- Selma, quero a separação.
- O que? Separação? Claudio, por que isso agora?
- Cansei. Não te amo mais. Quero me separar de você e correr atrás de menininhas.
- Mas Claudio, não te entendo.
- Selma, encare os fatos, nós não nos gostamos mais.
- Isso é mentira, Claudio. Você disse que me amava ontem a noite.
- Homens dizem isso na hora do sexo...
- Claudio, posso parecer, mas não sou tonta. Quem faz isso somos nós mulheres.
- Bem, é verdade. Não importa. Quero me separar.
- Mas por que então...
- Por que tudo tem que ter um porquê? Não tem porque, oras bolas.
- Como não Claudio? Você não podia ao menos...
- Contar isso em outro lugar? Imagina! Você faria escândalo. Não agüento mais seus escândalos. Por isso correrei atrás das menininhas.
- Menininhas não fazem escândalos?
- Fazem. Na cama...
- Machista!
- Você não fazia escândalos na cama também, Selma?
- Eu era uma menininha, Claudio!
- Tá vendo? Você concorda comigo...
- Pode ser, mas ainda não entendo porque logo hoje...
- Você vai perguntar de novo? Já disse...
- Me ofereceu café da manhã na cama, me mandou flores no escritório, me ligou não sei quantas vezes para saber se eu estava indo para casa me arrumar. Pensei que fosse uma surpresa.
- E não foi?
- Mas precisava me contar isso durante o jantar de comemoração dos nossos 25 anos de casamento?
- Jantar de comemoração?
- Sim Claudio! Hoje é dia 26 de novembro!
- Mas não tinhamos casado em 12 de dezembro?
- Claudio, como você consegue esquecer a data do nosso casamento?
- Desculpe querida, é que faço confusão com datas e...
- Não tem confusão, Claudio! Não aguento mais essas suas "confusões"!
- Mas querida, foi...
- Não foi nada! Quer saber?
- Querida! Peço perdão, me desculpe!
- Claudio, quero o divórcio!
- O que? Separação? Selma, por que isso agora?
- Cansei. Não te amo mais. Quero me separar de você e correr atrás de menininhos...
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Carta ao Senador
Caro Senador Sibá Machado (PT-AC),
Andei pesquisando algo sobre sua legislatura e sobre Vossa Excelência. Confesso que me impressionei pela sua história. Não por querer ser agricultor ou líder sindical, mas vi que sua trajetória foi sofrida, como de qualquer brasileiro.
Porém (sempre há um porém na vida, já percebeu senador?), determinados fatos não podem passar despercebidos.
Sou um brasileiro chato. Muito chato, senador. E, como todo chato, gosto de pesquisar. Detesto ser passado pra trás. Detesto que me passem a perna por qualquer motivo que seja.
Li no seu site pessoal, hospedado na página da internet do Senado, que V. Exª é bacharel em Geografia pela Universidade Federal do Acre. Creio que estudou o suficiente para entrar numa universidade federal. Sim, há que se dedicar para entrar numa universidade pública, pois o acesso é complicado, mesmo nos cursos com pouca procura como é o caso do curso de geografia.
Escrevo tudo isso, senador, pois andei lendo alguns projetos de lei de sua autoria que, perdão, mas custou-me acreditar que fossem verdadeiros. Sim, pois pareciam piadinhas de mal gosto.
O que mais me chamou atenção é uma propositura do ano de 2005, que altera os artigos 44 e 45 da Lei nº 9.394 de 1996. Não sei se V.Exª se recorda desse projeto, mas ele extingue os processos seletivos nos cursos de graduação.
Ora senador, isso é um verdadeiro despautério. Pior, o senhor acha mesmo que o mais justo é o sorteio para ingresso numa universidade? Ah, convenhamos. Faça-me o favor. Trata-se de uma verdadeira choldra esse seu projeto.
Senador Sibá, retire esse projeto. Peça arquivamento, por favor.
A justificativa ora redigida por V. Exª no referido projeto é pior ainda. Os quatro itens elencados sobre o vestibular como:
- é um fato episódico, que não avalia o processo de aprendizagem, mas, tão somente um acúmulo de conteúdos cognitivos
- para ter efeito discriminador mais eficiente, acaba aumentando de tal forma o teor de dificuldade das questões, que exige um processo preparatório específico e descolado dos objetivos da educação básica e do ensino médio.
- pelo jogo da crescente dificuldade de se lograr aprovação em cursos de graduação mais concorridos e de melhor qualidade, acaba por selecionar não os alunos com mais aptidão, mas os que tiveram oportunidade econômica e social de freqüentar os melhores colégios e melhores cursinhos.
- a "maratona" de preparação e submissão aos vestibulares representa um trauma psicológico crescente.
- A maior virtude do sorteio, cremos nós, será a indução de mais vagas nas universidades públicas e gratuitas, federais e estaduais, principalmente por meio da criação de cursos noturnos.
Senador... leia seu projeto. Analisando, parece uma piadinha, daquelas que passam aos montes pela internet.
Esse projeto de lei é inconstitucional, pois não há o requisito da impessoalidade. Sei que V. Exª não é advogado, mas sei que conta com uma vasta assessoria jurídica.
Acha mesmo que sorteio é a forma mais justa? Se é assim, os alunos comprariam bilhetes da megasena para concorrer a uma vaga na USP, por exemplo? Sim, pois a probabilidade de adentrar se compara a ganhar na loteria. Ou, ainda, seria como? Faríamos um bingão? Cartela cheia universidade federal, linha estadual?
O investimento, senador, tem que ser feito no ensino fundamental e médio. Não adianta vir com subterfúgios esdrúxulos.
Aqueles que prestam vestibular, que fazem a prova e conseguem aprovação, se sentem orgulhosos, pois é fruto do trabalho dele o êxito. O que uma pessoa aprenderá na vida sendo sorteado?
Vaga em universidade pública não é premiação. É dedicação, esforço.
Isso não é democratização do ensino. Isso é banalização da educação, é dar continuidade a essa política de paternalismo imbecíl, é sermos tachados de ignorantes, é assinar o atestado de incompetência e ingerência administrativa educacional, é a condenação ao subdesenvolvimento intelectual.
Precisamos, senador, mudar o quadro instituído há anos e não dar continuidade a ele.
Obrigado,
Orlane Falcão
PS: Para aqueles que queiram ver o projeto na íntegra, entrem em: http://www.senado.gov.br/sf/atividade/materia/getHTML.asp?t=4257
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Apenas o cotidiano
De vez em quando eu gosto de almoçar sozinho. Não sei bem o motivo, nem sei se tem algum motivo, mas de vez em quando me dá na telha.
Outro dia resolvi. Saí do trabalho e fui num restaurante que não costumo ir. Mudar de ares, sei lá. Estava meio vazio. O garçom veio me perguntar para quantas pessoas era a mesa, e eu respondi que se ele quisesse almoçar comigo, seria para duas. Acho que ele não estava programado para ouvir uma resposta dessas, ficou me olhando como se eu fosse de outro planeta. Esses garçons são meio bitolados.
Sentei-me próximo da janela. Gosto de ficar olhando o movimento da rua. Talvez por isso que não me sinta muito confortável dentro de igrejas ou de supermercados.
O garçom voltou e perguntou se eu gostaria de olhar o cardápio. Respondi que só olharia se ele fosse bonito. Não gosto de olhar para coisas feias. O garçom sorriu amarelo. Disse que os cardápios estavam um pouco gastos, mas que eram muito bonitos quando eram novos. Aceitei de qualquer maneira. Ele também não estava preparado para este tipo de observação.
Logo entrou um casal. Jovens, bonitos e de caras amarradas. Sentaram-se na mesma fileira de mesas, próximo da janela, mas com uma mesa vazia entre nós. Não sou de ficar reparando nem de ficar bisbilhotando a vida alheia, mas o casalzinho conversava num tom de voz que seria impossível não ouvir.
Pelo o que eu entendi era um noivado que estava mais próximo do fim do que do casamento. A moça estava de frente para mim e tremia, a coitada. O rapaz de costas, com o corpo projetado para a frente, sobre os braços cruzados apoiados na mesa.
Ela não acreditava que ele tinha feito aquilo. Ele não entendia o porquê dela ser tão descontrolada. Ela pedia para ele explicar. Ele perguntava o quê deveria ser explicado.
Ela dizia que assim não dava, que ele não ouvia, que ele pensava que ela era boba. Ele dizia que não era nada disso, que ela era histérica e que estava “viajando”.
Sinceramente, o papo deles estava muito mais interessante do que o meu espaguete.
O garçom veio e os dois pediram refrigerante. Light. O garçom trouxe os refrigerantes. Não light.
A moça bufou, olhou o para o garçom e perguntou se ele era surdo. O rapaz interferiu e, de forma mais polida reiterou o pedido ao garçom – Light!
O rapaz disse que ela era grossa. Ela disse que ele a tratava como criança. Ele colocou a cabeça entre as mãos. Ela enxugou as lágrimas.
O garçom voltou e disse que não tinha light. Só normal. O rapaz, enfurecido, pediu então um copo de cianureto com gelo e limão. O garçom disse que iria perguntar ao gerente se tinha cianureto.
A moça riu. O rapaz olhou pela janela e riu também. Ela disse que ele era bobo. Ele disse que ela era linda.
Foi uma cena e tanto. Levantei-me para pagar a conta, ainda a tempo de ouvir o garçom, que havia regressado, dizer para o casal que infelizmente o cianureto também estava em falta.
Saí do restaurante com os dois ainda às gargalhadas. Valeu o dia.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
A maior mentira do mundo
Na infância acredita-se em muitas coisas. No Papai Noel, no coelhinho da Páscoa e na virgindade da Sandy. Eu, além disso, também acreditava na propaganda. Ia até a padaria, comprava um Suflair, colocava em cima da mesinha da sala, e ficava sussurrando "suuuuflaaair" repetidas vezes, mas o chocolate nunca flutuava. Problema de entonação, não tenho dúvidas. A moça da televisão sabia cantar certinho, e funcionava. Entonação.
Essas coisas todas, aprende-se mais tarde, não passam de invenções para convencer as crianças a serem boazinhas o ano inteiro (eu nunca fui, mas a indulgência vinha mesmo assim), ou convencê-las a comprar o produto certo. As mentiras, grandes como elas são, chegam ao ponto de inventar um velho barbudo maníaco por dar presentes, um coelhinho com problemas proctológicos, e o Programa Espacial Brasileiro.
Porém uma certa mentira se mantem geração após geração sem sequer ser notada. Uma mentira grande demais, mesmo para um namorado da Sandy. A verdade é reveladora, leitor. Esta verdade pode ser, inclusive, perigosa. Eu mesmo temo pela minha segurança. Se algo acontecer a mim (um raio, ganhar na loteria, ter um rim falho) podem ter certeza: foi por revelar a verdade. Se você quiser se proteger disso, por favor, não leia. Vá comprar ovos de páscoa, que causam, no máximo, cáries. Melhor uma mentira inofensiva que uma perigosa. Mas a escolha é sua.
Pare agora, ou prepare-se para sofrer as conseqüências.
Pois bem, a escolha foi sua. Lá vai. Você já comeu cereja? Sim, aquelas coisas que vêm sobre os bolos. Cerejas. Crianças adoram cerejas. Elas são doces, vermelhas, e cheias de calda. Todos imaginam que essa calda doce e translúcida seja feita industrialmente, claro. De certa forma, talvez o processo seja parecido com o dos pêssegos em calda. Pêssegos em calda, cerejas de bolo em calda. Certo?
Errado. Essas não são cerejas de verdade. Essas "cerejas" confeitadas são de... bem... er... como dizer? Imagine uma coisa que você não comia, absolutamente, na infância. Na verdade, nenhuma criança come, sábia que é. Descobriu?
Sim, chuchu. Chu-chu. Pegam aquela coisa verde, nojenta e cheia de água para transformar, com glicoses e aromatizantes mil, na sensual cereja. A cerejinha que coroa o sorvete é, na verdade, o chuchuzinho do sorvete. A luta pelas bolinhas vermelhas do bolo é, afinal, uma luta para ver quem come mais chuchu.
Crianças se digladiando nas festas por chuchu. Chuchu! Que louco sádico inventaria tal artimanha? Como puderam nos enganar tanto tempo? É um absurdo! A humanidade está perdida. Como confiar agora nos concursos de misse, no sorteio dos times para a Copa do Mundo, na paz entre os homens?
Mas esperem. Talvez ainda exista alguma esperança. Se der certo, é claro. Tentem comigo. Encha os pulmões e sussurre: Suuuuuuflair...
sábado, 11 de agosto de 2007
O Motel
- Viram teu marido entrando num motel.
A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua de espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes.
- Quando? Onde? Com quem?
- Ontem. No Discretíssimu's.
- Com quem? Com quem?
- Isso eu não sei.
- Mas como? Era alta? Magra? Loira? Puxava de uma perna?
- Não sei, Lu.
- Carlos Alberto me paga. Ah, me paga. Quando o Carlos Alberto chegou em casa a Lurdes anunciou que iria deixá-lo e contou por quê.
- Mas que história é essa, Lurdes? Você sabe quem era a mulher que estava comigo no motel? Era você!
- Pois é. Maldita hora em que eu aceitei ir. - Discretíssimu's! Toda a cidade ficou sabendo. Ainda bem que não me identificaram.
- Pois então?
- Pois então, que eu tenho que deixar você. Não vê? É o que todas as minha amigas esperam que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e não reagir.
- Mas você não foi enganada. Quem estava comigo era você!
- Mas elas não sabem disso!
- Eu não acredito, Lurdes! Você vai desmanchar nosso casamento por isso? Por uma convenção?
- Vou!
Mais tarde, quando a Lurdes estava saindo de casa,com as malas, o Carlos Alberto a interceptou. Estava sombrio:
- Acabo de receber um telefonema - disse. - Era o Dico.
- O que ele queria?
- Fez mil rodeios, mas acabou me contando. Disse que,como meu amigo, tinha que contar.
- O quê?
- Você foi vista saindo do motel Discretíssimu's ontem, com um homem.
- O homem era você!
- Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Você não disse que era você?
- O que? Para que os meus amigos pensem que eu vou a motel com a minha própria mulher?
- E então?
- Desculpe, Lurdes, mas...
- O quê???
- Vou ter que te dar uma surra...
*Conclusão : *Devemos cuidar apenas da nossa saúde, porque da nossa vida, todo mundo cuida.
A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua de espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes.
- Quando? Onde? Com quem?
- Ontem. No Discretíssimu's.
- Com quem? Com quem?
- Isso eu não sei.
- Mas como? Era alta? Magra? Loira? Puxava de uma perna?
- Não sei, Lu.
- Carlos Alberto me paga. Ah, me paga. Quando o Carlos Alberto chegou em casa a Lurdes anunciou que iria deixá-lo e contou por quê.
- Mas que história é essa, Lurdes? Você sabe quem era a mulher que estava comigo no motel? Era você!
- Pois é. Maldita hora em que eu aceitei ir. - Discretíssimu's! Toda a cidade ficou sabendo. Ainda bem que não me identificaram.
- Pois então?
- Pois então, que eu tenho que deixar você. Não vê? É o que todas as minha amigas esperam que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e não reagir.
- Mas você não foi enganada. Quem estava comigo era você!
- Mas elas não sabem disso!
- Eu não acredito, Lurdes! Você vai desmanchar nosso casamento por isso? Por uma convenção?
- Vou!
Mais tarde, quando a Lurdes estava saindo de casa,com as malas, o Carlos Alberto a interceptou. Estava sombrio:
- Acabo de receber um telefonema - disse. - Era o Dico.
- O que ele queria?
- Fez mil rodeios, mas acabou me contando. Disse que,como meu amigo, tinha que contar.
- O quê?
- Você foi vista saindo do motel Discretíssimu's ontem, com um homem.
- O homem era você!
- Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Você não disse que era você?
- O que? Para que os meus amigos pensem que eu vou a motel com a minha própria mulher?
- E então?
- Desculpe, Lurdes, mas...
- O quê???
- Vou ter que te dar uma surra...
*Conclusão : *Devemos cuidar apenas da nossa saúde, porque da nossa vida, todo mundo cuida.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
A Velha Questão Tostines
Essa todo mundo conhece, não é? Tostines vende mais por que é fresquinho, ou é fresquinho por que vende mais?
Hoje, enquanto olhava pela janela do carro, voltando de uma reunião quilométrica, fiquei a pensar na Questão Tostines.
Será que eu trabalho para viver ou vivo para trabalhar?
Passo a maior parte do meu dia trabalhando e quando saio do trabalho estou um caco. Pego trânsito e demoro para chegar em casa. Em casa só dá tempo de comer alguma coisa, ver alguma notícia na televisão e cair na cama.
Acho que eu vivo para trabalhar.
Mas se não for assim, não tenho meios bastantes de subsistência, como gostam de dizer o pessoal do direito. Eu digo por uma questão de direito.
Como vou levantar um cascalho para as prestações do carro, para o vestuário, para a alimentação, para a conta do celular (pré-pago, claro), para meus livros, os impostos e uma eventual cachaçada dançante? Hora ou outra tenho que me divertir, não é mesmo?
Pensando desta maneira, até que trabalho para viver.
Nos finais de semana, penso em telefonar para meus colegas e amigos da empresa para marcar um churrasco ou algo assim. Por um lado é bom, significa que possuo um ótimo relacionamento interpessoal, como gosta de dizer o pessoal do RH, mas por outro, significa que meu círculo social está se restringindo ao ambiente de trabalho.
E quando esses churrascos ou algos assim acontecem, qual o assunto? Projetos, diretrizes, estratégias...
Tenho a impressão de que estou vivendo para trabalhar.
Ao mesmo tempo que me é pessoalmente compensador quando sinto que aprendi algo novo, mudei minha maneira de pensar, amadureci em alguma questão, resolvi um pepino sem prejudicar nada ou a ninguém e saio do trabalho com a sensação de missão comprida. Isso dá forças para encarar a vida de uma maneira mais positiva.
Encarar a vida de uma maneira mais positiva foi uma frase muito boa. Me faz pensar que assim trabalho para viver.
A próxima vez que eu estiver voltando de uma reunião, vou tentar pensar naquela do ovo e da galinha.
Hoje, enquanto olhava pela janela do carro, voltando de uma reunião quilométrica, fiquei a pensar na Questão Tostines.
Será que eu trabalho para viver ou vivo para trabalhar?
Passo a maior parte do meu dia trabalhando e quando saio do trabalho estou um caco. Pego trânsito e demoro para chegar em casa. Em casa só dá tempo de comer alguma coisa, ver alguma notícia na televisão e cair na cama.
Acho que eu vivo para trabalhar.
Mas se não for assim, não tenho meios bastantes de subsistência, como gostam de dizer o pessoal do direito. Eu digo por uma questão de direito.
Como vou levantar um cascalho para as prestações do carro, para o vestuário, para a alimentação, para a conta do celular (pré-pago, claro), para meus livros, os impostos e uma eventual cachaçada dançante? Hora ou outra tenho que me divertir, não é mesmo?
Pensando desta maneira, até que trabalho para viver.
Nos finais de semana, penso em telefonar para meus colegas e amigos da empresa para marcar um churrasco ou algo assim. Por um lado é bom, significa que possuo um ótimo relacionamento interpessoal, como gosta de dizer o pessoal do RH, mas por outro, significa que meu círculo social está se restringindo ao ambiente de trabalho.
E quando esses churrascos ou algos assim acontecem, qual o assunto? Projetos, diretrizes, estratégias...
Tenho a impressão de que estou vivendo para trabalhar.
Ao mesmo tempo que me é pessoalmente compensador quando sinto que aprendi algo novo, mudei minha maneira de pensar, amadureci em alguma questão, resolvi um pepino sem prejudicar nada ou a ninguém e saio do trabalho com a sensação de missão comprida. Isso dá forças para encarar a vida de uma maneira mais positiva.
Encarar a vida de uma maneira mais positiva foi uma frase muito boa. Me faz pensar que assim trabalho para viver.
A próxima vez que eu estiver voltando de uma reunião, vou tentar pensar naquela do ovo e da galinha.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
31 de julho
Pois é... Acabei de saber que 31 de julho é Dia do Orgasmo. E eu que não sabia que há um dia especial no calendário para comemorar o orgasmo.
Para mim, dias marcados em calendários sempre foram dias de santos, ou feriados nacionais, ou festas inventadas pelo comércio para vender mais. Acho até que orgasmo é algo para se comemorar mesmo com quem quer que você esteja, incluindo você mesma... mas dia do orgasmo é meio muito, não?
Vai ver que é porque ultimamente ficou muito popular a coisa: todo mundo acha que tem direito a um, ao menos. Eu acho que todo mundo tem direito a tantos quanto quiser. Ou vai ver que depois que descobriram que a gente também gosta (já faz um certo tempo, não?), resolveram guardar um dia especial no calendário para comemorar o orgasmo.
Ainda bem que na maioria das cidades não tem mais aquela coisa de comemoração nas escolas. Já pensaram? Crianças em fila cantando o Hino Nacional em homenagem ao orgasmo? Agitando bandeirinhas? Como seria o símbolo da bandeirinha? Gemeremos juntos para comemorar? Tá aí: vamos murmurar o Hino Nacional, gemendo quando acontecerem as notas mais altas e soltando um "ai" ao final! E vai ter distribuição gratuita de camisinhas? Devia ter de Viagra também. As lojas vão fazer promoção especial de lingerie e cuecas? Vai ver que nas sex shops todos os acessórios vão estar em promoção... E eu falei "acessórios" porque senão fica meio complicado explicar os itens.
Sei não, não me parece que seja assim uma data muito comercial... excetuando-se a turma que exerce o ofício, que tem todo o meu respeito, fica meio complicado passar uma propaganda na televisão anunciando uma promoção especial do Dia do Orgasmo. Tem gente que ainda acha que tem que haver uma certa... assim... digamos... discrição quanto à coisa propriamente dita.
Então vai ver que é dia de santo mesmo. "Santo Orgasmo". É, é isso. Padroeiro do bom humor, da pele bonita, do sono revigorante, tiro e queda para tensões, bom para resolver brigas de casal (ao menos temporariamente), bênção fundamental para um lar tranqüilo. Bênçãos de Santo Orgasmo aparecem a todo momento na vida da gente, até quando estamos muuuuuuuito apertados para ir ao banheiro ou quando comemos algo muuuuuito bom.
Então, a todos, um feliz Dia do Orgasmo. Comemoremos, pois, da forma que acharmos melhor: aos escandalosos, um grito daqueles de aparecer reclamação do síndico; aos timoratos, um olho bem revirado ou coisa que o valha; aos discretos, um gemido longo; aos nervosos, uma gargalhada daquelas; aos asmáticos, nenhuma crise!
Ah! sim: champanhe ou vinho serão sempre boas bebidas para comemorar o santo. E não se esqueçam da bandeirinha... a bandeirinha é ótimo!
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Roberto, o Homem ideal
Roberto durante anos colheu e estudou as informações que as mulheres deixaram escapar em entrevistas, revistas e até falsos cochichos em um grupo de mulheres papeando. Aliás foi assim que conseguiu uma das suas primeiras namoradas. O fato dela estar cuidando dele por estar quase em coma alcoólica não vem ao caso. O importante é que fez todo esse estudo para conseguir se tornar algo inexistente. O Homem Ideal. Algo que as mulheres procuram por todos os cantos desse mundo. A razão pela qual elas se relacionam com essa raça (homens). Essa procura que se estampa pelas Claudias, Novas, Marie Claires e Meninas Veneno de todo o mundo.
Depois de processados todos os dados (não são listados senão seriam uma crônica por si só.) estabeleceu seu plano de ação e começou a executá-lo.
Entrou na academia, adotou uma dieta balanceada, começou as aulas de italiano (eles são sexy dizem elas), o inglês já sabia. Arranjou um trabalho social, fez sua empresa ir para frente, comprou um apartamento bom, nem grande (pra não esnobar) nem pequeno (um homem tem que ter ambições). Se matriculou em aulas de Jiu-Jitsu (tem que defender a amada) e comprou uma porção de livros. "Homens são de Marte mulheres de Vênus" foi o primeiro.
Roberto acabou gostando dos seu novo estilo de vida, conversava melhor, se portava melhor, tinha dinheiro e sabia protegê-lo. Todo seu esforço começou a dar resultado e pouco a pouco foi colecionando novas experiências e se direcionando ao último e grande desafio. Querer um compromisso. O Homem Ideal não tem medo de compromisso.
Conheceu Laura, uma mulher incrível, inteligente, sincera, segura, solteira. Se entrosaram muito bem, ela fazia francês na mesma escola que ele, logo mudou também para sua academia pois 2 horas longe um do outro era muito tempo. Os dois ficaram juntos e felizes, mas Roberto havia adquirido um vício, se tornar o Homem cada vez mais Ideal.Não haviam mais desentendimentos, tudo era unanimidade, ele nem assistia mais o futebol, a mãe dela era mais querida que a dele e ele até aprendeu a fazer xixi sentado.
Só que acompanhado de tudo isso veio um efeito colateral. A falta de libido. A vida sexual deles estava em perigo de extinção. Apesar de estarem se falando mais do que nunca e nem precisarem discutir a relação. Ele entendia ela em todos os sentidos mas em vez de papai e mamãe eles estavam mais para irmãozinho e irmãzinha.
Como havia de ser um dia eles sentaram pra conversar sobre isso. E Roberto disse que essa foi a relação mais saudável que ele já teve, que eles se entendiam muito bem, porém ele precisava de mais compreensão, ela não entendia as necessidades dele, que ele queria uma pessoa mais sincera, mais preocupada com as causas sociais, ou seja, ele queria um Homem Ideal. Apesar de espantada ela entendeu exatamente o que ele queria, então eles se separaram em clima pacífico. Se tornaram melhores amigos, mas cada uma seguiu seu rumo, cada um procurando seu homem ideal.
Roberto entendeu tão bem a alma feminina que acabou se tornando uma.
sábado, 14 de julho de 2007
Idiossincrasia é isso aí!
Durante anos e anos essa palavra me intrigou de uma maneira idiossincrática. Ninguém parava para pensar em idiossincrasia como eu. Por isso, essa era a minha idiossincrasia de analisar essa tal de idiossincrasia.
Cada vez que me deparava com esse vocábulo, eu me intrigava e me prometia pesquisar idiossincraticamente sobre seu significado, radicais gregos, latinos e livres, importância histórica e, obviamente, ortografia. Mesmo porque (confesso ...) sempre achei que o certo era "idiossincracia". Daí minha preocupação com sua importância histórica:
Depois da monarquia, a oligarquia. Depois da oligarquia, a democracia. No meio de tudo isso, a "Idiossincracia" advinda de Idocrásio, o Peculiar, na Roma Antiga. Aliás, sempre achei que idiossincrasia poderia ser um daqueles neologismos engraçadinhos para descrever a forma do governo atual. Sacou ?
Uma vez, até apelei para um dos maiores mestres que já tive, o professor de língua portuguesa Platão (quase dois metros de altura), e perguntei o significado de tal palavra. Num sorriso de canto de boca, ele quase sem me olhar, disse - Não sei não ... - Eu já sabia que essa era a resposta mais inteligente que poderia ouvir(com um didatismo idiossincrático!). Só assim, encubei essa dúvida por anos e anos, para que finalmente o dia chegasse. O chamado surgiu quase que espontaneamente:
-Aurélio !! Cadê você ?!
E ele, com a prontidão de sempre, na página 739, coluna 2, linha 3, me respondeu: [do grego Idiosygkrasía] 1. Disposição do temperamento do indivíduo, que o faz agir, de maneira muito pessoal, à ação dos agentes externos. 2. Maneira de ver, sentir, reagir, própria de cada pessoa.
Só isso ? Essa palavra espetacular, enorme, misteriosa, magnífica, e, agora posso dizer, idiossincrática só quer dizer isso: Peculiar ... Pôxa, seu Aurélio! Tirando o nome em grego essa definição não é nem um pouco idiossincrática. É como falar que "defenestrado" é sinônimo de "bonito"!
É triste como sempre idealizamos fantasticamente o desconhecido. Só na nossa ingênua cabeça que: Morena, 1,78 m, 62 Kg, olhos verdes e cabelos compridos são sempre uma mulher linda! Quem garante ela não tem uma cicatriz da testa até o queixo, seja vesga, com a língua presa, manca, cabelos compridos porém em todas as direções desrespeitando inclusive a Lei da gravidade, tudo isso, é claro, de maneira indubitavelmente idiossincrática.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Sala de espera
Depois de brincar com meus próprios dedões por alguns minutos, comecei a achar que aquela sala de espera estava se tornando tediosa.
Como seria bom se exatamente agora, uma mulher linda, solteira e simpática entrasse na sala.
Não menos do que 1 minuto após meu impetuoso desejo ter sido feito, tal mulher entrou na sala. Tinha imaginado uma loira e a mulher que entrou era morena com mechas claras o que a tornava ainda mais interessante.
- Bom dia. - ela disse.
- Clufahan Hãããn ... Er ... oi. - respondi, com muita classe.
Sempre tenho dificuldade para responder rapidamente quando sou pego de surpresa. Mas sempre me saio bem, no final.
Voltando ao desejo, ela era linda e simpática. Só uma mulher simpática diz “oi” para um homem que brinca compulsivamente com seus dedões numa sala de espera.
- A senhora já tem ficha aqui ? - perguntou a secretária
- Ainda não. - respondeu ela.
- Ahãããn Cluf ... - acrescentei.
Como toda mulher linda e simpática, ela esboçou um sorriso ao me olhar discretamente.
Começou então, o pequeno interrogatório feito pela secretária até que a bela Cláudia (sim, com muita perspicácia consegui descobrir seu nome) confessou ser a mulher dos meus sonhos :
- Solteira, infelizmente.
- UI ahãnnn Cluf ... Ô luta, meu pai ... - pensei.
- Pois não. - respondeu ela, sorrindo com aquele sorriso que só mulheres como ela conseguem fazer. Ela ria de mim, mas num tom carinhoso.
Será que eu disse o que pensei alto ? Acho que sim. E ela, como não poderia deixar se ser, fingiu não ter entendido. Parti para a dissimulação.
-Ah ... Me desculpe. Me empolguei com a reportagem que estava lendo. Bobeira minha.
- Magina! - respondeu ela, fazendo aquele gesto com uma mão que normalmente quer dizer “Magina!”.
Ufa! Acho que tinha me saído bem. Tirando o fato de que eu não tinha nenhuma revista nas mãos, claro. Isso realmente poderia ter maculado, um pouco, minha interpretação. Malditos detalhes!
- Com licença ? - disse ela, ainda rindo.
Para me redimir, antes de responder, dei uma leve olhada para meu relógio. Típico movimento que só um homem de muita classe consegue fazer antes de responder uma pergunta deste nível.
- Sim ... - retruquei com a certeza de que a surpreendi.
- Nós já não nos conhecemos antes ? - disse ela sem mostras de maiores surpresas.
Acabei me lembrando que também estava sem relógio de pulso, e meu gesto fatal, pode ter se tornado um pouco inócuo. Dessa vez, confesso. Senti o golpe. Dois diretos no rosto na seqüência. Se ela não me deixasse respirar um pouco, eu beijaria a lona em instantes.
Fingi ter deixado meu celular caído no chão, e soltei um leve “ oh ...” para completar a ação. Eu precisava de tempo.
- Olha ... não quero me parecer uma mulher atirada, mas realmente senti uma energia diferente em você? Você acredita em destino?
Levantei rapidamente. Gesto absolutamente aceitável quando você deve pegar algo que está no chão. Torcia desesperadamente para que meu técnico jogasse a toalha no meu córner para que a luta fosse interrompida. Sem querer, chutei meu celular para longe. E ao bater na parede, ele se dividiu caprichosamente em duas partes. Como não queria correr o risco de parecer um homem atrapalhado pisei com toda força que tinha na bateria que voou para perto de mim. Agora sim. Mostrei quem estava no controle. Corri então para o outro lado da sala. Somente uma ajuda divina me salvaria.
- Ai ai ... adoro homens tímidos, sabe? - disse ela, sem um pingo de bondade no coração. Não queria saber o que ela pensava dos outros homens.
Sem perder a compostura, segurei a bateria em uma mão, e levantei do chão. Sim, acho que, no calor da conversa, me esqueci de contar que dei uma linda ponte (como fazem os goleiros profissionais) para agarrar a outra parte do celular.
Fingi, então, que o celular tocava no modo silencioso, e dignamente, segurando o fone, saí correndo, como quem se retira educadamente do recinto para não perturbar os outros com sua conversa.
- Alô, alô ! eu gritava, para que ela percebesse quanto o “pseudo-sinal” estava fraco.
E assim, fui para a rua certo de que não tinha mais nada a fazer. Ah, se eu fosse um homem tímido!
Como seria bom se exatamente agora, uma mulher linda, solteira e simpática entrasse na sala.
Não menos do que 1 minuto após meu impetuoso desejo ter sido feito, tal mulher entrou na sala. Tinha imaginado uma loira e a mulher que entrou era morena com mechas claras o que a tornava ainda mais interessante.
- Bom dia. - ela disse.
- Clufahan Hãããn ... Er ... oi. - respondi, com muita classe.
Sempre tenho dificuldade para responder rapidamente quando sou pego de surpresa. Mas sempre me saio bem, no final.
Voltando ao desejo, ela era linda e simpática. Só uma mulher simpática diz “oi” para um homem que brinca compulsivamente com seus dedões numa sala de espera.
- A senhora já tem ficha aqui ? - perguntou a secretária
- Ainda não. - respondeu ela.
- Ahãããn Cluf ... - acrescentei.
Como toda mulher linda e simpática, ela esboçou um sorriso ao me olhar discretamente.
Começou então, o pequeno interrogatório feito pela secretária até que a bela Cláudia (sim, com muita perspicácia consegui descobrir seu nome) confessou ser a mulher dos meus sonhos :
- Solteira, infelizmente.
- UI ahãnnn Cluf ... Ô luta, meu pai ... - pensei.
- Pois não. - respondeu ela, sorrindo com aquele sorriso que só mulheres como ela conseguem fazer. Ela ria de mim, mas num tom carinhoso.
Será que eu disse o que pensei alto ? Acho que sim. E ela, como não poderia deixar se ser, fingiu não ter entendido. Parti para a dissimulação.
-Ah ... Me desculpe. Me empolguei com a reportagem que estava lendo. Bobeira minha.
- Magina! - respondeu ela, fazendo aquele gesto com uma mão que normalmente quer dizer “Magina!”.
Ufa! Acho que tinha me saído bem. Tirando o fato de que eu não tinha nenhuma revista nas mãos, claro. Isso realmente poderia ter maculado, um pouco, minha interpretação. Malditos detalhes!
- Com licença ? - disse ela, ainda rindo.
Para me redimir, antes de responder, dei uma leve olhada para meu relógio. Típico movimento que só um homem de muita classe consegue fazer antes de responder uma pergunta deste nível.
- Sim ... - retruquei com a certeza de que a surpreendi.
- Nós já não nos conhecemos antes ? - disse ela sem mostras de maiores surpresas.
Acabei me lembrando que também estava sem relógio de pulso, e meu gesto fatal, pode ter se tornado um pouco inócuo. Dessa vez, confesso. Senti o golpe. Dois diretos no rosto na seqüência. Se ela não me deixasse respirar um pouco, eu beijaria a lona em instantes.
Fingi ter deixado meu celular caído no chão, e soltei um leve “ oh ...” para completar a ação. Eu precisava de tempo.
- Olha ... não quero me parecer uma mulher atirada, mas realmente senti uma energia diferente em você? Você acredita em destino?
Levantei rapidamente. Gesto absolutamente aceitável quando você deve pegar algo que está no chão. Torcia desesperadamente para que meu técnico jogasse a toalha no meu córner para que a luta fosse interrompida. Sem querer, chutei meu celular para longe. E ao bater na parede, ele se dividiu caprichosamente em duas partes. Como não queria correr o risco de parecer um homem atrapalhado pisei com toda força que tinha na bateria que voou para perto de mim. Agora sim. Mostrei quem estava no controle. Corri então para o outro lado da sala. Somente uma ajuda divina me salvaria.
- Ai ai ... adoro homens tímidos, sabe? - disse ela, sem um pingo de bondade no coração. Não queria saber o que ela pensava dos outros homens.
Sem perder a compostura, segurei a bateria em uma mão, e levantei do chão. Sim, acho que, no calor da conversa, me esqueci de contar que dei uma linda ponte (como fazem os goleiros profissionais) para agarrar a outra parte do celular.
Fingi, então, que o celular tocava no modo silencioso, e dignamente, segurando o fone, saí correndo, como quem se retira educadamente do recinto para não perturbar os outros com sua conversa.
- Alô, alô ! eu gritava, para que ela percebesse quanto o “pseudo-sinal” estava fraco.
E assim, fui para a rua certo de que não tinha mais nada a fazer. Ah, se eu fosse um homem tímido!
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Banho de idéias
Descobri que o banho, além de limpar e relaxar, é um ótimo lugar para se pensar. E quando digo isso, refiro-me, exatamente, ao banho e não no conjunto todo, o banheiro. Está certo que não é o lugar mais adequado, porém, por vezes, é o mais insólito. E nada melhor para se pensar do que estar em plena solitude.
Cometei aqui certa vez da solitude. Minha companheira inseparável, a dita cuja. E em meu banho não é diferente. Mas não é sobre ela que quero comentar.
O banho é uma coisa sagrada. Deve existir um santo pro banho. Um santo banhista, não sei. E caso não haja, encaminharei ao papa uma solicitação de que se ache um santo banhista lá pelos lados do Hawaí. Ou em qualquer outra costa que se ache o encosto. Como ainda não temos o bendito do santo, voltemos ao banho.
Cá entre nós: quantos de vocês, ao entrar (!) no chuveiro, apenas tomam banho? E, quando pergunto isso, já informo que você está sozinho, desprovido de companhia. Sinceramente, não sei. Nunca fui de chegar em alguém e dizer: “Ei! Você! Quando entra no banho, você só toma banho ou fica lá de bobeira?”. É que esse “de bobeira” remete a uma porção de bobagens.
Tem gente que gosta de banho musical. Ou levam um radinho três em um ou, não sei se existe ainda, soltam a caixa do aparelho de som e a levam até o banheiro. E por lá ficam horas e horas, ouvindo, curtindo um som na maior paz. Aí me pergunto: será que o cara dança lá dentro? Será que ele canta? O que será que acontece lá dentro? Se for um mantra a música, ele entra em alpha e medita com a água batendo na cabeça? A queda d’água, gelada ou quente, estimula os tímpanos para melhor audição da música?
Isso é matéria de estudo. De muito estudo.
Há o banho sauna. Geralmente a cidadã fecha a porta do banheiro a chaves, liga o chuveiro e começa a cortar a unha enquanto a água cai e o vapor sobe. Quando a coisa já ta bem branca e ela não consegue mais ver a unha do pé, a pessoa se digna a entrar no banho. E é um banho D E M O R A D O. Quando a pessoa acaba seus afazeres e abre a porta, parece que a nave da Xuxa chegou na residência, pois todo aquele vapor sai de uma vez só do banheiro. Mas não deixa de ser um banho interessante. Faz bem pra pele e abre os poros, segundo “dizem”.
Tem gente que vive no espírito da quaresma o ano todo e adora essa coisa de “mortificações” e “penitencias”. Esse tipo de mandinga não pega comigo. Mas o povo vive com suas crendices e adora fazer um drama. E é aí que entra o banho masoquista. Esse é aquele banho que se é tomado lá pelas cinco da manhã em pleno mês de julho, quando o inverno está “tinindo” aqui pros lados do sul do Brasil. Pois bem, o cidadão vai lá e desliga a chave do banheiro pra tomar banho gelado. Pasmem, ainda saem do banheiro tremendo e dizendo: “Faz um bem pra circulação sangüínea”. Eu mal consigo levantar da cama no frio, quem dirá tomar um banho gelado a cinco graus. Esses, com certeza, fazem um Yoga antes de entrar no banho para, justamente, não pensar em nada e não sentirem nada, principalmente frio. Geralmente esses banhos são rápidos e no final do mês dá gosto de ver a conta de água e luz.
O “chéq-chéq” é o banho rápido. Tão rápido que a pessoa só lava as “partes” e já desliga o chuveiro ou sai do bidê, ou, ainda, da pia. É que muita gente tem revolucionado essa coisa de se banhar, já que o tempo anda escasso e fazem de tudo para economizar água.
E, por fim, há o banho pensativo. Esse é daqueles banhos longos, demorados que, quando o cidadão sai do banheiro, parece uma uva-passa de tão enrugando. Geralmente são nesses banhos que vêm as melhores idéias, as melhores aulas, as melhores respostas aos namorados naquela briga em que você ficou mudo, a sacada genial na prova de química que você tirou zero, as melhores artimanhas para fugir do castigo indo pro clube se divertir se não fosse a sua mãe ter te trancado dentro do banheiro, enfim, tratados, teses de mestrado e doutorado e, até, solução para a crise aérea brasileira.
Só que o problema é que não anotamos e esquecemos do que pensamos no banho. Pensei em inventar um papel impermeável e uma caneta que escrevesse no molhado. Um kit-banho-pensativo. Mas aí eu já iria fazer do banho um escritório e não daria muito certo.
Bem, confesso que a crônica não era para ser bem essa, mas como acabei de tomar banho, as idéias foram ralo abaixo e deu nisso.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Chatus Viajadus
Viajar de avião é uma coisa engraçada. Nestes últimos anos, devido a profissão ingrata de consultor, tenho viajado muito. A cada vôo que faço, fico observando as pessoas que entram e saem dos aviões e pensando em cada um deles. Já me deparei com cada tipo que vocês não acreditam!!!
Primeiro, tem os apressados. A aeromoça começa chamando a primeira classe e a classe executiva, mas sempre tem o apressado chato que está na última cadeira da classe econômica e que quer entrar primeiro no avião. Eu classifico estes como o chatus apressadus.
Tem aquele inconveniente, mal senta na cadeira, começa a conversar com você e não percebe que você está a fim de dormir para ver aquele vôo passar logo. Acha que todo mundo viaja para se divertir ou viaja de férias e faz um interrogatório inteiro sobre o que você faz, de onde vem, para onde vai, o que vai fazer, entre outras coisas. Estes são os chatus interregatorius.
Existem os chatus religiosus. Estes deixam o avião decolar, deixa servirem a comida, e quando você menos espera e acha que vai poder dormir o vôo todo, ele começa a falar sobre religião, puxa sua bíblia, e começa a pregar para você. Não que eu tenha alguma coisa contra isso mas dentro de um avião é dose!!!!
O fantástico é ver aquelas famílias com quatro crianças, pai e mãe entrando no avião e que decidiram não despachar nenhuma mala para descerem mais rápido do avião. Resultado, a mãe vem com duas malas de rodinha, segurando o filho mais novo, o pai com mais duas malas de rodinha e os filhos com as malas de brinquedos. Sempre chegam por último no avião e querem colocar todas aquelas imensas malas nos bagageiros superiores. Que lástima! Este eu classifico como o familius atrapalhadus viajandus.
Mas tem um certo tipo de passageira que é fantástica, mas nunca se senta ao meu lado. Estas são as modelus viajandus. Fico sentado na minha cadeira esperando que aquela “Julia Roberts” entre no avião e venha sentar-se ao meu lado. E torço para que ela seja do tipo chatus persistentes. Mas elas entram no avião e sempre sentam-se do outro lado. Pôxa, viajar naquela poltrona é tão incomodo. Poderia ficar mais tranqüilo se eu estivesse bem acompanhado...
Tem o chatus tecnologus, que sempre utiliza o notebook para fazer barulho de teclado enquanto tento dormir. Quando pára com o Notebook, liga o walkman, quando desliga o walkman, pede para ir a cabine do avião ver como faz para voar com um Boeing 737.
Mas para mim o pior de todos é a classe do chatus viajadus. Reclama da poltrona, reclama da modelo que não sentou ao seu lado, reclama da comida, reclama da pessoa que sentou ao seu lado e fez aquele interrogatório ou ficou pregando pedaços da bíblia. Só faltava reclamar de tudo isso em uma crônica. Ih, achei minha classe....
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Para uma barata escondida (sabe lá onde) em meu quarto.
Tem uma barata no meu quarto,
Em algum canto da bagunça arrumada do meu quarto ela se esconde.
São quase duas da manhã;
Uma estúpida barata
Imaginária/real
Se esgueira por detrás de algum dos meus livros.
Será que está lendo O PRÍNCIPE de Maquiavel?
Eu nunca li, só está aqui de enfeite.
E se ela ler A METAMORFOSE de Kafka?
Certamente entrará em crise existencial.
Existe certamente uma barata,
Possivelmente em crise,
Em algum lugar da bagunça arrumada do meu quarto.
Se o mundo acabar amanhã,
Não vou deixar nada em testamento para ela.
Se ela conseguir sobreviver...
Que seja sem meu som, meus discos e fitas,
Meu telefone e meus livros.
Seja por seus próprios meios.
São duas e dez da manhã,
E uma estúpida barata se esconde em algum canto;
Possivelmente ao meu lado.
Não consigo dormir!
Uma fétida barata me tirou o sono... Porra!! São duas e quinze e ela não aparece!
Me sinto como um namorado, traído...Com rosas (no caso um chinelo) na mão,
Esperando a amada,
Uma baratona cascuda
Que certamente encontrou algo melhor para fazer.
Será que ela tá visitando algum país do meu globo?
Além da estúpida barata desaparecida,
Apareceu uma estúpida muriçoca
Que quer (mesmo contra o ventilador) me picar.
Uma barata, uma muriçoca e todas as luzes acesas,
(não sou besta de apagar)
rezem uma prece pela falecida muriçoca
(acabei de matá-la).
Só falta a baratona cascuda que está escondida...
Outra muriçoca...
Sacanagem...
Isso é sacanagem!!
Um quarto com Baygon, muriçocas à vontade.
Uma barata escondida,
Deus sabe onde,
Um ventilador ligado e todas as luzes acesas.
Duas muriçocas a menos e um relógio marcando duas e meia.
Isso definitivamente não é uma poesia!!
Menos outra muriçoca (EU 3 X MURIÇOCAS 0),
Vou chamar a Elis Regina para dormir comigo.
A barata que se faça de besta,
Eu a esmago depois que terminar a não-poesia em sua homenagem.
E quando amanhecer, não sairá em nenhum jornal local.
A única sobrevivente do mundo pós bomba-atômica.
Uma baratona cascuda, culta e letrada
Que lia Maquiavel, Kafka, Gabriel Garcia Márquez, João Ubaldo
E Jorge Amado
Enquanto visitava todo o mundo no meu globo.
Em algum canto da bagunça arrumada do meu quarto ela se esconde.
São quase duas da manhã;
Uma estúpida barata
Imaginária/real
Se esgueira por detrás de algum dos meus livros.
Será que está lendo O PRÍNCIPE de Maquiavel?
Eu nunca li, só está aqui de enfeite.
E se ela ler A METAMORFOSE de Kafka?
Certamente entrará em crise existencial.
Existe certamente uma barata,
Possivelmente em crise,
Em algum lugar da bagunça arrumada do meu quarto.
Se o mundo acabar amanhã,
Não vou deixar nada em testamento para ela.
Se ela conseguir sobreviver...
Que seja sem meu som, meus discos e fitas,
Meu telefone e meus livros.
Seja por seus próprios meios.
São duas e dez da manhã,
E uma estúpida barata se esconde em algum canto;
Possivelmente ao meu lado.
Não consigo dormir!
Uma fétida barata me tirou o sono... Porra!! São duas e quinze e ela não aparece!
Me sinto como um namorado, traído...Com rosas (no caso um chinelo) na mão,
Esperando a amada,
Uma baratona cascuda
Que certamente encontrou algo melhor para fazer.
Será que ela tá visitando algum país do meu globo?
Além da estúpida barata desaparecida,
Apareceu uma estúpida muriçoca
Que quer (mesmo contra o ventilador) me picar.
Uma barata, uma muriçoca e todas as luzes acesas,
(não sou besta de apagar)
rezem uma prece pela falecida muriçoca
(acabei de matá-la).
Só falta a baratona cascuda que está escondida...
Outra muriçoca...
Sacanagem...
Isso é sacanagem!!
Um quarto com Baygon, muriçocas à vontade.
Uma barata escondida,
Deus sabe onde,
Um ventilador ligado e todas as luzes acesas.
Duas muriçocas a menos e um relógio marcando duas e meia.
Isso definitivamente não é uma poesia!!
Menos outra muriçoca (EU 3 X MURIÇOCAS 0),
Vou chamar a Elis Regina para dormir comigo.
A barata que se faça de besta,
Eu a esmago depois que terminar a não-poesia em sua homenagem.
E quando amanhecer, não sairá em nenhum jornal local.
A única sobrevivente do mundo pós bomba-atômica.
Uma baratona cascuda, culta e letrada
Que lia Maquiavel, Kafka, Gabriel Garcia Márquez, João Ubaldo
E Jorge Amado
Enquanto visitava todo o mundo no meu globo.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Sobre as misses
O plural de miss é misses mesmo? Se for, o meu editor de texto ainda não aprendeu, porque reclamou sublinhando a palavra com uma cobrinha vermelha. Não confio nesse meu editor de texto, às vezes ele é muito burro. Mas às vezes eu também sou, por exemplo, a ponto de não lembrar que miss é em inglês. Enfim.
Fui cobrado por alguns leitores pelo fato de não ter escrito uma linha sequer sobre o último concurso de Miss Universo. Não escrevi pelo simples motivo de que não acompanhei, não assisti e só soube o resultado no dia seguinte.
Escrevi sobre o tal concurso em... (só um momento, tenho que pesquisar)...ah sim, em junho de 2004 e aquele foi o último concurso de misses (mais cobrinha vermelha) que acompanhei.
É sempre a mesma velha história, as tais mocinhas mais belas de cada país não são as mais belas nem aqui nem na Globo. A que ganha nunca é a mais bonita e aquele desfile de roupas típicas é totalmente atípico (contaram-me que a brasileira estava de borboleta).
Lá em 2004 eu desci o malho nas moças, distribuindo adjetivos como “feia”, “bochechuda”, “cabeçuda” e “cara de velha”. Teve até um suposto parente de uma delas que me mandou um e-mail indignado, lamentando a minha falta de caráter e hombridade por dizer aquelas coisas. Digo suposto parente porque o endereço de e-mail do cretino trazia o mesmo sobrenome de uma das xingadas. Ou é parente mesmo que mora aqui no Brasil ou é algum tarado fanático que deve ter se encantado com a tal miss e que hoje deve ser filiado a algum partido político.
Dia desses vi no ônibus uma moça que poderia ser candidata a Miss Universo sem grandes problemas. No ônibus! Convivo com meninas que poderiam facilmente concorrer a Miss Sistema Solar, ou Miss Via Láctea.
Sobre o resultado do concurso deste ano, só posso dizer que qualquer uma das duas finalistas merecia a coroa. A japinha é realmente uma graça, mas se bem que sempre tive uma queda pelas nipônicas.
Mas como do outro lado estava a brasileira, a japinha instantaneamente se tornou uma baranga, mocréia, vagabunda, ridícula e vesga. Nosso ufanismo é capaz de muitas atrocidades. E já ouvi dizer que agora a candidata brasileira vai sair pelada em revista, vai ter programa de televisão, talvez participar de alguma novela e alguns reality shows.
Coitada da moça.
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Nunca farão o que precisamos
O descrédito é nítido. A falta de confiança está estampada na cara. O brasileiro anda pra lá de cabisbaixo. As promessas perderam o efeito. O pouco realizado é mera obrigação. Ninguém, ninguém mesmo está satisfeito com nada. E é exatamente isso que me preocupa. E muito.
Quando você está de saco cheio, por exemplo, de um relacionamento, aquele namoro ou casamento que, na sua opinião já deu (!) o que tinha que dar (?), qual a primeira reação? Amasiar. E essa fuga covarde, esse retrocesso juvenil, por vezes gera conseqüências irreversíveis. Pior aqueles que dizem: "Me arrependo" ou, ainda, "Agi sem pensar".
Mentira! Balela! Agem friamente. Pensam milimetricamente cada passo, cada jogada do xadrez da vida derrubando peões com seus cavalos contrariando o que os bispos falaram e, chegam à torre medieval para, em linha reta, trair o rei e pegar a rainha.
Somos jogadores da vida. Jogas-se, perde-se e blefa-se.
O blefe, na verdade, é nossa melhor jogada. Pode-se ganhar muito, mas fica sempre aquele frio na barriga de perder tudo. Seja pelo blefe, seja pela vaidade, seja pelo... pelo... pelo quê mesmo? Ah sim, pelo prazer de enganar e se enganar. Na maioria das vezes, adora-se colocar tudo a perder.
Correr o risco. Viver perigosamente numa adrenalina eterna. Ser irresponsável consigo mesmo.
Essa é a vida: arriscar, perder e achar culpados.
É assim que se vive no Brasil hoje: tenta-se achar culpados para isso ou para aquilo outro, mas ficamos na mesma. Nessa mesmice chinfrim. Nessa coisa de se enganar. Nisso de falar: "Ah, não dará em nada".
E nunca dá em nada mesmo. Sabe-se que qualquer investigação está fadada a cair por terra, a fica na vala comum do esquecimento. Assim foi com os "anões do orçamento", com o Dirceu, com o Marcos Valério e não será diferente com juízes, ministros, advogados, promotores, pois, como já me disse um "fraciscano": "Estamos acima da lei, meu caro. E fique você aí na sua vidinha medíocre, seu cronista".
Infelizmente, poucos gritam pela maioria. E nem adiantam bradar lindamente com campanhas populistas. Hipocrisia da grossa. Mas tem gente que acredita.
Primeiro desmoralizaram a esperança. Agora desmoralizam o medo. Temo o que há por vir.
Decididamente, o relacionamento do país com a população está estremecido há anos. Mas ninguém se deu conta disso e vive-se num patriotismo dominical nas vitórias do Felipe Massa ou na seleção capenga do Dunga.
Por isso, sugiro darmos um tempo ao Brasil. Vamos todos ficar indiferente aos acontecimentos, vamos ignorar tudo. Deixemos o Renan de lado. Deixemos a PF fazer o que deve fazer. Tomemos a mesma atitude do Lula.
Afinal, todos sabem que as únicas coisas que realmente são necessárias para se fazer, nunca serão feitas mesmo.
Quando você está de saco cheio, por exemplo, de um relacionamento, aquele namoro ou casamento que, na sua opinião já deu (!) o que tinha que dar (?), qual a primeira reação? Amasiar. E essa fuga covarde, esse retrocesso juvenil, por vezes gera conseqüências irreversíveis. Pior aqueles que dizem: "Me arrependo" ou, ainda, "Agi sem pensar".
Mentira! Balela! Agem friamente. Pensam milimetricamente cada passo, cada jogada do xadrez da vida derrubando peões com seus cavalos contrariando o que os bispos falaram e, chegam à torre medieval para, em linha reta, trair o rei e pegar a rainha.
Somos jogadores da vida. Jogas-se, perde-se e blefa-se.
O blefe, na verdade, é nossa melhor jogada. Pode-se ganhar muito, mas fica sempre aquele frio na barriga de perder tudo. Seja pelo blefe, seja pela vaidade, seja pelo... pelo... pelo quê mesmo? Ah sim, pelo prazer de enganar e se enganar. Na maioria das vezes, adora-se colocar tudo a perder.
Correr o risco. Viver perigosamente numa adrenalina eterna. Ser irresponsável consigo mesmo.
Essa é a vida: arriscar, perder e achar culpados.
É assim que se vive no Brasil hoje: tenta-se achar culpados para isso ou para aquilo outro, mas ficamos na mesma. Nessa mesmice chinfrim. Nessa coisa de se enganar. Nisso de falar: "Ah, não dará em nada".
E nunca dá em nada mesmo. Sabe-se que qualquer investigação está fadada a cair por terra, a fica na vala comum do esquecimento. Assim foi com os "anões do orçamento", com o Dirceu, com o Marcos Valério e não será diferente com juízes, ministros, advogados, promotores, pois, como já me disse um "fraciscano": "Estamos acima da lei, meu caro. E fique você aí na sua vidinha medíocre, seu cronista".
Infelizmente, poucos gritam pela maioria. E nem adiantam bradar lindamente com campanhas populistas. Hipocrisia da grossa. Mas tem gente que acredita.
Primeiro desmoralizaram a esperança. Agora desmoralizam o medo. Temo o que há por vir.
Decididamente, o relacionamento do país com a população está estremecido há anos. Mas ninguém se deu conta disso e vive-se num patriotismo dominical nas vitórias do Felipe Massa ou na seleção capenga do Dunga.
Por isso, sugiro darmos um tempo ao Brasil. Vamos todos ficar indiferente aos acontecimentos, vamos ignorar tudo. Deixemos o Renan de lado. Deixemos a PF fazer o que deve fazer. Tomemos a mesma atitude do Lula.
Afinal, todos sabem que as únicas coisas que realmente são necessárias para se fazer, nunca serão feitas mesmo.
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Milhar
"Eu já te disse mais de mil vezes!".
Com certeza já dissemos e ou ouvimos essa frase mais de mil vezes. Nossas mães são peritas em proferir o jargão. Ah... e como gostam. Ô se gostam. Eu, em minha parca existência, já disse isso um punhado de vezes. Inclusive, a palavra "mil" anda comigo desde pequeno. Incansavelmente. Diariamente. Martelando na minha cabeça.
Na época da inflação, lembro-me de pedir ao meu pai todos os dias uns mil cruzeiros para comer um pão com queijo e tomar um suco de laranja na escola. Era o valor certinho. E eu achava aquilo o máximo: falar mil. Pô, mil é número pra burro. Dava impressão de ter muito, mas era tão pouco...
Recordo-me quando brincava de esconde-esconde e meus amigos, para tirarem um sarro da minha cara e me fazerem de idiota mesmo, pediam para eu contar até mil. Sempre achei aquilo uma eternidade. Fora que perdia as contas e tinha que começar tudo de novo. Do zero. Quando já perdia as contas pela terceira vez, pulava pro número novecentos e contava mais cem. Pronto! Minha missão já estava acabada e saia à caça.
Mil é muita coisa, gente. Vocês já contaram até mil? Tentem. Sabem quanto são mil segundos? Pouco mais de dezesseis minutos. Agora imagine você ficar dezesseis minutos contanto... contando... contando... O tempo não passa. E a sua paciência vai pras cucuias.
O que me motivou, claro, a escrever sobre isso foi o Romário. É que nunca vi o Pelé jogar ao vivo. Minto! Vi uma vez em mil (!) novecentos e noventa (acho que foi por aí) quando ele completou 50 anos e teve uma partida comemorativa. Salvo engano, foi até o Senna quem deu o pontapé inicial. Justo o Ayrton que era um perna-de-pau lascado. Enfim...
Marcar mil gols é um feito. Comecei a pensar se o Garrincha deu mil dribles. Se o Jordan fez mais de mil pontos. Se o Schumacher deu mil voltas. Se a Hebe já cometeu mil gafes. Se o "deus" Jô Soares já leu mil livros. Se o papa já rezou mil terços ou inteiros. E, claro, quantas mil vezes eu já falei que detesto, odeio Chão de Giz, os livros do Paulo Coelho e que não como dobradinha nem se me derem mil reais.
Nossa vida é marcada por esse número mais cabalístico que o sete, o setenta vezes sete que, biblicamente ninguém sabe quanto dá, e , claro, o fatídico 13 (esse o PT sabe quanto e pra quem dá).
O mil nos acompanha no trabalho, naquele momento em que você não quer fazer porcaria nenhuma e o seu companheiro de trabalho vai lá te importunar. Você, para se livrar do inoperante e não lhe dar assistência, diz: "Olha cara, to fazendo mil coisas aqui e não vai dar pra te atender". Digamos que esse seja o milheiro profissional.
Canalha que é canalha, também não perde a oportunidade de dar a sua cantadinha e aproveitar do pobre mil, mesmo porque, canalha bom tem mil facetas e sai por aí dando mil piscadinhas.
O número está no amor também. Claro que ninguém combate o poetinha Vinícius que deve ter tido mil amores. Vai ver que pela pluralidade do nome quis ter mil paixões em mil momentos.
Mas no amor o mil é rotineiro. Quando é começo de relacionamento, um diz ao outro: "quero te dar mil beijos, mil abraços e mil motivos para ficar com você". Porém, com o passar do tempo, os milhares resumem-se a unidade. Vai ver porque o amor é uma coisa ímpar, sei lá. O amor é uma coisa meio estranha, meio mutante e dinâmica. Uma hora é amor, outra hora paixão, depois volta a ser amor novamente. Deve ter umas mil formas de amar, mas ninguém sabe em qual se encaixar.
Falando nisso, não sei se já dei mil beijos. Mas sei que não mil beijei mulheres. Certeza.
Pensando nessas milhagens todas, comecei a pensar se eu tenho algo na casa dos mil. É que sempre tenho mil coisas para contar, para escrever, relatar, essas coisas todas, mas não dá para falar todas de uma só vez, então opto por ir devagarinho, de pouquinho em pouquinho para não assustar quem me lê.
Salário? Mil? Não?
Latinhas de cerveja? É preciso fazer as contas para ver se já bebi mil latinhas. Mas creio que mil goles já bati o meu recorde mil vezes.
Poesias? Estou longe, muito longe. Mesmo porque faz mil anos que não produzo algo poeticamente digno de leitura.
Crônicas? Bem, segundo minhas estatísticas, para cada ano eu produzo (caso não falhe nenhum dia – estou em débito com vocês em seis textos) serão quarenta e oito textos. Em dez anos, quatrocentos e oitenta. Isso levando-se em consideração que há quatro quartas-feiras no mês. Em vinte anos, quando terei bem menos de mil fios de cabelo na cabeça, terei produzido novecentos e sessenta crônicas. Sendo assim, lá pelo ano de dois mil e vinte e oito é que produzirei minha milésima crônica aqui no Tudo Novo de Novo.
Isso sem contar férias e a meia dúzia de crônicas que devo a vocês. Falta bastante tempo... muito tempo... Tempo suficiente para saber se tirou ou não habilitação para dirigir. É que recentemente, segundo informações de um amigo, o Código de Trânsito Brasileiro estipula idade máxima de cinqüenta anos para tirar a tal da carta. Coincidentemente, é o prazo que tenho para escrever minhas mil crônicas.
Sendo assim, como ainda há muito para se escrever, vamos ver se minha milésima crônica será, em plena "meia idade" ou "idade inteira", sobre minha experiência em tirar habilitação.
Só espero ter assunto e leitores até lá.
PS: Só para ser um pouco chato e exato, essa crônica, contando com o título e esse "PS", contém mil palavras. Foi uma forma de ter algum mil registrado na vida, já que não plantei mil árvores, não tenho um livro de mil páginas, nem mil livros publicados e, muito menos, mil reais na conta.
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Devo e não nego
Mãe é mãe e só tem uma, ainda bem. Elas só mudam de endereço. Para os homens, deixamos a casa delas para morar com uma companheira que logo virará mãe. A vida é assim e nada podemos fazer, ou melhor, não queremos fazer.
Na semana passada foi dia das mãe e me lembrei de uma notícia que vi em algum site da internet. Um economista fez um cálculo que ninguém queria saber, mas ele se atreveu a divulgar. Quando deveria ganhar uma mãe de profissão?
Pois é, segundo o economista, uma mãe que fica vinte e quatro horas por dia disponível para os filhos, durante 23 anos, hora em que o rebento decide andar com as próprias pernas, faz cerca de noventa e nove tarefas diferentes por dia.
Se calcularmos isso tudo e comparar com salários de mercado, uma mãe deveria ganhar cerca de duzentos e cinqüenta mil reais por ano! Isso mesmo, pouco mais de vinte mil reais por mês!
Bom, quando vi a matéria só me veio uma coisa na cabeça. Estamos todos ferrados. Imagina se minha mãe resolve pedir esse dinheiro para os filhos dela? Somos em dois e se somarmos o salário dos dois não chegamos nem a um quarto do que deveríamos dar para ela todos os meses.
Como é que vou pagar tanto dinheiro para minha mãe?
Já pensou a enxurrada de processos que a justiça pode receber de mães que desejam reaver o que lhe é de direto dos filhos? Não quero nem pensar!
Se todas as mães do mundo exigissem sua parte, a economia mundial entraria em colapso. Somos seis bilhões de pessoas, sendo que 50% mulheres. Se dessas 50% de mulheres, 30% forem mães, teremos cerca de 1 bilhão de mães no mundo. Multiplicando por USD 120.000, daria a ínfima quantia de 120 trilhões de dólares. Quase nada!
Para se ter uma idéia de quanto devemos, o PIB brasileiro é algo em torno de 1 trilhão de dólares. Ou seja, o Brasil teria que trabalhar 120 anos para pagar essa dívida.
Na semana passada foi dia das mãe e me lembrei de uma notícia que vi em algum site da internet. Um economista fez um cálculo que ninguém queria saber, mas ele se atreveu a divulgar. Quando deveria ganhar uma mãe de profissão?
Pois é, segundo o economista, uma mãe que fica vinte e quatro horas por dia disponível para os filhos, durante 23 anos, hora em que o rebento decide andar com as próprias pernas, faz cerca de noventa e nove tarefas diferentes por dia.
Se calcularmos isso tudo e comparar com salários de mercado, uma mãe deveria ganhar cerca de duzentos e cinqüenta mil reais por ano! Isso mesmo, pouco mais de vinte mil reais por mês!
Bom, quando vi a matéria só me veio uma coisa na cabeça. Estamos todos ferrados. Imagina se minha mãe resolve pedir esse dinheiro para os filhos dela? Somos em dois e se somarmos o salário dos dois não chegamos nem a um quarto do que deveríamos dar para ela todos os meses.
Como é que vou pagar tanto dinheiro para minha mãe?
Já pensou a enxurrada de processos que a justiça pode receber de mães que desejam reaver o que lhe é de direto dos filhos? Não quero nem pensar!
Se todas as mães do mundo exigissem sua parte, a economia mundial entraria em colapso. Somos seis bilhões de pessoas, sendo que 50% mulheres. Se dessas 50% de mulheres, 30% forem mães, teremos cerca de 1 bilhão de mães no mundo. Multiplicando por USD 120.000, daria a ínfima quantia de 120 trilhões de dólares. Quase nada!
Para se ter uma idéia de quanto devemos, o PIB brasileiro é algo em torno de 1 trilhão de dólares. Ou seja, o Brasil teria que trabalhar 120 anos para pagar essa dívida.
Bom, então a única coisa que podemos fazer é declarar que somos inadimplentes e sempre seremos devedores para essas mulheres maravilhosas que são nossas mães. Devemos retribuir cada centavo disso em amor e alegria. Por que dinheiro nenhum no mundo para o valor de ser mãe e de ter uma mãe. E depois disso devemos agradecer por que ainda bem que mãe só tem uma!
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Penitência
Lá vem o Papa, Papa aqui, Papa acolá. Lá vem o Papa para ver o que é que há. Desculpe o trocadilho, mas achei muito engraçado.
Pois é, nosso querido Pontífice chegou na quarta-feira e chegou causando reboliço ao declarar-se contra a camisinha e contra o aborto. Temas polêmicos. E neste quesito estou 50% de acordo com ele. Aborto eu sou contra, Camisinha eu sou a favor. Chega de por filho no mundo para ganhar bolsa família do governo.
Quinta-feira ele foi ao encontro dos jovens. 40000 mil mais precisamente. E tem que fazer isso mesmo. Quem sabe assim a Igreja recicla um pouco suas idéias. Ser contra a camisinha para pessoas casadas como forma de controle de natalidade é um pouco antiquado demais.
Porém concordo com o Papa quando ele diz que não podemos ter uma fé de supermercado onde adotamos os preceitos que queremos e os que não queremos tudo bem. Se for para ser assim é melhor não seguir nenhuma religião. Mas que a Igreja tem umas idéias antigas, isso tem.
No fim-de-semana, todo o tumulto da na cidade de São Paulo irá mudar para Aparecida. Um lugar bem mais adequado para receber o Santo Padre. Por mais que o Mosteiro de São Bento seja lindo e que fique de frente para uma das ruas mais charmosas do centro da cidade, não dá para receber uma autoridade que mobiliza tanta gente numa cidade caótica como São Paulo.
A capital paulista atingiu o limite da insanidade e do caos. Quem sabe a benção de Bento XVI possa ajudar a humanizar um pouco essa selva de pedra e violência. Acho que vai ser difícil, mas milagres acontecem.
Dizem que o Lula levou um litro de cachaça para o Papa benzer. Parece que ele ouviu dizer que Pinga Benta não dá ressaca. Sei não!
No momento em que você estiver lendo esta crônica, já poderemos ter o primeiro santo brasileiro. O Frei Galvão, irá se tornar o Santo Frei Galvão. Uma correção tardia para este povo que já contribuiu tanto para a Religião Católica no mundo. Agora só falta um Papa brasileiro. E que seja o próximo.
Seguindo a onda das falsificações, as pílulas do Santo Frei Galvão estão sendo copiadas no Rio de Janeiro e vendidas. Papelotes brancos são vendidos por toda cidade. O único problema é que esse papelote falsificado custa mais caro que o original e dá o maior “barato”.
Essa visita ilustre de Bento XVI poderia nos prestar um favor muito grande, confessar o presidente Lula. Quem sabe assim a penitência dele não seja rezar durante quatro anos seguidos e assim ele deixa de fazer tanta besteira. Amém.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Pera lá!
Esse blog adora desafiar os preconceitos. Contestar os que contestam as características de um autêntico Macho Moderno.
Dessas características, a quebra da exclusividade de certas coisas pertencentes ao universo feminino e´ uma das que mais chocam. Os homens progressivamente roubam muitos artifícios das mulheres, brincos, escovas, jóias, entre outras.
Porém há que se dizer que ainda existe uma linha. Homens são fortes e viris, mulheres delicadas e frágeis. Não como personalidade, pois sei de muita mulher que dá de dez em alguns homens em questão de força. Porém a moda tradicional tende a colocar as mulheres como mulheres, objetos de veneração e os homens como, bem, homens. E isso funciona, mantém as coisas razoavelmente no lugar num mundo tão confuso.
Digo isso tudo porque li numa coluna da Gloria Khalil que inventaram meia-calça pra homem. Aquelas meias finas mesmo. Se não acredita visite esse site ,tem até vídeo.
Porquê um homem usaria esse tipo de meia? Não usamos saia! No máximo Kilt e sem cueca. Portanto o tal produto é inútil, a não ser que você use saias e vestidos, mas nesse caso acredito que você já tenha meias finas.
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Da série “Quem não morre não vê Deus” : É simples!
Como diria um grande filósofo e amigo: “Tudo na vida tem 50% de chance de dar certo”. Você ganha na loteria, ou não. Você consegue beijar a Juliana Paes, ou não. Você come Frut Loops com leite no café da manhã separando todos os aneizinhos rosas no canto direito do prato pra comer no final porque é mais gostoso, ou não.
Metade-metade. Não tem mistério.
Depois que você descobre que tudo se resume a um simples código binário as coisas realmente ficam mais simples.
Relacionamentos, por exemplo. Raciocinemos baseados em ciência pura : astrologia.
No zodíaco existem 12 signos. Considerando os casos mais ortodoxos onde temos 2 indivíduos envolvidos, encontraremos 144 tipos de relação (12 X 12, se você não sabe o porquê da multiplicação, acredite em mim, eu era muito bom em matemática no colégio). Sem contarmos os ascendentes, claro. Ou seja, quando você conhece alguém, das 144 relações possíveis ou você se dará bem ... ou não. Ponto final.
Isso se você acreditar em astrologia. Se não acreditar, você faz parte do 50% que pararam de ler o texto meio do último parágrafo. Ou não.
Na verdade eu também não acredito muito nisso. Sou de touro e vocês sabem como são os taurinos, né?!
Enfim, poderia continuar o texto com mil exemplos a fim de comprovar esta teoria, mas como ela é simples fico por aqui.
Apreciem com moderação. Ou ...
P.S.: A série "Quem não morre não vê Deus ..." traz crônicas criadas num momento de "branco" total, onde qualquer coisa que me passa pela cabeça é o tema da vez.
Metade-metade. Não tem mistério.
Depois que você descobre que tudo se resume a um simples código binário as coisas realmente ficam mais simples.
Relacionamentos, por exemplo. Raciocinemos baseados em ciência pura : astrologia.
No zodíaco existem 12 signos. Considerando os casos mais ortodoxos onde temos 2 indivíduos envolvidos, encontraremos 144 tipos de relação (12 X 12, se você não sabe o porquê da multiplicação, acredite em mim, eu era muito bom em matemática no colégio). Sem contarmos os ascendentes, claro. Ou seja, quando você conhece alguém, das 144 relações possíveis ou você se dará bem ... ou não. Ponto final.
Isso se você acreditar em astrologia. Se não acreditar, você faz parte do 50% que pararam de ler o texto meio do último parágrafo. Ou não.
Na verdade eu também não acredito muito nisso. Sou de touro e vocês sabem como são os taurinos, né?!
Enfim, poderia continuar o texto com mil exemplos a fim de comprovar esta teoria, mas como ela é simples fico por aqui.
Apreciem com moderação. Ou ...
P.S.: A série "Quem não morre não vê Deus ..." traz crônicas criadas num momento de "branco" total, onde qualquer coisa que me passa pela cabeça é o tema da vez.
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