mãozinha dadas …
-”Jamé”!
-Isso aí, Roger. Assim sendo-
-Assim será, nem precisa falar mais!
-Perfeito!
-Pô cara! Ainda bem que essa condição não impede contato físico entre a gente!
-Magina, brow !
-Verdade! Chega aí! Me dá um abraço cara!
-Num precis- … Ei! Calma!!
Cláudio, num ímpeto de felicidade, tenta abraçar o amigo.
-Porra velho! Eu tava ficando louco com isso! Ô “Barba” - para o garçom - traz 2 quádruplos pros irmãos aqui! Dos bão!
Rogério concorda, acenando positivamente com a mão para o garçom.
-Poxa ! Não sabia bem o que ia acontecer hoje, depois que eu te contasse tudo.
-É velho! Mas mesmo envolvendo a Gabi e tal … Nossa amizade é sempre maior! Confiança de irmão mesmo!
-Pai e filho, eu diria. Pai e filho! Eu seu pai, você pai de mim, e vice-versa!
-Pois é …
-Puxa vida … (irradiante)
Outro silêncio. O Garçom serve os whiskies pedidos . Os amigos brindam e tomam um gole do drink. Cada um pensando na bencão de ter uma amizade tão boa como a deles.
-Cláudio!
-Opa! Diz aí.
-Só uma dúvida!
-Fala aí …
-Então … - (agitando o gelo no copo) - Cafuné é contato físico ?
-Ah, vem aqui seu filhadumap —
- Nhan han humpf er…Alô.
- Rô?
- Nham han pufpuf er er…Quem tá falando?
- É a Su, Rô. Você está dormindo?
- Nham puf… Agora não mais. Que Su?
- Como assim que Su? Sou eu. Suzana. Sua ex-namorada..
- Ahhhhh Su. Porque não disse que era você? Me desculpa gatinha. Como é que você está?
- Tô ótima e você?
- Tranquilo. Pô, engraçado, estava pensando em você esses dias. Em nós dois.
- Ah é? Que coisa. Então, liguei só pra dar um “oi”. Manter contato.
- Lógico. Legal você ter ligado. Uma surpresa. Depois de tudo….
- É na época foi bem difícil..
- Terminamos de um jeito bem conturbado.
- É bem verdade Rô, mas desencana, não pra liguei pra falar sobre isso. O que passou, passou. Creio que somos adultos o suficiente para separarmos bem as coisas e nos relacionarmos sem problema.
- Claro, com certeza.
- Mas me diga, como estão as coisas?
- Ah tudo jóia. O de sempre né. “Facul”, balada, cineminha. E você?
- Eu também. Só na balada que estou em falta. Agora namorando né…
- Ah! Tá namorando?
- Tô sim, já faz 9 meses, super felizes. Já fazemos planos até de casamento. E você?
- O que tem eu?
- Tá namorando?
- Ah sim. Mais ou menos. Mas acho que tô.
- Como assim “acho que tô”?
- Não. Quer dizer. Estou sim. Claro que estou. Ela é linda. 27 anos.
- Ah tá. Mas você tomou jeito né? Não é mais canalha como na minha época?
- Claro que não. Sou um novo homem. Outra mentalidade. Consigo ter amigas numa boa. Sem segundas intenções.
- Nossa Rô, que bom saber disso. Fico feliz.
- É, to feliz também. Aliás falando em amigas podíamos combinar de sair essa semana. Depois da “facul”. Aliás você estuda a noite ou pela manhã?
- Tô estudando a noite. Na mesma classe da Rutinha.
- Putz a Rutinha. Faz tempo hein. Aliás e o resto do pessoal? Tem visto?
- Só a Rutinha mesmo.
- Ah lógico, vocês são inseparáveis.
- É. Somos irmãzinhas praticamente. E você? Tem contato com o povo?
- Todo mundo na mesma Su. O Duda com a Raquel, brigando brigando mas sempre juntos. O João perdido como sempre, agora tá numa onda Hare Krishna. Ligo de vez em quando pra eles mas nada muda. Aliás, me diz uma coisa, seu telefone continua o mesmo?
- Nossa, o Duda ainda está com a Raquel??? Que legal, esses vão casar!
- É o que todos dizem. Mas é ruim do Duda casar. Aquilo é um traste.
- Verdade.
- Su, me desculpa, mas tenho que sair agora. Lembrei que tenho dentista. Depois nos falamos hein, temos que nos ver.
- Um beijo Rô.
- Beijo.
:::::::::
- Alô?
- Fala Su. Tudo bem
- Oi Lili. Não sabe da última!
- CONTA, CONTA!!!
- Liguei pro Rô.
- NOSSA! Aquele cafajeste, te tratou tão mal e você ainda liga pra ele?
- Ah Lili, foi justamente por isso. Tenho que provar que estou totalmente recuperada.
- É verdade. Mas e aí? Como foi?
- Falei com ele numa boa, como uma pessoa civilizada.
- Jura???
- Juro amiga. Acho que agora coloquei um ponto final no assunto. Ele entendeu que podemos ser amigos numa boa já que não sinto mais nada por ele e nem ele por mim.
- Ai, que bom Su. Ainda bem que isso acabou de uma vez por todas.
::::::::::
- Fala sua bicha!!!
- Faaaaaala Rodrigão como é que tá?
- Beleza. Você não sabe da última? Lembra daquela minha Ex, Suzana?
- Tô ligado.
- Vou comer de novo!
Sentaram no primeiro banco que estava vazio na praça. Antes, obviamente, ele limpou o banco. Sentar em cima de folhas não é agradável, a conversa, certamente, não seria também. Haviam se separado há mais de três anos. Ela estava de volta à negócios e ele nunca havia se mudado da cidade natal. A praça era a mesma onde eles tiveram sua primeira briga, eram adolescentes na época.
- Fiquei contente que você me ligou.
- Eu estava de passagem, tinha que te ligar, já faz três anos afinal.
- É muito tempo mesmo. Inacreditável como você não mudou nada.
- Não precisa me bajular, a idade já me é companheira.
- E o que isso quer dizer?
- Estou velha.
- Bobagem. Você ainda está bem gostosa.
- Eu devia ficar ofendida com isso, mas não consigo.
- Eu sei, é o meu sorriso. Irresistível.
- Você continua um palhaço.
Imóveis por alguns segundos, observaram o carrinho de cachorro quente. Provavelmente lembrando das inúmeras vezes, que haviam matado aula para comer e depois namorar na praça. Se entreolharam.
- O que será que deu errado?
- Conosco?
- Não, com o "Cadeirão". Era um bar tão bom!
- Achei que você fosse querer conversar sobre a gente.
- Não há mais o que conversar. Você foi embora, em busca dos seus sonhos, eu não fazia parte deles. Eu fiquei e fui em busca dos meus.
- Você sabe que não foi bem assim que aconteceu. Era uma oportunidade de ouro.
- Eu sei muito bem o que aconteceu, e realmente não precisamos falar sobre isso.
Ela estava nervosa, mas não demonstrava, já ele, não conseguia disfarçar o nervosismo. Ele sempre coçava o joelho quando estava nervoso. Ela pegou na sua mão.
- Não precisa ficar assim. Podemos apenas dar uma volta pela cidade.
- Andando?
- É melhor. Você pode andar comigo até a casa da Patrícia, ela viajou e me deixou ficar lá até quinta-feira.
- Tudo bem. Acho que uma caminhada vai fazer bem.
Andaram por trinta minutos, relembrando cada passagem de suas vidas naquelas ruas praticamente intocadas. Os passeios de bicicleta, as brincadeiras de rua, a turma da rua de cima e a turma da rua de baixo, os cachorros bravos, os velhos mau humorados e até a velha fonte da Dona Iracema.
Quando chegaram na porta da casa da Patrícia, ele pegou em suas duas mãos e se aproximou.
- Achei que nunca mais fosse beijar essa boca.
- Mas quem disse que você vai?
- Eu achei que isso tudo era...
- O que?
- Bem, você me ligou, me convidou para ir na praça.
- Era o lugar mais conveniente.
- E a conversa sobre nós dois?
- Olha, não queria estender essa conversa, mas você entendeu errado.
Grande parte de nós cria seus rituais...
São coisinhas que podem ou não ter função específica, razão de ser, motivo pra existir. Criamos de forma consciente ou não, meios de conseguir chegar a algum resultado, e quando o resultado é bom e satisfatório, aí é que pode nascer um ritual.
Claro que há casos em que mais do que um rito ligado a uma superstição, há também o aspecto da necessidade de uma rotina, de um método único pra se realizar tarefas complicadas (como escrever uma crônica), ou as mais simples.
Depende do grau do maniado.
Existem rituais pra se tomar banho, onde segue-se ou não uma coreografia que inicia desde a forma como se tira a roupa, a regulagem do chuveiro, a maneira de se entrar na água, e acompanha um método ritualístico pra se lavar cada parte do corpo em uma ordem lógica que preserve limpas as partes de cima pra finalizar nas partes mais baixas. Conforme o escorrer da água. Juro que existe isso.
E depois tem o ritual pra se secar após o banho, mas encontro paciência pra isso. Era só um exemplo mesmo.
O ritual pessoal é necessário, entendo.
Mas alguns beiram ao exagero, viram mania irretocável.
Sim, também eu tenho os meus. Um deles é a forma como corto minuciosamente as unhas. Um processo longo e demorado, um parto!
Mas eu sofro com essa mania, esse ritual de despedida e desprendimento de partes do meu corpo que precisam ir pra dar lugar ao novo (e mais limpo). A análise já me ajudou bastante, como podem ver.
Dia desses eu, embasbacado do início ao fim, atendi uma pessoa que em meio a conversa me descreveu seu tão particular processo ritualístico para dormir. Foi... Interessante.
Vou chamá-la de Dona Dirce para evitar que futuras zombarias lhe tirem o sono. Na verdade a Dona Dirce era um caso mais complicado, ela batizara uma parte de seu corpo, uma pinta na bunda (pra ser mais assertivo), e entendia que precisava "ninar" a Judite (a pinta batizada).
Ficou confuso?
Bom, o ritual era assim: Dona Dirce se colocava pra deitar de lado, e balançava o quadril e o resto do corpo se auto-ninando, entendendo que com isso faria a Judite (a pinta na bunda), dormir. E por conseqüência ela também embarcava no sono.
Não bastasse esse doce balanço, Dona Dirce também murmurava alguma música qualquer durante o processo.
Difícil acreditar? Acreditem, pois é a mais pura verdade.
Eu ali, que naquele momento tinha apenas comentado sobre uma matéria sobre os distúrbios do sono, ouvi boquiaberto o ritual da Dirce ninando a Judite. Só consegui encerrar a conversa depois de, não me agüentando, perguntar sobre o marido (da Dirce!):
- Mas, Dona Dirce e o seu marido? Vocês conseguem dormir juntos com essa movimentação toda na hora de dormir?
- Olha Seu Orlane, no começo ele ficava meio enjoado de tanto balanço... Mas depois se adaptou.
- Adaptou?
- Ele entrou no embalo. De duas uma, ou ele toma um Dramin antes de dormir, pra não enjoar, sabe?
- Ou?
- Ahhh... Ou ele dá uns tapas na Judite pra ela sossegar.
Não deixa de ser um ritual.
Hoje estão todos felizes, alegres e contentes, batendo a mão no peito e bradando que tem muito orgulho de ser brasileiro. Afinal, a copa é nossa!
E o Brasil, pentacampeão, não poderia ficar mais tempo sem sediar uma copa. Seria um absurdo! Ainda bem que temos um presidente que foi competente o suficiente para trazer a copa para cá. E foi uma notícia tão boa que nem me lembro mais o que está acontecendo no governo.
E tem mais, agora vamos ser um país de primeiro mundo! Vamos mostrar para os gringos que Brasil é mais! Crimes, pobreza e corrupção é invenção da mídia.
Nossos estádios serão reformados, o que é fantástico. As obras serão hiperfaturadas, mas quem liga? O que importa é mostrar para os gringos. E novos estádios serão construídos, a um custo dezenas de vezes maior, mas isso não é problema. É só ver os Jogos Pan Americanos. A beleza das obras, tudo de primeiro mundo. Agora ninguém está usando, mas no Pan as câmeras mostraram para o mundo todo que aqui é primeiro mundo.
A copa vai trazer o futuro! A copa vai trazer o progresso! Os meios de transporte vão ser de primeiro mundo! Nossas ruas e avenidas não vão ficar devendo nada para a Alemanha.
É como o nosso presidente falou lá na cerimônia a na Suíça: o que vai empolgar a patuléia do mundo todo é o comportamento extraordinário do povo brasileiro.
Ah, sim, por que alguém aí duvida que o nosso comportamento não seja exemplar? É só olhar nas torcidas organizadas dos clubes brasileiros, na limpeza das nossas ruas, no trânsito, nas filas e nos transportes coletivos. Eu arrisco dizer até que o povo brasileiro é o mais comportado e educado do mundo!
E por falar na cerimônia, o ponto alto foi o discurso do maior escritor brasileiro de todos os tempos. Paulo Coelho foi mais do que gênio em sua comparação entre futebol e sexo! Só um cara como ele, um brasileiro, um orgulho para todos nós, para conseguir traduzir tão bem o que o futebol representa para nós.
E desta vez não será como a copa de 1950 não! Dessa vez não vai ter Ghiggia pra estragar a festa não! Pode escrever o que eu digo. Vai ser Brasil hexa no Brasil!!!
Corrupção é bobagem. Superfaturamento é bobagem. O que importa é que a copa é nossa e vamos deitar e rolar.
Brasil-sil-sil...